quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Biggest Human Smiley!

^^


terça-feira, 26 de novembro de 2013

Meu sexto sentido, Dólares e Bit Coins

E aí povo? Beleza? Comigo não, mas tá tudo bem. Se chamarem no inBox para saberem o que é, não reclamem se eu chorar a conversa toda. Estão avisados.

E eu já largo avisando porque vocês são assim mesmo. Bem do tipinho de vocês lerem o que eu escrevo, não me seguirem no twitter (@alssst), não me adicionarem no facebook (Arthur Luiz Tavares) e não comentarem aqui mesmo. Aí eu passo a noite inteira com 500 chats, conversando sobre 2000 assuntos diferentes e não consigo me concentrar em escrever para vocês, em trabalhar nos meus livros, etc...

Pior: vocês acabam não se conhecendo uns aos outros! Já conversei com duas pessoas ao mesmo tempo, sobre o mesmo assunto, cada qual defendendo um extremo do ponto de vista. Só por piada, eu usava os argumentos de um, contra o outro. Foi muito engraçado. Sério.

Sim, pode parecer arrogante, mas é só o retrato de uma noite comum do Arthur. E como eu sei que outras virão? Por causa do meu "sexto sentido matemático". E, acreditem, ele existe e é foda.

Enquanto vocês têm que criar planilhas, popular elas com os dados para, depois, pedir para o papai Excel fazer a curva de evolução dos dados, o gráfico vêm automaticamente na minha cabeça.
Poxa gente. Se anteontem foi 1, ontem era 2, hoje está no 3... É meio óbvio que amanhã deverá estar no 4, né?

Bem, mais uma vez eu acabei de notar algo que é meu, mas eu achava que era comum a todos nós. E é algo tão especialmente meu, que eu já vou jogar na condição de sexto sentido. Eu "sinto" esses padrões. Eu "jogo" com eles. É quase uma clarevidência matemática.

Mas eu tenho que provar que tenho isso, né? Então vamos lá.

Meio da década de noventa, Plano Real recém instituído. O Dólar saiu de um patamar de completa incompreensão monetária para uma situação de submissão à nossa nova moeda. Entenda: a inflação galopante fazia com que o Dólar variasse tanto, que somente quem já trabalhava com Dólares sabia como a moeda se comportaria, frente a nossa desorganização financeira. E, de uma hora para outra, entrou a URV, padronizando nosso sistema financeiro. Daí para a instituição do Real foi um pequeno passo.

O Real nasceu chutando a bunda do Dólar. Nossa moeda era conceitualmente tão forte, que um mísero Real chegou a valer dois Dólares.

O Arthur da época devia ter algo entre 13 e 16 anos. Um piá de merda, se você preferir. Eu não dominava um centésimo da matemática que domino, hoje em dia. Mas, mesmo assim, cuidando os jornais com o canto do olho, meu sexto sentido notou o padrão. Larguei, naquela época, para os meus familiares que tinham algum dinheiro para investir: COMPREM DÓLARES.

Eu não entendia porra nenhuma de economia. Não tinha a menor ideia da situação da indústria brasileira. "Balança Comercial", "PIB", "Índice Bovespa", eram termos obscuros, pronunciados pelo apresentador do telejornal (Sérgio Chapelen e Cid Moreira, se eu ainda não estou louco...) (Sim, eu sou velho. HAHAHA. Melhor que você, que é jovem, gordo, feio e cara de mamão). Para mim, na época, era líquido e certo: o Dólar valorizaria. O Brasil não sustentaria o Real tão valorizado.

Os meus parentes e pais de amigos que me escutaram e compraram dólares me agradecem até hoje. Houve quem adiou a compra de uma casa por dois anos, devido ao meu conselho. Só esperando, entupiu o rabo de dinheiro. (Aliás, um presentinho de agradecimento não ia nada mal, einhô?)

Bem. Eu posso ter inventado tudo isso aqui, né? Beleza. Então eu vou dar um exemplo "daqui pra frente". Aproveite quem quiser. Eu estou aproveitando.

Em 1998 uns nerds criaram o tal do Bit Coins. Uma moeda virtual, gerada por um programa de computador. Você deixa o programa rodando, ele gasta um monte da memória, capacidade de processamento e da vida útil do teu computador. Além disso, se você quer muitas Bit Coins, você tem que colocar vários computadores full-time, 24 horas, 7 dias por semana, 4 semanas por mês. Isso gasta muita energia elétrica. Ainda mais se você colocar um ar condicionado para não fazer a sala pegar fogo com o calor dos computadores sendo usados direto.

Essa porcaria toda não servia para porra nenhuma. Poucos sites aceitavam Bit Coins em troca de algum conteúdo ou serviço. Geralmente sites pornográficos.

Então veio a crise de 2008. União Européia e Estados Unidos ferrados em recessão. As regiões com economia mais delicada destes dois lugares começaram a sentir os efeitos negativos. Primeiro, foi o dinheiro que rareou. Os empregos foram cortados. Sem salários para gastar, as pessoas não consumiam nas lojas. As lojas pararam de vender, os estoques ficaram parados, demitiram funcionários e não precisavam/tinham como comprar das fábricas. As fábricas sentiram novamente a falta de dinheiro e demitiram mais.

Grécia, Chipre, Espanha, Portugal... Em alguns lugares, uma a cada três pessoas em idade de trabalho não tinha o que fazer. Em um mundo aonde o normal é empregar entre oitenta e noventa e cinco pessoas a cada cem, esses países estavam penando para empregar entre sessenta e setenta.

E você sabe qual é o primeiro tipo de pessoas que são cortados, nessas situações? Sim: homens jovens. As mulheres jovens aceitam ganhar menos(bobas, parem de aceitar isso, BOICOTEM!!!), são mais responsáveis e, geralmente, desempenham as funções com maior qualidade do que os homens da mesma idade.

Esses rapazes se viram com serviços que poderiam prestar, mas ninguém tinha dinheiro para pagar. Foi então que o primeiro gênio se lembrou dos Bit Coins. Passou a aceitar a moeda virtual. Melhor do que ficar parado ou trabalhar por permuta de bens e serviços... Passaram a aceitar Bit Coins aqui, ali... Logo, padarias, cafés, lojinhas... O "amigo do amigo" só poderia pagar com Bit Coins? Sem problemas. Melhor do que não vender nada no mês inteiro...

Você não notou. Eu não notei. Ninguém notou. Mas, ontem, a maior Universidade do Chipre passou a aceitar Bit Coins como pagamento de mensalidades...

E o que essas Bit Coins têm de tão especial? Simples: é a primeira MOEDA que está sendo ACEITA que não foi criada e não é controlada por algum governo.
As flutuações de câmbio dela são incontroláveis e, assim, imprevisíveis. Essa moeda é "criada" "do nada". E, também, é "criada" através de força de trabalho. De negociações, de trocas...

A moeda só tem valor quando nós passamos a aceitar o valor dela para traduzir o nosso esforço de trabalho. E o Bit Coin passou a cumprir essa função. É a primeira moeda de internet realmente bem-sucedida.

Eu coloquei preto-no-branco os dados dos últimos dois dias e o dia de hoje. Você consegue ver o dia de amanhã? Ainda não?

O Brasil esteve, se manteve, está e não entrará no centro da crise, porque nós não "importamos" as coisas boas lá do estrangeiro. Nosso sistema financeiro é infantil, perto dos sistemas do primeiro mundo. Para eles, nós brincamos de esconder dinheiro debaixo do colchão. Por isso não nos desenvolvemos. Mas, em compensação, nós "importamos" todo o lixo cultural. Basta virar modinha lá fora, para - cedo ou tarde - estourar por aqui.

E o Bit Coin JÁ É modinha lá fora. Meu sexto sentido me dá a humilde opinião que só estamos esperando alguma multi-nacional passar a aceitar Bit Coins, para não falarmos de outra coisa, aqui no Brasil.

Por isso, lá vai mais um conselho financeiro do Arthur. Igual ao que dei para parentes e amigos lá no meio da década de noventa. Peguem suas máquinas antigas. Instalem um programa gerador de Bit Coins. Essa merda logo chegará no Brasil. E a cotação dela é cara, por aqui. Um mísero Bit Coin vale, hoje, cerca de dois mil reais. Um computador velho, rodando full-time no mês um programa "minerador", chega a fazer cem reais.

Asso, quando essa modinha aportar em terras tupiniquins, vocês terão os seus Bit Coins para gastar, não precisando inflacionar o câmbio, correndo com seus muitos Reais para comprar os parcos Bit Coins produzidos por aqui... Muito pelo contrário, vocês serão alguns dos poucos detentores de moeda virtual, que será muito desejada e, portanto, muito valiosa.

No meio disso tudo, não sei o que é mais ridículo. Os governos do mundo inteiro querendo limitar a liberdade na Internet, ou as pessoas que acham que os governos terão esse poder e criam "Partidos Piratas" para tentar impedi-los...

Sério, amigos. A única saída é um partido realmente liberal. Clássico. Que torne a liberdade do indivíduo um padrão social. Que forme um Estado aonde todos têm liberdade de tentar, empreender, vencer, perder... E, se a pessoa cair, que tenha perspectivas de encontrar novas maneiras de viver. As amarras dos governos só servem para garantir privilégios para seus favoritos. Precisamo é de um Partido Novo!

Homens de Verdade X Três Pedais

As duas primeiras imagens são do meme.
A terceira imagem é contribuição minha!


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Google Search: Reunion!

Excelente o vídeo.

O segredo é oferecer coisas que as pessoas precisam. E as pessoas precisam é de felicidade.




Sucesso a Qualquer Preço

Demais.

Alec Baldwin foi indicado ao Oscar por esse filme. E ESSA cena é a única em que ele está.

Dá para imaginar o NÍVEL dessa cena. É um discurso para vendas. Mas é um discurso para a VIDA.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

DreamDeck


Enfim eu vou explicar porque eu gosto tanto do filme Clube da Luta.

Quando eu era adolescente, eu li um livro em que o autor dizia que conseguia ter consciência e até mesmo manipular os sonhos. Eu era muito impressionável na época e achei essa ideia simplesmente maravilhosa! Imaginem só eu, uma pessoa altamente sonhadora e criativa, com um espaço tridimensional completamente manipulável!!! De graça! Sempre que eu dormisse!!!

Para mim, era como um Holodeck em que eu passaria um terço (ou mais) do meu dia!

Enfim, comprei a ideia. Agora, era descobrir o "know how": como fazer para estar consciente e manipular os meus sonhos?

Segundo o livro, tínhamos que forçar a consciência dentro do sonho, através de algo simples. O livro sugeria que tentasse ver as minhas mãos.
O processo era simples: ir dormir pensando em encontrar as mãos durante o sonho. Todos os dias, até que conseguisse. Não importava se passassem dias, semanas, meses ou anos. A intenção deveria ser forte, quase obsessiva, e constante. Como eu sou meio autista nas coisas que faço (me concentro e tento até conseguir ou notar que não tenho talento algum para a coisa), passei alguns meses pensando desesperadamente em como encontrar as mãos no meu sonho. Foi um processo exaustivo e até frustrante, às vezes.

Até o dia em que eu as encontrei.

Conscientemente, baixei a cabeça e levantei as mãos. Olhei as costas e as palmas das mãos, com o cuidado de quem analisa algo valioso e que não é seu.

A partir disso, notei-me dentro do sonho. Pronto, estava consciente de que estava dentro de um sonho. Então, acordava. #chatoPraCaralho.
Isso me motivou, claro. Conseguia estar consciente dentro de um sonho. Mas aconteceu por algum tempo. E foi meio que frustrante. Demorei até conseguir controlar o sonho sem acordar.

Enfim, depois que consegui (ou achei que comecei a conseguir) controlar os meus sonhos, algumas vezes uns... incidentes... aconteceram... Sentia vontade de ir ao banheiro e, por estar consciente dentro do sonho, ia até o banheiro mais próximo e... bem... utilizava-o. Só que dormindo. Só que na cama.

Ecaaaaa!!!! Hehe!

(Quaisquer piadas com "mijão", etc... estão proibidas desde já!)

Bem, legal. Eu deliro que consigo ficar consciente nos meus sonhos e que consigo controlá-los. E isso gerou - algumas vezes - incontinências urinárias noturnas. O que isso tem a var com o Clube da Luta?

Bem... Para não ter mais problemas de roupas/roupas de cama/colchões molhados, antes de urinar eu passei a me perguntar se estava acordado ou dormindo, sempre.
O negócio é tão louco que, quando eu notava que estava dormindo, ao menos sinal de vontade de urinar, já acordava e corria para o banheiro. Mesmo sem ter vontade.

O problema só ficou grave quando eu notei uma situação peculiar: quando eu estou acordado, mas com sono, e preciso ir ao banheiro, instintivamente eu me pergunto se estou acordado ou se estou dormindo. E eu só sei que estou acordado quando a memória da imagem da cara do Jack (personagem do Edward Norton no filme), com insônia e olheiras, aparece como um flash na minha mente. Só então eu me permito urinar...

O flash dessa memória do filme não aparece para mim quando eu estou dormindo. Só lembro dele quando estou acordado. E, a sequência do pensamento é a fala do Jack: "você já teve um sonho tão real que não sabia se estava acordado ou se estava dormindo? E, se já teve, como você sabe se você não continua dormindo?"

Jack, muito obrigado. Sempre que eu lembro de você e de sua fala, eu sei que não estou dormindo. Espero que você continue sendo a minha "âncora" no mundo real, enquanto eu delirar que consigo manipular os meus sonhos!

Possessividade e Ciúmes: Não há razão para ter

Eles não se viam há quase duas semanas.

Se namoros à distância são legais na hora de matar a saudade... na hora de criar, cultivar e fazer crescer a saudade, relacionamentos à distância são um saco.

Enfim, ele chegou. Eles tinham uma festa para ir naquele final de semana. Festa de aniversário de um amigo dela. Ele não sabia ao certo se conhecia alguém que estaria nessa festa. Mas, com ela do lado, seria uma noite especial. Com certeza.

Passaram a tarde empenhados em matar a saudade e em se arrumarem para a festa. Às vezes uma atividade atrapalhava a outra, às vezes uma atividade estragava a outra. Mas os dois tinham a infinidade da tarde para se aprontarem para a noite...

Chegada a hora da festa. Foram até o prédio aonde aconteceria a festa. Bairro chique, rua chique, prédio chique, portão chique, jardim chique, porteiro chique, hall chique, elevador chique até a cobertura... chique!

Abriram-se as portas do elevador e a decoração remontava a primavera-verão, com flores e palmeiras... Metade da cobertura possuía uma área fechada, a outra metade era reservada para uma imensa piscina, ao ar livre. O cenário só contrastava com o frio do inverno que havia ficado ali do lado de fora.

Ela deixou o casaco com ele. "Amor, guarda para mim, eu vou ali dar oi para os meus amigos!"

Ele não sabia o que fazer com o casaco dela. Ele ficou segurando o casaco ali, na entrada, até que um funcionário perguntou se queria que o guardasse. 
Ele esperou por ela. Ela conversou com um amigo. Com outro. O riso fácil e angelical dela sempre derreteu o coração dele. E, agora, ele estava vendo o sorriso dela atrair todas as atenções da festa. A festa ocorria aonde ela estava. E cada vez mais pessoas se juntavam ao grupo que ela havia formado através da sua alegria.

Do bar, ele via rapazes e meninas se empurrando para entrar no grupo formado à volta dela. "Eu é que não vou me meter lá..."

As doses e as horas passavam. E todos se divertiam na festa, menos ele. De "é normal!", ele passou a pensar "porque ela não vem pra perto de mim?". Para pensar "porque ela não me chama?" foi um passo. A alegria deu lugar à frustração. Mas foi quando uma outra menina perguntou para ele "quem é você?", que a frustração começou a dar lugar para a mágoa. Ele respondeu: "Eu sou o namorado dela..." - apontando para as bochechas mais vermelhas, para o sorriso mais branco e para os olhos mais brilhantes que já foram vistos na história desse mundo. Foi então que a mágoa deu lugar ao ressentimento: "Dela? Nossa! Eu não sabia que ela tinha um namorado..."

Vocês não sabem, mas ele chorou baixinho e sozinho, no bar, naquela noite.

Ela fez o revesamento completo, cedendo cerca de dez minutos para dar "oi" para cada um dos cerca de trinta convidados da festa...

E ele seguia sozinho no bar, só olhando à distância tudo o que acontecia. A frustração, a mágoa e o ressentimento fizeram com que ele passasse de um "essa é a mulher da minha vida!" para um "quando ela falar comigo, eu vou acabar tudo!"

Passava das quatro horas da manhã quando ela chegou perto dele. "Amor, pega meu casaco, vamos embora?"

Com a cara mais fechada que ele conseguiu encontrar, pegou o casaco. Chamou um táxi. Enquanto desciam, ela tagarelava algo sobre o que havia descoberto nas conversas daquela noite.

O táxi chegou. Ela não parou de falar até chegarem na casa dela. Desceram. Entraram.
"Eu não acredito no que tu fez comigo." - Ele falou. "Então você me esconde de todos quando eu estou longe e me evita quando eu estou perto?"
"Do que você está falando?" - Ela ficou surpresa, seu olhar não escondia que notara uma dor profunda vinda dele.
"Seus amigos não sabiam nem que você namorava. E você não olhou para mim na festa! Deixou-me mofando no bar!" - Ele estava preparando as frases para terminar tudo. "Você deu pelo menos dez minutos para cada um naquela festa... E para mim você não deu um mísero segundo. Não me envolveu. Não fez questão de me mostrar para seus amigos..."

"Amor... Eu dei dez minutos da minha atenção para cada um deles, nessa noite. Mas você não está notando que eu voltei para casa contigo. Que eu estou aqui contigo. Que eu te dou horas e horas da minha vida... Se você somar todo o tempo que eu dou para todas as outras pessoas, não chegará à metade do meu tempo que eu sempre quis te dar, que eu estou querendo te dar agora e que eu vou querer te dar até o final da minha vida..."

Ele não sabe se foi desarmado pelo novo ponto de vista que inundou a sua mente, naquele momento, ou pelo abraço que berrava "me desculpe, é meu jeito, não notei que te machuquei, me perdoa".

Ele entendeu naquele momento. O mundo não precisava ficar sabendo dos dois. E ela era uma pessoa independente que havia escolhido ficar com ele, porque ele era especial para ela. E, enquanto ele cuidasse de si próprio para ser bom o suficiente para atrair a admiração dela e cuidasse dela o suficiente para que ela se sentisse segura do lado dele, seria ele quem estaria com ela aonde realmente importa: no seu coração.

Naquele momento ele notou para aonde deve redirecionar toda força do ciúmes, da mágoa e da frustração. Daquele momento em diante, sempre que esses sentimentos apareciam, ele direcionava os ímpetos para compreender aonde ele estava errando. Aonde ele poderia melhorar. Aonde ele deveria agir. O que ele poderia fazer para que os olhos cor de mel dela o olhassem com mais ternura, como ele sempre quis.

Naquele instante ele entendeu que ele errou na festa. Se ELA era a pessoa mais especial da festa, ELE era a pessoa mais especial para ELA. Se ele tivesse ido até perto dela, ele não seria mais um que disputaria espaço e a atenção dela. Ele seria posto em um pedestal, seria apresentado, seria enturmado... O centro da festa giraria em volta dele.

Isso passou-se muito tempo atrás. Mas até hoje ele se pergunta no que ela pensou durante aquela festa. Talvez... Ela tenha ficado mais magoada com ele, do que ele ficou com ela. Talvez ela tenha irradiado tanta alegria só para chamá-lo para perto dela. Talvez ela tenha se sentido sozinha e abandonada por um namorado que morava longe e que, quando esteve perto, decidiu se isolar da festa, ir para o bar e beber a noite inteira longe dela.
Talvez ela tenha sido um ser tão superior que, até em um momento em que ela estava super magoada e ele estava sendo muito agressivo, ela deixou todos os sentimentos bons dela formarem as frases mais bonitas do mundo, que resolveram tudo no espaço contido entre duas batidas de dois corações apaixonados...

Ritos de Passagem Modernos

"Ou você é parte da solução, ou você é parte do problema."

Oi amigo. Tudo bem contigo? Comigo as coisas continuam o mesmo de sempre. As ideias continuam brigando na minha mente. E me surpreendendo sempre.

Outro dia, por exemplo, estava olhando um documentário na TV. Esse documentário apresentava a vida de meninas africanas. Elas tinham que passar por um rito de passagem para provarem que são mulheres e que já poderiam casar. O rito? Elas eram obrigadas a tatuar as bochechas com riscos e pontos, ali perto dos dez anos de idade. E a tatuagem era feita do modo mais primitivo que você possa imaginar: uma agulha molhada em tinta de origem natural, perfurando a pele da criança. Se o relato já parece ruim, ver a menina sentada no chão poeirento sento torturada por um adulto foi péssimo. Ver aquela menina sendo tatuada só não deve ter sido pior do que ser aquela menina e estar sendo tatuada por motivo tão primitivo.

Mas foi nesse "motivo tão primitivo" que eu parei. Automaticamente, policie-me. Será que o meu julgamento está correto? Passei a verificar a nossa sociedade ocidental, dita evoluída. Será que nós, também, não passamos por "ritos de passagem"?

Bem, passei os olhos em cada adolescente que eu conheço. Inclusive (é claro) em mim mesmo. E eu notei que nossos adolescentes têm, em quase sua totalidade, uma mesma característica. E, quando essa característica é superada, a sociedade passa a tratar o indivíduo como adulto.

Diga-me, amigo, se alguma vez na vida você deixou de fazer alguma coisa por falta de certeza de como ela deve ser feita. Alguma vez você preferiu "não mexer por não saber como a outra pessoa queria que ficasse pronto"? Ou "esperar pela outra pessoa para que ela fizesse do modo correto"?

Se eu estou certo, acredito que você já usou ao menos um desses pensamentos para se esquivar de uma responsabilidade.

Só que, em determinado momento das nossas vidas, parece que o nosso software foi atualizado. Da noite para o dia nós passamos a preferir assumir a responsabilidade de fazer as coisas. Do nosso modo. Mesmo que o nosso modo não seja o que os outros querem. Assumimos os erros que cometemos para aprender a fazer as coisas de modo direito. E, uma vez que aprendemos a fazer as coisas, nós, adultos, não esperamos que outra pessoa nos diga - sequer - o que deve ser feito. "Do dia para a noite" notamos tudo o que deve ser realizado. E, mesmo como toda a preguiça e cansaço do mundo pesando sobre nossos ombros, nós damos o nosso jeito. Deixamos as coisas prontas. Pode até ser que outros adultos questionem nossos métodos ou que adolescentes não compreendam porque o fizemos. Mas o que devia ser feito foi realizado. E o resultado é satisfatório.

Nós, adultos, passamos por este rito de passagem. Somos obrigados a deixar a inatividade e a insegurança adolescentes para trás. Passamos a enfrentar e a vencer as barreiras do dia-a-dia. Uma a uma. Desde as mais insignificantes (como arrumar uma cama ou lavar uma louça), passando pelas essenciais, como firmar contratos e ganhar dinheiro de verdade, até as mais complexas, como fazer tudo que deve ser feito de modo a não atrapalhar aos demais, descobrirmos e disseminarmos novos e melhores métodos e levarmos em consideração todo o futuro e o planeta em nossos processos.

Amigo, dixe-me fazer o parêntese das exceções à esta regra. Os pormenores são importantes, porque não é todo mundo que consegue olhar a ideia principal e imaginar as exceções. Não posso esperar toda essa boa vontade de todos.

Primeiro que eu uso o termo "adolescente" de modo generalista. Sei bem que muitas pessoas de 14, 15 anos já passaram por estes ritos de passagem e são adultos plenos. Mesmo na flor da idade. Assim como sei, também, que temos pessoas de 30, 40 ou mais anos, que ainda mantém-se nessa etapa adolescente da vida.

Muitas coisas acontecem (ou não) na vida das pessoas. E a falta de consciência desse rito de passagem moderno faz com que o mundo não proteja algumas pessoas até a idade adequada, enquanto superprotege outras pessoas, fazendo-as passar da mesma idade adequada.
Adolescentes que engravidam, por exemplo. Meninas de 13, 14, 15 anos, que já têm filhos, acabam se descobrindo como adultas antes do momento ideal. Crianças que nascem em famílias muito pobres e precisam fazer algum tipo de trabalho para ajudar os pais a manterem a casa, também passam pelos ritos de passagem antes do momento ideal. Assim como tantos outros que, por algum motivo que não me ocorra agora ou só por sua própria natureza, acabam desenvolvendo a sensatez mais aguçada antes do momento ideal. São, todos, adultos precoces.
Por outro lado, a superproteção de parentes, cônjuges e da sociedade em geral podem infantilizar um adolescente por tempo demais. Pode, inclusive, fazer com que pessoas que já deveriam ter passado pelo rito de passagem não o façam. E se tornem indivíduos com 25, 30, 40 anos ou mais, sem a sensatez necessária para enfrentar o curso prático da vida adulta ocidental moderna. Obviamente, devem existir centenas de outros motivos para isso acontecer. Entre eles a natureza do próprio indivíduo.

O que importa é saber que o rito de passagem não é exato. Embora aconteça "do dia para a noite", esse momento não é o aniversário de 18 anos de cada um de nós. Alguns já são adultos antes dessa data. Outros morrem décadas após esta data, sem se tornarem adultos de fato.

Mas eu citei muito "o determinado momento da nossa vida" como sendo a passagem pelo rito. Mas... que momento é esse?

Esse momento passa desapercebido por todos nós. Na verdade, ele não acontece "do dia para noite". A transição ocorre durante o desenvolvimento do nosso cérebro e, por isso, é gradativa. Pesquisei um pouco por isso, amigo. Não sei se você já leu sobre, mas o ser humano já tem células nervosas lá na primeira semana de vida (que muitos gostam de chamar de "morula", em vez de "ser humano"). Essas células nervosas vão se multiplicando, se juntando e, fisicamente, só lá no terceiro mês de gestação (como assim "só"?" Eu diria "já"!) cada feto tem um sistema nervoso que pode ser reconhecido como o de um ser humano. Cérebro, medula, nervos... E, melhor ainda, todos controlando áreas do nosso corpo, seja do sistema simpático ou do sistema para-simpático.
Agora vem o interessante: mesmo já tendo um sistema nervoso reconhecível, o ser humano em gestação não desenvolve ele completamente. Aliás, o feto nasce e o sistema nervoso ainda não está completo. Inclusive, se olharmos os primeiros anos de vida de qualquer um de nós, não temos tanta diferença de comportamento em relação a chimpanzés ou até mesmo cachorros. Aprendemos bastante, mas nossas vontades e ações são primais.
Bem, acontece que aprendemos a falar, a andar e a socializar. Mas, mesmo assim, nosso cérebro ainda não está pronto. Em média, o cérebro humano completa seu desenvolvimento somente lá pelos 25 anos de idade. Por isso é tão fácil aprender coisas novas até essa idade. Por isso que as crianças são colocadas nas escolas até esta idade. Por isso que a grande maioria das descobertas e das melhores obras de arte são efetuadas até esta idade. Muitos acham que é por isso que o índice de suicídios é tão grande após os 25. Inclusive de grandes artistas do último século, aos seus 27 anos. E é exatamente por isso que é tão difícil aprender alguma coisa nova após os 30 anos. Depois disso, nosso cérebro - assim como todo nosso corpo - termina a curva ascendente de desenvolvimento, estabiliza e, como toda boa parábola... começa a parte descendente da curva. O cérebro passa a se deteriorar ao invés de se formar. As conexões entre os neurônios passam a ser formados mais lentamente. Ou nem são formados.

Eu acredito que, embora possamos acelerar ou retardar o desenvolvimento da sensatez em indivíduos, ela é um evento fisiológico natural. Algo a ser pesquisado. Como somos máquinas químicas vivas, algum neurotransmissor ou hormônio deve começar ou parar de ser produzido. Ou, simplesmente, a sua quantidade produzida é modificada para mais ou para menos. Enfim, alguma alteração passa a acontecer. E, a partir dessa alteração, o corpo passa a esperar pelas situações para empregar a nova forma de ver o mundo. E, enquanto as situações vão aparecendo e essa nova forma de ver o mundo é empregada, novas conexões entre os neurônios são criadas e o cérebro é "construído" em volta dessa nova arquitetura.

O resultado é que, depois de algum tempo, o indivíduo se vê de forma diferente. Mais maduro, mais responsável. Mais efetivo. Ninguém precisa apontar para ele o que deve e o que não deve ser feito. O indivíduo passa a não precisar que outros lhe indiquem como as coisas devem ser feitas. E os resultados das suas atitudes são sempre satisfatórios. Mesmo que o método empregado não seja o dos outros, o resultado (cama arrumada, pia limpa, roupa pronta para ser usada, tarefa cumprida, cliente satisfeito, meio ambiente mais agradável para todos, recursos preservados para as futuras gerações, etc...) são reconhecíveis por todos à sua volta.

Essa pessoa passa a ter credibilidade pelos resultados obtidos. E essa credibilidade cria um "personagem" em volta do indivíduo. O indivíduo é reconhecido como adulto pleno. E passa a ser tratado como tal.

O indivíduo deixa de ser gerador de problemas e passa a encarar cada problema que encontra como uma oportunidade para desenvolver soluções.

Eu não sei se eu consegui me fazer entender, amigo. Isso - assim como todos os meus outros textos - são só ideias correlacionadas. Coisas que eu consegui observar. Talvez eu tenha visto só a ponta do iceberg. Talvez tenha visto só um lado dele. Se você estiver do outro lado ou consiga ver de um ponto um pouquinho mais alto, consegues me dizer o que eu não consegui enxergar?

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Militantes em Causa Própria

Mais um texto que complementa tantos outros que eu já escrevi, por aqui.
Porque eu falo coisas que, para mim, são óbvias. Mas eu - assim como qualquer mortal - nem sempre percebo que, para os outros, o que é obvio para mim passa como um mistério insolúvel.
Exemplos?
Sempre disse que a educação é o problema do Brasil. Faz pouco tempo que escrevi um texto dizendo EXATAMENTE qual é o problema e como solucioná-lo.
Sempre disse que os políticos roubam. Mas faz pouco tempo que eu escrevi um texto dizendo EXATAMENTE como eles metem a mão no nosso bolso e como podemos nos proteger deles.


Seguidamente eu digo nos meus textos que odeio quem "milita em causa própria". Mas eu vou citando casos aqui e ali, sem explicar na totalidade o problema.

Mesmo porque muitos de vocês sequer compreendem que isso é um problema. Alguns, inclusive, devem achar uma coisa boa e até natural.

Já escutei como contra-argumento que ninguém consegue se envolver com todos os problemas do mundo. Por isso, é natural que as pessoas só se envolvam com as causas que as tocam. Doenças, males da vida em sociedade, criminalidade, drogas, estupros, etc... É normal que a pessoa só volte sua atenção para um problema quando a desgraça bate à porta.

Alguns de nós aceitam a mazela, feito carneiros prontos para o abate. E, por causa dessas pragas passivas, os "militantes em causa própria" são desculpados pela sociedade: "pelo menos eles estão fazendo alguma coisa para resolver o problema!", dizem por aí...

Então, passeatas, ONG's, leis e todo escambau de idiotices são criadas. E, é claro, devido ao movimento gerado, a mídia chove para divulgar.


Vamos ver se eu consigo explicar para vocês o problema nisso tudo.


Você sabe porque existem os advogados?

Tipo, de verdade, você sabe porque VOCÊ não pode falar diretamente com um juiz? Porque se faz necessário que haja um representante entre você e a pessoa que decidirá a questão em que VOCÊ está envolvido?

Não, não é corporativismo. Não se trata de "estudos", de capacitação ou de experiência. Fosse por qualquer um desses motivos, os próprios advogados poderiam se auto-representar perante a lei. E não é o que acontece.

A principal justificativa para a existência de advogados é o distanciamento emocional do caso.

Claro, o advogado se envolve com a questão do seu cliente, enquanto o caso se estende. Mas, como os fatos não aconteceram com o advogado, ele consegue visualizar os acontecimentos com frieza. E essa frieza é fundamental para que se consiga encontrar o melhor caminho e a melhor solução para as contendas que precisaram ser postas perante um juiz.

Distanciamento. Não-envolvimento emocional. Frieza.

Com a cabeça no lugar, o advogado consegue utilizar, provar e sustentar argumentos sólidos. E, amigo, só desavisados acreditam que uma discussão pode ser ganha com um "porque sim" ou com um "porque não".

Tendo isso tudo em vista, pense por um instante na validade do "argumento": "Porque EU VIVI essa situação!"

É, né?

É EXATAMENTE por isso que pagamos pessoas para serem prefeitos das nossas cidades, governadores dos nossos estados e presidente do nosso país. Deve haver alguém responsável por atender aos pedidos. Medir, imparcialmente, o que deve ou não ser feito. Buscar A MELHOR SOLUÇÃO. Sabe aquela solução perene? Que resolverá a situação por gerações a fio? Não qualquer fucking paliativo babaca, que apenas abafe o problema provisoriamente.

O ser humano é uma máquina química de extremo refinamento e complexabilidade. E essa nossa química gera reações em nível de impulso elétrico cerebral, a todo momento. São sensações que "vêm do nada". Essas sensações são transformadas em pensamentos através do nosso complexo sistema de símbolos. Imagens e palavras são formadas no nosso cérebro instantaneamente, a partir de um simples toque. Essas imagens não são "frias" como as de um computador podem ser. Um simples toque pode disparar milhões de pensamentos, conscientes ou não. E o problema maior reside nos "pensamentos NÃO conscientes". O que costumamos chamar de "emoções".

As emoções criam fatores que as fazem preponderar sobre os demais pensamentos. E, via de regra, os fatores das emoções não são os mais importantes para serem levados em conta. E, justamente por não sere conscientes, nem sempre sabemos o porquê estamos agindo dessa ou daquela forma. E os "argumentos" "porque sim" ou "porque não" aparecem.

Agora, pense nisso tudo incluído no contexto da difícil arte de enfrentar o dia-a-dia. Onde o inevitável confronto de interesses acontece a cada segundo. Seja por uma vaga no estacionamento, por um som alto no vizinho ou nas difíceis "decisões de Salomão".

Em um mundo ideal (o meu), as pessoas saberiam separar a razão da emoção o tempo inteiro. Eu faço isso. Foi difícil aprender a fazer isso. Demorou muito tempo, aliás. Mas é extremamente recompensador, garanto. Você nota quando e como você está errado. Passa a fazer as coisas preventivamente, para não errar logo ali depois da curva. Você nem entra em contendas, justamente por viver de uma forma correta. E, quando entra em alguma discussão, geralmente sai ganhando. E de forma fácil.

Emoções atrapalham o pensamento. Fazem com que as nossas decisões nem sempre sejam as mais acertadas.

Imagine, então, o que acontece quando uma pessoa movida por emoção entra em uma discussão. É, não é preciso se esforçar muito para alcançar o quadro geral. Gritos, agressões, argumentos rasos e, é claro, as decisões mais imbecis que o ser humano pode tomar.
E o orgulho humano consegue eternizar qualquer decisão tomada "de cabeça quente". Sim, um dos maiores alteradores de comportamento do ser humano é o seu próprio orgulho. Mentimos e defendemos causas que não acreditamos de cabeça quente. Depois, por puro orgulho, fazemos o impossível para mantermos essa posição adquirida do modo mais estúpido.

E, por último, te desafio a dar o último passo. Imagine quando a discussão atinge duas ou mais pessoas com alto comprometimento emocional.
É o inferno DO INFERNO, materializado aqui na terra. Satã tem medo da criatura que se apossa dessas pessoas, durante as suas discussões.

E, insisto na máquina química (é importante não esquecermos disso): se até as coisas mais simples interferem na capacidade de pensamento racional, o que dizer dos grandes traumas que acontecem nas vidas de todos nós?

Se há pessoas que chegam às vias de fato por causa de um desentendimento no trânsito, o que podemos esperar do raciocínio lógico de pessoas que passaram (elas próprias ou pessoas próximas) por um trauma?

Bem, aqui no Brasil (talvez no mundo todo) nós costumamos apoiar as causas dos "traumatizados pró-ativos". Ou, como eu gosto de chamá-los, dos "militantes em causa própria".

Amigo, entenda: eu sou solidário com o seu problema. Aliás com o problema de qualquer um que venha se queixar para mim. Se uma situação incomoda o suficiente para que alguém se queixe, é porque precisa do mínimo de atenção.
Mas VOCÊ, definitivamente, não é a pessoa mais indicada para resolver o problema social que TE atingiu.

Quando algum "traumatizado motivado pró-ativo" se mete a resolver o problema social que o atingiu, geralmente ele acaba criando mais problemas do que resolvendo. E faz isso na inocência, muitas vezes sem notar que superestima o problema. Passa o dia remoendo a porcaria da causa, gerando milhares de argumentos "cale a boca você", para convencer a todos.

Entenda: Existem problemas, é vital que todos sejam resolvidos e é preciso que alguém faça alguma coisa, sim.

Mas o SEU problema não é maior ou menor do que o qualquer outra pessoa.
TODOS os problemas devem ser resolvidos, sem distinção ou prioridade.
E não é alguém envolvido emocionalmente (como você) que vai conseguir encontrar a melhor saída.

E isso, claro, que eu estou começando no nível mais banal e trivial do "militante em causa própria". É bom lembrar que não existe só o "traumatizado motivado", no Brasil. Nosso país criou (ou foi criado) pelo zé-povinho "exXxperto". Aquele brasileiro típico, que "quer se dar bem em tudo". O brasileiro-típico não precisa nem estar traumatizado... É só o bolso ser favorecido que ele vende a alma para qualquer pobre diabo que cruzar o seu caminho. Imagina militar em causa própria...

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Punição Contra Material Íntimo Publicado na Internet?

Vou aproveitar que aqui eu posso me estender, e explicar melhor a sequência de twitts. Preencher lacunas.

Primeiro, sobre a minha "teoria do irmão mais novo".

Eu chamo ela assim porque minha irmã - mais nova - fazia isso comigo. Mas pode muito bem ser o irmão mais velho. O irmão do meio. O irmão adotado ou o irmão legítimo. Pode até ser o primo ou o vizinho. Tanto faz. O importante é que é o piá implicante. 
Sempre tem. Assim como o Loki está para o Thor, sempre um irmão aporrinha outro. Os motivos são variados. Da mais extrema perversidade doentia até a inveja branca.
Um irmão vai lá e implica. Intica. Provoca. Seja com palavras, seja com atitudes ou planos muito bem elaborados. "Foi o fulano quem quebrou o vaso!" - dito com um sorriso nos lábios.
Sempre tem um irmão que quer ver os pais castigando o outro irmão. Sempre.
É normal, mas eu acho doentio. E é um exemplo que se reflete na sociedade de modo geral. Muito cuidado com as vítimas. Ainda mais as que saem alardeando a culpa de terceiros. Não, não estou falando que TODAS as vítimas provocam e são as reais culpadas. Mas que, sim, algumas meninas "provocam e dizem não", até serem estupradas, isso eu já vi.

Não sejamos hipócritas, todos nós sabemos que isso existe.

Segundo, Doença ou Vingança.
Eu não expliquei a DOENÇA, porque ela é óbvia. Há muita gente no nosso país que é doente de pedra, verdadeiros psicopatas, mas andam à luz do dia, dissimulados. Contra DOENÇA não há o que fazer. DOENTES cometem atrocidades sem serem provocados. Simplesmente vão lá e fazem. Seja por não compreenderem as iterações sociais, seja por escutar alguma voz de dentro de suas cabeças. 

Agora, a vingança... ela é marca do ser humano. Ela deriva do senso de justiça, que compartilhamos até com nossos primos, os macacos. Quando algo não parece justo para nós, e não há mais como equilibrar, queremos vingança. Quem aqui nunca escutou um parente de vítima de assassinato bradar "quero que apodreça na cadeia", para o assassino? Até a pena de morte nada mais é do que a vingança de todas as pessoas do Estado. O reconhecimento de que todos falharam ao criar e educar aquele cidadão. E que ele está tão irremediavelmente incorrigível, que a única medida viável de reparação é exterminar a sua vida.

Se a razão nos separa dos animais, é a vingança que nos une a eles.

As pessoas devem ter MUITO discernimento, para conseguirem se afastar do desejo de vingança. E, amigo, em um pais pobre como o Brasil, o que mais tem é gente sem discernimento. Achamos que funk é cultura, somos record de audiência de BBB e votamos no PT.
Fazemos tudo isso, achando que estamos sendo muito espertos...

Assim, é esperado que a esmagadora maioria seja vingativa. 

E quando o final de um relacionamento acontece, o que você espera que aconteça?
Você lembra da música da Legião Urbana? "João Roberto era o maioral, O nosso Johnnie era um cara legal..." Quando tudo acaba, poucos de nós realmente levamos isso tudo numa boa. É normal correr atrás, chorar, pedir perdão, prometer o mundo para continuar junto... 

Mas, quando se tem um coração partido na jogada, nem todos absorvem isso bem. Alguns se jogam de carro na curva do diabo. Outros... Se vingam. Pouquíssimos realmente contornam e seguem a vida numa boa.

Eu? Ah! É! Eu estou passando pelo processo de pé-na-bunda. Já chorei, já corri atrás. Já mandei mensagem às 5hs da manhã. Já não dormi, já gritei na frente da casa. Já xinguei e, agora, estou na fase do despeito. Se eu tenho material dela? Tenho sim. Se eu vou postar? Não. Mas não é um "claro que não". Porque eu não sou hipócrita e mentiroso. Dói, dói muito. E dá vontade de fazer com que ela sofra o mesmo que eu estou sofrendo. Estou aguentando firme, para me manter superior.

Mas é importante preencher mais uma lacuna. Eu disse que um cônjuge dá o pé na bunda "por bobagens" no outro. Amigo, o final de um relacionamento sempre acontece por bobagens. Não importa o tamanho da causa, ela sempre é uma bobagem. Relacionamentos não foram feitos para acabar. As pessoas não foram feitas para perder afeto, carinho e atenção. Parem de transformar tudo em objetos descartáveis.

Quanta ironia, tem gente que quer reciclar o mundo; mas não sabe reciclar seus próprios sentimentos. Largam toneladas de relacionamentos em qualquer lugar. Meios-sentimentos que apodrecem e empestam o ar...

A responsabilidade emocional deve ser ensinada melhor. Independência é um veneno. E, se utilizada em demasia, pode matar. Eu gosto do Pequeno Príncipe. "...Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas..."

Antes de pensarmos em criminalizar a vingancinha estúpida de postar intimidades, vamos criar testes para o início e criminalizar o final de relacionamentos tortos? Vamos colocar casais na frente de juízes, para que eles ouçam o que estão fazendo errado e serem sentenciados a cuidarem mais uns dos outros? Vamos determinar prazo mínimo de convivência para admissão de separação?
Porque, enquanto a separação não é de comum acordo, há alguma coisa de errada com o relacionamento, mas que pode ser consertada.

Bem, se você não percebeu, escrevi essas medidas com sarcasmo. Claro que não dá para mediar toda briga de casal. Nossa geração está perdida. Durmamos com este barulho, paciência. Mas dá para formarmos cidadãos melhores para as próximas gerações. Gente que sairá de casa com mais responsabilidade nos corações. Gente menos hedonista, que pensará no sentimento alheio antes de tomar qualquer atitude. 

Teremos relacionamentos mais sadios e términos mais conscientes.

Enquanto essa solução ideal não é posta em prática, temos que lidar com a situação depravada atual. O que fazer? Cadeia, meu amigo. Não podemos proibir. Quem quer fazer vídeo, que faça. Agora, quem não sabe brincar, que não brinque ou que sofra as consequências.
Só, por favor, apurem corretamente os fatos. Um vídeo na internet pode ter sido enviado por quem se diz vítima. Quem se diz vítima pode ter provocado e agredido sentimentalmente o suficiente para merecer até mais do que um mero vídeo íntimo publicado na internet.

Não Vale Nada

É estranho dizer isso. É estranho passar tanto tempo da sua vida dedicado a alguém.

Jogo perigoso esse, o de fazer de outra pessoa tudo para você. Isso porque, quando essa outra pessoa te falta, o que sobra para você?

Qual é o destino do mundo que deixa de existir, quando alguém abandona o barco e destrói todo o universo que os dois estavam construindo?

Pode me chamar de dramático. Sou mesmo. Sou alguém conectado com outras frequências. Minha cabeça está virada para outro lado, minha atenção não está voltada para as suas festas torpes, suas drogas e suas aventuras sexuais. Vocês, todos, passarinhos. Eu? Passo ao largo da sua mediocridade. Quando eu não noto, é a providência que me afasta da sua insensatez. Quando eu noto, é com propósito e gosto que eu assumo a distância da sua ignorância.

Sofro e sofro mesmo. Sofro porque me forço a acreditar na sua boa intenção. Sofro porque me entrego, mesmo sabendo que não deveria. Sofro porque luto para impedir o final inevitável.

Sofro porque escolho amar a quem não merece sequer minha consideração. Sofro porque meu cérebro tomou toda a inteligencia que deveria ter sido compartilhada com o coração. Sofro porque acredito que vale a pena. Sofro porque sim.

Sofro porque uma mulher... Aquela mulher... Que era a pedra mais preciosa do meu mundo... Escolheu não valer nada para mim. Embora eu ainda dê todo o valor do mundo a ela.





domingo, 17 de novembro de 2013

Pais de Verdade!

E é ASSIM que pais de verdade devem ser!
(Está em inglês e eu não vou traduzir. Se você não entende inglês, abra o tradutor do google e escreva as palavras. Vale a pena e eu estou até te dando uma micro-aula de inglês!)


quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Pré-Decepcionadores

Não se espalham os planos. Não se comentam as conquistas. A felicidade deve ser resguardada de publicação. 

Como diabos eu manterei a minha pose de mau se eu disser que gosto de algo para todo mundo?

E o olho gordo vai atuar sobre os meus planos, jogando contra e impedindo que as coisas que eu disse que gosto aconteçam.

E, se eu estiver feliz por ter conquistado algo, é bom não compartilhar com ninguém. Que é para não ofender.

Melhor mesmo é sair decepcionando à primeira vista. Não pague o comerciante com dinheiro vivo, uma nota sobre a outra. Passe no cartão de crédito, chorando para pagar em 48 vezes sem juros as duas balas que tu comprou.

Decepcionar no primeiro momento é uma estratégia perigosa. É um jogo, aonde tu esperas que a decepção que tu está causando não seja maior do que o sentimento da outra pessoa, mas seja suficiente para que o outro não gere nenhuma expectativa ao seu respeito.

Olha que coisa maravilhosa: você ganha um relacionamento aonde o outro não espera nada de você. Nenhuma responsabilidade significa que você não vai cometer nenhum erro! Proteção garantida contra qualquer briga. Qualquer discussão pode ser vencida com um simples "tu sabia desde o início que eu era assim". Assim, tipo assim... Você era desde o início um idiota. Um preguiçoso, um defasado. Todos nós tentamos ser inteligentes, parecendo burros. Você é uma pessoa estúpida, querendo parecer muito inteligente. Não adianta entupir sua mente com livros de autores com nomes difíceis, se o que sai de você é o mais destilado e puro elixir de ignorância.

Sua estratégia faz de você juri, juiz, promotor, advogado, réu, executor e coveiro. Ao iniciar um projeto decepcionando seus próprios parceiros, você nem precisa esperar que o olho gordo atue. A desgraça já é certa, não precisa nem anunciar para os outros que você está feliz. Você já estragou tudo antes mesmo de algo acontecer.

Então, para se esquivar de críticas, cruzas os braços, só observas o que os seus parceiros estão fazendo, não se envolve em nenhuma etapa do projeto e sequer tenta não atrapalhar: se o projeto estiver no seu caminho, você o destrói.
Você nem nota que o projeto fica sem a sua cara. Sem o seu toque. E é essa a sua estratégia desde o início: se você não se envolve, você não desenvolve sentimentos pelo projeto. Se o projeto der errado, você não vai se sentir mal pelo fim dele.

Mas embora tu ACHE que não tens culpa pela derrocada do projeto, o fato de você não ter ajudado já é a sua culpa. Quando você está no início do projeto, ele depende de você para existir. E, se você não se empenha, o projeto fica torto. Longe do que você quer que ele seja.

Não há hipocrisia maior do que você olhar para o projeto que você iniciou e não ajudou em nada e dizer "não era o que eu estava esperando". Entenda: você começou o projeto, mas não colocou uma gota de suor seu nele. Deixou que os outros o construíssem sozinhos. O projeto vai se mostrando não ter a sua cara, o seu carinho, os seus sonhos, os seus desejos, os seus gostos... A sua falta de envolvimento fez com que o projeto não fosse ou tivesse NADA do que você quisesse. E, mesmo assim, você tem a CORAGEM de dizer que o resultado parcial do projeto não te faz feliz?

Sua estratégia não é só suicida. É mais uma forma refinada de mentir. Porque, ao assinar o contrato em cartório dizendo que você estava estavelmente unida à uma equipe, você disse com todas as palavras possíveis e imagináveis: CONTE COMIGO!
Então, na hora que seus parceiros mais precisam contar com você, você cruza os braços e deixa todos na mão?

Mentira, isso é uma mentira. Se, para você, é proteção, para os outros é uma piada sem graça. Anos de vida podem ser perdidos para que você tenha sua falsa e inútil sensação de proteção.

Medo de se machucar, gerando decepção e mentiras como mecanismos de auto-proteção. Alguém que use dessa artilharia é um ignorante emocional. Alguém incapaz de se abrir até para quem lhe confia a própria retaguarda no meio do campo de batalha.

Alguém que abandona o barco que ele próprio furou. E, depois, ainda fica apontando para o naufrágio, com um sorriso nos lábios que diz "eu sabia que seria assim".

Talvez seja melhor não gritar as coisas que se gosta.
Talvez seja melhor não profetizar os planos em praça pública.
Talvez seja melhor não festejar a felicidade.

Guardar o que se gosta, prender os planos e falsear a felicidade podem ser mentiras monstruosas, também. Mas são mentiras que podem manter os pré-decepcionadores longe de você. Se os pré-decepcionadores podem destruir nossos sonhos no início, nós, sonhadores, podemos destruir os pré-decepcionadores evitando eles.

E tudo o que nós, sonhadores, mais queremos é que esses pré-decepcionadores entendam que nós não vamos machucá-los. Que o final do projeto será maravilhoso para eles se eles participarem do planejamento, da execução e do acabamento. Nós não vamos comer todo o bolo, nós não vamos deixá-los de fora da festa. A ideia é darmos um sentido para nossas vidas juntos, e não agredirmos uns aos outros...

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Eu sou um maluco e tenho que me tratar.

Tem algo de errado comigo.

Vocês, que não falam comigo e só conseguem achar arrogância no meu modo de pensar e nas minhas palavras, notem bem que eu não esto dizendo que sou diferente ou que eu estou certo enquanto o mundo todo está errado. 

Eu estou errado em um ponto. Identifiquei uma coisa em mim mesmo que não funciona bem. Uma falha que atrapalha minha vida.

Eu não deixo de amar ninguém que já tenha amado na minha vida.

Mas é pior: eu não deixo de gostar de pessoas que eu já tenha gostado. 

Não importa o que a pessoa tenha feito para mim. Eu perco a cabeça na hora e, para tentar ser normal, eu me afasto. Porque, se ficar por perto, eu acabo perdoando, esquecendo, relevando e seguindo em frente.

Eu vim "de fábrica" sem acesso ao rancor. Ao ódio, à mágoa e ao desprezo.
Todos vocês com quem eu cortei relações: vocês me fizeram um mal gigantesco. Mas o tamanho desse mal é ínfimo perto do esforço que eu faço para manter vocês longe de mim.

Vamos ver se eu consigo explicar.
Na minha cabeça tem uma chavinha torcida para o lado errado. Ela faz com que eu não veja as pessoas como meros objetos, dos quais eu posso me aproveitar, tirar vantagens e, depois, posso descartar.
Na minha cabeça torta, maníaca e doente, cada pessoa nesse mundo é um universo em particular. E eu - histericamente - não me contento em ser mero figurante ou só um simples coadjuvante. Eu, megalomaniacamente, quero tomar o papel principal. Quero ser parte ativa e quero fazer a diferença.

Eu gostaria de ser algo relevante na vida de cada um que cruzou na minha vida e que eu já cultivei o mínimo de apreço.

Vamos ver se eu consigo exemplificar direito.
Não falo com a minha mãe desde 2002. E o início dos motivos para cultivar mágoas dela remontam 1983. Depois, ficaram muito fortes desde 1994. 1999 foi um ano difícil para nossa relação e 2002 foi o que qualquer um tomaria como gota d'água.

Eu sou o contrário dela. Enquanto ela (assim como toda "mulher moderna") é uma "alma livre", eu ainda sou altamente dependente. Eu sou movido a incentivo, acompanhamento, dedicação, elogio e presentes. Ela só pôde me oferecer um tratamento de "te empurro do ninho torcendo para que tu aprenda a voar... e estou te fazendo o melhor pra ti, seja agradecido!".

Mas, mesmo com tudo isso, o esforço para ficar longe da minha mãe é tremendo.

"Ah Arthur... Mas mãe é mãe... Normal tu sentir isso..."
Ok. Outro exemplo, então.

Eu fui humilhado pela minha primeira namorada. Nos conhecemos, ficamos e ela me virou as costas depois de um dia. Eu? Eu me apaixonei para a vida inteira. Passei um verão inteiro correndo atrás dela. No ano seguinte, levei um amigo para veranear umas semanas comigo. Mesmo comigo tendo declarado todo meu amor por ela, ela FICOU com esse meu amigo.

Para muitos, é o suficiente para nunca mais olhar na cara.

Mas não. O anormal aqui passou um ano chorando por ela. No outro verão, eu estava decidido a não olhar nem na cara. Mas no primeiro olhar ela correu até mim, pulou nos meus braços e ficou comigo quase um mês. Então, parou de ficar comigo.

Ok, agora você acha que eu parei de gostar dela? Não... O candidato à um leito de hospício correu atrás, insistiu, brigou com ela, até ela assumir nosso namoro. Um ano de namoro declarado e à distância. Chegamos no outro ano, tivemos o pior e mais difícil mês das nossas vidas e ela... Ao invés de se manter ao meu lado... Foi ficar com outro amigo meu.

É, eu tinha que parar com a minha burrice, não é? Mas não é burrice, amigo, é doença. É um problema. Não é que eu só lembre dos momentos bons. Estou citando os ruins aí. É só ler. Só que a minha doença só me faz lembrar dos momentos bons. Do sorriso fácil.

"Ah Arthur... Mas esse foi o teu primeiro amor... É claro que tu vai lembrar com carinho, ainda mais depois de tanto tempo..."

Ok, amigo. Vou pegar pesado, então.

Minha última namorada me traiu mais do que você pode imaginar do que alguém possa ser traído.
E eu não estou falando SÓ de traições com outros homens e mulheres. Perdoar isso é relativamente fácil. Deslise momentâneo, pede perdão... Para o maluco aqui passa batido e vamos em frente.
Trabalhar no prédio ao lado do dela por vários meses sem almoçar NENHUM dia juntos... Sabendo que está sendo corneado... Tranquilo. Masoquismo puro. Estágio de loucura a ser estudado por especialistas.

As piores traições não foram essas. Essas se mata no peito. Rebaixa-se mais um pouco do orgulho.
O pior mesmo foi ela ter me deixado seis anos construindo o NOSSO relacionamento sozinho. Ela se colocou no papel "eu estou deixando que o relacionamento aconteça". Não levantou um mísero tijolo emocional para levantar nosso castelo. Não opinou na planta, não disse nem qual estilo queria. Começou a me trair no início de tudo.
Mas ainda tem mais. Não satisfeita em não participar, passou a sabotar. Passou a não dar pistas, a não participar e a se fechar no próprio mundo. Por anos a fio, não me convidou para participar do seu próprio mundo. Muito embora eu tenha ajudado a construir o mundo dela.

Sim, eu me sacrifiquei para endeusá-la... Enquanto ela me tratava com menos consideração do que qualquer outro.

Em um surto de sanidade, eu terminei com ela. E ela pareceu sentir-se aliviada! Duas míseras frases de "eu não quero que acabe" e um silêncio profundo vindo dela.

Mas eu tive uma recaída. Na verdade, voltei à minha condição patológica natural. Voltei para ela. Tudo seria diferente. Enchi ela de presentes. Passei a fazer mais ainda, querendo que ela se interessasse por mim.

NADA. Só mais distância, mais silêncio e mais indiferença. Tipos de traição que você não sabe o quanto dói.

Interessante é o que ela reclamava de mim. Que eu não sou legal, que eu sufocava ela, que eu tratava ela mal, que eu não bancava ela... Mesmo eu lambendo o chão em que ela pisava. Mesmo eu economizando cada mísero centavo que poderia, deixando de pagar minhas contas, de comprar roupas, sapatos, celulares, computadores... UM COLCHÃO!!! ou até mesmo comprando comidas mais baratas... Só para garantir para ela as coisas que a fariam feliz...

De morar juntos na casa dela, passamos a nos ver só a noite, só nos finais de semana, só de sábado para domingo, só duas horinhas por final de semana... Só um final de semana sim, um não... dois não... três não... Um final de semana sim, dois meses não...
Perdi espaço para duas noites de futebol, uma de faculdade, duas de chopp com amigos gays, o dia inteiro de sábado para o salão de cabeleireiro, a noite de festa com os amigos gays dela, uma manha de domingo aonde ela precisa dormir e uma tarde de domingo aonde ela passa mal (também, tanta festa, álcool e drogas... quer ficar como?).

Aí, eu cobro o dinheiro que emprestei para ela e ainda "sei ser maligno".

Mas o pior, pior mesmo, é ser um anormal que continuo gostando dela. É saber de todo esse mal que ela me faz. É saber que o natural seria eu mandar uma praga dessas para a puta que a pariu e criou alguém tão hedionda e hedonista assim. O certo seria eu chacoalhar a poeira e ir procurar alguém que queira cuidar de mim. 

Mas não... O doido varrido aqui é digno de pena. Um caso tão perdido que, talvez, a unica solução seja sacrificar. Eu só consigo lembrar do sorriso, do olho brilhando. Eu tenho nos dedos e na ponta da língua os oito momentos plenamente felizes que tivemos. E eu desejo reviver cada um deles eternamente.

Como eu disse lá em cima, eu não "coisifico" as pessoas. Quando eu te pergunto "como vai?" eu quero a ficha completa. Eu só consigo brigar com alguém quando essa pessoa está prejudicando a uma terceira. E, mesmo assim, depois de brigar com esse alguém, é bem capaz de eu querer fazer as pazes e seguir a vida.

"Eu não consigo odiar ninguém". 
- Humberto Gessinger.

E eu sei que isso está errado em mim. Eu sei que eu tenho motivos de sobra para não falar com o Leandro, com o Cláuder, com o Kado, com meu pai, com minha mãe e com tantas outras pessoas nesse mundo. Em contrapartida, eu sei que eu fiz mal (sem querer) para algumas pessoas e tudo o que eu mais queria era poder reparar cada erro meu.
Eu sou um pirado que precisa de algum medicamento forte, talvez até uma lobotomia qualquer... Daquelas que fazem o paciente babar vestindo uma camisa de força dentro de um quarto acolchoado para o resto da vida.

Eu tenho amor demais dentro de mim. E as pessoas de quem eu gosto não deixam que eu o manifeste. Essas pessoas não cuidam desse sentimento que eu tenho por elas. Cultivar? Fazer crescer? Que nada! Viram as costas e querem mais que eu "as deixe em paz".

Se alguém souber de algum tratamento, eu agradeço que mandem para meu e-mail (alsssg@gmail.com).
Por enquanto, o único tratamento que eu conheço é o de esperar que as pessoas que eu gosto passem a cuidar de mim. O que, convenhamos, é um devaneio esquizofrênico gerado pela ausência de sanidade na minha mente.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Cai fora daí!!!

JÁÁÁÁÁÁ!!! Corre Manolo!!!


Yes Man (Sim, Senhor!)

Cultura é cultura. E cultura é legal porque todas as suas manifestações atendem a uma gama gigantesca de públicos. Desde a cultura idiotizante de massa, passando pelas culturas emotivas e passionais, até chegar na cultura reflexiva.

Há defensores de todos os tipos de cultura. Quem aqui não lembra da moça que defendeu tese de que "Funk é cultura"? Quando a obra mexe com as "entranhas" da pessoa, há quem ache que é a melhor cultura. Cultura tribal. Aquela do tambor retumbando no peito. Da pintura explícita revoltando o estômago. Das palavras de alguma poesia que excitam o leitor. Da peça de teatro que leva à gargalhada aberta ou ao choro incontrolável.

Do outro lado, há os defensores da cultura reflexiva. Este que vos escreve, por exemplo. Não há catarse promovida por cultura tribal que supere o prazer de unir duas ideias aparentemente não correlatas, proporcionado pela cultura reflexiva. A experiência é tão fascinante que nós, os que notamos esse fenômeno, sequer consideramos as obras idiotizantes como sendo "cultura".

Essa introdução serve para embasar minha afirmação de que existem filmes bons e filmes ruins. Claro que, "dando o passo atrás", todo filme contribui para o grande cenário cultural. Mas existem filmes que nada agregam. E existem os filmes que te fazem ficar em estado de choque, dada a quantidade de conceitos e referências que ele despeja na sua cabeça.

Quem aqui não questionou a realidade depois de ver Matrix?
 
Então, esse é o ponto.

O fato é que a cultura gira em torno de pontos comuns ao ser humano. E os seres humanos se dividem de acordo com as suas capacidades mentais. As culturas se desenvolvem de acordo com a média de inteligência da população. Assim, povos estatisticamente mais inteligentes tendem a pensar mais antes de produzir seus textos, seus cânticos, suas imagens, suas interpretações, etc... E o resultado deste trabalho de pensamento extra sobre a produção cultural gera obras mais refinadas, mais próximas da cultura reflexiva. Em vez de sangue jorrando na tela, aparecem filmes de terror com mistérios que transformam o espectador em investigador.

Quantos de vocês entenderam "Os Outros" ou "O Clube da Luta" antes dos filmes entregarem a solução dos seus enredos?

Ao publicar cultura reflexiva, os consumidores passam a ter que pensar mais para compreenderem os filmes. Treinam suas mentes para ficarem mais inteligentes. Até o ponto de estarem, eles próprios, gerando cultura mais reflexiva.

Nosso cinema é um exemplo magnífico. Nossa "produção cinematográfica" era composta apenas de pornochanchadas e poucos outros títulos realmente aproveitáveis, pouco tempo atrás. Nossa população, composta de caipiras gerados a partir da miscigenação da escória da Europa com escravos e índios, não tinha capacidade mental para absorver uma cultura mais inteligente do que uma história banal com momentos de nudez e sexo. Então, os grandes filmes de Hoolywood passaram a invadir a nossa seção da tarde. E, aos poucos, esses filmes trouxeram um pouquinho mais de nível ao nosso pensamento. Gradativamente, passamos a esperar e procurar um pouco mais de conteúdo na cultura que nos apresentavam. E, com isso, passamos a pensar melhor nossa própria cultura. Passando por "Central do Brasil" e "Carandiru", chegamos a "O Auto da Compadecida", "Meu Tio Matou um Cara" e outros... Até produzirmos nosso próprio BlockBuster: os dois filmes de Tropa de Elite.

Se você está acompanhando, notou que eu já diferenciei a cultura idiotizante da cultura que eleva o pensamento. E já notou que produzir cultura que instiga o pensamento faz com que o pensamento médio da população suba.

Pessoas aprendem com a cultura. É um modo empírico de ensinar algo que sabemos. De passarmos todos os argumentos para que o espectador conclua algo que nós concluímos. É ensinar a pensar, ao invés de expor a ideia pronta.

Matrix fala do mito da caverna, de Platão. Você já havia notado isso? Agora que eu citei, você vai procurar o mito da caverna para relembrar ou para saber do que se trata? E, depois, vai rever o filme para notar as referências?

Bem, escrevi tudo isso até agora para falar do filme "Sim Senhor". Não lembro se já falei dele, antes. Mas eu tenho feito releituras deste filme. Cruzando com eventos na minha vida. Trabalhando os conceitos expostos pelo autor. Mastigando, deglutindo, digerindo e absorvendo a obra.

Que filme magnífico.

Bem, o filme tem uma única premissa que não se aplica no Brasil: o de que qualquer um teria dinheiro suficiente para dizer "Sim" para qualquer oportunidade que lhe fosse exposta. Carl já trabalha em um banco de empréstimos. No decorrer do filme, Carl é promovido por duas vezes, também. Tem muita diferença em ser um "Yes Man" de salário mínimo e ser um "Yes Man" com R$5.000,00 na conta por semana. Se bem que, no final da minha explanação, você verá que até esse ponto pode acabar sendo contornado e solucionado pelo próprio programa de "dizer sim para tudo".

O tema central do filme poderia ser resumido na frase "Até qual filosofia de auto-ajuda uma pessoa em depressão pode chegar?".

Acho que ficou claro que Carl estava deprimido. Isso foi tão esfregado na nossa cara nos minutos iniciais, que pessoas deprimidas imediatamente se identificam e pessoas sadias chegam a ter raiva de Carl.

E vamos combinar: o que mais há no mundo são pessoas em depressão. Em "O Clube da Luta", Tyler discursa que nossa geração está perdida porque não temos pelo quê morrer. Nós não temos algo que nos une contra um inimigo em comum. Somos seres sociais sem um objetivo social em comum. Nossa qualidade de vida é a melhor da história. Nosso acesso a abrigo, tratamentos de doenças, água potável e alimentos nunca foi tão amplo, na história da humanidade. Nós estamos rumando para uma paz profunda e estável. Uma paz para a qual nós não estamos preparados. Ao obtermos as coisas facilmente, perdemos o sentido de luta. De planejamento. De superação. De confrontar situações de risco.
Nós não temos pelo que morrer, então o consumismo invade nossas vidas para nos dar alguma meta. Mas a brincadeira do consumismo é fácil demais... Ou difícil demais. Uma faixa minúscula pode ter o que quiser, a qualquer momento, tornando o próprio consumismo algo sem sentido. Uma faixa um pouco maior pode se esforçar, trabalhar, ganhar dinheiro e planejar seu consumo vazio, tirando algum prazer no jogo de adquirir pequenos milagres. E uma parcela gigantesca da população simplesmente não vê perspectivas de entrar no consumismo e passa a tomar à força aquilo que não precisa, dos outros que querem e podem ter.
Nem nosso trabalho nos dá metas para viver. Despedaçamos tanto o conhecimento, que pouquíssimas pessoas sabem fazer algo "do início ao fim". Nos especializamos em partes da cadeia de produção. Um extrai, outro transforma, outro acaba o produto, outro usa o produto, outro consome o produto, outro recicla o produto...

Você não sabe, mas os relacionamentos não eram tão valorizados há pouco tempo atrás, quanto são hoje em dia. Antes, as pessoas se casavam por conveniência. Casavam para ter filhos, unir famílias, por falta de opção na mesma classe social, etc... Havia pelo que se morrer. Depois da escassez de motivos para se viver, muitas pessoas passaram a viver para morrer por seus maridos e mulheres. A vida em casal passou a dar sentido para as vidas das pessoas. "Trabalho para sustentar minha família", "Vivo para cuidar do meu marido/esposa que cuida de mim", "Vivemos para criar nossos filhos", etc...
Mas, se você olhar o Carl, faz dois anos que ele está deprimido pelo final do seu relacionamento.

E a depressão é ruim porque é recursiva. O final do relacionamento remove todos os planos da pessoa, que entra em depressão, que gera isolamento, que gera falta de contato, que gera solidão, que gera mais depressão.

Então, o Carl encontra um amigo distante, acidentalmente. Por favor, não critique o enredo. Isso acontece todos os dias com todos nós. O que não costuma acontecer é o amigo notar a depressão e fazer algo.


Aí entra o "Yes Man".

Esse programa de auto-ajuda é uma sátira. É claro que é uma péssima ideia sair dizendo sim para qualquer coisa que aparecer pela sua frente. Não faça isso, por favor. Pese cada decisão isoladamente.

MAS...

Por mais que seja um escracho de comediantes, o programa "Yes Man" é interessante. É interessante porque nos deixa claro que TER ATITUDES POSITIVAS OU NEGATIVAS É UMA DECISÃO CONSCIENTE.

O "Sim" e o "Não" estão à mesma distância de pensamento e de pronúncia, de cada um de nós. São igualmente fáceis de dizer. Em português, ambos têm o mesmo número de letras e de sílabas, inclusive.

A diferença entre a atitude positiva e a atitude negativa, é que NA ATITUDE POSITIVA, AS COISAS ACONTECEM.

Exemplo?

Meu relacionamento de seis anos terminou porque minha ex não conseguia fazer qualquer coisa comigo. A ATITUDE DE VIDA dela, perto de mim, sempre foi negativa. Ela não notava, mas nós sequer tínhamos diálogo. Nós não conversávamos. Seis anos de relacionamento aonde eu senti uma solidão indescritível. Não conseguia entrar na mente dela, saber seus pensamentos, vontades, desejos, temores, desgostos, opiniões, alegrias e tristezas. Pelos primeiros meses era maravilhoso não ter que discutir relação todas as noites. Com o passar do tempo, a indiferença e a distância criaram uma tensão quase palpável.
No ano passado eu cheguei a terminar o relacionamento. A distância física e emocional DENTRO do relacionamento me afetou demais. Só que, FORA do relacionamento foi pior. Cinco anos na época. Não é fácil assim para alguém sensível abandonar uma história dessas.
Humilhei-me, supliquei e voltamos.
Agora, há dois meses, foi a vez dela dar o basta. Quase como um sombra, passou a sair com amigos e a se dedicar mais para o mundo e para suas próprias coisas, do que para nós dois. Apenas oficializou a distância que já nos envolvia.

Distância provocada pela falta de capacidade dela em falar comigo. Incapaz de abrir a boca e manter uma conversa sobre um tema qualquer, a ATITUDE NEGATIVA dela assassinou o nosso relacionamento. 
"Quer ir jantar fora?" 
"Não." 
"Quer ir passear?" 
"Não." 
"Quer ir ao cinema?" 
"Não."
"Quer ir na festa?" 
"Não."

Com o tempo, tal qual o Carl, o "Não" tomou conta das nossas vidas até matar todo o entusiasmo juvenil que tínhamos.

O ponto é que a decisão é consciente. Todos nós temos uma coisa chamada "força de vontade" que nos ajuda a "nos forçar" a fazer algo que não estamos sentindo desejo de fazer, mas que sabemos que temos que fazer.
Ninguém gosta dos primeiros dias de academia, de corrida ou de qualquer atividade física. Não adianta, é um saco. Ficar repetindo movimentos em aparelhos com muito peso NÃO É LEGAL no início. Temos que nos forçar a fazer aquilo, para obtermos o resultado esperado. Força de vontade.
Ninguém gosta de fazer dietas de emagrecimento. Nossos corpos não se sentem bem com restrições calóricas. Não adianta. Mas temos que exercitar a força de vontade para nos mantermos no programa.
Ninguém gosta de ter que acordar cedo para ir trabalhar. Ninguém, não seja hipócrita. Ir trabalhar é legal, mas cumprir horário é um saco e demanda muita força de vontade. (Por mim, acordaria na hora que meu corpo quisesse, comeria algo e encararia as oito horas de trabalho, só com um intervalinho de meia hora, no máximo.)

Por isso que a POSITIVIDADE do programa "Yes Man" é interessante. Inclinar-se para os "Sim's" da vida abrem portas. É interessante observar com atenção todas as decisões que tomamos durante os dias. Desde aquelas decisões impostas e declaradas, até as decisões veladas que tomamos conosco mesmo.

Poxa, olhe para dentro de si próprio. Veja quantas coisas você decide sozinho, sem nem pensar na pergunta. Assim como a minha ex-namorada decidia por NÃO falar comigo, por NÃO me contar o que se passava em sua cabeça, por NÃO se esforçar em manter um diálogo, por NÃO sair comigo e por NÃO trabalhar nosso relacionamento, muitos de nós estamos dizendo NÃO para vida, nos auto-sabotando e nem notamos!

Por mais escrachado que seja, o programa "Yes Man" acerta em cheio em criar a proposta de um "pacto com você mesmo" pelo SIM.

Ao nos inclinarmos para o "SIM", passamos a abrir nossas vidas às oportunidades que aparecem. E, amigo, a vida é feita de oportunidades. Oportunidades que você nem sabe que existem, mas que podem dar o sentido que a sua vida tanto precisa. Uma pessoa especial pode estar escondida ali atrás do "SIM" que você anda evitando há tempos. E essa pessoa especial pode ser você mesmo!

Porque, enquanto vamos dizendo "SIM" para as oportunidades que nos são oferecidas, nós mesmos vamos nos mudando. 

"Uma mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original."
- Albert Einstein.

O "SIM" nos dá mais contato com coisas novas. O "SIM" no permite vivenciar coisas que estão fora da nossa visão. O "SIM" nos deixa margem para novos "SIM'S". 
Aliás, o próprio filme mostra isso. Carl segue o programa à risca e coisas boas passam a acontecer com ele. E ele aproveita essa onde de coisas boas. A figura dele se transforma de um deprimente deprimido (hehe) para alguém jovial, divertido, misterioso e interessante! A mudança é tão drástica que a própria EX DO CARL volta a se interessar por ele!

Bem, falei tudo isso porque eu mesmo estou passando por este momento de final de relacionamento. Porque eu mesmo estou me vendo sem objetivos na vida. Eu me conheço e sei que eu sou deprimido por natureza. E as minhas outras experiências de término de relacionamentos (muito menores do que o atual) resultaram em depressões profundas. E, se eu não estou ainda curtindo a minha fossa, é porque ESSE filme me trouxe boas bases de pensamento. Conteúdo oferecido por cultura reflexiva que me fez aprender a pensar sobre o assunto. E as minhas conclusões acalmam meu cérebro e me dão saídas.

Poderia ser melhor. Eu sou uma espécie de Dom Quixote moderno, que luto sempre pela realização do ideal Platônico. Só a perfeição me interessa e, por mim, minha "Dulcinéia" leria esse texto, entenderia tudo o que deve entender, deixaria de bobagens, arregaçaria as mangas e passaria a viver comigo de forma completa. Tudo ficaria bem e, eu voltaria a ter pelo que morrer e esse Universo continuaria girando.

Mas, já que o meu sonho se mostra cor de rosa demais para a realidade implacável, resta-me guardar o luto de todo esse Universo que deixou de existir por causa dos "NÃO'S" dela. Resta-me ficar atento à todas as decisões que se apresentarem para mim, estando pronto para forçar-me a entregar os meus "SIM'S" a cada uma delas. 

É difícil esse processo de ser arremessado de um Universo em colapso para um limbo e, a partir desse limbo escuro, frio e sem horizontes, encontrar um outro Universo para chamar de "lar".