segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Seja só você

Demorou 36 longos anos para eu notar uma coisa a respeito das pessoas: as pessoas são condicionadas a viver de acordo com o que os outros pensam delas.

Eu sei, vocês já sabem disso. Mas eu não. Eu sempre fui diferente. Sabem quando falam para as crianças "você pode ser o que você quiser!"? Ou quando dizem "o céu é o limite!"? Ou quando falam para você "não ligar para a opinião dos outros!"? Então. Eu acreditei em cada uma dessas ideias. Eu incorporei isso na minha personalidade. Eu segui minha vida de modo a não precisar de ninguém. Eu batalhei para ser único, para ser original. Eu realmente me preocupei em descobrir qual era o meu propósito. E desde que eu descobri, eu estou buscando esse propósito quase que em linha reta.

E eu não deixo nada nem ninguém se colocar entre mim e o lugar que eu decidi que é meu objetivo.

Eu fiquei tão absorto nessa minha forma de viver, que em nenhum segundo eu me perguntei se as outras pessoas não viviam assim, também. Para mim era líquido e certo: mais de sete bilhões de pessoas vivendo o que cada um escolheu viver. Todos definiram seus sonhos e estão lutando todos os dias para cumprir suas metas em direção aos seus objetivos.

MAS...

Ah, o "mas"... Essa palavrinha terrível que destrói tudo o que temos por certo...

Mas as pessoas não são assim. (Quer dizer, algumas pessoas até são, mas a grande maioria não é.)

A banda não toca nesse tom.

O mundo não é desse jeito.

No mundo real, a maioria das pessoas não sabe o que fazer. No mundo real, as pessoas têm dúvidas básicas a respeito do seu próprio ser. As perguntas mais básicas passam décadas sem respostas. No mundo real, as pessoas não compreendem sequer seu gênero ou sexualidade. Imagina encontrar seu lugar no mundo, entender sua utilidade profissional ou seu propósito no mundo! Não, as pessoas não sabem decidir o que vão comer daqui 15 minutos. Cada uma das 3 refeições do dia são momentos de decisões torturantes e cruéis.

Por muito tempo eu julguei as pessoas que pareciam viver sem motivos. Eu não entendia elas. E esse ano eu me aproximei de uma dessas pessoas. Não que eu nunca tivesse vivido perto de um desses "zumbis". Mas esse ano foi a primeira vez que eu tive empatia o suficiente para notar o comportamento zumbi, me interessar pela causa, investigar os motivos e descobrir o padrão de comportamento.

As pessoas não entendem grandes números.

Grandes números é a teoria por detrás de cálculos complexos de lógica. O ser humano tem poucos milhares de anos com matemática. E só nos últimos 500 anos brinca com matemática irracional e abstrata. Um milhão de segundos são um pouco menos de 12 dias. Um bilhão de segundos são 32 anos. Um trilhão de segundos são cerca de 3170 anos. Ainda não passou um trilhão de segundos desde que algumas pirâmides do Egito foram construídas.

Mas grandes números não são apenas números lineares, muito grandes. Matrizes rapidamente se transformam em grandes números, que nós não conseguimos entender.

Vamos a um exemplo.

Você tem um celular:
Lento; Tela grande; Muito espaço; Barato.

Você tem um segundo celular:
Rápido; Tela pequena; Pouco espaço; Caro.

Fácil escolher entre os dois? Ou já foi o suficiente para não conseguir distinguir qual é o melhor?
Muitas variáveis logo se tornam grandes números, na nossa cabeça.

Ligue o cronômetro.
Tende decidir qual é o melhor celular:

1) Lento; Tela grande; Muito espaço; Barato.
2) Rápido; Tela pequena; Pouco espaço; Caro.
3) Lento; Tela pequena; Pouco espaço; Caro.
4) Rápido; Tela grande; Muito espaço; Barato.
5) Lento; Tela pequena; Muito espaço; Caro.
6) Rápido; Tela grande; Pouco espaço; Barato.
7) Lento; Tela grande; Pouco espaço; Barato.
8) Rápido; Tela pequena; Muito espaço; Caro.

E aí?
Quanto tempo você demorou para descobrir que é o número 4?

Basta aumentar o número de variáveis e nosso cérebro dá um tilt. Barry Schwartz tem um excelente TEDTALK a respeito do paradoxo da escolha.


Basicamente, "liberdade" significa que você pode decidir qual opção é melhor para você. E quanto maior for o Universo de opções que você tiver, maior a sua liberdade. Porém, quando você tem poucas ou só uma opção, a responsabilidade da decisão não é sua. Você não pode ser culpado por escolher um péssimo celular, se você só tem uma ou duas opções de celular para escolher. Agora, se você tiver mais de seis mil modelos de celular, cada um com cerca de 800 características para você avaliar, seu Universo de escolha estará na casa dos grandes números.

E não fique envergonhado: é natural do ser humano não conseguir avaliar corretamente os grandes números.

Bem, não adianta eu dizer "não fique envergonhado". A pessoa que escolhe um celular e descobre que poderia ter comprado outro que melhor se adeque às suas necessidades por um valor mais baixo VAI ficar envergonhada. Mesmo que ninguém saiba. Mesmo que ninguém a culpe. Mesmo que ninguém dê a mínimo bola para o celular que ela comprou.

E não fique envergonhado: é natural do ser humano ficar envergonhado por fazer péssimas escolhas.

E é por isso que as pessoas evitam a todo custo fazer escolhas.

É menos vexatório dizer que não escolheu nada e responsabilizar agentes externos - como o destino - por trazer até onde se está.

O irônico é que isso é uma mentira. Sim, você sabe que você está mentindo. Não minta. Pelo menos não pra mim. Você sempre soube o que você queria fazer e onde você queria chegar. Eu chamo isso de "escutar minhas tripas". Bem, eu chamava assim. Até assistir Matrix Reloaded.

Há quem diga que Matrix Reloaded é ruim. No geral, eu acho bem fraco. Mas a conversa do Neo com a Oráculo na pracinha é importante.


E a parte mais importante desse diálogo é a parte:
"Porque você não veio aqui para fazer uma escolha. Você veio aqui para entender porque você fez essa escolha!"

Você pode chamar como quiser. Meditação, vontade de algum deus, inspiração, loucura, "fogo no rabo"... sei lá como você chama. Eu chamava de "voz das minhas tripas".

O fato é que você sabe o que você quer. O fato é que não existe nenhuma certeza que se você seguir o que você quer, você vá conquistar o que você quer. E é bem provável que você vá falhar e ficar envergonhado por não ter conseguido fazer o que você queria fazer.

Mas se serve de consolo, ninguém liga. Sério.
Eu falo em nome da humanidade inteira: você não é especial e ninguém tá prestando atenção no que você faz.

Portanto, quando qualquer um te disser que "espera isso de ti", ou "você deveria fazer tal coisa" ou, ainda, você simplesmente acha que os outros estão esperando algo de ti... entenda que nada disso importa. Porque nada disso compõe o que você é, de verdade.

Você é seus sonhos, suas paixões, seus desejos, suas ideias. Suas, de mais ninguém.
Claro, é bom conversar com as pessoas sobre as coisas que você quer fazer. Levantar pontos de vista, melhorar seus planos para eles terem menos risco de falhar, quem sabe até mesmo contar com a ajuda dos outros para atingir os teus objetivos.

Mas o importante é você lembrar de não ficar agradando apenas o exterior que você pensa que está te cobrando uma conduta, um estilo de vida, uma forma de pensar. E também não se deixar ficar tonta no meio de tantas escolhas, sendo que você sabe exatamente o que você quer.

Não perca seu tempo discutindo sexo dos anjos. Não se force a uma vida que não é a sua vida.
Aceite a sua verdade, seja ela qual for. Não lute contra as coisas que você deseja: crie objetivos, quebre os objetivos em metas, quebre as metas em passos. Tire um tempo pra você sempre que você achar necessário para verificar o seu progresso em direção aos teus objetivos. Quantos passos você já tomou, quantas metas você já bateu, se você precisa ajustar seu plano e quanto você está perto do teu sonho.

Seja você.
Seja só você.

Porque, no final das contas, você vai olhar para o passado e terá apenas os momentos que viveu. E se você não viveu sua vida, que vida você viveu?

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Retro Endgame!

Lindo trabalho de Spikey Tortoise Comics!










segunda-feira, 19 de agosto de 2019

MARVEL: Cinema Vs Quadrinhos

O pessoal da fanpage accurate.mcu fez um material muito legal de comparação entre o Universo Cinematográfico e o Universo dos Quadrinhos da MARVEL!





domingo, 4 de agosto de 2019

Querido diário: vontade de exterminar a raça humana

Ah, não fode.

Tô de saco cheio e não faz pouco tempo.

Duvido que alguém ainda acompanhe meus textos.
Mas, se ainda resta alguém por aí, eu mudei.

Mudei de Novo Hamburgo pra Floripa, pra Porto Alegre e, agora, para Blumenau.

Mas mais do que isso: eu aceitei quem eu sou e mudei o modo como eu me relaciono com o mundo.

Eu tentava ser uma boa pessoa. Eu me esforçava para agir direito. Eu queria ser melhor.

Mas eu não sou uma boa pessoa. Eu abracei o meu lado "Senhor do Mal" e que se foda o mundo.

Aborto? Foda-se. Faça um a cada semana. Tô nem aí. Aproveite e morra no processo.
Armas? Libera a porra toda, logo. Eu quero ver vocês se matando por conta de uma fechada em trânsito.
Poluição? Por mim podemos trocar todas as hidroelétricas por termoelétricas a carvão vegetal. Aproveita e derruba a porra da floresta amazônica inteira para fazer o carvão.

Tô pouco me fodendo.

O motivo?

Vocês.
Cada um de vocês.
Vocês são o inferno na Terra e merecem tudo de ruim que acontecer com vocês.

Exemplo?
Final do ano passado fui fazer compras no Giassi de Sombrio. Lugar onde minha avó religiosamente faz suas compras há 30 anos.
Peguei uma dúzia de caixas de leite. E, como sempre faço, levei um leite avulso para a operadora de caixa registrar. Como sempre, deixei o fardo com 12 caixas de leite no carrinho e entreguei a 13ª caixa avulsa para a operadora.

A filha da puta me obrigou a subir o fardo de leite para a esteira.

Reclamei com o frente de caixa. "É padrão, sempre foi assim", disse o moleque de 20 anos.

Entende?
Consegue perceber a falta de bom senso, de educação e até de vergonha na cara?

Eu tô cansado de gente sem bom senso em todos os lugares.

A Senior Sistemas, por exemplo. Ligaram pra mim em outra cidade, me convidando para trabalhar em Blumenau.
Tipo, puta que pariu, estou falando de uma mudança de cidade. Terminar um aluguel em um lugar, iniciar em outro. Nova vida.

Na entrevista com o gestor, falaram de tudo comigo. Desde desenvolvimento de software, testes, frontend, backend, microserviços, integrações... Aí falaram de gestão de processos. Scrum Master, Kanban, lean... Conversamos um pouco sobre regras de negócio, documentação e negociação de escopo e backlog com o cliente. Então falaram de gestão de pessoas, ferramentas de avaliação e condução de projetos, etc...

A entrevista foi tão ampla que eu não soube dizer pra que havia me entrevistado.
"Entraremos em contato para a próxima fase do projeto".
"Ok", pensei. Enviarão um teste e eu vou entender pra qual função estão me querendo!

Mas o contato seguinte já foi o email com uma proposta salarial para o cargo de "Analista de Sistemas".

Ok. Pode ser um programador, pode ser um documentador, um PO... há empresas que usam "analistas de sistemas" como Scrum Masters.

Quando respondi que aceitava, tentei ainda questionar sobre qual vaga se tratava.
Nada.

Cheguei no trabalho, o gestor que havia conversado comigo saiu e eu fui parar no projeto de outra gestora. "O que você faz, Arthur?" "O que for necessário, eu tô aqui pra ajudar!" "Então me ajuda programando JAVA aqui nessa equipe?" "Beleza!"

Por várias vezes tentei conversar sobre a minha situação. Nada.

Então vi as vagas internas. Diversas vagas abertas, com descrição bem exata e mais aderente do que a minha. Eu me candidatei a uma das vagas.

Alguns dias depois, a gestora me chamou. "Pegou mal você se inscrever para a vaga, Arthur." "Porque?" "Porque sim."

Tentei falar com o RH. Nada
Tentei falar com diretor. Nada.

Quando venceu meu contrato de experiência, a empresa resolveu não me contratar.
Mesmo eu entregando tudo como desenvolvedor.
Mesmo eu ajudando todo o projeto com metodologia ágil.
Mesmo eu estando enturmado com todos.

Ridículo. Infantil. Amador.

Pessoas. Pessoas fazendo o que fazem de melhor: serem retardados mentais inconsequentes.

Hoje eu fui até o Giassi aqui de Blumenau.
Tá frio. Queria comprar as coisas para fazer uma sopinha.
Manteiga, alho poró, ervilhas, bacon, torradinhas... umas coisinhas para fazer um caldinho bem gostoso.

Ao chegar no caixa, esperei as compras do cliente da frente passarem para colocar as minhas na esteira. Questão de educação, sabe? Esperar em fila. Entender o sistema, dar espaço pra pessoa da frente.
Ainda estava colocando as minhas coisas na esteira quando uma senhora grudou o carrinho dela atrás do meu. Tive que pedir licença para manobrar o carrinho da ponta da esteira para o corredor do caixa.
Quando tirei o meu carrinho da ponta da esteira, a senhora se meteu na ponta da esteira, puxou uma cestinha que estava na parte de baixo do caixa, passou suas compras para a cestinha e colocou a cestinha quase sobre as minhas compras, na ponta da esteira.

O cliente à minha frente ainda estava pagando e a senhora estava tentando colocar as coisas dela junto das minhas na esteira.

Olhei para o caixa, sinalizei o que estava ocorrendo. Ele me sorriu e fingiu que o problema não era com ele.

Em tom de piada, perguntei a ela se ela estava com pressa.
Ela estava agitada, deu uma risada.

Eu pedi que ela passasse as coisas dela antes de mim. Já que ela já estava me atropelando, talvez estivesse mesmo com pressa, poderia ir pra puta que pariu, só SAI DE CIMA DE MIM E PARE DE SER MAL EDUCADA, FILHA DUMA PUTA.

Sorri. Deixei ela passar.

Ela comentou que estava se sentindo constrangida por eu ter mandado ela passar a frente.

Aí o sangue ferveu. Vá zoar a senhora sua mãe, filha duma puta.

"Gente sem educação se constrange sozinha" - eu deixei escapar toda minha raiva em uma frase bonita.

A senhora virou o bicho. Chorou. Mandou eu ir tomar no cu. Disse que EU não tinha educação. Em vez de passar logo as compras e sumir da minha vida, essa desgraçada resolveu armar barraco. Filhote de demônio.

Com os gritos da histérica, seguranças chegaram. E só porque ela estava fazendo cena, passaram a olhar torto pra mim!

Fiquei chocado. Não ia bater boca com a infeliz, tão pouco com os boçais. Larguei minhas compras e que se foda o Giassi.

Não piso mais lá. Bando de energúmenos.

Entende?

São coisas simples do dia a dia.

Sabe, eu reclamo muito (com motivo e razão) da minha mãe. Mas ela me ensinou as regras básicas do bom senso.

Espere as pessoas saírem antes de entrar.
Transite pela direita.
Espere a sua vez.

Sabe, coisas simples que fazem o dia a dia funcionar.

Eu fico pensando O QUE DIABOS vocês andam ensinando para seus filhos.
Porque, olha, nem a lógica básica vocês conseguem repassar.

Eu me transformei em um Senhor do Mal, sim.
E vou te dizer: eu desejo a extinção da raça humana.
Queria muito, inclusive. Tenho até um plano e tô trabalhando nele. Quem sabe, né?

Até lá, se for cruzar comigo na rua, por favor finja ser civilizado. Porque, olha, eu tô a um passo de me tornar o Michael Douglas em Um Dia de Fúria e sair por aí fazendo todo mundo ter um pouco de bom senso, nem que seja na base do chumbo grosso.

Porque, veja bem, puta que me pariu cada um de vocês.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Tony e Natasha

Lindo trabalho de mrs gingles!


Tony: "No que você está pensando?"


Natasha: "Em casa. E você?"


Tony: "Cheesburgers"
Natasha: "Esqueça que eu perguntei..."


Tony: "Não, mas sério."
Natasha: "TONY"
Tony: "Você acha que tem um Burger King nesse lugar?"