segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Cervejas da Terra Média!

Cory Freeman imaginou como seriam os rótulos das cervejas da Terra Média!
O resultado do trabalho ficou fantástico!
Se você procurar pelo nome dele no google, encontrará diversas lojas on line que usam a arte dele para estampar camisas!




sábado, 14 de outubro de 2017

Arte com Pixels

Por Gustavo Viselner -> https://www.behance.net/gustavo_v




sábado, 7 de outubro de 2017

Às vezes o trabalho não é fácil

Vocês sabem, eu não gosto de postar histórias de gibis.
Como fã dos quadrinhos, eu realmente espero que cada um de vocês prestigie o trabalho das editoras e compre os HQs. Lembrem-se que a MARVEL faliu na década de 90. Que a DC perdeu dezenas de excelentes profissionais na década de 80. Tudo por problemas financeiros. Portanto, ajude.

Mas, às vezes... Às vezes a história é boa demais e eu me sinto obrigado a postar para o maior número de pessoas lerem.

O poder desse guri só não é mais sensacional do que a história.



segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Setembro Amarelo: Suicídio

É. Eu sei, amigo. Faz tempo que eu não escrevo, aqui.
É. Eu sei, amigo. Eu deveria escrever mais, aqui.

Muita coisa mudou na minha mente desde o tempo que eu costumava despejar opiniões aqui no Ponto Final!.
Não, eu continuo vendo a vida daquele modo particular que só eu vejo.
Mudou em mim foram os dados que uso de base para emitir opiniões. E você sabe: eu não tenho compromisso com nenhum dado; se hoje aparecer uma evidência melhor do que as que eu uso, sem a menor cerimônia eu abandono o dado ruim e passo a usar o dado melhor.
E, como via de regra, se mudam os dados, mudam as conclusões. E se mudam as conclusões, as opiniões mudam.

Por exemplo: nesses anos eu acumulei dados o suficiente para entender que a LIBERDADE é a única coisa pela qual vale a pena morrer lutando para defender.

E quando eu falo de "liberdade" eu me refiro a TODAS AS LIBERDADES.
Cada uma delas.
Desde a liberdade dos drogados em usarem as suas drogas - mesmo eu não gostando de drogas -, passando pela liberdade de quem quer ter armas de possuir suas armas - mesmo eu não vendo motivos para ninguém ter armas -, passando pela liberdade de cada pessoa do mundo - a menor minoria, menor que raças, religiões, sexos, orientações sexuais, etc... - até as liberdades econômicas das pessoas - porra, eu lutei pelo dinheiro, deixe eu usufruir dele!

Quanto a suicídio?

Bem, muitos de vocês que chegaram até aqui estão lendo porque estão pensando em se matar.
Não, eu não vou tentar tirar essa ideia da sua cabeça.
Mas eu vou entrar nesse assunto citando a melhor definição de suicídio de todas:


"Suicídio é uma solução permanente para um problema passageiro."


Eu gosto dessa definição porque ela toca na palavra-chave do suicídio: problema.

Como diz o Louis CK em seu standUp: "Suicídio é a solução perfeita para todos os seus problemas e para todos os problemas do mundo!".

E é verdade. Se você se suicidar assim que terminar esse texto, TODOS os seus problemas somem. Em um estalar de dedos. E vou além: muitos dos problemas que VOCÊ traz para o mundo somem junto.

MAS...

Pense comigo por um instante...

A vida não é nada mais do que uma fila interminável de pequenos problemas, os quais estamos motivados a resolver.

Desde que nascemos, a vida nada mais é do que uma sucessão de dias que nos levantamos dispostos a resolver os problemas que a vida coloca à nossa frete.

Todos nós já tivemos o grande problema de conseguir o chocolate antes da janta. De ter que passar de ano pra ganhar um presente do papai noel. De ter que juntar coragem para falar com aquela gatinha do colégio. O imenso problema de precisar sair de noite para estar na festa aonde aquele gatinho vai e os pais não deixarem. O gigantesco problema de ter que escolher o vestibular. O incomensurável problema de conseguir um emprego. O problema de ter uma moto ou um carro pra poder enfrentar o problema dos buracos e engarrafamentos das nossas cidades. O problema mensal de pagar o aluguel ou o financiamento de onde você mora. Os problemas daqueles boletos que chegam mês após mês. O problema de você não conseguir conquistar a pessoa da sua vida e viver procurando ela em outras pessoas... ou o problema maior ainda de você conseguir conquistar a pessoa da sua vida e precisar reconquistar ela todos os dias. O problema de ter fraldas para trocar e cólicas para tratar no meio da madrugada, enquanto você precisava dormir para chegar bem no trabalho e resolver aquele problema daquela apresentação que pode te dar aquela promoção que você queria. O problema de você conseguir a promoção e precisar lidar com mais e mais problemas. O problema de você não ter tempo para respirar e, mesmo com o patrão torrando o saco e as crianças gritando dentro de casa, você ter que escrever sua monografia para tirar seu diploma. O problema do final de semana na casa da sua sogra. Os problemas do seu país que te deixam maluco. Os problemas do seu estado que te deixam furioso. Os problemas da sua cidade, violência, preços altos, malucos no trânsito, falta de opções de coisas legais para fazer... Os seus filhos que querem bonecas, carrinhos, bicicletas, animais de estimação, jogos, vídeo-games, começar a sair de noite... Nossa, será que sua filha vai engravidar sem querer em uma dessas festas? A idade que começa a chegar. O Imposto de Renda que te come pela perna e não aceita o recibo do dentista que colocou aparelho nos seus filhos. O problema da família que quer uma casa na praia. O exame de próstata ou a mamografia, que eram motivo de piada até uns anos atrás, passam a ser o problema da visita periódica ao médico. O problema dos seus filhos adolescentes que se transformaram em pequenos demônios. O surto dos seus filhos com coisas pelas quais você já passou. O problemão de você não conseguir (e nem saber como!) explicar para seus filhos que os problemas deles não são o fim do mundo. O problemão de você tentar explicar (e não saber como!) para seus filhos que as certezas deles são injustificadas e que eles precisam tomar cuidado com certas coisas! O problemão de ter que acordar de madrugada para resolver merda dos seus filhos porque eles não te escutam. O problema dos seus parentes mais velhos indo embora, um de cada vez. O imenso problema de você notando que sua hora de acertar as contas está visível no horizonte...

A vida, amigo, é uma sucessão de problemas.

E muito mais do que os SEUS problemas, a vida é uma sucessão de problemas das outras pessoas.
Vivemos em um sistema capitalista. 
As pessoas têm necessidades diárias. Comida, abrigo, agasalho, comunicação, transporte, educação, diversão, sexo, etc...
Nosso valor é medido através da nossa capacidade de resolver os problemas das outras pessoas.

Anote aí: Quanto mais problemas de mais pessoas você consegue resolver da melhor forma possível, mais você vale.

Há um motivo pelo qual o padeiro do seu bairro é mais bem quisto do que o vagabundo do seu bairro. O padeiro acorda cedo, compra com o próprio dinheiro os ingredientes e máquinas para fazer o pão. Ele emprega pessoas do seu bairro para ajudá-lo nas tarefas da padaria. Quando você acorda, o padeiro já tem pães quentinhos prontos. 
Quando o vagabundo acorda, todos os pães já foram vendidos.
A diferença entre os números da conta corrente do padeiro e do vagabundo mostram exatamente o esforço em resolver problemas da comunidade que cada um tem.

Nós, seres humanos, só temos um modo de nos tornarmos imortais: através do reconhecimento das soluções dos problemas que resolvemos.

Einstein, Newton e todos os nomes da ciência não são conhecidos por sua inteligência; são conhecidos pelos problemas naturais que conseguiram resolver, abrindo perspectivas para novas tecnologias. As suas soluções para problemas demonstram a inteligência que nós inferimos que eles tinham.

Mozart, Beethoven, Elvis, Walt Disney, James Dean, Helth Ledger, Picasso, Leonardo da Vinci... nossa... todos os grandes nomes de todas as grandes artes. Os nomes deles ainda são lembrados porque eles resolveram muito bem os problemas de entretenimento das pessoas. Alguns deles resolveram o problema tão bem que atraem multidões para verem suas obras décadas, séculos ou mesmo milênios após suas mortes.


E eu não estou falando isso para que você tente se igualar aos grandes nomes da nossa história. 
Existem bilhões de pessoas que resolveram problemas menores e que são lembrados por menos pessoas. Eu certamente vou me lembrar até o último dia da minha vida de várias pessoas que já morreram e não brilharam para o mundo, mas que foram importantíssimos na formação do que eu sou hoje. Pessoas que trouxeram situações que eu encarei como problemas a serem solucionados e me motivaram a superar os meus limites.


O que eu quero te dizer é que eu te entendo.
Entendo que o teu problema é grande.
Entendo que a vida é difícil.
Eu entendo que você não vê perspectiva.
Eu entendo que você chegou a um ponto aonde nada mais faz sentido.
E eu entendo que você está realmente pensando na solução fácil para sair disso tudo.

Mas, amigo, eu vou citar o Super Homem para te dar uma perspectiva.

Há uma história em que o Clark se depara com uma suicida em cima de um prédio, pronta para pular.
Ele passa horas do lado dela.
E, assim como eu, ele diz que entende a decisão dela.
O Super Homem promete que não irá salvar a suicida do salto final se ela responder negativamente à pergunta:


"Se honestamente você acredita, com todo o seu coração, que nunca mais terá um dia feliz na sua vida, então dê um passo no ar. Eu vou manter minha promessa e não vou te salvar.
Mas se você acredita que exista uma chance - não importa o quão pequena ela seja - que possa existir apenas um dia feliz aqui, então pegue a minha mão."


Amigo, a vidá é foda. 
E é pra ser difícil, mesmo.
Se ela fosse fácil, qualquer um conseguiria vencê-la.
E lembre-se que a vida é tão foda, mas tão foda, que mesmo os que parecem vencê-la, um dia morrerão.

São os problemas que a vida te apresenta e a finitude que a vida te impõe que dão sentido para a sua existência.  São os problemas que você precisa resolver urgentemente que fazem o seu coração bater mais rápido. Que te movem para o futuro. São esses problemas que te fazem transformar o mundo à tua volta.
Uma vida eterna sem problemas seria inútil. 
E eu realmente acredito que problemas aparentemente artificiais retiram nossa motivação para enfrentá-los. Essa falta de motivação nos enterra na depressão. E é a depressão de olhar a vida inteira como um complexo sistema de problemas sem sentido e insolúveis que nos leva ao pensamento de suicídio.

A única coisa que eu tenho a dizer pra você é que com um pouco de esforço você pode mudar os problemas que você enfrente. Você pode substituir os problemas sem nexo por problemas que te desafiam. Que te fazem ir pra cama mais cedo porque "amanhã você tem que destruir os problemas que a vida colocar na tua frente!"

Você pode trocar de emprego.
Você pode trocar de família.
Você pode ir morar sozinho em outra cidade, outro estado, outro país, outro continente.
Você pode conquistar aquela pessoa especial.
Você pode largar tudo e ir vender coco na praia ou ir morar no meio do mato.

Você pode substituir esses problemas todos que você não vê sentido por problemas que você se sentirá desafiado a resolver.

Mas eu acredito na liberdade das pessoas.
Enquanto as tuas atitudes não prejudicarem outras pessoas, você deve ser livre para fazer o que quiser.
É como diz o Jim Jefferies: "não existe liberdade maior do que você decidir a sua hora de ir dessa pra melhor".

Portanto, amigo, pense bem sobre sua decisão.
Pense quais são os problemas que te levaram até essa decisão.
Pense se você realmente nunca mais terá um dia feliz na sua vida.
Pense em todos os problemas que você quer resolver e sequer tentou, ainda.

Se, depois de tudo isso, você ainda achar que acabar com tudo é a solução... Eu ainda vou te pedir pra você tentar por mais um dia.

Porque, no final das contas, o mundo inteiro é composto apenas por pessoas que estão aqui, tentando mais um dia. E nós gostaríamos que você trouxesse amanhã suas soluções para os problemas das nossas vidas.

Só mais um dia.
Todos os dias.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Planeta dos Macacos: A Guerra

Então eu fui lá assistir ao Planeta dos Macacos: A Guerra.
Na estréia.
Sim, semanas atrás.
Porque eu só estou escrevendo este texto quase um mês depois de assistir ao filme?

Bem...
Porque foi a pior conclusão de trilogia que eu já assisti na minha vida.

E eu afirmo isso sem a menor sombra de dúvidas: o filme é ruim. Péssimo. Desastroso.
Eu esperei todo esse tempo para não ser injusto. Para não escrever com ódio nas veias. Para não sobrecarregar o texto com as minhas emoções.

Mas mesmo assim, não teve jeito de eu dizer que o filme é bom.
Vou tentar explicar o porquê dessa crítica tão dura.

Eu sempre gostei da mitologia de Planeta dos Macacos. Desde os filmes da década de 60, seriado da década de 70 até a retomada de filmes na década de 90. O argumento do seriado me convenceu. Viagem no tempo resultando em um futuro aonde os macacos são inteligentes e dominam o mundo. É ficção, mas é uma ficção plausível, na minha cabeça. Sim, eu acredito que outras raças possa vir a criar consciência de si, inteligencia superior, gerar linguagem, criar ferramentas, controlar o fogo, desenvolver civilização, etc...

Evidente que a falta de recursos tecnológicos limitava o enredo das histórias do século passado. Não era fácil contar como os macacos ganharam inteligência ou o que levou a raça humana a ser dizimada e escravizada.

Mas essa limitação passou. Hoje em dia o processo de produção de filmes nos permite contar praticamente qualquer história.

E então a Fox lançou Planeta dos Macacos: A Origem.
Eu não vou mentir pra você dizendo que foi um filme sensacional. Mas foi muito bem feito. Adaptaram a história às novas tecnologias existentes. Criaram uma sequência tão crível quanto extraordinária. Gastaram um bom tempo de tela mostrando a formação psicológica de Caesar. E fizeram essa evolução de um modo primoroso. Vemos toda a jornada do herói se desenvolvendo sem que o filme nos agredisse com explicações milagrosas. Planeta dos Macacos: A Origem é conduzido de modo tão suave que você compreende todos os elementos de escravidão, maus tratos, abusos, família, amor, etc... sem receber o peso desses temas.

Então a Fox lançou Planeta dos Macacos: O Confronto.
E, amigo, que senhor filme. Sempre me deixou curioso o modo como todos os macacos inteligentes veneravam Caesar. "O primeiro de nós", diziam. Mas as citações não paravam no aspecto histórico. Todas as menções a Caesar eram acompanhadas de uma carga de interpretação mística, quase divina. Como se os macacos estivesse falando do seu Jesus Cristo. E em Planeta dos Macacos: O Confornto, vemos Caesar deixar de ser apenas "o primeiro macaco inteligente que libertou os demais macacos" para se tornar "o líder da primeira comunidade de macacos inteligentes". A simbologia de Caesar ter "morrido" e, "depois de três dias" ter "ressuscitado" aos olhos dos demais macacos inteligentes é... primorosa.

Então passamos três anos esperando pela continuação.
Pelo fim da trilogia.

Eu fui ao cinema louco para ver como Caesar conduz os macacos inteligentes para o domínio do mundo, após os homens se auto-destruírem.

Porque, afinal de contas, não dá pra reclamar de spoiler em Planeta dos Macacos, né? Todo mundo aqui já sabe como a história termina. Nosso interesse é apenas saber o que aconteceu para que o mundo chegasse na situação de domínio símio.

Planeta dos Macacos: A Guerra remove todas as dimensões dos personagens, trabalhadas nos dois primeiros filmes. Todos os personagens - desde Caesar, seus amigos próximos, os macacos inteligentes, os humanos, etc... - se transformam em bonecos de duas dimensões. O roteiro cria situações "porque sim". Colocam motivações em "loucura", "porque sempre foi assim" e "porque eu acho que assim é melhor".

O filme "chapa" na tela - por mais de duas horas - um Caesar bidimensional, com espírito de vingança tolo em uma missão suicida.
O esforço para construir um Caesar poderoso e toda a mística em sua volta é jogado no lixo assim que um humano mata sua esposa e filho. Porque o humano os matou? Porque sim. Por loucura. E, mesmo dentro da loucura, dos problemas e dos objetivos do humano, assassinar macacos não faz o menor sentido.
Os amigos próximos de Caesar o acompanham na missão suicida. Os motivos? A rapa do tacho das desculpas esfarrapadas que um roteiro pode te oferecer. "Amizade", "lealdade", etc...

Não sei quanto a vocês mas... se um grande amigo meu decide fazer uma senhora cagada, daquelas que vai escorrer em mim, eu amarro esse amigo em um poste, tranco no quarto, me esforço ao máximo para que ele desista da ideia imbecil. E se mesmo assim ele insistir, definitivamente eu não vou mover uma palha para ajudar.

Enquanto os macacos vão atravessar um deserto para chegar em um "lugar seguro" para morar, Caesar vai atrás do general nas montanhas nevadas.

As sequencias bidimensionais e os furos no roteiro prosseguem.

Mas, se há uma coisa legal em Planeta dos Macacos: A Guerra, é a noção que o vírus que erradicou os humanos e que deu inteligência para os macacos está evoluindo. E, nessa evolução, o vírus remove a capacidade dos humanos de falarem, terem raciocínio superior e até mesmo de efetuarem algumas tarefas mais complexas.
Em resumo, o vírus evoluiu e agora transforma os humanos resistentes em animais irracionais.

Claro que o filme mostra isso de um modo tolo. Enquanto Caesar persegue o general - e todo o pelotão - que matou sua família, ele encontra uma cabana. Nessa cabana os macacos matam um homem e encontram uma menina que está com sintomas do novo vírus.

Mas não fique triste se você não entendeu a evolução do vírus na cena do encontro com a menininha: na próxima sequencia de cenas os humanos acampam, levantam acampamento e, quando estão saindo do local, executam três soldados. Caesar ainda encontra um agonizando e o filme esfrega na tua cara a evolução do vírus.

Bem. Quase uma hora de filme e não houve nenhum alívio cômico, ainda. Mas isso não é problema para um filme bidimensional. O roteiro tá muito pesado? Pff... Faça o grupo encontrar um personagem engraçado milagrosamente!
E... PUFF! Bad Monkey aparece. Se você não espera muito do filme, é até uma parte legal. Se existe alguma coisa interessante nesse personagem é a noção que não é apenas o grupo do Caesar que é inteligente. Assim como o vírus se alastrou entre humanos pelo mundo inteiro, se alastrou entre os macacos. Isso ficou subentendido no segundo filme. Mas só agora foi posto na tela. Pena que o roteiro preferiu dar ênfase nas piadas ridículas do macaco engraçado do que nesse aspecto importante da evolução da história do Planeta dos Macacos.

Caesar e seu grupo chegam na base aonde o General levou todos seus soldados.
Basicamente, essa é uma unidade de fanáticos extremistas. Humanos que tinham o dever de combater os macacos. Mas essa unidade tomou conhecimento da evolução do vírus. E o método do general para evitar que o vírus se espalhasse é... executar e abandonar os doentes. 
Os demais humanos souberam disso e exigiram que o general parasse com a matança. Mas ele e seus fieis (PORQUE DEABOS ALGUÉM SERIA FIEL A UM GENERAL QUE MATA SEUS SUBALTERNOS INFECTADOS???) desobedecem a ordem.
O general sabe que os demais humanos virão para prendê-los. Então ele levou seus soldados até uma base militar abandonada em uma montanha, cheia de armamentos e munições.

Aqui uma das coisas que eu menos entendi do filme.
Os soldados estavam indo para o NORTE, para uma BASE NAS MONTANHAS.
Todo o grupo de macacos do Caesar estavam indo atravessar um DESERTO para chegarem em uma SAVANA.
Sei lá eu COMO ambos grupos "se cruzaram sem querer". 

Não, o roteiro não explica. 
Caesar chega na base e todo o grupo de macacos está preso. Machos, fêmeas, filhotes...

Ok. Releva.

Missão de vingança se transforma em missão de resgate. (ZZzzZZzzzZZzZZzzZ)
Caesar é pego. Claro, o roteiro previsível precisa colocar o líder dos macacos na frente do líder dos humanos.
O diálogo entre os dois é marcado por chavões, lugares-comum, toda sorte de discurso raso e furado e até uma tentativa de humanizar o general louco: "Ur dûrr, eu matei meu filho porque ele pegou o vírus evoluído. Todos que me seguem acham que eu fiz certo e acreditam em mim!" - Não, roteiro raso, ninguém vai chorar nessa tua tentativa ridícula de emocionar o público.

Os macacos foram encontrados "por sorte" enquanto os soldados iam para a base nas montanhas. Mas, quando chegaram lá, já haviam prisões adequadas, com guaritas, sistema de luz e até passarelas de metal para transito sobre as celas. Celas diferenciadas para filhotes e adultos...
E, por incrível que pareça, os macacos prisioneiros até tinham função: serem escravizados para construir "um importante muro"!!!

Mesmo preso, Caesar consegue falar com os amigos livres e bola um plano para libertar todos os macacos.

O ponto alto talvez seja a menininha doente (a da cabana!) indo até uma das celas altamente vigiadas, pegando comida e água, atravessando O MEIO DA BASE, indo até A CELA DO LÍDER DOS MACACOS, dando água e comida para Caesar e NENHUM SOLDADO vendo isso.

Mano, nós estamos falando de um filme sobre origem de uma civilização. Pra que criar um cenário de RPG adolescente?

A menina entra e sai de boas da base militar ultra-vigiada por humanos fanáticos.

O plano para libertar os macacos é contar os passos das celas para que os amigos do Caesar entrem pelos esgotos e cavem um buraco no chão por onde os macacos fugirão.

Eu teria vergonha de apresentar essa ideia em público.

O plano se desenvolve com a conveniência de que soldados bem treinados não selam ou vigiam entradas de esgoto por onde é possível um humano adulto passar.

Enquanto os macacos estão fugindo, o ataque dos humanos aos fanáticos ocorre.

Helicópteros de combate jogam fucking mísseis na base. O tão importante muro não resiste dez segundos de filme. Os soldados fanáticos estão claramente em desvantagem e é nítido que os que forem presos terão sorte.
Mas em vez de fugir com seu grupo, Caesar decide ir até o general para matá-lo.

AH. MEU. SACO.

Eu adorava o Caesar dos dois primeiros filmes. Não só um macaco inteligente, mas um macaco bondoso e com consciência maior do que qualquer outro personagem. E essa decisão isolada de voltar para matar o general me fez desejar que o Caesar morresse. Ali mesmo. Bicho burro dos infernos.

Caesar chega na sala do general. Ele está deitado na sua cama, ensanguentado. Sim, ele está com o vírus evoluído. Caesar chega a pegar um revolver. O general aponta a arma para a própria cabeça e engatilha. Seus olhos suplicam pelo tiro de misericórdia. Caesar, com todo o poder do mundo, larga o revólver ao alcance do general.
De repente todo o "espírito Koba" que guiou a vingança de Caear por mais de duas horas... some.
E o general, com uma arma carregada nas mãos vê o líder dos macacos dando as costas a ele. Alvo fácil. Se o general ainda tem consciência para decidir se matar, ainda consegue pensar que Caesar é uma ameaça e um tiro o mataria.

Pff. Caesar sai da sala. Ouve-se o tiro. O general se mata. Caesar foge.

Bem, a saída dos esgotos apontava exatamente para onde os humanos estavam vindo para atacar a base. Eles entraram em fogo cruzado. Caesar vê os macacos, vê os humanos e vê caminhões de gasolina dentro da base. (Sei lá como nenhum míssil dos helicópteros não explodiu a base inteira com tantos fucking CAMINHÕES de gasolina ali. Mas já não estamos mais cobrando coerência alguma, mesmo...)
Caesar pega uma cinta com granadas e corre para explodir um caminhão que destruiria todo o muro. Isso faria os tiros cessarem um pouco e protegeria a fuga dos macacos.

Quando Caesar vai jogar a granada... Um personagem que atira com besta (porque tem a melhor mira do mundo!) acerta Caesar entre as costelas, sob o braço. Cabeça? Coração? Pff... O melhor atirador mal acerta o peito do macaco. Beleza.

Caesar cai. Um dos macacos que está ajudando os humanos vê a cena toda e, milagrosamente, "toma consciência" e explode o caminhão.
A muralha cai.
Quase todo mundo morre.
Menos o Caesar que, mesmo com uma flecha no corpo, consegue alcançar os macacos.

Quando o grupo parece a salvo os humanos notam os macacos.
E, ao mesmo tempo, uma avalanche ocorre.


É. Assim mesmo. Uma avalanche. Agora. De onde ela veio? Você quer mesmo coerência?

Os macacos se salvam subindo em árvores.
Os humanos. A base. Os fanáticos.... todo mundo morre.

Dias se passam e os macacos atravessam o deserto.
Chegam até o lugar prometido.

Só quando eles chegam Caesar dá sinais que está com a flecha ainda no corpo.
Caesar morre.
Foco no céu.

Acaba o filme.

Eu me lembro de ter ficado frustrado com Matrix Revolutions.
No final de Matrix Reload Neo consegue afetar as máquinas no "mundo real". Usar um poder impossível. Eu passei seis meses imaginando que havia "uma Matrix dentro de outra Matrix" e que o Neo era o primeiro a despertar na "Matrix Zion".
Ver Matrix Revolutions destruiu uma expectativa minha e me frustrou com duas horas de tiros e non-sense.

Mas Planeta dos Macacos: A Guerra superou isso. Eu imaginava algo maior. Eu imaginava aprofundamento. Eu imaginava grupos independentes de macacos se encontrando e reconhecendo em Caesar um líder absoluto, mundial.
Eu imaginei cenas como a icônica destruição da Estátua da Liberdade. Eu estava pronto para ver macacos saindo vitoriosos de uma guerra por pura soberba humana.
E antes o filme fosse duas horas de tiros... Não, o filme não se contenta em apenas dar um final melancólico para a trilogia. Planeta dos Macacos: A Guerra destrói o personagem Caesar antes de matá-lo do modo mais imbecil que eu já vi um personagem principal morrer.

O filme é tão ruim que eu sinceramente espero que a Fox se desculpe publicamente por ter lançado esta porcaria. Espero que os detentores da história do Planeta dos Macacos digam que a história desse filme não aconteceu. Que foi um erro bisonho e que o final da trilogia será reescrito e refilmado para fazer jus ao tamanho da franquia.

A propaganda do filme diz que "você vai torcer contra os humanos"... Eu torci contra os humanos, contra os fanáticos, contra os macacos, contra o roteiro feito por uma criança de 4 anos, contra as duas horas de enrolação, contra todo esse péssimo filme.

Vá assistir por sua conta e risco.

Eu não recomendo que você perca tempo de sua vida sequer assistindo esse filme em TV aberta.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

As gerações de vídeo-games da Nintendo!

Fonte -> http://3d-bear.tumblr.com/post/164031451385/nintendo-consoles-through-the-generations-had-the

Elijah Robertson teve a brilhante ideia de fazer gifs dos vídeo-games da Nintendo como se a própria tecnologia do console renderizasse o gif.
O resultado? LEGAL!








quinta-feira, 6 de julho de 2017

Homem Aranha: Homecoming

Então essa semana eu fui lá assistir o novo filme do Homem Aranha.
Duas vezes.

E, para as três pessoas que sempre reclamam que eu só escrevo resenhas falando bem dos filmes, novamente um filme do Homem Aranha me decepcionou profundamente.

Eu sei, eu sei, é complicado para mim. Eu li todas as publicações do amigão da vizinhança lançadas no Brasil entre 1989 e 2002. O aracnídeo foi um amigo durante minha adolescência. E tanto conhecimento do herói faz com que eu note detalhes que destroem qualquer adaptação do cabeça de teia para a telona.

Começando pelo óbvio?
O maior poder do Peter é o sentido de aranha.
É um poder quase mágico. Consiste em uma "previsão instintiva do futuro próximo". O corpo do Peter reage antes que o pensamento consciente tome conhecimento do que aconteceu. É um poder muscular, visceral. Tal qual uma aranha parece "notar" que vai levar um tapa e consegue fugir ilesa, o sentido de aranha permite ao Peter "notar" perigos e evitá-los instintivamente. O Homem Aranha esquiva de balas melhor do que o Neo. O Homem Aranha não é pego de surpresa por um amigo que está no quarto dele.
Esse poder dá ao Peter CONFIANÇA.
Sim, Peter Parker é um fodido. Pobre. Tia doente. Hostilizado no colégio. Tudo de errado que pode acontecer com a vida de alguém, acontece na vida do Peter. 
Mas quando o Peter veste a máscara, o sentido de aranha dá ao Peter a confiança para sair esmurrando criminosos pela cidade. E o Peter usa isso como VÁLVULA DE ESCAPE da sua vida fodida. É uma terapia, quase um vício. Um sonho de qualquer adolescente. Poder descontar todas as frustrações do dia a dia prendendo bandidos.
Quando o Peter está vestindo seu uniforme, ele vira um debochado. Um piadista. Não é só legal ver os golpes acrobáticos que o Homem Aranha executa para prender os bandidos. Ler as piadas que o Homem Aranha faz enquanto luta é sensacional. Toda a parte depressiva da vida do Peter recebe o contraponto do herói fanfarrão.

Seis filmes, amigo.
A Sony fez SEIS FUCKING FILMES.
E, exceto a cena do ladrão de carro do Espetacular Homem Aranha 1, em NENHUM desses filmes nós vimos o Homem Aranha de verdade nas telas. São horas, horas e mais horas de problemas pessoais, problemas com a família, problemas no colégio, no trabalho, em relacionamentos, etc... e NENHUMA cena de um palhaço acrobático dando tapas em bandidos enquanto os ridiculariza.

Isso. É. Muito. Frustrante.

Homem Aranha: Homecoming é uma história de adolescentes.
Quase um seriadinho bobo de colégio.

Temos um jovem Peter Parker sobrecarregado com seu sendo de responsabilidade, tentando desesperadamente provar seu valor para Tony Stark.
Temos o "melhor amigo gordeenho que não pega ninguém".
Temos o "cara que só incomoda o personagem principal".
Temos a "gostosona do colégio".

Um aparte para Lis Allen.
Ela foi o primeiro interesse romântico de Peter nos quadrinhos. Ela era namorada de Flash Thompson e NUNCA deu bola pro Peter. Ridículo o modo como ela se joga pra cima do Peter no filme. Ridículo descaracterizarem a personagem em sua personalidade e até em sua cor. Mais ridículo ainda transformar Lis "Allen" em Lis "Toomes", definindo que o Abutre é o pai da menina. Não era necessário destruir a personagem desta forma. Poderiam ter criado outra personagem. Nós, fãs, não ficaríamos brabos, muito pelo contrário! 

E temos a Zandaya.
E aqui está a prova que não precisavam ter desfigurado e estuprado a personagem Lis Allen: criaram uma personagem totalmente nova para a Zandaya interpretar.
Se alguém aí souber porque a Zandaya tem um personagem no filme, por favor me avise.
Absolutamente TO-DAS as cenas da personagem dessa menina são dispensáveis para o andamento do filme. Algumas cenas da Zandaya são tão desconectadas do roteiro que eu fico me perguntando se há como exigir esses minutos da minha vida de volta para a Sony.

Bem. Eu não vou gastar mais tempo falando dessa menina e de seu personagem inútil.

Se for para passar raiva com esse filme, vamos passar raiva com um aspecto crucial: Homem Aranha: Homecoming é um FILME DE PASSAGEM.

Hulk, Homem de Ferro, Capitão América: O Primeiro Vingador, Thor, Homem Formiga e Dr Estranho são filmes de apresentação de personagens.

Homem de Ferro 2, Homem de Ferro 3, Thor Mundo Sombrio e Capitão América Soldado Invernal são filmes de sequência. Estendem o universo, ampliam os personagens.

Vingadores, Vingadores: Era de Ultron, Guerra Civil e, agora, Homem Aranha: Homecoming são filmes de passagem. Filmes que contam histórias necessárias para ligar pontos entre os demais filmes, criando o "Universo Cinematográfico Marvel".

Introduzir e dar um filme solo para o maior herói da Mavel em filmes de passagem é ultrajante.
A falta de respeito com o personagem Peter Parker é tão grande que temos duas ou três conversas que apenas citam a origem do herói. O Homem Aranha é - literalmente - "jogado" no meio do MCU. "Se vira aí, magrão".

Homem Aranha: Homecoming faz parecer que o Homem Aranha é um personagem menor, periférico no Universo Marvel.

Mas vamos falar das coisas boas do filme.
Sim, eu vi cinco coisas boas no filme:

1- Jennifer Connelly interpretando a Inteligência Artificial do uniforme do Homem Aranha.
Como vimos em Guerra Civil, Peter tem um uniforme horroroso. Tony cria um uniforme melhor para o Homem Aranha. O Uniforme está em "modo bicicleta com rodinha" e Peter hackeia o uniforme para liberar todas as suas funcionalidades. E uma delas é a Inteligencia Artificial interpretada por Jennifer Connelly. Os melhores pontos de comédia do filme estão entre o gordeenho Ned e a IA Karen.

2- Tia May.
De início eu achei complicado. Muito nova.
Mas então eu lembrei da tia May da primeira fase do Homem Aranha, lá na década de 60. E, sim, a tia May era uma senhora jovial. O corpo era castigado pela idade, mas os pensamentos eram jovens. A tia May daquela época jamais entendeu porque Peter se afastou dos amigos depois que o tio Ben morreu. Ela incentivava o Peter a sair com os amigos, fazia questão de fazer festinhas de aniversário para o Peter... inclusive foi a tia May e a tia Watson que por anos tentaram aproximar Peter e Mary Jane.
E é essa tia May que a Marisa Tomei interpretou na telona.
Sim, é estranho ver uma tia May tão nova e atraente. Mas o personagem está muito bom.

3- Interligação com o MCU
Sim, sacanagem dar um filme de passagem para primeiro filme solo do Homem Aranha.
Mas a MARVEL soube criar esse filme de passagem primorosamente. A interligação com o MCU é perfeita.
Apesar de não contarem a origem do Homem Aranha no MCU, as poucas cenas que tocam no assunto dão a entender que ocorreu o mesmo de sempre: Peter sendo picado por uma aranha radioativa, tio Ben morre, senso de responsabilidade, etc...
Mas a origem do Abutre ficou muito boa. Mostrar Adrian Toomes como alguém que está se aproveitando dos restos alienígenas de batalha para desenvolver tecnologias é interessante. Não foge muito da origem real do personagem - que só não envolve alienígenas no processo.

4- Michael Keaton.
Keaton tem uma presença de cena fantástica. Definitivamente é um dos melhores atores da sua geração. Se faltou algo nesse filme, foi o Homem de Ferro enfrentando o Abutre. Seria épico ver Robert Downey Jr e Michael Keaton em cena, juntos.

5- A SEGUNDA cena pós-créditos.
Sim. São duas cenas pós-créditos. Uma antes de rolar o nome da geral em fundo preto, outra DEPOIS.
E essa segunda cena é fantástica. 
Nem Deadpool, nem Guardiões da Galáxia me fizeram rir tanto. 
Fique no cinema até acabar a projeção. Não se arrependerá.


No geral, Homem Aranha: Homecoming não é um filme engraçado, não é um filme dramático e tem problemas sérios de adaptação de personagens. Para fãs de carteirinha, isso é o suficiente para não perder tempo assistindo esse filme em casa.

Mas o filme tem uma sequência muito boa (são quase duas horas e meia de duração e você não sente a hora passar), integração muito boa com o Universo Marvel e um elenco de peso que sustenta as deficiências da adaptação.

Em comparação com os cinco filmes feitos apenas pela Sony, Homem Aranha: Homecoming é disparado o melhor de todos os filmes do aracnídeo.

Entretanto, mesmo vendo apenas os pontos positivos do filme, Homem Aranha: Homecoming está muito atrás de Mulher Maravilha, Guardiões da Galáxia e Logan. Falta apenas assistir Thor e Liga da Justiça para confirmar o temor que eu tinha do Homem Aranha ser o pior filme de heróis do ano. (E esses dois precisam errar MUITO para serem ultrapassados pelo Homem Aranha.)


A partir daqui eu vou contar a história.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Nossos tempos

Sempre que falo sobre depressão eu inicio com esses lembretes IMPORTANTES:

1- Depressão possui muitas causas. O que eu estou falando não é verdade absoluta, é só uma tentativa de explanar uma das facetas.
2- Esse texto não é "receita de bolo". Se você se identificou com alguma coisa, não acredite cegamente no que eu estou falando. Procure ajuda especializada de qualidade.

"Beleza, Arthur. Então, se esse teu texto não fala tudo e, mesmo se acertar no caso, não deve ser usado ao pé da letra, porque tu estás escrevendo sobre depressão?"
Porque é algo que as pessoas precisam falar. Precisam ler. Nesse momento tem alguém deprimido que precisa de um "empurrão" para sair da depressão. Se eu acertar com uma única pessoa esse "empurrão" terá valido a pena todo o trabalho do texto.
E porque eu quero escrever.
Não quer ler, vá pra outro site.
Deixe de ser cuzão.
Obrigado.

É horrível não ter acesso ao que se precisa.
Talvez seja a pior coisa do mundo necessitar de algo para que sua vida seja possível e não existir a menor possibilidade de conseguir essa coisa.

Mas é igualmente perigoso ter acesso garantido e fácil a tudo que se precisa.
É talvez seja mais perigoso ainda ter qualquer coisa que se queira trazido até sua mão no momento que você quer, em bandeja de ouro.
São dois extremos que se unem em um único problema: a total falta de perspectiva.

O extremo de privação possui problemas óbvios e exaustivamente discutidos. Problemas, estes, que muitas pessoas se empenham dia após dia para sanar.

Mas o outro extremo - que é igualmente problemático - não é sequer citado rotineiramente.

"Arthur! Que pecado! Você está igualando o problema de alguém que não tem comida para se manter vivo com o de uma filha de magnata entediada???"
Acertei seu pensamento.
Vai.
Confesse.
(Acertar os números da Mega - que é bom - eu não acerto, né?)

Não, amigo. Pensando assim você jogou o problema da "acessibilidade ao que se quer" apenas ao aspecto econômico.
Não que o dinheiro não influencie, mas ele não é o principal e tão pouco o único nessa causa de depressão que eu estou tentando mostrar.
Sem falar que pensar assim eleva a barra do "problema do entediamento" apenas aos milionários. 

Nós, humanos, nunca tivemos tanto de tudo na história.
Pela primeira vez na história registrada temos menos de 20% das pessoas abaixo da linha da pobreza.
Isso significa que mais de 80% das pessoas têm acesso pelo menos ao básico para viverem.
Acesso a comida, água, agasalhos, abrigo, sexo, saúde, segurança, transporte, participação na sociedade, opções de lazer, etc...
Pessoas consideradas "pobres", hoje, têm mais acesso a conforto do que reis de alguns séculos atrás.
Através do nosso sistema de trocas - capitalismo - as pessoas são encorajadas a resolverem problemas das outras pessoas.
E isso cria um círculo de oferta de ajudas jamais visto antes.
As pessoas se especializam em um ofício e, assim, conseguem ajudar mais pessoas em menos tempo.

TEMPO.

Até o início do século 20 mulheres passavam a maior parte do seu dia empenhadas nas tarefas do lar.
E uma das tarefas que mais consumia tempo das mulheres era lavar a roupa.
Eram horas buscando água, ensaboando, esfregando, batendo, enxaguando, torcendo, pendurando e recolhendo roupas para famílias de 6, 8, 10 pessoas.
Com o advento de máquinas de lavar, o trabalho de horas diárias se transforma em alguns minutos alimentando a máquina, a máquina faz todo o trabalho pesado, mais alguns minutos para estender a roupa e, depois de secas, mais alguns minutos para recolher. (É algo tão fácil, mas tão fácil, que até homens - como este que vos escreve - operam todo o processo sozinhos. Muitos - como este que vos escreve - até dispensam auxílio de mulheres para o processo.)

E falar da máquina de lavar é só um exemplo.
Parvo.
Simplório.

Pense em quanto TEMPO a internet te poupa, todos os dias.

Lembre do tempo que não tínhamos todas as informações do mundo na palma da nossa mão, há uma googlada de distância.
Todos os dias temos acesso a tantas maravilhas que facilitam o nosso trabalho e, assim, nos poupam TEMPO precioso.
Nunca antes na história desse mundo as pessoas tiveram tanto TEMPO livre.
A escassez de tempo era, definitivamente, uma praga.
Não ter acesso a tempo era uma coisa desastrosa.
Imagine, por um segundo, quantas mentes brilhantes perdemos porque a pessoa estava empenhada em cortar lenha para aquecer a casa no inverno ou colhendo trigo, moendo, usando a farinha para fazer pão, etc... Mas, hoje, o excesso de tempo também se mostra algo prejudicial.

Desde sempre o ser humano anseia por OBJETIVO.
As principais questões filosóficas persistem por milênios:
"O que somos nós?"
"Qual é o nosso propósito?"
"Fazemos parte de um plano maior?"
"Qual o nosso papel no Universo?"

Milhares, milhões, bilhões, cada um dos seres humanos que já pisaram nesse mundo tentaram responder essas perguntas.
Mas muitos não tiveram TEMPO de se importar com elas.
A fome era grande e a necessidade de cuidar da plantação era maior.
A necessidade de não dormir na chuva e no frio eram maiores do que responder as dúvidas primordiais.
Hoje, com acesso a todas essas facilitações, muitos seres humanos têm TEMPO em suas mãos.
Tempo que, se não for devidamente direcionado para algo útil, se torna uma maldição. (Pense que há tanto tempo disponível que as pessoas estão inventando absurdos como "a Terra é plana", "vacinas causam autismo", etc...)

E em um mundo que entrega as soluções para as nossas necessidades muito rápido, o tempo que cada um possui parece eterno.
O homem médio quer tudo na mão.
Quer tudo já.
Quer exatamente aquilo que sonhou.
Quer mais perfeito do que jamais imaginou. 
Comida. Roupas. Carro. Casa. Reconhecimento. Sexo.

Um pequeno capítulo sobre "sexo" nesse contexto: Hoje é EXTREMAMENTE FÁCIL obter sexo.

E quem está falando isso é um homem, chato, baixinho, nerd, acima do peso, cheio de manias chatas, fora dos padrões de retardados medianos.
Agora você imagine o quão fácil é obter sexo para o homem "mauricinho-bombadão-frequentador-de-balada-sem-nada-na-cabeça".
Agora você imagine o quão simples é ter sexo para uma mulher.
Agora você imagine o quão simples é conseguir sexo para uma "mulher-capa-de-playboy".
Agora imagine essa mesma princesa malhada sendo lésbica e indo à uma festa...

Relacionamentos sempre foram uma causa de tristeza e depressão por histórias de amor que não conseguiram se concretizar.
Hoje, imagine você ser um pobre diabo apaixonado...

Estamos na era dos "contatinhos": cada pessoa mantem dúzias de pretendentes no seu telefone.
São conversas e mais conversas no whatsapp.
É um verdadeiro "menu" de sexo.
Algumas pessoas têm tantos "contatinhos" que passam os ANOS sem nenhum compromisso firmado.

A falta de foco afasta a pessoa do trabalho do dia a dia, necessário para alcançar seus objetivos.
Conheço pessoas com 35 anos, ainda solteiras, cujo sonho de adolescente era casar e ter filhos. Simplesmente porque não conseguem escolher um parceiro para trabalharem o sonho que tinham. Querem um "parceiro pronto". Que seja um "príncipe encantado" ou "princesa de fábula" "de fábrica". Não cogitam passar pelos percalços do dia a dia. Não suportam o primeiro sinal de discordância.

E muitas dessas pessoas sequer conseguem manter a tal fidelidade: começam o projeto com um contatinho, mas os demais continhos estão lá no celular, chamando a todo minuto.

A facilidade em obter o que se deseja tira o aspecto do trabalho árduo para obter o sucesso.
E, sem o trabalho árduo, a conquista se torna banal.

Não vale a pena consertar a relação com o "príncipe encantado"; é mais fácil terminar tudo e chamar o próximo da lista para sair.
A cerveja no final do dia já não tem mais o sabor de vitória. Ela é barata e abundante. A cerveja precisa ser especial. Puro malte. Artesanal. Suada. Sangrada.
O churrasco do final de semana não é mais aquela conquista de uma semana exaustiva. É direito adquirido. Estranho é o dia que não tem churrasco. Porque não tem churrasco hoje? Que fim do mundo!!!

Uma sequência de conquistas banais cria uma vida banal.
E como essas facilidades estão espalhadas pela sociedade, a banalidade se repete ao infinito.
Não há sequer como reclamar da falta de desafio da própria vida, pois as demais pessoas possuem o mesmo vazio.
E aí você imagina o efeito manada agindo e algumas pessoas lutando até mesmo para conseguir obter a mesma vida vazia que os amigos possuem, achando que isso é "sucesso".

Eu não sei quanto a vocês, mas esse vazio crônico cria vidas ocupadas e sem objetivos.
As pessoas, tais quais zumbis, levantam, trabalham, estudam, comem, namoram, bebem, viajam, etc... de modo automático.
Parece que a vida passa por essas pessoas, não que essas pessoas passam pela vida.

Milhões de fotos lindas para apresentar em redes sociais e o vazio da espera paciente por likes, olhando para a tela do celular no escuro da noite.

E quando a pessoa se vira para contemplar o império que construiu... Pra quê? Por quê?

A vida SEM ACESSO é dura, mas traz consigo PERSPECTIVA. A pessoa precisa correr atrás do que necessita.
A vida COM MUITO ACESSO, quando mal orientada, remove a PERSPECTIVA da pessoa.

E eu não sei quanto a vocês.
Mas, pra mim, esse vazio de "não saber o que fazer amanhã" é pior até do que a certeza da forca ao amanhecer.
Suga a alma não ter a mente ocupada com um problema para resolver.
Corrói o espírito não ter utilidade.
Cada hora desperdiçada se torna uma prisão, aonde as barras se arrastam fazendo "tic-tac".
Ver alguns desejos sendo atendidos tão rapidamente quanto o tempo de espera para entregar a pizza e outros tão distantes quanto o sonho de ser um roqueiro famoso alimentam a ansiedade.
A ansiedade força os planos perfeitos por horas das horas vagas acumuladas.
E todo esse pensamento impede que o primeiro passo seja dado.
E por não dar o primeiro passo, os planos lá do futuro não mostram o menor sinal de estarem se aproximando.
Então põe-se os planos em dúvida.
E não sabemos o que fazer amanhã.
E aí você lê novamente esse grupo de frases.
E de novo.
E mais uma vez.

Aí, quando você chega na beira do precipício da loucura, você olha lá pra baixo.
Opa, é só a luz do celular.
O whatsapp tá aberto.
Você tá falando com 8 contatinhos ao mesmo tempo.
"Ok, vem aqui em casa, hoje. Traz pizza. Meia coração, meia o que você quiser."
"Tá, amanhã a gente se vê."
"Tá, sábado no sushi"
"Pô, parabéns pelo namoro."
"Cê tá ficando? Poxa, vamos nos ver mesmo assim!"
"Pode ser um café, sim! Bom falar contigo!"
"Oi sumida! Sonhei contigo ontem..."
"Só semana que vem. Vamos falando!"