sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Planeta dos Macacos: A Guerra

Então eu fui lá assistir ao Planeta dos Macacos: A Guerra.
Na estréia.
Sim, semanas atrás.
Porque eu só estou escrevendo este texto quase um mês depois de assistir ao filme?

Bem...
Porque foi a pior conclusão de trilogia que eu já assisti na minha vida.

E eu afirmo isso sem a menor sombra de dúvidas: o filme é ruim. Péssimo. Desastroso.
Eu esperei todo esse tempo para não ser injusto. Para não escrever com ódio nas veias. Para não sobrecarregar o texto com as minhas emoções.

Mas mesmo assim, não teve jeito de eu dizer que o filme é bom.
Vou tentar explicar o porquê dessa crítica tão dura.

Eu sempre gostei da mitologia de Planeta dos Macacos. Desde os filmes da década de 60, seriado da década de 70 até a retomada de filmes na década de 90. O argumento do seriado me convenceu. Viagem no tempo resultando em um futuro aonde os macacos são inteligentes e dominam o mundo. É ficção, mas é uma ficção plausível, na minha cabeça. Sim, eu acredito que outras raças possa vir a criar consciência de si, inteligencia superior, gerar linguagem, criar ferramentas, controlar o fogo, desenvolver civilização, etc...

Evidente que a falta de recursos tecnológicos limitava o enredo das histórias do século passado. Não era fácil contar como os macacos ganharam inteligência ou o que levou a raça humana a ser dizimada e escravizada.

Mas essa limitação passou. Hoje em dia o processo de produção de filmes nos permite contar praticamente qualquer história.

E então a Fox lançou Planeta dos Macacos: A Origem.
Eu não vou mentir pra você dizendo que foi um filme sensacional. Mas foi muito bem feito. Adaptaram a história às novas tecnologias existentes. Criaram uma sequência tão crível quanto extraordinária. Gastaram um bom tempo de tela mostrando a formação psicológica de Caesar. E fizeram essa evolução de um modo primoroso. Vemos toda a jornada do herói se desenvolvendo sem que o filme nos agredisse com explicações milagrosas. Planeta dos Macacos: A Origem é conduzido de modo tão suave que você compreende todos os elementos de escravidão, maus tratos, abusos, família, amor, etc... sem receber o peso desses temas.

Então a Fox lançou Planeta dos Macacos: O Confronto.
E, amigo, que senhor filme. Sempre me deixou curioso o modo como todos os macacos inteligentes veneravam Caesar. "O primeiro de nós", diziam. Mas as citações não paravam no aspecto histórico. Todas as menções a Caesar eram acompanhadas de uma carga de interpretação mística, quase divina. Como se os macacos estivesse falando do seu Jesus Cristo. E em Planeta dos Macacos: O Confornto, vemos Caesar deixar de ser apenas "o primeiro macaco inteligente que libertou os demais macacos" para se tornar "o líder da primeira comunidade de macacos inteligentes". A simbologia de Caesar ter "morrido" e, "depois de três dias" ter "ressuscitado" aos olhos dos demais macacos inteligentes é... primorosa.

Então passamos três anos esperando pela continuação.
Pelo fim da trilogia.

Eu fui ao cinema louco para ver como Caesar conduz os macacos inteligentes para o domínio do mundo, após os homens se auto-destruírem.

Porque, afinal de contas, não dá pra reclamar de spoiler em Planeta dos Macacos, né? Todo mundo aqui já sabe como a história termina. Nosso interesse é apenas saber o que aconteceu para que o mundo chegasse na situação de domínio símio.

Planeta dos Macacos: A Guerra remove todas as dimensões dos personagens, trabalhadas nos dois primeiros filmes. Todos os personagens - desde Caesar, seus amigos próximos, os macacos inteligentes, os humanos, etc... - se transformam em bonecos de duas dimensões. O roteiro cria situações "porque sim". Colocam motivações em "loucura", "porque sempre foi assim" e "porque eu acho que assim é melhor".

O filme "chapa" na tela - por mais de duas horas - um Caesar bidimensional, com espírito de vingança tolo em uma missão suicida.
O esforço para construir um Caesar poderoso e toda a mística em sua volta é jogado no lixo assim que um humano mata sua esposa e filho. Porque o humano os matou? Porque sim. Por loucura. E, mesmo dentro da loucura, dos problemas e dos objetivos do humano, assassinar macacos não faz o menor sentido.
Os amigos próximos de Caesar o acompanham na missão suicida. Os motivos? A rapa do tacho das desculpas esfarrapadas que um roteiro pode te oferecer. "Amizade", "lealdade", etc...

Não sei quanto a vocês mas... se um grande amigo meu decide fazer uma senhora cagada, daquelas que vai escorrer em mim, eu amarro esse amigo em um poste, tranco no quarto, me esforço ao máximo para que ele desista da ideia imbecil. E se mesmo assim ele insistir, definitivamente eu não vou mover uma palha para ajudar.

Enquanto os macacos vão atravessar um deserto para chegar em um "lugar seguro" para morar, Caesar vai atrás do general nas montanhas nevadas.

As sequencias bidimensionais e os furos no roteiro prosseguem.

Mas, se há uma coisa legal em Planeta dos Macacos: A Guerra, é a noção que o vírus que erradicou os humanos e que deu inteligência para os macacos está evoluindo. E, nessa evolução, o vírus remove a capacidade dos humanos de falarem, terem raciocínio superior e até mesmo de efetuarem algumas tarefas mais complexas.
Em resumo, o vírus evoluiu e agora transforma os humanos resistentes em animais irracionais.

Claro que o filme mostra isso de um modo tolo. Enquanto Caesar persegue o general - e todo o pelotão - que matou sua família, ele encontra uma cabana. Nessa cabana os macacos matam um homem e encontram uma menina que está com sintomas do novo vírus.

Mas não fique triste se você não entendeu a evolução do vírus na cena do encontro com a menininha: na próxima sequencia de cenas os humanos acampam, levantam acampamento e, quando estão saindo do local, executam três soldados. Caesar ainda encontra um agonizando e o filme esfrega na tua cara a evolução do vírus.

Bem. Quase uma hora de filme e não houve nenhum alívio cômico, ainda. Mas isso não é problema para um filme bidimensional. O roteiro tá muito pesado? Pff... Faça o grupo encontrar um personagem engraçado milagrosamente!
E... PUFF! Bad Monkey aparece. Se você não espera muito do filme, é até uma parte legal. Se existe alguma coisa interessante nesse personagem é a noção que não é apenas o grupo do Caesar que é inteligente. Assim como o vírus se alastrou entre humanos pelo mundo inteiro, se alastrou entre os macacos. Isso ficou subentendido no segundo filme. Mas só agora foi posto na tela. Pena que o roteiro preferiu dar ênfase nas piadas ridículas do macaco engraçado do que nesse aspecto importante da evolução da história do Planeta dos Macacos.

Caesar e seu grupo chegam na base aonde o General levou todos seus soldados.
Basicamente, essa é uma unidade de fanáticos extremistas. Humanos que tinham o dever de combater os macacos. Mas essa unidade tomou conhecimento da evolução do vírus. E o método do general para evitar que o vírus se espalhasse é... executar e abandonar os doentes. 
Os demais humanos souberam disso e exigiram que o general parasse com a matança. Mas ele e seus fieis (PORQUE DEABOS ALGUÉM SERIA FIEL A UM GENERAL QUE MATA SEUS SUBALTERNOS INFECTADOS???) desobedecem a ordem.
O general sabe que os demais humanos virão para prendê-los. Então ele levou seus soldados até uma base militar abandonada em uma montanha, cheia de armamentos e munições.

Aqui uma das coisas que eu menos entendi do filme.
Os soldados estavam indo para o NORTE, para uma BASE NAS MONTANHAS.
Todo o grupo de macacos do Caesar estavam indo atravessar um DESERTO para chegarem em uma SAVANA.
Sei lá eu COMO ambos grupos "se cruzaram sem querer". 

Não, o roteiro não explica. 
Caesar chega na base e todo o grupo de macacos está preso. Machos, fêmeas, filhotes...

Ok. Releva.

Missão de vingança se transforma em missão de resgate. (ZZzzZZzzzZZzZZzzZ)
Caesar é pego. Claro, o roteiro previsível precisa colocar o líder dos macacos na frente do líder dos humanos.
O diálogo entre os dois é marcado por chavões, lugares-comum, toda sorte de discurso raso e furado e até uma tentativa de humanizar o general louco: "Ur dûrr, eu matei meu filho porque ele pegou o vírus evoluído. Todos que me seguem acham que eu fiz certo e acreditam em mim!" - Não, roteiro raso, ninguém vai chorar nessa tua tentativa ridícula de emocionar o público.

Os macacos foram encontrados "por sorte" enquanto os soldados iam para a base nas montanhas. Mas, quando chegaram lá, já haviam prisões adequadas, com guaritas, sistema de luz e até passarelas de metal para transito sobre as celas. Celas diferenciadas para filhotes e adultos...
E, por incrível que pareça, os macacos prisioneiros até tinham função: serem escravizados para construir "um importante muro"!!!

Mesmo preso, Caesar consegue falar com os amigos livres e bola um plano para libertar todos os macacos.

O ponto alto talvez seja a menininha doente (a da cabana!) indo até uma das celas altamente vigiadas, pegando comida e água, atravessando O MEIO DA BASE, indo até A CELA DO LÍDER DOS MACACOS, dando água e comida para Caesar e NENHUM SOLDADO vendo isso.

Mano, nós estamos falando de um filme sobre origem de uma civilização. Pra que criar um cenário de RPG adolescente?

A menina entra e sai de boas da base militar ultra-vigiada por humanos fanáticos.

O plano para libertar os macacos é contar os passos das celas para que os amigos do Caesar entrem pelos esgotos e cavem um buraco no chão por onde os macacos fugirão.

Eu teria vergonha de apresentar essa ideia em público.

O plano se desenvolve com a conveniência de que soldados bem treinados não selam ou vigiam entradas de esgoto por onde é possível um humano adulto passar.

Enquanto os macacos estão fugindo, o ataque dos humanos aos fanáticos ocorre.

Helicópteros de combate jogam fucking mísseis na base. O tão importante muro não resiste dez segundos de filme. Os soldados fanáticos estão claramente em desvantagem e é nítido que os que forem presos terão sorte.
Mas em vez de fugir com seu grupo, Caesar decide ir até o general para matá-lo.

AH. MEU. SACO.

Eu adorava o Caesar dos dois primeiros filmes. Não só um macaco inteligente, mas um macaco bondoso e com consciência maior do que qualquer outro personagem. E essa decisão isolada de voltar para matar o general me fez desejar que o Caesar morresse. Ali mesmo. Bicho burro dos infernos.

Caesar chega na sala do general. Ele está deitado na sua cama, ensanguentado. Sim, ele está com o vírus evoluído. Caesar chega a pegar um revolver. O general aponta a arma para a própria cabeça e engatilha. Seus olhos suplicam pelo tiro de misericórdia. Caesar, com todo o poder do mundo, larga o revólver ao alcance do general.
De repente todo o "espírito Koba" que guiou a vingança de Caear por mais de duas horas... some.
E o general, com uma arma carregada nas mãos vê o líder dos macacos dando as costas a ele. Alvo fácil. Se o general ainda tem consciência para decidir se matar, ainda consegue pensar que Caesar é uma ameaça e um tiro o mataria.

Pff. Caesar sai da sala. Ouve-se o tiro. O general se mata. Caesar foge.

Bem, a saída dos esgotos apontava exatamente para onde os humanos estavam vindo para atacar a base. Eles entraram em fogo cruzado. Caesar vê os macacos, vê os humanos e vê caminhões de gasolina dentro da base. (Sei lá como nenhum míssil dos helicópteros não explodiu a base inteira com tantos fucking CAMINHÕES de gasolina ali. Mas já não estamos mais cobrando coerência alguma, mesmo...)
Caesar pega uma cinta com granadas e corre para explodir um caminhão que destruiria todo o muro. Isso faria os tiros cessarem um pouco e protegeria a fuga dos macacos.

Quando Caesar vai jogar a granada... Um personagem que atira com besta (porque tem a melhor mira do mundo!) acerta Caesar entre as costelas, sob o braço. Cabeça? Coração? Pff... O melhor atirador mal acerta o peito do macaco. Beleza.

Caesar cai. Um dos macacos que está ajudando os humanos vê a cena toda e, milagrosamente, "toma consciência" e explode o caminhão.
A muralha cai.
Quase todo mundo morre.
Menos o Caesar que, mesmo com uma flecha no corpo, consegue alcançar os macacos.

Quando o grupo parece a salvo os humanos notam os macacos.
E, ao mesmo tempo, uma avalanche ocorre.


É. Assim mesmo. Uma avalanche. Agora. De onde ela veio? Você quer mesmo coerência?

Os macacos se salvam subindo em árvores.
Os humanos. A base. Os fanáticos.... todo mundo morre.

Dias se passam e os macacos atravessam o deserto.
Chegam até o lugar prometido.

Só quando eles chegam Caesar dá sinais que está com a flecha ainda no corpo.
Caesar morre.
Foco no céu.

Acaba o filme.

Eu me lembro de ter ficado frustrado com Matrix Revolutions.
No final de Matrix Reload Neo consegue afetar as máquinas no "mundo real". Usar um poder impossível. Eu passei seis meses imaginando que havia "uma Matrix dentro de outra Matrix" e que o Neo era o primeiro a despertar na "Matrix Zion".
Ver Matrix Revolutions destruiu uma expectativa minha e me frustrou com duas horas de tiros e non-sense.

Mas Planeta dos Macacos: A Guerra superou isso. Eu imaginava algo maior. Eu imaginava aprofundamento. Eu imaginava grupos independentes de macacos se encontrando e reconhecendo em Caesar um líder absoluto, mundial.
Eu imaginei cenas como a icônica destruição da Estátua da Liberdade. Eu estava pronto para ver macacos saindo vitoriosos de uma guerra por pura soberba humana.
E antes o filme fosse duas horas de tiros... Não, o filme não se contenta em apenas dar um final melancólico para a trilogia. Planeta dos Macacos: A Guerra destrói o personagem Caesar antes de matá-lo do modo mais imbecil que eu já vi um personagem principal morrer.

O filme é tão ruim que eu sinceramente espero que a Fox se desculpe publicamente por ter lançado esta porcaria. Espero que os detentores da história do Planeta dos Macacos digam que a história desse filme não aconteceu. Que foi um erro bisonho e que o final da trilogia será reescrito e refilmado para fazer jus ao tamanho da franquia.

A propaganda do filme diz que "você vai torcer contra os humanos"... Eu torci contra os humanos, contra os fanáticos, contra os macacos, contra o roteiro feito por uma criança de 4 anos, contra as duas horas de enrolação, contra todo esse péssimo filme.

Vá assistir por sua conta e risco.

Eu não recomendo que você perca tempo de sua vida sequer assistindo esse filme em TV aberta.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

As gerações de vídeo-games da Nintendo!

Fonte -> http://3d-bear.tumblr.com/post/164031451385/nintendo-consoles-through-the-generations-had-the

Elijah Robertson teve a brilhante ideia de fazer gifs dos vídeo-games da Nintendo como se a própria tecnologia do console renderizasse o gif.
O resultado? LEGAL!








quinta-feira, 6 de julho de 2017

Homem Aranha: Homecoming

Então essa semana eu fui lá assistir o novo filme do Homem Aranha.
Duas vezes.

E, para as três pessoas que sempre reclamam que eu só escrevo resenhas falando bem dos filmes, novamente um filme do Homem Aranha me decepcionou profundamente.

Eu sei, eu sei, é complicado para mim. Eu li todas as publicações do amigão da vizinhança lançadas no Brasil entre 1989 e 2002. O aracnídeo foi um amigo durante minha adolescência. E tanto conhecimento do herói faz com que eu note detalhes que destroem qualquer adaptação do cabeça de teia para a telona.

Começando pelo óbvio?
O maior poder do Peter é o sentido de aranha.
É um poder quase mágico. Consiste em uma "previsão instintiva do futuro próximo". O corpo do Peter reage antes que o pensamento consciente tome conhecimento do que aconteceu. É um poder muscular, visceral. Tal qual uma aranha parece "notar" que vai levar um tapa e consegue fugir ilesa, o sentido de aranha permite ao Peter "notar" perigos e evitá-los instintivamente. O Homem Aranha esquiva de balas melhor do que o Neo. O Homem Aranha não é pego de surpresa por um amigo que está no quarto dele.
Esse poder dá ao Peter CONFIANÇA.
Sim, Peter Parker é um fodido. Pobre. Tia doente. Hostilizado no colégio. Tudo de errado que pode acontecer com a vida de alguém, acontece na vida do Peter. 
Mas quando o Peter veste a máscara, o sentido de aranha dá ao Peter a confiança para sair esmurrando criminosos pela cidade. E o Peter usa isso como VÁLVULA DE ESCAPE da sua vida fodida. É uma terapia, quase um vício. Um sonho de qualquer adolescente. Poder descontar todas as frustrações do dia a dia prendendo bandidos.
Quando o Peter está vestindo seu uniforme, ele vira um debochado. Um piadista. Não é só legal ver os golpes acrobáticos que o Homem Aranha executa para prender os bandidos. Ler as piadas que o Homem Aranha faz enquanto luta é sensacional. Toda a parte depressiva da vida do Peter recebe o contraponto do herói fanfarrão.

Seis filmes, amigo.
A Sony fez SEIS FUCKING FILMES.
E, exceto a cena do ladrão de carro do Espetacular Homem Aranha 1, em NENHUM desses filmes nós vimos o Homem Aranha de verdade nas telas. São horas, horas e mais horas de problemas pessoais, problemas com a família, problemas no colégio, no trabalho, em relacionamentos, etc... e NENHUMA cena de um palhaço acrobático dando tapas em bandidos enquanto os ridiculariza.

Isso. É. Muito. Frustrante.

Homem Aranha: Homecoming é uma história de adolescentes.
Quase um seriadinho bobo de colégio.

Temos um jovem Peter Parker sobrecarregado com seu sendo de responsabilidade, tentando desesperadamente provar seu valor para Tony Stark.
Temos o "melhor amigo gordeenho que não pega ninguém".
Temos o "cara que só incomoda o personagem principal".
Temos a "gostosona do colégio".

Um aparte para Lis Allen.
Ela foi o primeiro interesse romântico de Peter nos quadrinhos. Ela era namorada de Flash Thompson e NUNCA deu bola pro Peter. Ridículo o modo como ela se joga pra cima do Peter no filme. Ridículo descaracterizarem a personagem em sua personalidade e até em sua cor. Mais ridículo ainda transformar Lis "Allen" em Lis "Toomes", definindo que o Abutre é o pai da menina. Não era necessário destruir a personagem desta forma. Poderiam ter criado outra personagem. Nós, fãs, não ficaríamos brabos, muito pelo contrário! 

E temos a Zandaya.
E aqui está a prova que não precisavam ter desfigurado e estuprado a personagem Lis Allen: criaram uma personagem totalmente nova para a Zandaya interpretar.
Se alguém aí souber porque a Zandaya tem um personagem no filme, por favor me avise.
Absolutamente TO-DAS as cenas da personagem dessa menina são dispensáveis para o andamento do filme. Algumas cenas da Zandaya são tão desconectadas do roteiro que eu fico me perguntando se há como exigir esses minutos da minha vida de volta para a Sony.

Bem. Eu não vou gastar mais tempo falando dessa menina e de seu personagem inútil.

Se for para passar raiva com esse filme, vamos passar raiva com um aspecto crucial: Homem Aranha: Homecoming é um FILME DE PASSAGEM.

Hulk, Homem de Ferro, Capitão América: O Primeiro Vingador, Thor, Homem Formiga e Dr Estranho são filmes de apresentação de personagens.

Homem de Ferro 2, Homem de Ferro 3, Thor Mundo Sombrio e Capitão América Soldado Invernal são filmes de sequência. Estendem o universo, ampliam os personagens.

Vingadores, Vingadores: Era de Ultron, Guerra Civil e, agora, Homem Aranha: Homecoming são filmes de passagem. Filmes que contam histórias necessárias para ligar pontos entre os demais filmes, criando o "Universo Cinematográfico Marvel".

Introduzir e dar um filme solo para o maior herói da Mavel em filmes de passagem é ultrajante.
A falta de respeito com o personagem Peter Parker é tão grande que temos duas ou três conversas que apenas citam a origem do herói. O Homem Aranha é - literalmente - "jogado" no meio do MCU. "Se vira aí, magrão".

Homem Aranha: Homecoming faz parecer que o Homem Aranha é um personagem menor, periférico no Universo Marvel.

Mas vamos falar das coisas boas do filme.
Sim, eu vi cinco coisas boas no filme:

1- Jennifer Connelly interpretando a Inteligência Artificial do uniforme do Homem Aranha.
Como vimos em Guerra Civil, Peter tem um uniforme horroroso. Tony cria um uniforme melhor para o Homem Aranha. O Uniforme está em "modo bicicleta com rodinha" e Peter hackeia o uniforme para liberar todas as suas funcionalidades. E uma delas é a Inteligencia Artificial interpretada por Jennifer Connelly. Os melhores pontos de comédia do filme estão entre o gordeenho Ned e a IA Karen.

2- Tia May.
De início eu achei complicado. Muito nova.
Mas então eu lembrei da tia May da primeira fase do Homem Aranha, lá na década de 60. E, sim, a tia May era uma senhora jovial. O corpo era castigado pela idade, mas os pensamentos eram jovens. A tia May daquela época jamais entendeu porque Peter se afastou dos amigos depois que o tio Ben morreu. Ela incentivava o Peter a sair com os amigos, fazia questão de fazer festinhas de aniversário para o Peter... inclusive foi a tia May e a tia Watson que por anos tentaram aproximar Peter e Mary Jane.
E é essa tia May que a Marisa Tomei interpretou na telona.
Sim, é estranho ver uma tia May tão nova e atraente. Mas o personagem está muito bom.

3- Interligação com o MCU
Sim, sacanagem dar um filme de passagem para primeiro filme solo do Homem Aranha.
Mas a MARVEL soube criar esse filme de passagem primorosamente. A interligação com o MCU é perfeita.
Apesar de não contarem a origem do Homem Aranha no MCU, as poucas cenas que tocam no assunto dão a entender que ocorreu o mesmo de sempre: Peter sendo picado por uma aranha radioativa, tio Ben morre, senso de responsabilidade, etc...
Mas a origem do Abutre ficou muito boa. Mostrar Adrian Toomes como alguém que está se aproveitando dos restos alienígenas de batalha para desenvolver tecnologias é interessante. Não foge muito da origem real do personagem - que só não envolve alienígenas no processo.

4- Michael Keaton.
Keaton tem uma presença de cena fantástica. Definitivamente é um dos melhores atores da sua geração. Se faltou algo nesse filme, foi o Homem de Ferro enfrentando o Abutre. Seria épico ver Robert Downey Jr e Michael Keaton em cena, juntos.

5- A SEGUNDA cena pós-créditos.
Sim. São duas cenas pós-créditos. Uma antes de rolar o nome da geral em fundo preto, outra DEPOIS.
E essa segunda cena é fantástica. 
Nem Deadpool, nem Guardiões da Galáxia me fizeram rir tanto. 
Fique no cinema até acabar a projeção. Não se arrependerá.


No geral, Homem Aranha: Homecoming não é um filme engraçado, não é um filme dramático e tem problemas sérios de adaptação de personagens. Para fãs de carteirinha, isso é o suficiente para não perder tempo assistindo esse filme em casa.

Mas o filme tem uma sequência muito boa (são quase duas horas e meia de duração e você não sente a hora passar), integração muito boa com o Universo Marvel e um elenco de peso que sustenta as deficiências da adaptação.

Em comparação com os cinco filmes feitos apenas pela Sony, Homem Aranha: Homecoming é disparado o melhor de todos os filmes do aracnídeo.

Entretanto, mesmo vendo apenas os pontos positivos do filme, Homem Aranha: Homecoming está muito atrás de Mulher Maravilha, Guardiões da Galáxia e Logan. Falta apenas assistir Thor e Liga da Justiça para confirmar o temor que eu tinha do Homem Aranha ser o pior filme de heróis do ano. (E esses dois precisam errar MUITO para serem ultrapassados pelo Homem Aranha.)


A partir daqui eu vou contar a história.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Nossos tempos

Sempre que falo sobre depressão eu inicio com esses lembretes IMPORTANTES:

1- Depressão possui muitas causas. O que eu estou falando não é verdade absoluta, é só uma tentativa de explanar uma das facetas.
2- Esse texto não é "receita de bolo". Se você se identificou com alguma coisa, não acredite cegamente no que eu estou falando. Procure ajuda especializada de qualidade.

"Beleza, Arthur. Então, se esse teu texto não fala tudo e, mesmo se acertar no caso, não deve ser usado ao pé da letra, porque tu estás escrevendo sobre depressão?"
Porque é algo que as pessoas precisam falar. Precisam ler. Nesse momento tem alguém deprimido que precisa de um "empurrão" para sair da depressão. Se eu acertar com uma única pessoa esse "empurrão" terá valido a pena todo o trabalho do texto.
E porque eu quero escrever.
Não quer ler, vá pra outro site.
Deixe de ser cuzão.
Obrigado.

É horrível não ter acesso ao que se precisa.
Talvez seja a pior coisa do mundo necessitar de algo para que sua vida seja possível e não existir a menor possibilidade de conseguir essa coisa.

Mas é igualmente perigoso ter acesso garantido e fácil a tudo que se precisa.
É talvez seja mais perigoso ainda ter qualquer coisa que se queira trazido até sua mão no momento que você quer, em bandeja de ouro.
São dois extremos que se unem em um único problema: a total falta de perspectiva.

O extremo de privação possui problemas óbvios e exaustivamente discutidos. Problemas, estes, que muitas pessoas se empenham dia após dia para sanar.

Mas o outro extremo - que é igualmente problemático - não é sequer citado rotineiramente.

"Arthur! Que pecado! Você está igualando o problema de alguém que não tem comida para se manter vivo com o de uma filha de magnata entediada???"
Acertei seu pensamento.
Vai.
Confesse.
(Acertar os números da Mega - que é bom - eu não acerto, né?)

Não, amigo. Pensando assim você jogou o problema da "acessibilidade ao que se quer" apenas ao aspecto econômico.
Não que o dinheiro não influencie, mas ele não é o principal e tão pouco o único nessa causa de depressão que eu estou tentando mostrar.
Sem falar que pensar assim eleva a barra do "problema do entediamento" apenas aos milionários. 

Nós, humanos, nunca tivemos tanto de tudo na história.
Pela primeira vez na história registrada temos menos de 20% das pessoas abaixo da linha da pobreza.
Isso significa que mais de 80% das pessoas têm acesso pelo menos ao básico para viverem.
Acesso a comida, água, agasalhos, abrigo, sexo, saúde, segurança, transporte, participação na sociedade, opções de lazer, etc...
Pessoas consideradas "pobres", hoje, têm mais acesso a conforto do que reis de alguns séculos atrás.
Através do nosso sistema de trocas - capitalismo - as pessoas são encorajadas a resolverem problemas das outras pessoas.
E isso cria um círculo de oferta de ajudas jamais visto antes.
As pessoas se especializam em um ofício e, assim, conseguem ajudar mais pessoas em menos tempo.

TEMPO.

Até o início do século 20 mulheres passavam a maior parte do seu dia empenhadas nas tarefas do lar.
E uma das tarefas que mais consumia tempo das mulheres era lavar a roupa.
Eram horas buscando água, ensaboando, esfregando, batendo, enxaguando, torcendo, pendurando e recolhendo roupas para famílias de 6, 8, 10 pessoas.
Com o advento de máquinas de lavar, o trabalho de horas diárias se transforma em alguns minutos alimentando a máquina, a máquina faz todo o trabalho pesado, mais alguns minutos para estender a roupa e, depois de secas, mais alguns minutos para recolher. (É algo tão fácil, mas tão fácil, que até homens - como este que vos escreve - operam todo o processo sozinhos. Muitos - como este que vos escreve - até dispensam auxílio de mulheres para o processo.)

E falar da máquina de lavar é só um exemplo.
Parvo.
Simplório.

Pense em quanto TEMPO a internet te poupa, todos os dias.

Lembre do tempo que não tínhamos todas as informações do mundo na palma da nossa mão, há uma googlada de distância.
Todos os dias temos acesso a tantas maravilhas que facilitam o nosso trabalho e, assim, nos poupam TEMPO precioso.
Nunca antes na história desse mundo as pessoas tiveram tanto TEMPO livre.
A escassez de tempo era, definitivamente, uma praga.
Não ter acesso a tempo era uma coisa desastrosa.
Imagine, por um segundo, quantas mentes brilhantes perdemos porque a pessoa estava empenhada em cortar lenha para aquecer a casa no inverno ou colhendo trigo, moendo, usando a farinha para fazer pão, etc... Mas, hoje, o excesso de tempo também se mostra algo prejudicial.

Desde sempre o ser humano anseia por OBJETIVO.
As principais questões filosóficas persistem por milênios:
"O que somos nós?"
"Qual é o nosso propósito?"
"Fazemos parte de um plano maior?"
"Qual o nosso papel no Universo?"

Milhares, milhões, bilhões, cada um dos seres humanos que já pisaram nesse mundo tentaram responder essas perguntas.
Mas muitos não tiveram TEMPO de se importar com elas.
A fome era grande e a necessidade de cuidar da plantação era maior.
A necessidade de não dormir na chuva e no frio eram maiores do que responder as dúvidas primordiais.
Hoje, com acesso a todas essas facilitações, muitos seres humanos têm TEMPO em suas mãos.
Tempo que, se não for devidamente direcionado para algo útil, se torna uma maldição. (Pense que há tanto tempo disponível que as pessoas estão inventando absurdos como "a Terra é plana", "vacinas causam autismo", etc...)

E em um mundo que entrega as soluções para as nossas necessidades muito rápido, o tempo que cada um possui parece eterno.
O homem médio quer tudo na mão.
Quer tudo já.
Quer exatamente aquilo que sonhou.
Quer mais perfeito do que jamais imaginou. 
Comida. Roupas. Carro. Casa. Reconhecimento. Sexo.

Um pequeno capítulo sobre "sexo" nesse contexto: Hoje é EXTREMAMENTE FÁCIL obter sexo.

E quem está falando isso é um homem, chato, baixinho, nerd, acima do peso, cheio de manias chatas, fora dos padrões de retardados medianos.
Agora você imagine o quão fácil é obter sexo para o homem "mauricinho-bombadão-frequentador-de-balada-sem-nada-na-cabeça".
Agora você imagine o quão simples é ter sexo para uma mulher.
Agora você imagine o quão simples é conseguir sexo para uma "mulher-capa-de-playboy".
Agora imagine essa mesma princesa malhada sendo lésbica e indo à uma festa...

Relacionamentos sempre foram uma causa de tristeza e depressão por histórias de amor que não conseguiram se concretizar.
Hoje, imagine você ser um pobre diabo apaixonado...

Estamos na era dos "contatinhos": cada pessoa mantem dúzias de pretendentes no seu telefone.
São conversas e mais conversas no whatsapp.
É um verdadeiro "menu" de sexo.
Algumas pessoas têm tantos "contatinhos" que passam os ANOS sem nenhum compromisso firmado.

A falta de foco afasta a pessoa do trabalho do dia a dia, necessário para alcançar seus objetivos.
Conheço pessoas com 35 anos, ainda solteiras, cujo sonho de adolescente era casar e ter filhos. Simplesmente porque não conseguem escolher um parceiro para trabalharem o sonho que tinham. Querem um "parceiro pronto". Que seja um "príncipe encantado" ou "princesa de fábula" "de fábrica". Não cogitam passar pelos percalços do dia a dia. Não suportam o primeiro sinal de discordância.

E muitas dessas pessoas sequer conseguem manter a tal fidelidade: começam o projeto com um contatinho, mas os demais continhos estão lá no celular, chamando a todo minuto.

A facilidade em obter o que se deseja tira o aspecto do trabalho árduo para obter o sucesso.
E, sem o trabalho árduo, a conquista se torna banal.

Não vale a pena consertar a relação com o "príncipe encantado"; é mais fácil terminar tudo e chamar o próximo da lista para sair.
A cerveja no final do dia já não tem mais o sabor de vitória. Ela é barata e abundante. A cerveja precisa ser especial. Puro malte. Artesanal. Suada. Sangrada.
O churrasco do final de semana não é mais aquela conquista de uma semana exaustiva. É direito adquirido. Estranho é o dia que não tem churrasco. Porque não tem churrasco hoje? Que fim do mundo!!!

Uma sequência de conquistas banais cria uma vida banal.
E como essas facilidades estão espalhadas pela sociedade, a banalidade se repete ao infinito.
Não há sequer como reclamar da falta de desafio da própria vida, pois as demais pessoas possuem o mesmo vazio.
E aí você imagina o efeito manada agindo e algumas pessoas lutando até mesmo para conseguir obter a mesma vida vazia que os amigos possuem, achando que isso é "sucesso".

Eu não sei quanto a vocês, mas esse vazio crônico cria vidas ocupadas e sem objetivos.
As pessoas, tais quais zumbis, levantam, trabalham, estudam, comem, namoram, bebem, viajam, etc... de modo automático.
Parece que a vida passa por essas pessoas, não que essas pessoas passam pela vida.

Milhões de fotos lindas para apresentar em redes sociais e o vazio da espera paciente por likes, olhando para a tela do celular no escuro da noite.

E quando a pessoa se vira para contemplar o império que construiu... Pra quê? Por quê?

A vida SEM ACESSO é dura, mas traz consigo PERSPECTIVA. A pessoa precisa correr atrás do que necessita.
A vida COM MUITO ACESSO, quando mal orientada, remove a PERSPECTIVA da pessoa.

E eu não sei quanto a vocês.
Mas, pra mim, esse vazio de "não saber o que fazer amanhã" é pior até do que a certeza da forca ao amanhecer.
Suga a alma não ter a mente ocupada com um problema para resolver.
Corrói o espírito não ter utilidade.
Cada hora desperdiçada se torna uma prisão, aonde as barras se arrastam fazendo "tic-tac".
Ver alguns desejos sendo atendidos tão rapidamente quanto o tempo de espera para entregar a pizza e outros tão distantes quanto o sonho de ser um roqueiro famoso alimentam a ansiedade.
A ansiedade força os planos perfeitos por horas das horas vagas acumuladas.
E todo esse pensamento impede que o primeiro passo seja dado.
E por não dar o primeiro passo, os planos lá do futuro não mostram o menor sinal de estarem se aproximando.
Então põe-se os planos em dúvida.
E não sabemos o que fazer amanhã.
E aí você lê novamente esse grupo de frases.
E de novo.
E mais uma vez.

Aí, quando você chega na beira do precipício da loucura, você olha lá pra baixo.
Opa, é só a luz do celular.
O whatsapp tá aberto.
Você tá falando com 8 contatinhos ao mesmo tempo.
"Ok, vem aqui em casa, hoje. Traz pizza. Meia coração, meia o que você quiser."
"Tá, amanhã a gente se vê."
"Tá, sábado no sushi"
"Pô, parabéns pelo namoro."
"Cê tá ficando? Poxa, vamos nos ver mesmo assim!"
"Pode ser um café, sim! Bom falar contigo!"
"Oi sumida! Sonhei contigo ontem..."
"Só semana que vem. Vamos falando!"

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Mulher Maravilha

Pouco mais de um ano atrás Batman Vs Superman estreava. O filme tentou dar prosseguimento na história de Superman, mas mostrou um roteiro confuso e com algumas forçadas de barra difíceis de engolir. Mas daquele filme surgiu um raio de esperança: a Mulher Maravilha.

Absolutamente todas as pessoas com quem conversei após Batman Vs Superman se disseram ansiosos pelo filme solo de Diana. Eu próprio ignorei o Batman de Frank Miller e o arco da Morte do Superman nas telonas. Tudo o que me restou de Batman Vs Superman foi a vontade de ver mais tempo de Mulher Maravilha na telona.

E a espera de 15 meses foi cruel. Cheia de dúvidas e incertezas. “Será que o roteiro será bom?” “Será que a DC fará mais um filme sem cor?” “Será que mexerão muito nos personagens?”
E as notícias e especulações não ajudaram em nada nesse tempo todo. Tudo que rodeava o filme era questionado e visto como um possível desastre.

“Primeira protagonista mulher em filmes de heróis? Tudo pra dar errado.”
“Primeira diretora de filme de heróis? Desastre certo.”
“Zack Snyder se envolveu no filme? Tá uma porcaria e estão tentando consertar.”
Bobagens, bobagens, bobagens...

Falar mal dá clique. Gera visita. Armadilha para fãs incautos passarem dias defendendo seus heróis de veículos de mídia que só querem gerar comentários, likes e compartilhamentos.

Acontece que eu saí agora mesmo da primeira sessão de Mulher Maravilha.

Acontece que Mulher Maravilha é um dos filmes de super heróis mais bonitos que eu já assisti.

Acontece que Gal Gadot encarnou Diana de Temiscira irretocavelmente. Assim como Hipólita moldou sua filha do barro e Zeus soprou-lhe a vida, Gal Gadot É a Mulher Maravilha sem a menor sombra de dúvidas.

Robin Wright transformou Antíope – tia da Mulher Maravilha – de uma personagem secundária dos gibis em um verdadeiro ícone para Diana e para todos nós, fãs da Mulher Maravilha e da DC. E amigos... que presença de tela tem Robin.


Mulher Maravilha repete a receita que deu certo em Deadpool: a história é adaptada respeitando a personagem. Todos nós estamos vendo a Mulher Maravilha dos gibis materializada na telona. Diana é uma guerreira amazona. Diana mata se necessário. Mas ao mesmo tempo Diana busca sempre a verdade e a justiça.

E uma das coisas mais fantásticas do filme: não dá para saber ainda se a Mulher Maravilha voa ou só dá pulos realmente muito altos. Em nenhum momento isso fica claro.
Evidente que o roteiro tem seus clichês, vícios e adaptações. Mas todos os principais elementos da história da Princesa Amazona estão lá. Ela nasce, cresce e treina em Temiscira, Steve Trevor continua caindo de avião na ilha, ele é curado pelas “águas brilhantes”, Diana fica sabendo da primeira guerra mundial e foge com Trevor para “enfrentar Ares”.

O interessante do roteiro é que a história da origem de Diana não é o foco principal. Muito mais do que isso, vemos a evolução da personalidade de Diana desde sua infância (a linda Lilly Aspell rouba as cenas em que participa!!!), passando pela sua juventude (eu queria ter visto a Emily Carey mais tempo na tela!), o momento que decide ir para o “mundo dos homens”, a fase de adaptação, quando ela conhece a guerra e as nuances dos relacionamentos longe da Ilha do Paraíso.
É, sobretudo, uma jornada sobre a perda da inocência através da descoberta de tudo que há de ruim e, principalmente, de bom na humanidade.

É, sim, um filme sobre amor.

Patty Jenkins soube dar ao filme um ritmo delicado e sutil. Outro diretor talvez focasse a história nos poderes da Mulher Maravilha, nos horrores da guerra ou até mesmo na construção de vilões ameaçadores. Mas Jenkins conseguiu desenvolver toda a história focando a evolução da Mulher Maravilha de um modo primoroso.

A trilha sonora não surpreende, mas também não é ruim.

A fotografia alterna paisagens lindas da Ilha do Paraíso, com uma Londres cinza, com as trincheiras de batalha escuras e a luta final durante a noite. Tenho certeza que muitos reclamarão da tendência da DC em manter a escuridão predominante nos seus filmes. Mas o fato é que não havia como enfrentar alemães em trincheiras na primeira guerra mundial esperando um cenário de teletubbies. Os cenários ficaram bem fiéis ao que se espera do ambiente. E no final temos um belo nascer do sol para coroar o filme!

Mulher Maravilha é uma bela obra de arte.

O filme não possui cena pós-créditos. Terminou o filme, subiu o letreiro, pode ir embora.
Não sei vocês, mas o filme terminou e eu quero ver mais Gal Gadot distribuindo JUSTIÇA™ e VERDADE™ nas telonas. Mal posso esperar para assistir a estréia de Liga da Justiça.


A partir de agora eu vou comentar o filme.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Núcleos dos Planetas por Vadim Sadovski

O artista Vadim Sadovski criou essas lindas imagens das camadas dos planetas do sistema solar a partir dos últimos estudos da astronomia!








quinta-feira, 27 de abril de 2017

Guardiões da Galáxia vol.2

Então eu acabei de sair do cinema pela segunda vez.
E pela segunda vez eu estou escrevendo uma resenha para esse magnífico filme.

Pronto. Entreguei. É magnífico, sim.


Ninguém dava nada pelo primeiro Guardiões da Galáxia. 
Ninguém conhecia os personagens, o grupo.
Com o sucesso estrondoso de Guardiões da Galáxia, todo mundo estava receoso com a continuação.
"James Gunn não conseguirá se reinventar para superar sua obra-prima, eles disseram!"

Eis que então James Gunn olhou para todos e falou: SEGUREM A MINHA CERVEJA!
Foi lá e mostrou como é que se faz uma continuação tão boa (ou melhor!!!) que o filme original!


Guardiões da Galáxia vol.2 tem duas horas e dezesseis minutos de comédia, drama, ação e toneladas de efeitos especiais meticulosamente arquitetados para te entregar um dos melhores filmes que a Marvel e a Disney já fizeram.

Sério, no meu top-3 particular, Guardiões da Galáxia vol.2 só perde para Guardiões da Galáxia e para Deadpool.

Não vá ao cinema esperando apenas um roteiro raso e uma sequência arrasadora de piadas ininterruptas. Não. O filme é muito mais do que isso.
Guardiões da Galáxia apresentou apenas superficialmente os personagens. Mesmo dando prioridade para o Star Lord, o primeiro filme não nos explica muito da sua origem, dos seus poderes, etc... Também pudera: são pelo menos 10 personagens E o grupo dos Guardiões da Galáxia que precisaram ser apresentados no primeiro filme.
Guardiões da Galáxia vol.2 aprofunda os personagens, suas histórias e as relações entre os personagens. O filme te explica motivações, mostra os dramas que cada personagem vive, mostra a redenção que os personagens encontram entre si e cria ganchos fantásticos para os próximos filmes.

Guardiões da Galáxia vol.2 é como uma montanha russa emocional: em um momento você está rindo de uma piada de peidos, daqui dois minutos você está emocionado ao descobrir o detalhe do relacionamento entre dois personagens.

E tem o Baby Groot.
Nossa, como tem o Baby Groot.
Tem Baby Groot pra caramba.
E eu queria mais Baby Groot!

"Ain Arthur, mas só fizeram o Baby Groot para vender bonecos!"


QUE BOM! EU QUERO TODOS OS BONECOS DO BABY GROOT!
Cada um deles.
Se você não quer, dá o seu boneco do Baby Groot pra mim!

Eu não preciso falar da trilha sonora, né? É marca registrada do James Gunn mesclar a trilha sonora com o roteiro do filme. Em Guardiões da Galáxia ele já havia feito isso primorosamente. E em Guardiões da Galáxia vol.2 ele não só se repetiu, como se superou mais uma vez. Dessa vez as músicas não tiveram apenas o apelo cômico, como no primeiro filme. As cenas mais emotivas foram embaladas por músicas selecionadas a dedo.

Ouso dizer que a mãe do Peter Quill é a melhor DJ da Galáxia!

A fotografia do filme seguiu a linha psicodélica que a Marvel parece estar querendo seguir. Começou com as viagens dimensionais de Thor: Mundo Sombrio. Evoluiu no mundo quântico em Homem Formiga. Em Doutor Estranho a psicodelia ditou o ritmo de mais da metade do filme. E em Guardiões da Galáxia vol.2 todas as cenas explodem a sua cabeça com cores e formatos únicos. (Tá, talvez as cenas nas naves espaciais não sejam tão psicodélicas, mas estão longe de ser a maioria no filme.)

Os efeitos especiais são surpreendentes. Aliás: usem mais CGI que tá pouco. Essa maravilhosa tecnologia nos ajuda a colocar todos os elementos necessários para contarmos histórias do melhor modo possível dentro da telona. Novamente usaram a técnica de rejuvenescer digitalmente atores. E a técnica está tão refinada e maravilhosa, que eu não vou me surpreender se daqui uns anos a utilizarem em um filme inteiro, não só em algumas poucas cenas.

Assista em 3D. 
(Eu nem sei se haverão sessões 2D. O filme todo é voltado para cenas 3D e ficou MARAVILHOSO. Mas de qualquer forma fica a dica: assista em 3D.)

E por fim, a história. O roteiro ficou ótimo. Leve, fácil de seguir. Se você parar para dissecar o roteiro, ele é até meio bobo. Mas a edição e a condução do filme é tão suave que as cenas se sucedem sem que você note. É entretenimento puro da mais alta qualidade.

Sim, são 5 cenas pós-créditos. Fique até o último segundo. Não perca nada, por favor. São 3 ganchos para próximas histórias, 1 gancho para desenvolvimento do relacionamento entre os personagens... e 1 piada excelente com o Stan Lee.

E ainda sobre os créditos, a Marvel inovou mais uma vez. Quando as letrinhas estão subindo, muitos nomes das pessoas aparecem substituídos por piadinhas do filme, como "I am Groot". Então, o nome "pisca" e aparece o nome e a função da pessoa real. Isso acontece várias vezes durante os créditos. E como as piadas são sensacionais, pela primeira vez na vida eu me peguei lendo vorazmente os créditos para encontrar essas piadas assim que elas aparecem.

Guardiões da Galáxia vol.2 é excelente. Vá assistir agora.



Bem. Como vocês já sabem, agora chegou a parte do texto que eu conto a história.


domingo, 16 de abril de 2017

Pokemon: Elos perdidos!

Eu não achei o nome do artista... mas nesse tumbl -> http://inprogresspokemon.tumblr.com/ o autor cria os "elos perdidos" entre as evoluções dos pokemons!
É divertido porque em muitos casos a diferença entre as duas evoluções é realmente berrante!