quinta-feira, 24 de maio de 2018

Aulas de debates, corvos e método científico

Sabia que ciência não é "busca pela verdade"?

Quer dizer. É. 
Mas não assim, no sentido literal.

Peraí. Eu explico melhor.
Vem comigo

"Ciência" não é uma profissão. Não é uma "coisa". Não é algo.
"Ciência" é um método. "Fazer ciência" significa que você "seguiu alguns passos" para chegar a uma conclusão.

A "Metodologia Científica" inicia com você levantando uma HIPÓTESE.
"Hipótese" é o que você chama de "teoria". "Hipótese" é apenas uma ideia solta no ar, sem qualquer comprovação.
É apenas um ACHISMO seu.

Por exemplo: "Até hoje só vi corvos pretos, portanto só existem corvos pretos no mundo!"

Isso é uma HIPÓTESE.

Antigamente, se você olhasse ao seu redor e confirmasse que todos os corvos que você vê são pretos, você criava uma LEI.

Evidente, que muitas "Leis" científicas foram derrubadas. O termo é tão estúpido que a ciência o abandonou. Hoje, não criamos mais LEIS: Criamos TEORIAS.

E o que é uma TEORIA?
Bem, não é o que você aprendeu. Não, a palavra não significa o que você acha que ela significa. Por favor, pare de usar "teoria" como sinônimo de "ideia", porque não é. Obrigado, você mora no meu <3.

TEORIA é qualquer HIPÓTESE que tenha passado em um TESTE.

Por exemplo: "Eu vou fazer uma viagem por todos os países do mundo para ver todos os corvos do mundo. Se todos os corvos que eu encontrar forem pretos, minha HIPÓTESE vira uma TEORIA!"

Bem.
Convenhamos que o teste proposto acima é impossível.
É mais fácil criar uma propaganda de TV pedindo para todos os corvos do mundo responderem um questionário quanto a sua cor do que imaginar que alguém possa realmente encontrar todos os pássaros na natureza.

Para testar nossas hipóteses, temos que ser mais INTELIGENTES.
Em vez de procurarmos TODAS AS CONFIRMAÇÕES da nossa hipótese, é mais inteligente criarmos um modo de ENCONTRARMOS A FALHA da nossa ideia.

Eu sei que ainda é difícil. Mas é mais fácil procurar por UM corvo que não seja preto, do que sair procurando TODOS os corvos do mundo.

A metodologia científica consiste em criar testes para FALHAR a conclusão proposta na hipótese.

Einstein disse que a matéria distorce o espaço, inclusive mudando a direção da luz.
Em vez de procurarem por todos os raios de luz do Universo para confirmar que todos são curvos, os cientistas aproveitaram um eclipse no Brasil para tentar derrubar a afirmação do trabalho de Einstein.
Eles esperaram o Sol eclipsado passar pela frente de uma estrela. Se Einstein estivesse errado, a estrela não seria vista. Se o Einstein estivesse certo, a enorme massa do sol (pouco menos da metade do peso da sua mãe) dobraria o espaço e a estrela que estava escondida seria vista pelos cientistas.

Os cientistas prepararam seus telescópios esperando NÃO VER a estrela. Isso seria suficiente para colocar o trabalho de Einstein no limbo do esquecimento. Esse era o teste para FALSEAR a ideia de Einstein.

Mas os cientistas viram a tal estrela.

E desde então, milhares de outros cientistas procuram milhares de outros testes tentando encontrar falhas no pensamento de Einstein. E até algumas ideias que achávamos que eram erradas, têm passado em novos testes, deixando a TEORIA mais e mais robusta. Cada vez mais próxima de ser uma verdade.

Bem.
Deu pra entender, né?

Porque eu escrevi tudo isso aqui?

Porque essa semana eu participei de uma "aula conversa".
Sabe quando o professor coloca todo mundo em um círculo, joga um tema na roda e deixa o pessoal debater?
Assim, sem nenhum objetivo claro, sem chegar a nenhuma conclusão?
O pessoal vai falando o que tem na cabeça, contando suas experiências pessoais.
Todo mundo fala, entramos em casos pessoais, específicos demais.

"Porque na minha família aconteceu uma coisa que tem a ver com o tema do debate e lá a gente resolveu jogando sal em cima da mesa!" - Diz alguém.

"Ai, que bobagem, minha tia vive o tema do debate todos os dias e o que adianta pra ela é ignorar que o tema do debate existe!" - Fala outro.

"Pff, o tema do debate é mimimi, isso aí nem existe!" - A pessoa se mete.

Nada dessa conversa é científico.
Nenhum conhecimento é gerado, testado ou disseminado ali.
O único proveito dessa conversa é estreitar laços pessoais. Se tanto. Porque geralmente as pessoas acham que discordando umas das outras o debate é mais válido.

A única coisa que acontece em uma dessas rodinhas é gastar tempo de todos os envolvidos. Sim, teria sido melhor ir ver o filme do Pelé.

E eu fiquei (ainda estou) irritado demais com isso.

E me enfurece mais ainda perceber que essa perda de tempo tem sido considerada válida por professores. Mestres - que deveriam proteger com suas vidas o método cientifico - abusam dessas conversas banais em sala de aula. Do pré até os pós-doutorados.
E muitos alunos passam toda sua experiência acadêmica achando que estão aprendendo muito apenas buscando os corvos pretos.
Enquanto isso, sequer aprendem que não devemos fidelidade a nenhuma ideia.
Em especial as nossas próprias ideias: elas são as primeiras que devemos testar. Exaustivamente. Todos os dias. Procurando cada pequeno erro que elas possam ter.

Esse é o tema, galera.
Vocês já passaram por isso na vida de vocês?
Vocês conhecem alguém que tenha passado por isso?
Querem contribuir deixando seu relato nos comentários?

Grupo, vamos escutar a pessoa que levantou a mão, ali.

Sobre Redistribuição de Renda

Existem duas informações que seguidamente saem nos jornais. Essas informações sempre são discutidas isoladamente. Eu mesmo nunca vi ninguém relacionar as duas em um único debate.

Você me acompanha rapidão nessa linha de raciocínio?

Valeu.

1 - Em abril de 2018, brasileiros com renda acima de R$ 5.214 estão entre os 10% mais ricos.

2 - No mesmo abril de 2018, o salário mínimo ideal para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 3.696,95.

Bem. Eu só tenho amigos Super-Ultra-Mega-100%++ inteligentes. Então vocês pegaram os números ali no ar e já sacaram tudo o que eu quero dizer.

Mas esse post é público, então eu preciso repassar o óbvio, para o caso de alguém que eu não conheço acabar lendo.

Vamos lá. 

Riqueza é algo que se gera. Você percebe uma necessidade, busca conhecimento, matéria prima, investe seu tempo, cuida de toooooooda a burocracia e, no final, entrega a solução para a necessidade. Essa solução, é claro, tem um valor. Valor para a pessoa cuja necessidade está sendo suprida. Essa pessoa paga o valor que vocês dois concordaram.
E esse valor consiste no custo (fixo e variável) para produzir a solução, mais O SEU LUCRO.
A realização do LUCRO é o momento mágico em que o dinheiro nasce.
Esse dinheiro não existia na economia antes do seu cliente reconhecer o seu esforço em entregar uma solução.

Portanto, para aumentar a quantidade de "bolo" a ser distribuído entre as pessoas de um país, é necessário criar um ambiente econômico aonde as pessoas possam LUCRAR com o resultado dos seus trabalhos.

O PROBLEMA DO BRASIL É... que poucas pessoas conseguem lucrar. A imensa maioria não consegue criar soluções para as necessidades dos demais. Muitos tentam, mas acabam engolidos por um ambiente econômico que sufoca qualquer pessoa com iniciativa. E os poucos que conseguem vencer o sistema acabam comprando o próprio sistema para garantir que mais ninguém consiga tirá-los da sua liderança de mercado.

Traduzindo em miúdos: o pouco dinheiro que o brasileiro ganha é sobretaxado por impostos pesadíssimos. (Você tá reclamando do preço da gasolina? Cerca de 20% dele é só ICMS!)
Quando o brasileiro consegue realizar o sonho de abrir uma loja ou empresa, o Estado impõe tantas regras e tantos impostos que muitos negócios já nascem mortos.
As poucas empresas que prosperam acabam financiando políticos. Estes políticos criam mais e mais regras e impostos que só afastam concorrentes das empresas que os financiam.

Assim, a grande massa de brasileiros acaba dependendo de um salário que sequer alcança o mínimo necessário para sustentar decentemente uma família de tamanho médio.

E, se você for analisar estes números com calma, quem são os 20 milhões de brasileiros que recebem mais do que 6 mil reais por mês?

Políticos. Funcionários públicos. Médios e grandes empresários. Profissionais liberais proeminentes. Profissionais privados com décadas de experiência em sua área.

E olhe lá.

A realidade nua e crua revelada pelo cruzamento dessas duas informações é que mesmo a maioria dos 10% mais ricos do Brasil mal conseguem sustentar decentemente suas famílias.

Falar em "redistribuição de renda" em um país com a realidade desses números significa dizer que uma pessoa tem 100 reais e 99 não têm nada. E que tomar os 100 reais dessa pessoa e dar 1 real para cada um é "justiça social" que "garantirá o bem estar de todos"... 
"Bem estar" que não servirá sequer para comprar um pingado no bar.

A maioria dos 10% mais ricos do brasil seriam considerados miseráveis em países de primeiro mundo. "Como assim você sobrevive só com 2 mil dólares por mês? =O" - diriam.

Mas o mais absurdo da intersecção dessas duas notícias é notar que todos... TODOS NÓS. Do brasileiro mais pobre ao brasileiro mais rico. Todos nós damos dinheiro para o Estado.

E o Estado junta TRILHÕES DOS NOSSOS REAIS por ano.
Sim, a mordida é gigante. De cada 100 reais que você sua para ganhar, o Estado vai lá e fica com cerca de 73 reais.

Dinheiro seu. Dinheiro meu.

Dinheiro que poderia servir para você comprar seu carro, sua casa. Aquela roupa. Aquele curso, aquela viagem. Para aquele negócio que você teve a ideia e nunca teve o dinheiro para iniciar.

O Estado nos obriga a sermos pobres.
E, uma vez pobres, o Estado aparece como o salvador da colheita, com todas as soluções mágicas que precisamos para sermos felizes para sempre.

O maior concentrador de riquezas do Brasil é o Estado.
E ele é gerido por políticos corruptos.
Tomam teu dinheiro dizendo que vão melhorar tua vida, como se pudessem decidir por ti qual é o melhor destino para o teu dinheiro.
Para, no final das contas, teu dinheiro acabar em alguma conta em paraísos fiscais, em um triplex no Guarujá ou aeroporto particular em Minas.

Não existe divisão de povo no Brasil.
Estamos todos do lado "pobre" do país.
Do "lado de lá", contra o povo, apenas os políticos.

Pobre de nós.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Os Vingadores: Guerra Infinita

Não.
Peraí.
Desculpe.

Eu errei o título.
(Em minha defesa, os irmãos Russo também erraram.)

Aqui vai o título correto:

THANOS: GUERRA INFINITA


Pronto.
Bem melhor.

Agora sim eu posso começar a falar sobre o melhor filme jamais feito na história da humanidade.

Bem. 
Metade dele. 
A primeira metade.
A primeira metade que demorou 10 anos para ser concluída.

Tudo. Absolutamente TUDO no Universo Cinematográfico da Marvel (MCU) convergiu para esse momento. Para esse filme. E os irmãos Russo te entregam 2 horas e 40 minutos da maior desolação e anti-clímax que você já presenciou na história das histórias contadas.

E é justamente por conta desse anti-clímax que Guerra Infinita é tão grandiosa.

Como eu disse ali em cima, esse não é um filme sobre Os Vingadores. Se fosse o caso, seria apenas para mostrar o quanto todos os grandes heróis nos apresentados nos últimos 10 anos são fracos e despreparados para qualquer ameaça que aconteça.

A Marvel nos acostumou com filmes do grupo Os Vingadores para "fechar" cada uma das fases. Mas, nessa terceira fase, a Marvel ousou no sentido correto e "fechou" a sequência com a maior história que a empresa já contou.

Explico.

Eu fui "marvete" por toda a década de 90. Até perceber uma coisa: a Mavel não cuida dos seus vilões. O "centro" de suas histórias sempre são os conflitos internos dos heróis e o relativismo moral entre os heróis. Os vilões são somente uma válvula de escape. Um estopim para levar os heróis ao seu limite. Os vilões são figuras bidimensionais, sem motivações ou sequer características que os aproximem de um personagem de verdade. Os vilões estão lá apenas para o público saber em quem o herói deve bater para vencer a história.

Mas não em Guerra Infinita. Não no MCU. A Marvel usou e abusou de "vilões descartáveis" em seus filmes... até agora. Imbecis fracos, com objetivos infantis e facilmente derrotáveis.

E então Guerra Infinita nos apresenta Thanos. 
O filme inteiro é do Thanos. 
Guerra Infinita serve para mostrar a história, o ponto de vista e o objetivo do Titã Louco.

Guerra Infinita junta a maioria dos heróis do MCU... os maiores campeões da galáxia... só para nos deixar claro que não são NADA frente ao poder de Thanos.

Thanos está sob controle da situação o tempo inteiro.
Seu plano é muito simples e segue mais ou menos a história dos gibis: coletar todas as joias do infinito, juntá-las na manopla do infinito e, com o poder de um deus, dizimar metade da população do Universo com o estalar dos dedos.

E esse é um filme sobre o Thanos.
E esse é um filme sobre o maior vilão que o cinema já colocou à nossa frente.

(Sim. Eu disse isso. Nossos pais presenciaram Star Wars. Nós teremos o privilégio de dizer que presenciamos em tempo real a maior obra-prima da sétima arte. Esses 10 anos. Esses 19 filmes lançados até hoje entrarão para a história como o projeto mais audacioso e bem sucedido do cinema.)

E por ser um filme sobre o vilão, é um filme aonde o vilão vence. E, acredite em mim, isso não é um spoiler. É só o fim inevitável de todas as coisas.

Tudo no filme se encaixa à perfeição.
(Talvez, exceto, a menção que Homem Aranha se passa 8 anos DEPOIS da invasão Chitauri e Guerra Infinita se passa 6 anos DEPOIS que Tony Stark revela ser o Homem de Ferro. Tem uns 4 anos de erro, aí.)
(Também tem o problema crucial no plano de Thanos: se ele quer poder para salvar a vida da finitude de recursos, porque não usa os poderes de um deus da manopla do infinito para... tornar infinitos os recursos para a vida?)
(Tá, também tem alguns outros problemas pontuas, como o Dr Estranho não usar a joia do tempo para impedir o Thanos de conseguir todas as outras pedras.)

Tá, pensando bem, o filme tem um monte de coisas que não se encaixam direito.

Mas eu vou te contar o maior segredo para Guerra infinita ter funcionado tão bem: a diferença entre a realidade e a ficção, é que a ficção precisa fazer sentido. E essa falta de sentido em alguns pontos - propositais ou não - criam uma atmosfera de incertezas. Essas incertezas mantém as histórias abertas. E todas essas dúvidas criam a nossa necessidade de sentar em uma cadeira no cinema às 00:01 de uma quinta e enfrentarmos com alegria quase 3hs de filme madrugada a dentro. Mesmo sabendo que no dia seguinte vamos precisar acordar cedo para voltarmos para nossas vidas.

Guerra Infinita não é um filme de comédia. Embora piadas estejam presentes aqui e ali, elas mal servem para aliviar a tensão das cenas do filme.

Muito pelo contrário, Guerra Infinita é a primeira metade sombria do filme. É pesado e até aterrorizante em alguns momentos.

O Thor se sobressai um pouco fazendo algumas proezas. O Senhor das Estrelas é mostrado sendo muito mais do que um "reles humano". A Feiticeira Escarlate mostra muito mais domínio e extensão dos seus poderes. O Homem de Ferro novamente mostra todo seu poder. Viúva Negra continua chutando bundas, mesmo sem que a gente saiba como ela consegue fazer isso. O Capitão América e o Soldado Invernal passam meio desapercebidos. Máquina de Guerra e Falcão continuam como side-kicks...

Depois da cena inicial, Banner não consegue mais se transformar em Hulk. Nas vezes que tenta, o monstro verde aparece apenas para dizer "NÃO!".

Gavião Arqueiro e Homem Formiga NÃO ESTÃO no filme...
Mas o Caveira Vermelha tem uma participação especial muito legal!

Eu fiquei especialmente chateado com os asseclas do Thanos. Acreditava que eles seriam mais formidáveis. Mas não é nada que atrapalhe o filme: quando Thanos consegue a pedra da realidade (que estava com o Colecionador...) ele decreta a sua vitória. A partir desse momento, tudo foi questão - literalmente - de tempo.

Thanos aniquila metade da população do Universo.
Assim, seguindo a lógica cartesiana, pelo menos metade dos heróis morre.

Mas assim como muitos heróis morrem, alguns novos aparecem.

A cena pós-créditos, como sempre, prepara para mais um filme. O da Capitã Marvel. 

O filme termina com a sensação de que não há esperança e o mal enfim venceu o bem.
Mas a quantidade de heróis mortos deixa claro que estamos na metade do filme. 
E ainda há o que ser feito para reverter o quadro catastrófico.

O quarto filme de Os Vingadores não tem nome, ainda. Mas certamente os heróis remanescentes encontrarão reforços, deixarão suas desavenças de lado e, enfim, vencerão Thanos.
Ou não.
Vá saber.
Só teremos a resposta dentro de um ano.
E eu só posso dizer que será o ano mais longo e desolador de todos os tempos.

A partir de agora, eu vou contar o filme.


quarta-feira, 11 de abril de 2018

sábado, 31 de março de 2018