sexta-feira, 26 de março de 2021

Sobre o TDC, minha área de trabalho e (principalmente) meus colegas

Eu ia postar esse texto no LinkedIn. Mas aquela porcaria de rede social limita a quantidade de caracteres a serem postados. Aí ela te manda para uma ferramenta de blog péssima.

Esse texto é de opinião. E o LinkedIn é tóxico demais. No LinkedIn você não pode ser você mesmo. Você não pode publicar opiniões que fujam um milímetro do convencionado no senso comum. Sob pena de recrutadores acéfalos te julgarem, mesmo que esses imbecis não tenham metade da bagagem que você tem.

Aí eu pensei em postar no Facebook. Mas sei lá. Eu não costumo colocar esse tipo de opinião minha direto no Facebook.

Então aqui estamos, meu velho e bom blog para desabafar tudo o que está incomodando na minha cabeça.

Com a vantagem que aqui eu posso conversar com você, amigo. Você é esperto o suficiente para me entender. E eu gosto disso em você. Aqui é um espaço seguro.

Sabe, eu gosto muito da minha área. E, olhando em retrospectiva, sempre foi o que eu tentei fazer.

Eu sou um agilista.

Eu trabalho com agilidade.

"Agilidade" significa algo como "organizar as organizações para garantir a máxima eficácia e eficiência ao atender os clientes, culminando em organizações altamente bem sucedidas".

Ficou bonito, né?

Na prática, "agilidade" é olhar com carinho para os objetivos da empresa e garantir que os processos corretos estejam sendo efetuados para garantirmos o melhor resultado possível.

Parece simples, né?

Porque, veja bem, é tudo o que toda empresa quer: gastar o mínimo possível para ter um produto ou serviço apaixonante, que os clientes precisem e queiram demais. E, portanto, paguem muito para ter.

Mas na fria realidade do dia a dia, as coisas não são tão fáceis, assim.

Encontramos teimosia de donos de empresa. "Eu paguei, eu que decido!" Mesmo que cada decisão deste dono enterre um pouco mais a própria empresa que nós estamos tentando salvar...

Encontramos gestores sabe-tudo resolve-nada. Geralmente promovidos por tempo de casa, eles juram que sabem tudo o que deve ser feito para o sucesso da empresa. Mas não têm a menor noção do que fazer, de verdade. Repetem métodos ultrapassados, se agarrando no que comprovadamente já deu errado para prosseguir.

Encontramos funcionários resistentes. Pessoal que estamos tentando ajudar e cospem na nossa cara.

Isso tudo sem falar do próprio mercado em si. Clientes ruins, mundo VUCA e o escambau.

O objetivo da agilidade é nobre e os desafios são gigantescos. Nossa comunidade de profissionais deveria ser muito unida. Só assim realmente conseguiríamos a força necessária para realmente mudarmos o mundo à nossa volta para melhor.

Mas a realidade...

A primeira coisa é que o mercado não sabe o que faz um agilista. É uma bandeira que venho empunhando sozinho há muito tempo. Às vezes nem os próprios agilistas sabem o que faz um agilista. Na prática, a empresa precisa de um coordenador, gestor ou diretor. Aí coloca "Scrum Master" ou "Agile coach" no título da vaga, só para ver se conseguem pagar R$5000,00 a menos para os candidatos.

Dentre os candidatos, temos vários tipos de agilistas.

Trincheira: Sou eu. Eu ponho a minha pele no jogo e o meu cu na reta. Eu me envolvo, eu entro no organograma da empresa, eu assumo riscos e eu estou suscetível às consequências das minhas decisões. Eu já fui desenvolvedor, então eu sei como desenvolver de modo ágil. Eu já fui coordenador, então eu sei como coordenar de modo ágil. Eu já atendi clientes, então eu já sei como atender clientes de modo ágil. Eu já conduzi projetos, então eu sei como conduzir projetos ágeis. Eu já fui dono de produto, então eu sei como criar produtos ágeis. E eu já ensinei mais de um grupo de pessoas a trabalhar de modo ágil. Eu tô lá, fazendo as tarefas a quatro mãos. Fazendo pair programming, entrando em reunião para ouvir esporro de cliente e contornar a situação. Eu tô na linha de frente para liderar pelo exemplo, ganhar respeito e entregar projetos.

Pônei: Têm uma dinâmica para qualquer assunto. Qualquer pergunta que façam, ele para o time inteiro, coloca o pessoal em uma sala todo um dia e bóra fazer atividades lúdicas. A maior parte dos times sequer entende o que está aprendendo. A maior parte das dinâmicas sequer funciona. E quando qualquer situação aperta, com certeza o agilista pônei está ocupado demais em alguma dinâmica para poder responder.

De palco. Êta raiva desse povo. Eles têm toda a teoria na ponta da língua. (Alguns não têm, mas falam tão bonito que até parece que sabem o que estão dizendo.) E têm apresentações LINDAS! Power Points de fazer inveja. O trabalho desse pessoal consiste em dar palestras. O tempo todo. Dentro de empresas, a única coisa que sabem fazer é reunir o time para suas palestras chatas. E que raramente dão algum resultado.

Certificados. Esses são os que eu tenho mais nojo. Tu abres o currículo desses filhos da puta e vê páginas de certificados. passaram a vida fazendo faculdades, pós, cursos e provas. Tu colocas um deles na frente de um time, capaz de se mijar todo. Não importa quanto tempo tenham de trabalho, sua postura é sempre de iniciante. Gaguejam. Tremem. São indecisos. Sempre precisam consultar um livro ou outra pessoa. Não sabem o que fazer no dia a dia, quando a decisão precisa ser tomada no momento crítico. Mas, veja bem, eles são certificados!

E em uma comunidade que é desunida, é comum que cada um desses tipos de agilista se sirvam da forma que melhor lhes convir.

E é aqui que os Agilistas de Palco se aproveitam dos Agilistas Pôneis e dos Agilistas de Certificados.

Os Agilistas de Palco criaram diversos eventos para terem o máximo de palco possível. Feiras, encontros, conferências e o escambau. Os Pôneis adoram essas conferências para "aprenderem" novas dinâmicas. Os Certificados querem... certificações! E nós, da Trincheira, queremos experiências reais para replicarmos no nosso dia a dia.

O problema é: a vida real é cinza. Não é empolgante. Ela funciona, mas não dá livro. Ninguém vai pagar para escutar eu dizer que segui a metodologia corretamente durante dois anos para, então, obter sucesso.

Então conferências da minha área acabam sendo um monopólio de Agilistas de Palco se aproveitando do dinheiro dos Agilistas Pôneis e Agilistas de Certificado.

Nesse ano houve um "TDC Inovation".

Neste TDC, houve uma palestra sobre como utilizar o Kanban para tornar sua empresa anti-frágil.

Eu nem perdi meu tempo. Só lendo o título eu - que estou usando kanban no dia a dia - já sabia que era uma furada gigantesca. A função do Kanban É TORNAR A ORGANIZAÇÃO ANTI-FRÁGIL. Esse é o propósito da ferramenta Kanban. Kanban são um conjunto de práticas e regras que, quando aplicadas corretamente através do tempo, levam a empresa a identificar e tratar os seus pontos de vulnerabilidade. Conforme a empresa trata esses pontos de vulnerabilidade, a empresa sai da fragilidade, passa a ser resiliente, se torna robusta e, enfim, anti-frágil.

Ou os autores da palestra descobriram algum acelerador milagroso nesse processo, ou iam falar mais do mesmo.

Eu fui atrás da empresa dos autores da palestra. Duas empresas que não são anti-frágeis. Eu sei que são empresas recém querendo se tornar resilientes. Com boa vontade dá pra dizer que em alguns aspectos uma das empresas é robusta. Mas se as empresas onde os autores trabalham não são anti-frágeis, como eles estão aptos a palestrar sobre o processo para transformar uma empresa em anti-frágil?

Se eu nunca fiz um gol na minha vida - nem na pelada do bairro -, como eu posso me propor a montar uma escolhinha para ensinar outras pessoas a fazerem gols?

A conta não bate!

Mesmo assim eu baixei a apresentação. Fui conferir o material, a apresentação e os comentários.

O material é um power point medíocre. Não dá nem para chamar de "resumo" do guia prático do kanban, porque deixaram assuntos essenciais de fora.

A apresentação, ahn, mal conduzida, ahn, sem treino, ahn, com clara falta, ahn, de domínio, ahn, do assunto, eeeeeeeeeee, ... bem, você entendeu. Se vão apresentar, pelo menos escreve um roteiro e treina na frente do espelho, antes. Caceta.

Mas os comentários... oh.... Se acabaram parabenizando os autores pela apresentação digna de quinta série.


"Ain Arthur, tu tá sendo despeitado, porque eles não te chamaram para palestrar e..."

Amigo, nem quero. Submeti duas palestras um ano para fazer média com o meu gerente na época. Apertei o "enviar" rezando para Odin para não ser escolhido.

"Ain Arthur, mas outras pessoas não sabem do assunto, foi bom pela divulgação e..."

Só tinha "convertido" no local. Só agilista que gosta de kanban. Todos ali sabiam sobre o assunto. Ninguém precisava escutar aquilo. Falar para convertido é fácil. Difícil é pegar o dono da empresa de 80 anos que nunca ouviu falar de agilidade e provar para ele que a empresa precisa de melhoria contínua.


O fato é que deram palco para os autores. Essa semana estão ambos lá. Imberbes, não têm 25 anos de idade, já ostentando "Agile Coach" como cargo. Não sabem nada do dia a dia. Nunca enfrentaram uma trincheira. Nunca tiveram que controlar uma crise criada por algum gerentão cascata, tentando jogar toda a culpa do insucesso do projeto na agilidade. Nunca tiveram que mediar uma briga de executivos para garantir o lançamento de um MVP. Nunca estiveram alocados dentro de um cliente estatal, cheio de política, pisando em ovos, para garantir o lançamento do sistema e o contrato da empresa com o órgão.

Mas, veja bem, estão lá palestrando o que os outros devem fazer para atingir sucesso em suas empresas.


Eu não culpo os autores. Nem um pouco. Estão jogando pelo sistema. E o sistema é esse.

Eu culpo o jogo, não os jogadores.

A inutilidade de pagar para passar dias escutando mais do mesmo em palestras inúteis, apenas para "ver e ser visto".

Os organizadores - muitos dos quais "de Palco", longe do dia a dia da agilidade - dando palco para seus protegidos ou escolhendo assuntos tão rasos quanto a experiência dos próprios...

E a plateia? Bem. A cada dia que passa, mais e mais amigos meus se distanciam desse tipo de evento.

O TDC? Continuará existindo. A força dos agilistas de palco é grande. Eles são ótimos em aparecer. Estão comemorando a pandemia, pois assim conseguem vender mais os seus canais e cursos online. E sempre existirão agilistas pôneis e de certificado para pagar essa zorra toda.

Eu? Eu escrevi esse texto inteiro porque são os Agilistas de Trincheira que se ferram com tudo isso. Nossos clientes acabam escutando sobre essas balelas dos agilistas de palco. E quando nossos clientes olham o dia a dia cinza que estamos fazendo com as apresentações coloridas de mundo ideal dos agilistas de palco, somos nós, agilistas de trincheira os criticados.

Talvez o que sobre desse texto inteiro seja a necessidade de um "Encontrão da Trincheira". Identificar palestrar por resultados. Um monte de gente falando sobre o pulo do gato dos seus projetos. O triste é que agilista de trincheira está ocupado demais ganhando dinheiro de verdade para preparar palestrinha para os outros.

terça-feira, 16 de março de 2021

Sobre votos nulos serem responsáveis pela situação atual do Brasil...

Vamos "colocar os pingos nos is", aqui:

Em 2018, tínhamos 13 candidatos à presidência.



4 candidatos eram nanicos de partidos "sigla de aluguel", sem representatividade real no cenário político brasileiro. Vera Lúcia, Eymael, João Goulart Filho e Álvaro Dias.


Tira os nanicos, tínhamos 9 candidatos.


Cabo Daciolo é o novo alívio cômico. Nem o Tiririca é tão engraçado quanto o Daciolo. Cada um de vocês que votou neste candidato é o motivo do nosso país ser essa zona.

Bolsonaro é o antigo alívio cômico. E vocês deram tanto palco para esse maluco que ele cresceu mais do que deveria.


Tira as duas piadas de mau gosto, tínhamos 7 candidatos.


Boulos quase é uma piada. Mas as ações e ideias do imbecil o tornam um revolucionário perigoso. Que bom que a maior parte do Brasil é pobre e pobre nota que esse cara é um perigo.

Ciro Gomes é o Boulos 2.0. Depois de fazer muita merda, aprendeu meia dúzia de termos econômicos e passou a dar soluções esdrúxulas com explicações complicadas para problemas complexos. E se o Ciro está te convencendo, uma dica: ele tá te enrolando. Você tá caindo no papo dele. Cai fora enquanto há tempo.

Haddad. Puta merda. Esse cara só está ali porque é único nome do PT que não estava na lama. E mesmo assim, usou a imagem do Lula até não poder mais a campanha inteira! Um absoluto fantoche com a única intenção de perpetuar o plano de poder PTista. Só votou no Haddad quem é ingênuo ou quem achou que estava tendo benefício pessoal com as políticas do PT.


Tira os três malucos da esquerda, tínhamos 4 candidatos.


Alckmin não era nanico, nem palhaço, nem revolucionário esquerdista. Mas é da turma do conchavo. Da politicagem. Do corporativismo. Todo mundo sabe que dali vem mais do mesmo. Votar no Alckmin era voltar duas casas no tabuleiro.


Tira o ladrão conhecido, tínhamos 3 candidatos.


Vocês podem dizer o que quiserem da Marina Silva. Mas nós nunca demos a chance a ela e ao REDE/PV para tentar algo diferente. Não é a minha primeira escolha, mas pelo menos ali parece ter algo diferente.

Sobre o Meirelles, vamos deixar claro desde já: toda vez que a economia brasileira saiu de rumo nos últimos 30 anos, TODOS os políticos correram para o Meirelles. O slogan "Chama o Meirelles" não foi a toa: foi a verdade absoluta dos últimos 30 anos. E em todas as vezes, as medidas do Meirelles colocaram nossa economia nos eixos em menos de 1 ano. Não termos eleito o Meirelles para continuar o excelente trabalho que ele vinha fazendo no governo do Temer foi um atestado de burrice do eleitor brasileiro.

E eu deixei por último o Amoedo porque ele foi a minha escolha. Não pelo Amoedo em si, mas por causa do NOVO. Por onde passa, o NOVO está realmente revolucionando a política. Nós estamos vendo o embrião da profissionalização e moralização da política no Brasil. Outros políticos e outros partidos já estão vendo que o NOVO chegou para ficar e que o partido que não seguir o exemplo do NOVO vai sumir, nos próximos anos. Um presidente NOVO faria uma limpeza no governo. O NOVO é inevitável.



Portanto, para mim, tínhamos 3 bons nomes de 13 possíveis.

Cerca de 12% de chances de termos um bom presidente no Brasil.


Vão lá vocês e me colocam fantoche de presidiário e um palhaço no segundo turno?


E VOCÊS AINDA TÊM A CORAGEM DE DIZER QUE O MEU VOTO NULO NO SEGUNDO TURNO É O CULPADO DESSA MERDA TODA EM ESTAMOS VIVENDO?


Quem afirma isso precisa ir dar meia hora de cu com o relógio parado. (E se gostar de dar o cu, pensamos em outra punição.)

Amigão, não joga pra cima de mim a culpa do cenário estúpido que você criou. Teu joguinho imbecil de poder, criando cenários maniqueístas que não existem na realidade, não cola comigo, não.

Foram vocês que votaram em candidatos claramente e notoriamente incompetentes para Presidente.

Foram vocês que me fizeram escolher entre passar 4 anos arrependido em ter votado em imbecis ou ter a consciência leve e poder dormir a noite.

Votar no Haddad seria perpetuar o péssimo plano de poder do PT, com suas políticas econômicas desastrosas e seus projetos sociais altamente questionáveis.

Votar no Bolsonaro é isso aí que vocês estão vendo. Ele disse que seria isso. 78 milhões de brasileiros sabiam desde antes da campanha que o governo do Bolsonaro seria o que está sendo. 57 milhões não acreditaram na gente.

E o pior, nem com o Bolsonaro fazendo as barbaridades que está fazendo, parece que milhões de brasileiros ainda estão com as calças abaixadas para esse imbecil.

Sejam melhores ano que vem.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Mewtwo de todos os tipos!

 O artista Harry George imaginou como seria o Mewtwo se ele fosse de outro tipo de pokemon.

O resultado? Eu adorei o de ferro e o de fogo!

E você? Qual gostou mais?


quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Put your own money where your mouth is

Os países de língua inglesa têm um ditado mais ou menos assim: "put your own money where your mouth is".

Em tradução direta e livre, esse ditado diz "coloque o seu dinheiro onde a sua boca está".

No dia a dia, esse ditado é utilizado para confrontar hipócritas e pessoas que dão conselhos que nem eles próprios seguem.

Porque, afinal de contas, se você professa uma preocupação, causa ou ousa dizer o que outra pessoa deve fazer ou não, você precisa ter ações que contribuam para o que você diz.

Falar por falar é fácil demais.

Você precisa demonstrar seus ideais com atitudes.

Você precisa colocar o seu dinheiro onde sua boca está.

Vou contar por cima uma história fascinante que aconteceu nos EUA. Simplifiquei muito alguns pontos. Devo ter passado batido por vários pontos. E se você quiser saber detalhes, recomendo que você busque por notícias especializadas.

O causo foi mais ou menos assim:

Nos EUA existe uma rede de lojas de jogos de videogames, a Game Stop.

Essa rede possui capital aberto na bolsa de valores. Qualquer um pode comprar ou vender ações dessa empresa.

Com a criação de lojas virtuais de jogos de videogames, a Game Stop viu suas receitas caírem drasticamente.

Com a pandemia, a rede viu o precipício da falência de perto.

Com a péssima perspectiva de receita, as ações da empresa se tornaram alvo de dúvidas e muitos investidores resolveram vender seus papéis.

Com a baixa procura, o preço das ações da Game Stop despencaram.

De cerca de US$46, cada ação caiu para algo como US$4,50.

Alguns fundos de ações passaram a se aproveitar da situação, especulando no mercado futuro contando com o preço cada vez mais baixo e até mesmo falência da Game Stop para lucrar.

Lançavam lotes de ações da Game Stop com preço de US$10 para daqui um mês ou mais, contando que o valor da ação continuasse baixo. Quando chegasse o dia, eles comprariam ações a US$4,50 para vender a US$10.

O que é normal.

Mas aí entrou em ação o pessoal do Reddit.

Eles notaram o movimento desses fundos de ações. Sacaram que o resultado seria levarem a Game Stop à falência.

Através de alguns fóruns, passaram a recomendar as ações da Game Stop para todos os micro investidores.

E então a procura pelas ações da Game Stop passou a aumentar.

E junto com a procura, o preço das ações.

Em pouco tempo, o preço das ações estava novamente a um patamar próximo do normal.

Porém, os fundos de investimento estavam fazendo vendas no mercado futuro com valores muito abaixo do normal.

Agora, vários fundos de ações precisam honrar seus contratos, vendendo a US$10 ações que valem mais ou menos US$45.

Tudo isso que ocorreu é especulação pura.

Mas o divertido dessa história é que a maioria das pessoas que atuaram para elevar os preços das ações da Game Stop são pessoas que acreditam que fundos de investimentos tradicionais são empresas terríveis.

E o fascinante é que essas pessoas colocaram o dinheiro delas exatamente onde suas ideologias estavam.

Cada uma dessas pessoas que comprou ações da Game Stop desde os US$5 até os US$45 correu o risco do preço das ações não subir.

Cada um deles estava comprando uma fração da sociedade de uma empresa que estava no rumo certo da falência.

Cada um deles correu o risco de perder milhares de dólares de suas poupanças.

E fizeram isso porque acreditavam que caso desse certo, estariam aplicando uma lição ao modelo de negócio que não concordam.

Esse é um caso maravilhoso.

Um verdadeiro exemplo de comprometimento com as causas em que as pessoas acreditam.

Porque, veja bem, é muito cômodo ficar gritando a tua convicção aos quatro ventos, apontando o dedo para todos que você acha que estão errados e exigindo que os demais façam o que você diz.

Difícil mesmo é você levantar a bunda do sofá e arriscar seu pescoço para tentar transformar o mundo.

sábado, 2 de janeiro de 2021

Consoles Nintendo auto-renderizados!

O Elijah Robertson fez uma listagem dos consoles da Nintendo de um modo bem peculiar: renderizando o vídeo com a resolução de cada console!

O resultado ficou bem bacana!







terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Cartoons em estilo Anime!

 Fantástica arte de DadlyTaco!




Retrospectiva 2020

Mas e aí, amigo?

Nossa, faz um tempão que a gente não troca uma ideia, né?

Aliás, faz um tempão que eu não escrevo nada diretamente aqui no PontoFinal! Só coletâneas de imagens de artistas, uns textões escritos para redes sociais que eu copio e colo aqui. Meu mais sincero agradecimento para os quase 500 doidos que continuam acessando o PontoFinal! todos os dias. Cês são ó: do coração.

Como eu não tenho dado notícia alguma, acho que a retrospectiva é um bom momento para falar um pouco de mim.

2020 foi um ano da porra, ein?


Janeiro.

Comecei o ano desestimulado. Em 2019 fiz escolhas profissionais que me deram uma ponta de arrependimento. E o trabalho estava chato demais. Tudo o que eu queria era ficar na minha, quieto no meu canto. E parece que 2020 atendeu às minhas preces: em janeiro o Twitter me baniu.

Eu já estava de saco cheio do Twitter. Entre 2007 e 2017 sempre que eu chegava a 500 seguidores, fazia uma limpa para manter uns 300. Qualidade, não quantidade. A partir de 2017, ouvi o conselho de um amigo e deixei os seguidores acumularem. No final de 2019 eu já tinha alguns milhares de seguidores e nenhuma alegria ao entrar no Twitter. Mas mesmo assim, não vou mentir para vocês: os dois primeiros meses sem Twitter foram difíceis. Eu tô falando de síndrome de abstinência mesmo. Passar mal por não estar seguindo os assuntos do dia, não saber da última notícia em tempo real.

Mas... conforme o tempo passou, eu fui notando que tinha tempo livre, para mim. Meu sono melhorou. Passei a cozinhar mais. Pude dar mais atenção para a Barbarah. Fiz alguns cursos, tirei algumas certificações. Até a concentração no trabalho melhorou.

Fevereiro.

Mês do aniversário. 2020 viu que eu estava querendo ficar na minha, sozinho... arranjou o COVID-19 pra mim.

Um tempo atrás, uma colega e eu conversamos seriamente sobre fabricar um vírus mortal e espalhar pelo mundo. E vou confessar que chegamos a fazer um roadmap. Definimos as fases, criamos milestones, abrimos as duas primeiras fases em etapas e tarefas. E até já tínhamos conseguido finalizar três dessas tarefas. Mais dia, menos dia, nós teríamos um vírus mortal para espalhar pelo mundo. Alguém foi mais rápido. E talvez a pressa dessa pessoa tenha estragado a oportunidade de infectar o mundo inteiro com uma doença mortal, levando a humanidade de bilhões de pessoas para alguns milhares, centenas ou até mesmo a extinção total. Pena.


Março, abril, maio e junho.

Sabe quando você tenta ser legal com os outros e os outros só te fodem a vida?

Quarentena. Então. Fiquei em casa 97% do tempo. Mal saí para fazer compras no mercado uma vez por semana e uma vez para ir ao trabalho pegar uma encomenda para outra pessoa e enviar por motoboy para outra cidade. Tipo, lááááááááá fora do meu escopo de trabalho.

Com emprego garantido, tentei usar minha renda para agitar a economia em volta de mim. E puta merda, como é difícil fazer o povo entender como se ajudar. Chega a ser irônico: tanto socialista nessa merda de país e, quando tem chance de exercitar o socialismo, são uns cuzões egoístas, na melhor expressão do corporativismo mais mafioso que você pode imaginar.

Tentei me preocupar com outras pessoas. Fui usado. Traído. E sei que não vou ver o cheiro do dinheiro emprestado nunca mais.

Julho.

Um colega saiu para outra empresa. Uma festa de despedida. Cerveja. Um desafio. "O máximo que pode acontecer é ouvir um não!" Olha nós aí com namorada nova!

Viajei em Julho o que não viajei nos últimos anos. Nem sabia que conseguia viajar tanto, assim.

Comecei uma dieta. 100kg e descendo.


Agosto

Bala. Novo AP. Novo relacionamento. Novos ares.

Fui sair do apartamento que estava morando sozinho. Puta merda a droga da Imobiliária Haus. Gentinha do pior tipo. Desorganizados de propósito. Atrasou o que pôde para aceitar o apartamento de volta. E cobrou de mim cada dia que ele atrasou o processo. Até hoje não recebi a vistoria inicial do apartamento. E nem a final. Recebi um lixo de apartamento e fui obrigado a entregar com pintura. Recebi com a cozinha destruída e fui obrigado a consertar até torneira. Tive que limpar a porcaria do lugar na entrada e na saída. E o infeliz do dono da imobiliária com a cara de pau de dizer que isso é normal. Terei zero surpresas se um dia ler em um jornal que esse cara amanheceu com a boca cheia de formigas. Eu paguei para me livrar de relações comerciais com ele. Não sei se outras pessoas terão a mesma atitude nobre que eu.

Fui entrar no apartamento novo. Época de pandemia. Povo dependendo como nunca de serviços essenciais. Hospitais, bombeiros, supermercados, água, esgoto, internet, telefones... E você nota que todos esses serviços essenciais dependem diretamente de... ENERGIA ELÉTRICA? No auge da pandemia, precisei ligar um contador de energia. 10 FUCKING DIAS ÚTEIS PARA FAZER UMA LIGAÇÃO. E quando você liga na central da Celesc eles têm a pachorra de dizer "por causa da pandemia estamos com capacidade de atendimento reduzida". Sim. Em vez de contratarem mais mão de obra para atender à demanda, reduziram o pessoal.

Setembro.

Lua de mel fodida da porra.

Outubro.

Não suportava mais o meu emprego. Hora de buscar novas oportunidades.

Novembro.

Entre uma empresa gigante e um desafio inédito de aplicar agilidade na educação e uma startup disruptiva na cidade que eu amo.

Partiu Floripa, de novo!

Cidade nova, AP novo, emprego novo.

Dezembro.

Acredita que eu tô me fodendo com um instaladorzinho de ar condicionado? Bem, já fiz um vizinho barulhento ser obrigado a fazer trabalho voluntário. Já fiz um receptador de roubo passar uns anos na cadeia. Bóra fazer esse instalador passar um tempo na cadeia por apropriação indébita.

Pelo menos tô com 85Kg. 15kg a menos nesse ano. Jejum intermitente. Funciona bem pra mim.


Esse ano me deixou bem feliz. 

Não precisar passar muito tempo com os outros. Cara, como eu adorei home office. Produzir pra caramba e mesmo assim poder cuidar da Barbarah o dia inteiro. Estar perto da minha namorada sempre. Quanto sucesso.


E esse ano me deixou muito puto.

Eu já achava as pessoas péssimas. Bando de cuzões. Um imbecil em cada esquina. A quantidade de pessoas fazendo asneiras parece que multiplicou. Eu JURO que nesse ano um ciclista que estava andando sobre a calçada me ameaçou de porrada NA FRENTE DA DELEGACIA DE POLÍCIA CIVIL de Blumenau. Bando de energúmenos.

Aí tu dá tempo em rede social para esses cuzões. E cada um deles cagando pelos dedos a cada post. Eu não aguento mais ler comentário de torcedor de político. E também não aguento mais gostosa que a gente sabe que é escrota, fazendo postagem da raba com frase de auto-ajuda e fundo moral. Hipócritas dos infernos. 

O que já era péssimo, se tornou algo terrível. Aterrorizante. Eu já odiava cada um de vocês, agora eu transcendi. Eu que já estava puto fiquei indignado que esse viruzinho de bosta não consegue realmente dizimar cada um de vocês. Agora os países estão preparados para pandemias. Vai ficar mais difícil para o meu vírus matar vocês.

Para aguentar esse ano, só com muito vídeo no Youtube.

Não fosse pessoas como o Kimagure Cook, Jim Jefferies, Afonso Padilha, Rodrigo Marques, Júnior Chicó, Anton Petrov, Sérgio Sacani, Fabio Akita, entre outros, eu não sei como conseguiria passar esse ano.

2020 mostrou que eu sou viciado em filmes e cinema. Um ano inteiro e eu fui ao cinema 3 vezes. Eu não aguento mais não ir ao cinema, não ter filmes novos, não ter mais histórias para acompanhar.


Em 2021 eu realmente espero que as vacinas não funcionem. Que vocês tomem a vacina, se sintam seguros, vão pra rua, peguem o COVID, fiquem doentes, passem para outros e morram.

Espero que o COVID sofra uma mutação violenta, garantindo mais infecção e maior mortalidade.



Assim foi o meu ano de 2020.

E esses são os meus desejos para 2021.

Cabe a cada um de vocês serem pessoas melhores e difundirem boas maneiras e educação para as demais pessoas para que vocês provem que eu sou injusto e estou errado.

É isso, amigo. Talvez todo esse ódio no meu coração seja o motivo pelo qual eu não esteja dando tantas notícias sobre mim. Vou voltar a ficar quieto no meu canto, para que as confusões não me encontrem e eu consiga ter um pouco de serenidade na minha vida.


E ainda faltam dois dias para essa droga terminar.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Redes Sociais, Vacinas e Liberalismo

As redes sociais deveriam criar uma forma de denunciarmos comentários e posts anti-vacina.

Terra Plana é irritante, mas um imbecil torrando o saco com isso não muda a verdade: a terra é uma esfera, levemente achatada nos polos.

Religiões já causaram muitos males ao mundo. Mas os liberais separaram Igreja do Estado no mundo civilizado. Hoje o único mal das religiões é a perda de tempo e dinheiro dos seus seguidores. Cada um que escolha o vício que vá lhe matar e não me encha o saco.

Mas anti-vacinas não caem nesse tipo de asneira.

Vacinas são o meio mais eficaz de PREVENIR DOENÇAS.

Antes das vacinas, pessoas morriam por causa de sarampo, caxumba, tétano, raiva, rubéola, entre tantas outras doenças. Surtos de pólio faziam milhares de pessoas precisarem de pulmões de aço para respirar. E os poucos que se recuperavam ficavam com sequelas para a vida inteira.

As vacinas são seguras.

O único efeito colateral de ser vacinado é uma marquinha no lugar da agulhada e a certeza que daquela doença você não vai morrer.

Eu sei, eu sei, sempre existe um alérgico.

Alguém que não pode tomar a vacina por conta de algum componente.

Ou ainda aqueles cujo o corpo não consegue criar os anticorpos mesmo tendo tomado a vacina.

Essas pessoas PRECISAM que todos os outros tomem as vacinas. Assim, poucos indivíduos carregam a doença e as chances de infecção caem para quase zero. Isso se chama "imunização de rebanho".

"Ain Arthur, você é liberal, você não deveria estar defendendo o direito das pessoas não tomarem vacinas, se não quiserem?"


Muito bem colocado!

A resposta é: NÃO.


Nunca use o liberalismo como princípio para falar asneiras, por favor.

John Locke, há mais de 300 anos, cunhou as três premissas do liberalismo. Muita gente mais inteligente que nós dois juntos já tentaram refutar e não tiveram sucesso.

As três premissas do liberalismo são, nessa ordem:

1- Direito à vida;

2- Direito à propriedade;

3- Direito à livre associação.

Você sabia que foi o liberalismo que criou a Declaração Universal dos Direitos Humanos? Consequência direta desses três princípios.

O Direito à Vida é básico. Chega a doer de tão lógico: sem vida, não há como ter posses nem como se associar as demais. Mortos não exprimem vontades.

O Direito à Propriedade é elementar. Antes da revolução liberal, o fruto do trabalho dos vassalos era propriedade dos senhores feudais. Ou você pensa que a escravidão apenas ocorreu com os negros na américa? Na Europa dos tempos medievais, Reis, Condes e Barões podiam entrar na sua casa, estuprar sua mulher, sequestrar seus filhos, te prender, tomar todas as suas coisas, queimar sua casa e urinar no seu cachorro. E nada de errado tinha acontecido. Foi preciso essa premissa liberal para mudar o mundo e realmente tornar as pessoas livres.

Uma vez que você possui vida e tem propriedade sobre as suas coisas, aí sim faz sentido você ter direito a se associar com as outras pessoas do modo que você quiser.

Nós, liberais, entendemos que quanto mais regras o Estado te impõe, menos opções você possui para agir. Logo, o Estado está restringindo a tua liberdade de decisão.

Em muitos pontos nós não concordamos com o Estado. Queremos menos interferências no bolso do cidadão, principalmente.

Mas em alguns outros pontos, é necessário que exista uma coordenação central, mesmo.

Por exemplo? Trânsito. Algumas cidades do Brasil já contam com milhões de pessoas. Pessoas com necessidade de ir e vir. Para que exista um fluxo justo, é necessário que uma coordenação central atue, organizando o caos. Liberais não gostam da ideia de ser obrigado a parar em um sinal vermelho. Odiamos que um guarda de trânsito tenha poder de apontar eventuais transgressões de trânsito e pior ainda: nos multe. Mas nós entendemos que a alternativa é um caos total até que ninguém mais consiga se mover dentro da cidade, inviabilizando a vida de todos e a própria existência da cidade.

Outro exemplo? VACINAS.

Vacinas obrigatórias violam o terceiro princípio liberal, sim.

Mas uma vacinação bem sucedida garante o primeiro princípio liberal para bilhões de pessoas.

Você, que se vacinou contra o sarampo e está imune de morrer de sarampo é quem está vivo.

E pelo fato de você estar vivo é que você tem o direito à propriedade do seu computador ou smartphone e da internet que está usando.

E APENAS por causa desses dois primeiros princípios respeitados, é que você está tendo o direito de se associar livremente a essa conversa para dizer que vacinação obrigatória é errada.

Anti-vacinas são um perigo para o mundo.

Atentam diretamente contra a vida de bilhões de pessoas.

São uma ameaça pior do que terroristas e nazistas.

E as redes sociais deveriam ter uma forma de impedir que esse discurso de ódio anticientífico e infundado seja disseminado.

Tomem as vacinas.

Protejam a si mesmos.

Protejam as pessoas à sua volta.

Sejam pessoas melhores.

(Se alguém vier aqui atacar vacinação, vou responder com fotos e vídeos de pessoas morrendo por doenças que podem ser evitadas com vacinas. Sem dó. Vacilão precisa ver como se morre de raiva para entender.)