quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Presente de Natal: Katy Perry

Feliz Natal!


Agora dá licença. Quero ir encontrar meus presentes!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Presente de Natal: Aquecimento dos Mythbusters

Kari Byron se aquecendo para o Natal!



Curiosidades Animais

Eu não sabia... sou 1/3 Raposa, 1/3 Cigarra, 1/3 Água-Viva!


sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Vocês estão discutindo com adolescentes? Mesmo?

Eu nunca fui conhecido por ter opiniões convencionais.
Tenho a péssima mania de querer descobrir as causas dos problemas. Porque eu acredito que resolvendo as causas, resolvem-se os problemas.

Exemplo? Ontem um espertão criticou uma oferta de bico. Panfletar um final de semana em um shopping. Pagamento? 80 reais.
Segundo o espertão, isso é escravidão e está errado. A empresa quer se aproveitar dos trabalhadores.

Problema: trabalho escravo.

Vamos investigar um segundo: você tá precisando de dinheiro. Tem um trabalho fácil para fazer em um final de semana. O que é melhor: ficar em casa vadiando e não ganhar nada, ou ir panfletar no shopping por 40 reais por dia?
40 reais por dia é mais do que o salário mínimo (mais ou menos 37 reais por dia...).
Sem falar que, se você não gostou do pagamento, basta não se candidatar. Veja só: eu não me candidatei e tô aqui, de boa em casa, sem ser "explorado". Ninguém é obrigado.

Bem. Não tem problema algum ali. Trabalho honesto, oferecido para quem quiser.

Em São Paulo o governo decidiu que faria remanejamentos nas escolas públicas.

Não sei se isso é certo ou errado.
Não é o meu estado, não uso escola pública e não quis usar meu tempo livre para analisar esse tema.
(Por mim, privatiza tudo. Hehe.)

De longe, sem o devido conhecimento de causa, se os administradores públicos resolveram fazer essa alteração dramática, bons motivos eles tiveram. Se chegou no ponto de colocar a alteração em prática, é porque uma maioria eleita concordou.

Acontece que um grupo de adolescentes não concordou com a ação. Esses adolescentes resolveram ~ocupar~ as escolas.
As ocupações atraíram a polícia. E a confusão começou.
Como a confusão não parecia estar surtindo efeito, os adolescentes (muitos dos quais parecendo ter 30 ou 40 anos de idade) quiseram bloquear ruas.
Ocupar pacificamente? Ok.
Bloquear rua? Questão de segurança. A necessidade da maioria (transeuntes) se sobrepõe à necessidade da minoria (estudantes).

Houve confronto.
Houve truculência.
Houve agressão.

Taí o problema. Vamos investigar as causas:

1 - Adolescentes são tutelados por adultos. Adolescentes são pessoas que ainda não estão plenamente formadas para o convívio em sociedade. Adolescentes vivem com os pais porque precisam da supervisão de um adulto responsável. Alguém que determine o que deve ser feito. Alguém que assuma as consequências das ações dos adolescentes.
Logo, não se discute nada com adolescentes. São pessoas que ainda não estão prontas. Adolescentes não têm tempo de ter feito as leituras ditas obrigatórias... tão pouco de tê-las compreendido. Sem essa base, adolescentes não têm capacidade de perceber o quadro geral, o contexto histórico das discussões em que entra. Por princípio, adolescentes não são capazes de tomar decisões plenas.

Desculpem os adolescentes que estão lendo isso. Mas é só a verdade. Eu sei. Já fui um adolescente. E também me revoltava quando alguém dizia que eu não era capaz. Hoje eu sei que quanto mais furioso eu ficava, mais errado eu estava. Vocês notarão isso, também.

2 - Já que não podemos discutir com adolescentes, temos que recorrer aos seus pais.
E isso me deixa profundamente irritado nessa situação.
Aonde estão os pais desses adolescentes ocupantes de colégios?
Eles permitiram que seus filhos passassem dias... semanas!!! em colégios? Sabe-se lá com quais companhias? Sabe-se lá se estavam passando fome, frio, enfrentando policiais truculentos, sendo espancados, estuprados, mortos...
Sabe-se lá o que os seus filhos estavam fazendo! Usando drogas? Depredando?

Que porcarias de pais são esses?
Aonde está a responsabilidade deles?

3 - PQP, polícia. Discutindo com adolescente? Imberbes mal saídos das fraldas?
Eu nem teria chego perto dos colégios. Entraria no sistema, pegaria o nome dos adolescentes ~ocupantes~ e chamaria os pais para BATER UM PAPO.

No mínimo, pagamento pelos estragos e contratempos. Porque essas ocupações geraram prejuízos e custos. E essa bagunça toda vai sair do bolso do contribuinte paulistano. Inclusive de quem - assim como eu - não usa ensino público.

Tirar cadeira da escola sem autorização? Roubo. Leva o anjinho e os pais para falar com o delegado.
E se os pais estão coniventes com as ações dos filhos... então é claro que estão usando os menores para seus fins particulares. Caso clássico de perda de guarda.

Mas, né?
Brasileiro aprende a pensar com a mídia, com professores que seguem a cartilha coitadista ou com a bunda, mesmo.
Agora, pensar que formar um cidadão é a maior responsabilidade de todas, isso não pensam.
Acham que essas macaquices anarquistas são manifestações de democracia? Por favor!!!

Dica do tio Arthur: democracia é sentar com o seu vereador/deputado/representante e expor as suas reivindicações.
Usar o método correto, previsto em lei, para acessar os poderes.

Pessoal está dando muita atenção às vontades de crianças e adolescentes.
A Suécia começou a fazer isso na década de 70. Os resultados? Uma geração de adultos mimados, incapazes de enfrentar o curso prático da vida.

Crianças e adolescentes só têm um objetivo: se tornarem os melhores adultos que puderem ser, o mais rapidamente possível.

Toda essa turma de adolescentes ocupantes foram reprovados no quesito "política", "legislação" e "cidadania".
Nota zero para os seus professores, também.

A vida cobrará desses adolescentes, em um futuro bem próximo. E se eles continuarem com as atitudes que aprenderam hoje, certamente apanharão muito da vida.

Tentem deixar pessoas melhores do que isso, para o nosso mundo.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Hans Rosling: 200 anos de avanços econômicos e sociais

Hans Rosling é um estatístico de primeira linha.
Ele compilou dados de avanços econômicos e sociais de mais de 200 países, nos últimos 200 anos.
O estudo dele se baseia em tentar descobrir O QUÊ, exatamente, causou a melhora de vida dos países de primeiro mundo.

Convenhamos, é um estudo muito útil. Sabendo o que funcionou nos países desenvolvidos, fica mais fácil replicar nos países menos desenvolvidos.

Esse aqui é o vídeo em que Hans mostra o apanhado geral.
É LINDO ver o quanto a qualidade de vida melhorou no mundo inteiro, nos últimos 200 anos.



E aqui, uma das coisas que Hans descobriu: a Máquina de Lavar é um dos equipamentos que mais ajudou a evoluir o mundo E libertar as mulheres.



quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Meme: Travolta!

Essa aqui é a cena original:



Retirada do filme Pulp Fiction:



Então o pessoal extraiu o personagem para o fundo verde...



E essa é a internet não perdoando mais uma vez:

Quando eu não sei como entrei em um clip...



Quando eu não sei com qual arma devo combater a Matrix...



Quando cancelam a aula e não me avisam...



Quando eu não sei porque meu plano de destruir um hospital não funcionou...



Quando eu estou evitando um assassinato...



Quando eu não sei pra que tanta violência...



quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Trailer Capitão América: Guerra Civil

Pontos positivos: PANTERA e a cena da luta do Bucky E Rodgers contra o Stark.

Negativos...

Cadê o Homem Aranha e o Homem Formiga?
Sério que a cisma se dará em torno do Bucky e não do Peter?
Nos gibis, o Capitão América lutava pelo direito dos heróis em manterem sua identidade secreta... No filme o Capitão América lutará para defender seu amigo? Que merda é essa?

A julgar pela falta de alguns personagens, acho que o propósito do trailer é de enganar o público, mesmo. Gerar esse tipo de discussão entre nós. O pessoal que não acompanha os gibis ainda está se perguntando o que acontecerá no filme... E o pessoal que acompanha os gibis devem estar discutindo essas lacunas.


Tomara que o Peter apareça no segundo trailer.
Tomara.

HMS Barham

Há 74 anos o HMS Barham foi atingido por um torpedo nazista.

Enquanto naufragava, os marinheiros corriam para se jogarem na água.

O motivo? A certeza que o depósito de munição explodiria.


Terrivelmente magnífico.

Fonte -> https://en.wikipedia.org/wiki/HMS_Barham_(04)

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Disseminação das Religiões no Mundo

Excelente material, mostra como as maiores religiões se espalharam pelo mundo.


Eu não sabia que haviam hindus nas Guianas e no Suriname...

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Jessica Jones

Então nesse final de semana eu maratonei a nova série de super-heróis da MARVEL, lançada dia 20 no NETFLIX...

E se eu posso te dar um conselho, lá vai uma "dica do tio Arthur": ASSISTA JESSICA JONES AGORA.

Sério. Largue meu texto. Saia agora da internet, acesse o NETFLIX e ASSISTA JESSICA JONES.

São 13 episódios. Em um final de semana você vence as cerca de 13 horas da primeira temporada do seriado. E vou te dizer: será um dos finais de semana mais bem aproveitados da sua vida. Aceito que você volte aqui, depois, para agradecer.

Bem, você dirá que eu sou um aficionado em gibis e supers. Logo, qualquer seriado de supers será o máximo para mim.
Acontece que... Jessica Jones não é sequer uma "anti-heroína" como Wolverine, DeadPool ou Justiceiro. Não. Ela sempre foi uma "Anti-Supers". Até em sua fase "Safira", Jessica Jones jamais se sentiu confortável com a exposição e as responsabilidades de um super-herói.

Jessica faz as coisas certas porque é a coisa certa a ser feita. Mas ela não tem um super código de honra, que a impeça de matar, por exemplo. Para ela, justiça é justiça. Não importa o meio utilizado para restabelecer a normalidade.

E isso é algo que é amplamente discutido na série: a moral humana é algo sólido, ou é corruptível caso não existam consequências?

Mas Jessica Jones não é excelente só por causa da perfeita construção da personagem principal ou da discussão filosófica que propõe. O seriado é excelente porque toda a trama e todos os personagens foram muito bem amarrados.

Eu fui MARVETE durante toda minha adolescência. Tenho 14 anos ininterruptos de gibis do Homem Aranha, especiais, X-Men, Capitão América, entre outros títulos. Adorava o drama humano retratado nos gibis.
Mas lá pelos meus 20 anos eu notei um problema na MARVEL: a editora trata muito mal seus vilões.

Os vilões da MARVEL ou são extremamente dúbios, confundindo-se com heróis, como o Magneto (e sua família... Feiticeira Escarlate e Mercúrio eram vilões... hoje são heróis!), ou são figuras rasas, sem profundidade necessária para termos ligações com o personagem (como Dr Octopus, Loki, etc...)

Eu migrei para a DC porque aprendi que um herói é tão forte quanto o desafio que ele consegue superar. Por isso, muito mais importante do que ter um personagem heroico perfeito, é ter um vilão com profundidade tal que desafie o herói. Para que o Batman seja o Batman, é necessário que o Coringa realmente o coloque em uma situação impossível de ser resolvida. Lex Luthor é tão bem construído que chegamos a ficar do lado dele quando ele discursa! (No gibi, claro. O "Lex ladrãozinho de banco" dos filmes é ridículo. O Lex dos gibis tem o discurso "a humanidade não precisa de super-heróis-babás. Nós podemos fazer as coisas sozinhos!)

E esse talvez seja a maior vitória de Jessica Jones: pela primeira vez eu vi a MARVEL se preocupar em dar profundidade ao vilão da série. Kilgrave (Killgrave/Homem Púrpura) começa como um vulto. Seus poderes são mostrados aos poucos. Toda a paranoia provocada pelo seu poder de controle mental é mostrada aos poucos. Quando finalmente vemos Kilgrave, já temos uma boa ideia do que ele é capaz.
Mas a partir do momento que vemos Kilgrave, passamos a conhecer seu passado e sua condição. Diga-me: se você tivesse o poder de convencer qualquer pessoa a fazer qualquer coisa com apenas uma ordem simples, você também não se entediaria ao ter que esperar que as pessoas fazerem o que você quer? Não estaria tão acostumado a tudo acontecer do seu jeito que teria surtos de raiva e até curiosidade para saber porque alguém não obedece aos seus comandos?

E o pior: quão sozinho você se sentiria se soubesse que ninguém fica ao seu lado de livre e espontânea vontade?

Sim! A construção do Kilgrave é tão bem feita que lá pelo oitavo ou nono episódio você chega a ter PENA do vilão.

Esse tipo de construção faz com que o seriado não seja um eterno "bandido faz algo errado -> mocinho encontra bandido -> mocinho vence e prende o bandido".
Você fica atrelado aos valores morais dos personagens. Você toma partido. Seria Jessica Jones tão "anti-supers" que atravessou o limite da justiça para combater outro meta-humano com quem se envolveu? Ou somente o Kilgrave é tão acostumado a manipular as pessoas que chega ao cúmulo de se convencer (e a nós!) que ele é um pobre coitado?

Esse poder de navegar entre o certo e o errado a todo momento é o que nos prende ao seriado. Jessica Jones dá tempo aos personagens para que eles se desenvolvam durante o seriado. Jessica tem diversos trabalhos de investigação para proceder. E ela mostra toda sua furtividade para seguir, sua paciência para montar campanas... E toda sua habilidade de luta para conseguir o que precisa para solucionar os casos.

E não vamos esquecer o principal poder de Jessica: O super-fígado!
(Como bebe essa moça... E que inveja eu tenho dela!)

A construção dos personagens Jessica Jones e Kilgrave passa, necessariamente, pelos personagens coadjuvantes.

Temos a Trinity, ou melhor, a advogada Jeryn Hogarth. Ela é o contato jurídico de Jessica. Uma das principais clientes, sempre com necessidade de juntar provas para seus casos. Impetuosa, Jeryn está passando pelo divórcio com sua esposa. Apesar de ser uma advogada de defesa, construiu sua fama por "nunca perder um caso", mesmo que para isso precise apelar para métodos não ortodoxos. Parece que ela se dá bem com Jessica? Não. A convivência das duas se dá através de muitas negociações e nenhuma cordialidade.
Jeryn é cruscial para mostrar que Jessica não está presa à hipocrisia ou à justiça convencional, ditada pelas leis. Muito embora, também mostre que a pouca empatia de Jessica também é uma característica humana. No final, também mostra que, mesmo alguém tido como bom, também pode se mostrar mal... e no fim voltar a ser uma vítima, contrapondo o que acontece com Kilgrave.

Temos Patsy Walker como irmã adotiva de Jessica Jones. (WTF???) Nos gibis, Patsy Walker é a Felina. Uma super-heroína que passa por perto dos Defensores, dos Vingadores... Mas que não tem muita relação com Jessica Jones. Ok, no seriado elas são irmãs. O seriado mostra a sequência "Alias", a detetive de Jessica Jones. Seria logo após Jessica ter desistido de ser uma super-heroína... e logo antes dela se envolver com jornalismo.
Patsy era uma estrela infantil e hoje é uma estrela do rádio. Sua mãe adotou Jessica depois do acidente que a deixou órfã. A mãe de Patsy explorava sua filha. E Jessica ajudou Patsy a se afastar da péssima influência da mãe. O seriado dá a entender que Jessica havia enfrentado Kilgrave antes e que Patsy havia ajudado Jessica... e sido ela própria uma das vítimas de Kilgrave. Por isso, Patsy treina luta e formou o próprio bunker em sua casa. Patsy é entusiasmada com a ideia de Jessica ser uma heroína. Inclusive é Patsy quem traz o uniforme de Safira, que é zoado pela Jéssica, assim como em todos os demais heróis que zoam seus uniformes do gibi, nos filmes da MARVEL.
Patsy tem papel ativo como side-kick de Jessica, mostrando desde o início que pessoas comuns também querem ser altruístas e heroicas.

Luke Cage será o marido de Jessica. Certeza. Ambos sempre fizeram uma excelente dupla... Embora Luke seja parceiro de outros supers e atue mais como super-herói, o Luke do seriado não quer chamar atenção. Mostra que Jessica não é a única super a se distanciar dos problemas que ser um super traz.
A adaptação dos poderes de Luke Cage ficaram ótimas. As lutas ficaram muito bem coreografadas (muito melhores do que as da Supergirl, por exemplo!).
E a primeira luta dos dois juntos, no bar! Eles citam o Hulk e os Vingadores!!!

Os demais personagens, especialmente os utilizados pelo Kilgrave para atingir Jessica, são estereótipos muito bem encaixados na trama. A menina violentada, assassina e presa, que inclusive fez um aborto!!! O policial controlado que tenta matar Patsy e depois tenta se redimir (ele usava miraclo??). O vizinho drogado, os vizinhos barulhentos... São tantos personagens próximos com dilemas tão bem estruturados... Todos no meio do fogo cruzado entre Jessica e Kilgrave.

Jessica Jones te faz gostar do modo pouco ortodoxo de investigação, da vida jogada, da luta do bem contra o mal... Enquanto te faz pensar em todos os limites morais que temos.

O futuro?

Bem, nos gibis, Jessica conhece o Demolidor enquanto ele é Matthew Murdock, o advogado. Acredito que, depois de vencer Kilgrave, a MARVEL fará com que Jessica se associe a Matthew, o ajudando a conseguir provas para enfrentar os vilões de ambas séries.
Como já estão previstas séries de Luke Cage e Punho de Ferro, logo teremos um seriados dos Defensores.
E os Defensores têm papel ativo na Guerra Civil, primeiramente do lado do Capitão América... E como são heróis mais fracos, acabam se alistando na iniciativa do Homem de Ferro por não poderem fazer frente a ele.

É aqui em que é uma pena que o Homem Aranha esteja entregue à Sony. Talvez... Talvez a Sony e a Disney entrem em um acordo e compartilhem Peter por mais do que uma participação no filme do Capitão América.

Enfim. Jessica Jones revolucionou os seriados da MARVEL. Levou os padrões a outro nível. Agora estou oficialmente de ressaca, esperando ansioso a segunda temporada!

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Mega Vídeos HD e a Propriedade Intelectual

Então, amigo. Essa semana estourou uma confusão danada. Os donos do Mega Vídeo HD foram presos, o site saiu do ar...
Para quem não sabe, o Mega Vídeos HD era um dos locais aonde qualquer um poderia baixar séries, filmes, etc... de modo pirata.
E é claro que os internautas brasileiros tiveram um treco com isso. Aonde já se viu fecharem um site que entrega conteúdo protegido por direitos autorais de graça?

Bem.

Deixe eu contar uma historinha para vocês...

A historinha é sobre João. João é um homem das cavernas. João passa seus dias procurando frutas e legumes para coletar ou animais para caçar. Tem dias que João encontra bastante comida... tem dias que João não encontra nada. Assim é a vida. E João não gosta dessa vida. É ruim passar fome alguns dias.
João percebeu, um belo dia, que plantas crescem a partir das sementes que são jogadas na terra. Então João vez uma experiência: limpou e preparou um pedaço grande de terra, pegou sementes dos vegetais que mais gostava e fez a primeira fazendinha do mundo.
Depois de pouco tempo, João viu nascerem e crescerem centenas de plantinhas. Todas com alguma parte comestível. Todas elas com um sabor que João adorava.
As plantas cresceram o suficiente para que João não precisasse mais procurar por aí por comida. Agora João poderia ficar em casa, de boa, relaxando... E quando tivesse fome, bastaria ir à sua fazendinha pegar alguma comida. Enquanto João cuidasse da sua fazendinha, ele teria comida de modo regular. Jamais passaria fome outro dia, na sua vida!

Tudo isso começou com uma ideia, notou? João investiu tempo estudando a natureza. João investiu seu tempo para desenvolver a ideia. João criou e aprimorou ferramentas específicas para cuidar melhor da sua fazendinha. Fez enxada, fez pá, fez baldes e canos para irrigação, fez cerca... Por muitos dias João passou fome, porque não usou todo o tempo necessário para procurar comida; uma parte do seu recurso tempo, João gastou com a sua ideia. Com o seu sonho. Todos os amigos de João encontraram mais comida, estavam felizes, fazendo festas com o estômago cheio... Enquanto João estava apostando, sacrificando uma parte dos seus recursos para ver se sua ideia era possível.

Tudo ia muito bem. João tinha uma quantidade de comida muito boa. Estava até engordando. Tinha mais tempo para paquerar as meninas do grupo. E as meninas do grupo se sentiam mais seguras ao lado de João, porque ao lado dele ninguém passava fome.
Isso, por óbvio, despertou a inveja nos outros homens do grupo. "Porque João pode ter comida e mulheres a todo momento, enquanto nós temos que perder o dia inteiro procurando o que comer?"
Então, em uma noite fria e escura (sim, era noite, era fria e era escura. Me deixa), os outros homens do grupo atacaram a fazendinha de João. Colheram tudo, o que estava maduro, o que estava verde e o que mal estava brotando. Jogaram madeira e colocaram fogo no local.
Apavorado com o barulho do ataque e a luz do fogo, João saiu correndo de sua caverna. João tentou defender o seu trabalho, mas os outros homens do grupo estavam resolutos na destruição da fazenda. João foi dominado, espancado e morto pela turba furiosa.

Essa história aconteceu muitas vezes na história humana. Houveram milhares "João's" pelo mundo afora, que não tiveram seu esforço reconhecido. "João's" cujos vizinhos não respeitava as suas propriedades sobre o trabalho que fizeram. "As sementes estão por todos os lugares!" diziam seus vizinhos! "O chão não é dele!" "As frutas não são só dele!"

E cada vez que um João perdia todo o seu trabalho, as outras pessoas do grupo entendiam a mensagem: Não adianta eu me esforçar para fazer algo para mim; os outros vão comer a comida que eu cultivar, mesmo sem terem me ajudado em nada.

Demorou muito tempo. Segundo fontes, a revolução do neolítico durou entre treze e dez mil anos atrás. Isso significa que foram cerca de três mil anos (de história não registrada formalmente) de "João's" tentando criar a primeira forma de propriedade sobre o trabalho exercido... E tendo o seu direito de usufruir do seu próprio esforço sendo sistematicamente destruído por seus vizinhos.

Evidente que, com o passar do tempo, os "João's" foram convencendo os "José's", "Paulos" e outros... Claro que era muito mais prático ter sua fazendinha gerando comida gostosa e nutritiva de modo controlado e regular. Sempre ali, pertinho de onde se mora.
As pessoas diferentes passaram a usar suas habilidades diferentes para produzir coisas diferentes. Uns plantavam frutas. Outros legumes. Outros cereais. Outros folhas, outros tubérculos. Outros criavam animais... Haviam os que pegavam as frutas frescas e transformassem elas em bebidas e doces... Ou pegavam os animais mortos e criassem objetos úteis com o couro, como roupas, lonas e tapetes...

Enfim. Ao reconhecer a propriedade das pessoas, as trocas puderam ser estabelecidas. E quando passamos a trocar itens, passamos a dar valor a eles, de acordo com os nossos custos e de quanto as outras pessoas precisam do nosso produto.

Sistematicamente, vamos atendendo às necessidades uns dos outros. João atende a necessidade que José tem de cebolas, tomates e saladas... E José atende a necessidade de João de um bom pedaço de carne. Todo mundo feliz com a troca feita. Duas casas aonde todos na família dormirão com o estômago aquecido por um delicioso jantar de pernil de cordeiro com legumes.

O tempo passou. A facilidade de obter comida nos deu ENERGIA. Mais energia significa que você pensa menos em "tô com fome, quero comida", ganhando mais tempo para pensamentos abstratos. Mais tempo pensando em soluções de problemas. Mais tempo pensando faz com que tenhamos soluções para mais problemas. Problemas cada vez mais específicos, mais abstratos.

Pense bem: o maior problema do João era "onde eu vou encontrar comida para hoje à noite?". Esse era O problema que assombrava 100% dos seres humanos, todo santo dia.
Agora pense melhor ainda: qual é o seu maior problema AGORA. Hoje. Não sei quanto a vocês, mas o problema que não para de martelar a minha cabeça é "Como fazer as pessoas entenderem que propriedade intelectual deve ser respeitada?" É um problema tão grande pra mim, que eu estou me esforçando em solucioná-lo, nem que seja escrevendo um texto para entrar na discussão.

Convenhamos: meu problema atual não é NADA perto do problema que o João tinha, não é?

Esse tempo a mais que ganhamos para pensar nos deu uma tecnologia fantástica: a DIVISÃO DO TRABALHO.
A Divisão do trabalho, por sua vez, nos deu uma tecnologia melhor ainda: a ESPECIALIZAÇÃO.

Hoje, temos pessoas que sabem absolutamente tudo... sobre um setor tão específico do conhecimento que podemos dizer que é um "nada". A brincadeira de que um PHD é alguém que "sabe tudo sobre nada".

Essa especialização nos trouxe inclusão. Hoje, não importa se você é forte ou fraco, inteligente ou burro, alto ou baixo, gordo ou magro, etc... Sempre haverá alguma coisa que você faz bem. E você poderá utilizar essa habilidade a seu favor para solucionar o problema de outra pessoa.

Eu mesmo. Eu tenho um pouco de autismo. Certeza. Não me relaciono bem com as pessoas, não adianta. Por muito tempo eu tentei. Hoje, eu simplesmente aceitei minha condição e parei de tentar fazer algo em que eu não sou bom. Em contrapartida, eu tenho uma capacidade de concentração e entendimento de conceitos muito boa. Eu consigo manter o foco por um bom tempo, o que me ajuda a compreender melhor as coisas em que eu me dedico. Assim, deixei de remar contra a maré e passei a me dedicar a trabalhos que exigem concentração e raciocínio. Sou desenvolvedor de softwares e escritor. Pra que diabos eu vou me meter em uma sala de aula ou com vendas, por exemplo? Pra que eu vou atender o grande público, mexendo com relações humanas que eu não compreendo ou sequer me sinto confortável?

Sem a divisão do trabalho, eu estaria ferrado. Se eu dependesse das relações humanas para comer, eu passaria muito mais trabalho do que qualquer outro. Provavelmente eu já tivesse morrido direta ou indiretamente de fome.

Escrevi tudo isso para que você entendesse de onde veio o conceito de propriedade.
Sem esse direito preservado, ninguém se esforçaria em trabalhar por si... e mais um pouco, para atender aos outros. Bem, se você se mataria sem ajuda, faça sol ou chuva, para plantar de graça para toda a sua comunidade, parabéns para você, champz. Eu não. Os outros têm dois braços e duas pernas, assim como eu tenho. Podem muito bem pelo menos virem aqui me ajudar. Podem ter suas próprias fazendas, para plantarem para si próprios. Cada um pode cuidar do próprio nariz, tirando a pressão de ajuda para o coletivo.

Enfim.

E a consequência da propriedade privada é que, hoje, existem problemas específicos, que são atendidos com trabalhos específicos. Problemas que, sozinhos, não fazem a diferença. Sozinho, um robô que posicione o braço há um metro e quarenta e três centímetros do solo e aperte um parafuso exatamente três voltas e meia não é lá muito útil. Mas em uma linha de montagem o mesmo robô pode estar apertando os parafusos das rodas de um carro. Os parafusos que mantém as rodas no lugar e evitam que elas caiam durante uma viagem... envolvendo você e sua família em um acidente. Talvez fatal.
Entendeu que exite uma fábrica desses robôs. E que, em algum lugar, alguém está pensando "como fazer para o robô parar exatamente a um metro e quarenta e três centímetros do solo?" Divisão do trabalho. Problema altamente específico.

Os trabalho foram se dividindo. E cada nova divisão, mais áreas são criadas. Para cada resposta, pelo menos uma nova pergunta, não é?

O processo evoluiu até os trabalhos puramente abstratos.

Sim. Existem pessoas que estudam. Observam a natureza. Criam ferramentas. Treinam. Se esforçam... E o resultado do trabalho deles é completamente intangível. Você não pode segurar uma música, um filme, um programa de computador, etc... Mas o prazer da melodia, as ideias apresentadas por um filme e o processamento de dados do software estão lá. Provavelmente te ajudando com alguma coisa. Atendendo a tua necessidade de entretenimento, de estar por dentro das novidades que são lançadas, de cuidar da tua conta bancária, etc...

Entenda: existe toda uma indústria de "João's" trabalhando, nesse exato momento, para que o próximo filme - aquele que você quer tanto assistir - chegue aos cinemas. Houve um escritor. Houve um produtor que leu o script e acreditou no filme. Houveram patrocinadores que investiram dinheiro de verdade no filme (mesmo sem saber se o filme retornaria qualquer lucro!!). Houve uma equipe de direção que fez diversas reuniões para decidir como operacionalizar a produção do filme. Diversos atores treinaram uma vida suas habilidades únicas. Grupos de seleção estudaram cada ator por muito tempo. Toda uma equipe de cenografia decidiu locações, viagens, cenários montados, artistas plásticos, compra de material... Equipes de iluminação acharam o ponto perfeito de luz para a equipe de filmagem e efeitos especiais pegarem o close perfeito, montado pela equipe de maquiagens e figurinos... 
E isso tudo é só o começo. Depois de todo esse trabalho, o diretor ainda deve editar tudo o que foi filmado. O que deverá ser refeito? O que receberá animação gráfica? Qual cena entra na edição final? Qual cena é descartada?

Pronto? Acabou o filme?
Que nada!

Agora precisa entregar para a equipe técnica fazer as cópias. Logística de distribuição nos cinemas.
Promoção. Logística de eventos, matérias em periódicos, exposição na internet, entrevistas, tasers, trailers...

Tudo isso para você chegar nos cinemas e pagar 30 pilas por um ingresso. Cerca de uma hora e meia de sonhos, dramas, ação, aventura, comédia, terror... Tempo suficiente para você se emocionar por mais uma história contada pelo ser humano.

Mas tem gente que não compreende esse processo. Tem gente que vê o João vendendo o seu filme para o José e pensa "porque o José pode assistir e eu não?" Essas pessoas dão um jeito de roubar o filme do João. Vão lá na fazendinha do João, colhem todos os frutos que João precisaria vender para pagar os custos da sua plantação. Cospem no trabalho do João. "Foda-se o João. Eu não preciso pagar para ver a história que ele se esforçou para criar!"

Muitas pessoas da turma defendem que a propriedade intelectual não existe. Que, como ela é intangível, o compartilhamento dela não é crime, pois nada é subtraído do autor.

O problema com esse pensamento é o rateio total dos custos.

Para uma atividade ser viável, a receita deve pagar os custos. Ninguém em sã consciência... nem o mais ferrenho defensor da pirataria... criaria um negócio para receber menos do que gastou para executar. Esse é o mapa assinalado com um "X", marcando exatamente o lugar aonde está a falência.
Assim sendo, todo dono de propriedade intelectual sabe o quanto ela foi custosa para ele.

Os anos estudando, lendo, praticando... Cursos, dias e mais dias em que o autor está se dedicando ao seu sonho, ao invés de sair com os amigos ou ir trabalhar em algo mais rentável ao curto prazo... Vendo todos seus amigos felizes, com carreiras prósperas, carros do ano, belas casas, filhos em bons colégios...
O autor sabe o quanto lhe custou para compor e finalizar sua obra. Esse custo deve ser pago pela receita com a sua obra.

Aqui eu PRECISO deixar um parêntese para vocês.
O direito de propriedade JAMAIS deve ser relativizado. O que é "seu" e o que é "meu" deve SEMPRE ser muito claro. E o que cada pessoa faz com o que é de sua proriedade só diz respeito a ela (desde que não interfira na vida de terceiros, claro).
Sendo assim, se o autor quiser DAR sua obra, é problema dele.
Assim como é problema do autor se ele quiser VENDER sua obra.
De QUALQUER FORMA, nós, que não somos donos da propriedade do autor, não temos direito de determinar o que O AUTOR fará com SUA PROPRIEDADE.
Fechei o parêntese.

Digamos que o autor gastou simbólicos e fáceis de lidar R$100,00 com sua obra.
Ele pode determinar que venderá 100 cópias a R$1,00. ou 200 cópias a R$0,50... Ou vender uma única cópia a R$100,00... Ou ele pode distribuir sua obra de graça e ganhar dinheiro com palestras, produtos licenciados ou com moedas virtuais, que liberam poderes especiais no joguinho... Sei lá. Cada um é livre para fazer o que quiser com o sua propriedade. Se o autor teve custo de R$100,00 e quer vender a um milhão, quem somos nós para impedi-lo? O máximo que nos concerne é o direito de boicote: não concorda com o preço? Não compre!

Criar cópias de propriedade intelectual, protegida por direitos autorais, contra a vontade do autor é roubo.

Você pode espernear, pode argumentar o que quiser. Mas a partir do momento que tu se apropria de algo de outra pessoa sem pagar a ela o que ela está pedindo, é roubo.

Piora se você trafica algo que não é seu, ganhando dinheiro com isso. Você está não só se apropriando da obra do autor, em si, mas também está concorrendo (deslealmente) com o mesmo pelo lucro que a obra está fazendo.

Olhando esse cenário todo eu fico me perguntando: O que acontecerá no dia que os piratas vencerem?
Naquele momento em que o "João Spilberg" e o "João Gates" não conseguirem receber sequer o suficiente para custear seus projetos.
Quando a tribo atacar tão vorazmente a fazendinha, chegando a matar os autores.
Quando todos entenderem a mensagem de que não vale a pena se esforçar para produzir conteúdo intelectual...

Nesse momento nós, autores, deixaremos de publicar nossas histórias. Pra que tanto trabalho, despesas e riscos, né? Escrevo o livro, a música, o software ou o texto e deixo eles ali, guardados na minha gaveta. Assim ninguém irá piratear. Mostro para os meus próximos... e só.

Não. Quer saber? eu vou clicar no "Publicar". 
Esse texto vai pra internet. 
Mesmo que alguém copie ele inteiro e o republique sem dizer que é meu, ESSA ideia precisa ser divulgada.
Mesmo eu tendo demorado 30 anos para aprender tudo isso que eu escrevi aqui... Mesmo eu tendo perdido algumas noites escrevendo e revisando... Mesmo eu tendo me esforçado sem ganhar nada em troca... Eu vou publicar esse texto que é MEU. E ele estará gratuito porque EU acredito nesse formato.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Pasta Inception

Sugestão para o almoço.


DICA: faça panquecas com a massa recheada... e uma lasanha com as panquecas!

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Bebês X Gatos

Verdade.










Verdade.
Tudo verdade.

Mas melhor do que não ter filhos, é não ter gatos, também.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Início da nota:

NOTA:
Oi, tudo bem? Faz tempo que eu não escrevo aqui, né?
Ainda mais um "texto de raiz", com minha opinião sincera.
Acho que desde 2012 eu não faço um texto realmente forte.

Pois bem. Esse é o MEU texto a respeito do tema do ENEM 2015. AQUI, no MEU BLOG, eu fugirei do tema, sim. EVIDENTE QUE, estando na sala, com a folha da redação à minha frente, eu escreveria o que o tema está nos obrigando a escrever. Que as mulheres são "tristes vítimas indefesas de homens perversos", que as mulheres "nada fazem para irritar ninguém", que as mulheres são "um poço de ternura", que as mulheres são "nossas mães, irmãs e filhas", que "em mulher não se bate nem com a pétala de uma rosa" e todo o discurso femi-mi-mi-nista esperado. NA PROVA eu estaria correndo atrás de PONTOS PARA SER APROVADO, não de DISCUSSÃO DO TEMA RIDÍCULO.
MAS... Meu tempo de vestibulares passou. Já sou profissional, tenho uma carreira principal bem encaminhada, pelo menos duas carreiras secundárias aonde poderia me agarrar "para não passar fome caso algo der errado" e meus investimentos.
PORTANTO... Meu objetivo aqui é mostrar o problema real, que o TEMA não deixa claro: a persistência da violência contra as PESSOAS na sociedade brasileira.
Obrigado por entender.

Fim da nota.


INTRODUÇÃO:

É CLARO que no Brasil existe violência contra a mulher. Mulheres são agredidas moralmente, xingadas, assediadas (não só, mas também sexualmente), espancadas, sequestradas, estupradas e assassinadas, todos os dias.
Mas estamos no Brasil. Aqui, existe violência contra a mulher, contra o negro, contra o homossexual, contra o pobre, contra a criança, contro o idoso, contra o desempregado, contra o índio e contra qualquer outra minoria que você queira acrescentar. Mas é IMPORTANTE ressaltar que, no nosso país, a violência não é restrita a nenhuma segmentação do povo. Não somos uma Alemanha Nazista, aonde caçamos um grupo específico, os mandamos a campos de concentração para torturarmos e matarmos nossos desafetos.

Fosse um problema específico, certamente a comunidade internacional já estaria fazendo pressão contra nosso país. Provavelmente estaríamos sendo invadidos por forças militares estrangeiras. Mas não. O problema do Brasil é pior do que isso. A violência no Brasil é generalizada. O homem morre tanto quanto a mulher. O branco morre tanto quanto o negro ou o índio. O heterossexual morre tanto quanto o homossexual. O rico morre tanto quanto o pobre. Ninguém é "escolhido" para sofrer violência. Todos sofremos algum tipo de ataque, todos os dias.

Enfim, "tá ruim pra todo mundo", tá ligado?

É - pelo menos - uma falta de EMPATIA sua em achar que só a sua situação é ruim. Que só o seu grupo está sendo discriminado. Que a SUA circunstância se dá pelo que você É, em vez de notar que todos os outros estão no mesmo barco furado (e sem um balde pra jogar a água pra fora).


ARGUMENTAÇÃO A FAVOR:

CLARO que eu desejo que mulheres não sejam vítimas de violência. Que tipo de ANIMAL eu seria, caso desejasse que qualquer ser humano sofresse violência?
E também é EVIDENTE que mulheres recebem tipos de violência específicas. Negar as diferenças físicas e psíquicas entre homens e mulheres não faz com que elas não existam.
Desde a incapacidade (NO GERAL) masculina em entender que mulheres são mais emotivas (NO GERAL), até o extremo cúmulo em que um homem mata uma mulher, a violência não se sustenta. Não é opção. Sempre é errada. Algo deve ser feito para EVITAR a violência contra a mulher, SIM. (Espero que tenha conseguido deixar a minha posição clara!)

Usando o pior tipo de base possível, a minha própria experiência, eu lembro da minha infância. Três mulheres participaram diretamente e ativamente da minha criação. Minha mãe e minhas duas avós. Isso sem falar de dezenas de professoras, minha irmã, tias, bisavó, vizinhas, namoradas, etc... Cada uma contribuiu com algum valioso conhecimento para formar minha opinião e, através desta, minha conduta para com as mulheres.
Não que eu saiba tudo sobre mulheres. Elas são misteriosas pelo seu próprio gênero para nós, homens. Sequer precisamos apelar para a individualidade para dizermos que são diferentes e difíceis de entender. São seres humanos, poxa vida. Exemplares da espécies mais complexa que conseguimos encontrar no universo, até o momento.
Elas são seres fortes, inteligentes, estáveis... Capazes de feitos incríveis de força, destreza, vigor, inteligência, raciocínio e tudo o mais que nos define enquanto humanos. Mas também são delicadas, frágeis, precisam de apoio, muitas vezes de auxílio e tudo o mais que qualquer um precisa para ser feliz neste mundo.
De qualquer forma, minha mãe - e todas as demais mulheres que participaram da minha criação - me ensinou a respeitar as mulheres, em especial. Não se briga com mulheres. Jamais agredir mulheres. Preservamos as mulheres ao máximo de confrontos, quaisquer que sejam. ALIÁS: é de bom tom tomar partido das mulheres e defendê-las, caso estas estejam sendo confrontadas.
Demorou muito tempo para eu notar que esse é um ensinamento perigoso. Partimos do pressuposto que todas as mulheres são boas, honestas e sempre estão certas. Que nenhuma mulher é capaz de qualquer perversidade. Que elas nunca se enganam, nunca estão erradas. É um posicionamento até mesmo contraditório quando vemos que alguns grupos de mulheres INCITAM confrontos (sejam eles ideológicos, discussões, brigas ou até mesmo planejando e executando crimes).

O "Sexo Frágil" não tem nada de "frágil". E se você tratar as mulheres dessa forma, você acabará sempre sendo envolvido nos joguinhos mentais/emocionais/sociais que elas adoram fazer. Para quem pensou "NOVELA", sim. Não é a toa que mulheres assistem novelas. Não é a toa que as novelas perduram no horário nobre da maior rede de televisão há tanto tempo. Homens aprendem a ser maquiavélicos. Mulheres nascem mestras nessa arte.


ARGUMENTAÇÃO CONTRA:

É complicado romantizar as mulheres (ou qualquer ser humano!), "endeusando" suas características. TODOS (sim, TODOS) somos "humano, ridículo, limitado que só usa dez por cento de sua cabeça animal" (não usamos só 10%, mas você entendeu).

Eu GOSTO de citar Tim Mintchin quando ele lembra que TUDO É QUÍMICA.
Seres vivos são química. NÓS, seres humanos, somos química.
E o que diferencia homens de mulheres são compostos químicos. São milhares de moléculas diferentes, agindo em quantidades e lugares específicos do corpo, para transformar o "feto assexuado" em um homem ou uma mulher.
Cada molécula muda o funcionamento de diversas áreas do corpo. Desde as características físicas mais evidentes, até as características mentais mais escondidas.

Vamos deixar os comediantes Louis CK e Chris Rock falarem um pouco sobre as diferenças mentais, as menos perceptíveis. 






Por favor, abstraia a camada de piadas e note os pontos delicados em que os dois tocam.
"Mulheres não são violentas, mas elas são capazes de destruir quem você é."
"Homens se preocupam só com sexo, mulheres se preocupam com o estilo de vida."

Essas diferenças básicas entre homens e mulheres geram formas de violência diferentes. A origem, a motivação da violência é diferente para cada sexo. Mas lembre-se: violência é violência. E toda violência é condenada.

Portanto, é bobagem olharmos apenas a "violência persistida contra a mulher", quando a violência acontece em todos os lugares, todos os dias.
E a bobagem que é vitimizar apenas a mulher fica mais evidente quando vemos NÚMEROS.

1 - Homens morrem mais em TODAS as faixas etárias:

2 - Homens morrem mais cedo:

3 - Homens de 20 à 29 anos morrem quatro vezes mais do que mulheres:

Se homens morrem mais e mais cedo, como a violência segmentada com ênfase nas mulheres é mais importante?


5 - Instituto PragerU mostrando que mulheres não recebem menos pelo mesmo trabalho.



6 - Meninas até 14 anos são 53% das vítimas de estupro.


NOVAMENTE (Caso você não se lembre de ter lido lá na introdução): Não estou argumentando que os problemas das mulheres não existem. Estou tentando mostrar que o problema da violência no Brasil não é PARTICULAR DAS MULHERES. Estou deixando claro que a violência se dá em TODOS OS SEGMENTOS DA POPULAÇÃO.

Ainda restam dúvidas que a violência é endêmica?

1 - Brasil é o 18º país mais violento do mundo:
(À frente de países em revolução ou guerra civil!)

2 - Segundo a OMS, Brasil tem o maior número de homicídios absoluto do mundo:

3 - Brasil tem 16 cidades entre as 50 mais violentas do mundo:

4 - Mulheres não são santas, não:

Basta pesquisar no Google. São inúmeras as estatísticas, notícias e relatórios mostrando como a violência está descontrolada no Brasil. Para TODOS OS SEGMENTOS.


MINHA CONCLUSÃO:

É de uma desonestidade intelectual sem tamanho segmentar o assunto "violência", no Brasil.
A estratégia é antiga, anterior ao Império Romano. Mas foi Napoleão quem a usou com maestria:

"Dividir para conquistar."

Se há algum antagonismo que precisamos cultivar no nosso país e o "POVO Vs POLÍTICOS". Nossos políticos (TODOS) usam do "dividir para conquistar" para desunir a população. Jogaram a isca e nós, enquanto bom povo BURRO, mordemos com força. Andamos por aí, ostentando o anzol como se fosse o piercing da moda.

É "Direta X Esquerda", "Homens X Mulheres", "Heterossexuais X Homossexuais", "Branco X Negro", "Rico X Pobre" e qualquer "Maioria X Minoria"...
O povo inteiro sendo violentado pelos políticos... mas aceitamos o argumento de "lutas de classes" e brigamos entre nós... enquanto os políticos aumentam impostos, cortam serviços e ROUBAM NOSSO DINHEIRO.
É necessário acabar com a violência contra a mulher. E também contra o homem. Contra todo o povo.


COMO SEMPRE, eu não vou terminar o texto apenas levantando os problemas. Vamos dar uma SOLUÇÃO, também.

Solucionar o problema da violência passa, primeiro, por educação das pessoas.
O indivíduo bem educado é o princípio para uma sociedade bem educada.

FONTE
Mas não se trata só de educação de escola. Não. Escola é um lugar aonde você recebe educação técnica. Para o trabalho.
Trata-se de educação para a vida. Trata-se de mostrar o ponto de vista correto sobre os assuntos do cotidiano, para as pessoas.
Mostrar que cada um é agente ativo na construção da sua vida. Que o esforço pessoal leva a pessoa aos seus objetivos. Muito melhor do que vitimizar a pessoa desde cedo, incutindo comparações que só trazem ira à pessoa.
Mostrar desde cedo que o limite de um termina quando começa o limite do outro. Ensinar o respeito ao próximo, às suas ideias, à sua liberdade e à sua vida.
Se trata de educação familiar.

Educação familiar que dá ao indivíduo a base para ser um bom aluno. Para se concentrar nas aulas e aprender o necessário para ser um bom profissional. Bom profissional, este, que tem capacidade de enxergar perspectivas, na vida. Com uma economia saudável as perspectivas são plantadas e, delas, nascem as oportunidades. Oportunidades que mantém sonhos vivos. As pessoas com sonhos vivos mantém-se ocupadas lutando por eles. E gente ocupada em buscar a sua felicidade não enche o saco dos outros.

Que irônico. Somos uma pátria sem valores. Desesperados. Sem perspectivas. Talvez por isso achamos que temos o direito de tomar dos outros o que queremos. Sejam ideias, sejam bens, seja o corpo, seja a vida.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Super Hamburguer!

Tem gente reclamando que eu só tô postando comida no blog.
Tô mesmo.
Desde que o Twitter liberou postagem de gifs, tô postando tudo por lá, mesmo. SIGAM-ME OS BONS! -> https://twitter.com/alssst
Textos? Desculpe, tô ocupado demais vivendo, trabalhando e fazendo outras coisas (if you know what I mean...). Tô cansado de dar murros na ponta da faca da burrice. Não tô dizendo que você deve aceitar tudo o que eu digo. Mas que seria bom, isso seria.

Por isso só tô postando comida.

Aqui vai uma baita ideia para hamburguer.


Diliça.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

The Martian - Perdido em Marte

Então ontem eu fui assistir ao filme Perdido em Marte.

Vamos começar com notas?

Se você não leu o livro ainda, o filme ganha uma nota 8.
Mas se você já leu o livro, o filme ganha uma nota 6.

É legal contextualizar para vocês entenderem o porquê dessas notas.

Perdido em Marte é uma história contada por Andy Weir. Andy é um desenvolvedor de softwares que gosta de ficção, de ciência e - como todos nós - é fascinado pelo espaço. Andy começou a imaginar como seriam as expedições à Marte. Então Andy passou a escrever uma sequência de textos mostrando como essas expedições a Marte poderiam dar errado. E - é claro - todas as soluções para os problemas encontrados.
Os textos foram para um blog... E como os textos eram ótimos, as pessoas passaram querer mais. Os textos se transformaram em capítulos e os capítulos foram se tornando um livro, aos poucos.

Eu preciso dizer que já faziam três anos que nenhum livro me prendia. Ler Perdido em Marte foi extremamente prazeroso.

O livro detalha métodos científicos sem ser específico demais. Sem ser chato demais.
Mark Watney (o personagem principal, perdido em Marte) é um personagem muito bem construído. Inteligente, engraçado, focado, perspicaz mas - acima de tudo - humano.
A história se passa em um futuro próximo. E o autor tem a sensibilidade de não criar tecnologias malucas. Algumas tecnologias mostradas na história não existem, ainda. Mas são completamente viáveis se continuarmos trabalhando do modo que estamos trabalhando, hoje.

CLARO que a história possui erros. "Blá-blá-blá a atmosfera de Marte não é capaz de gerar uma tempestade tão forte"... "Blá-blá-blá o solo de Marte possui uma concentração muito alta de percloratos"... "Blá-blá-blá queimar hidrazina aumentaria a temperatura do HAB para 400ºK"... "Blá-blá-blá já acharam água na superfície de Marte"... "Blá-blá-blá a falta de um campo magnético teria provocado câncer em Watney"...
Mas é necessário entender que Andy fez pesquisas na internet para criar esse livro. Andy usou apenas sua paixão pela ciência para criar a trama. Não houve uma consultoria de peritos da NASA para validar tudo no livro.

A história é uma ficção e deve ser encarada desse modo.


Quem não leu o livro verá um filme fascinante, com um drama fantástico. A fotografia não é ousada, não usa nenhuma tecnologia extraordinária ou ângulo revolucionário... mas é maravilhosa. Facilmente será indicada ao Oscar.

Quem leu o livro terá uma sensação esquisita. Um misto de ser maravilhado por ver uma obra tão boa tão rapidamente nos cinemas, com tantos bons detalhes e tão bem feita... Com a frustração de mutilarem a história para caber em menos de duas horas de filme.

Sim. Mutilarem. Se você leu o livro, esqueça os piratas-ninja. Eles não aparecem no filme. Não houve tempo. Aliás, a falta de tempo compromete o desenvolvimento do clima claustrofóbico no filme. No livro, nos colocamos no lugar de Watney o tempo inteiro. Ficamos cansados com o passar lento do tempo. Nos sentimos isolados com a falta de comunicação. Nos sentimos angustiados quando Watney está em confinamentos, com pouco ar, entre a vida e a morte. Nos sentimos desprendidos do último fio de esperança quando Watney se lança em suas jornadas por Marte, sem saber se conseguirá retornar à ilusão de segurança do HAB... E esses momentos difíceis tão bem construídos nos fazem chorar de alegria quando Watney encontra a solução e consegue sobreviver por mais um Sol.

Perdido em Marte possui argumento para pelo menos uma trilogia.
Na minha humilde opinião, Andy Weir deveria ter vendido os direitos de Perdido em Marte para a HBO. Um seriado ao estilo Band of Brothers. Uma temporada. Dez episódios de uma hora, cada. Tempo para desenvolver os personagens. Tempo para desenvolver o ambiente. Aí sim a obra prima seria completa.

Talvez, com mais tempo de película, itens como os apresentados no canal da Ares Live no Youtube possam ser incorporados à história. Não viu? Vale a pena conferir. São vídeos mostrando a preparação para a missão da Ares 3. Análises psicológicas da equipe. Tem até um vídeo com Neil deGrasse Tyson, ao melhor estilo "Cosmos". Sério, é um material excelente. Vá lá dar uma conferida!


Bem, a partir daqui eu serei mais específico sobre a história. Contando spoilers do livro E do filme.
Se você não leu o livro, ainda, baixe e leia. O próprio Andy Weir disponibilizou gratuitamente. Você não estará pirateando nada. BAIXE AQUI!

Se você não assistiu ao filme ainda, vá ao cinema.
Se você não leu nem assistiu, vá primeiro ao cinema, depois leia o livro.


segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Usando foto panorâmica direito: Fogueira!

É só pensar um pouquinho fora da casinha que coisas maravilhosas aparecem.
Como essa foto aonde o autor usou o recurso panorâmico na vertical e nos mostrou como uma fogueira pode se confundir com a Via Láctea no céu noturno!



quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Big Cats!

Os primeiros momentos em que um leão e um tigre resgatados de zoológicos têm contato com grama pela primeira vez...



Fonte -> https://instagram.com/p/7sh2U0TGt_/

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Capitalismo é sobre o AMOR

Vou começar esse texto com essa palestra, aqui.


Se você assistiu a palestra, já aviso que só vou tentar explicá-la, aqui. Provavelmente vou complementá-la com um pouco do meu conhecimento. Mas basicamente falarei sobre o que ele falou.

No Brasil, temos a visão de que "Empresas só querem o lucro".
Aliás, temos a visão de que o "o trabalhador é sempre explorado".
Temos, também, as visões de que "o consumidor só quer se dar bem" e que "o consumidor é sempre roubado".

Todas essas visões convergem para o mesmo ponto: "O Capitalismo é ruim."

Mas a verdade é que o capitalismo é sobre AMOR.

Explico.

Vamos começar com o básico. Vamos começar lá na época aonde os humanos nem tinham uma caverna para chamar de "sua". Aonde éramos coletores/caçadores. Nômades, procurando árvores com frutos ou correndo atrás de manadas.
Enquanto a comida existia, as pessoas naturalmente iam se reproduzindo. Conforme fomos desenvolvendo métodos para vivermos mais, a quantidade de humanos foi aumentando. Primeiro fizemos sistemas de defesa contra predadores. Depois, fizemos armas para caçar os predadores. Depois, passamos a caçar e comer melhor. Depois, passamos a ter mais tempo para cuidar uns dos outros.


Conforme nossa expectativa de vida aumenta, nossa população aumenta junto. E quando a população aumenta, precisamos de mais comida para manter todos os indivíduos. E na sociedade nômade, a comida não é de ninguém. É de quem chega antes. Notando a grande quantidade de pessoas e a limitada quantidade de alimento, a tragédia dos comuns ocorre. "Farinha pouca, meu pirão primeiro", como diz o velho ditado.


Então um nômade (Chamado de "Bob" pelo palestrante) pensou: "E se eu caçar e não matar um animal? E se eu colocar umas cabras em um cercado? E se eu ordenhar essas cabras, tomar seu leite, fizer queijo, manteiga, etc... E quando eu quiser carne, posso matar um dos seus filhotes!"

Isso é uma pessoa trabalhando para atender a SUA PRÓPRIA necessidade. Segundo Maslow, a primeira necessidade. A primeira forma de amor: o amor próprio.

Acontece que muitas vezes os outros nômades olharam as cabras de Bob e pensaram: "porque Bob pode ter cabras e nós não?" E os outros nômades atacaram Bob. Mataram Bob. Roubaram e comeram suas cabras, o leite, a manteiga, o queijo, as peles, etc... 

E isso aconteceu milhares de vezes na história da humanidade.

Até que o capitalismo primordial aconteceu.

Em certo momento, Jim - outro nômade - viu as cabras de Bob e, em vez de pensar em roubar Bob, pensou: "o que Bob precisa, não tem e trocaria pelas cabras?" O momento mágico em que Jim notou que poderia atender a necessidade de Bob para ter a sua própria necessidade atendida... Esse momento foi crucial para o desenvolvimento da humanidade como um todo. Porque, aqui, passamos a dividir o trabalho. Aqui, passamos a ver o outro como alguém valioso para nós.
Nesse momento, Jim criou duas formas de amor: A que atende às necessidade de segurança e às necessidades sociais, tanto do Bob quanto dele próprio.

Jim passou a plantar cereais, legumes, verduras e frutas. E sempre que queria leite, manteiga, carne ou peles, fazia uma cesta com os melhores frutos e os oferecia em trocas com o Bob.
E o próprio Bob, quando queria cereais, legumes, verduras e frutas, fazia sua cesta com leite, manteiga, carne peles, para oferecer em trocas com Jim.

Claro que existiam problemas nisso. Comida estraga. Não serve de moeda de troca por muito tempo.
Sem falar que é complicado mensurar quantas maçãs valem um pernil de cabra.

Aí entrou o dinheiro. E que invenção maravilhosa o dinheiro!
O dinheiro nos permite mensurar o trabalho que levamos para conseguir algo. Somamos os custos dos produtos necessários para a produção com o reconhecimento do esforço (gorjeta) que o outro tem pelo nosso trabalho e BANG! Temos o preço do nosso produto ou serviço.
O dinheiro nos permite guardar esse trabalho efetuado de modo quase eterno! Eu tenho uma maçã que não vou comer porque não estou com fome agora. Você está com fome agora e quer minha maçã. Eu aceito o metal dourado que você tem em troca da minha maçã. Amanhã, quando eu estiver com fome, eu posso usar esse metal dourado para comprar uma maçã de você ou de qualquer outra pessoa! O trabalho que eu tive para produzir a maçã foi preservado. E eu posso utilizar esse trabalho no momento que eu quiser para obter uma outra maçã tão boa quanto a que eu te vendi. E eu posso, inclusive, comprar algo que não seja uma maçã. Posso comprar uma pêra, uma banana, qualquer coisa.

E essa desigualdade no tratamento das relações que é importante frisar.
O amor não é sobre todos sermos iguais. Se todos fossemos iguais, não haveria necessidade de amor.
O capitalismo, assim como o amor, se fundamenta na desigualdade entre os relacionamentos. Precisamos de avaliações diferentes sobre a mesma situação para nos interessarmos pela troca.

O exemplo da xícara de café.

Hoje pela manhã eu acordei com vontade de uma xícara quente de café.
Hoje pela manhã, o dono da lanchonete acordou sabendo da quantidade de pessoas que querem uma xícara de café. O dono da lanchonete saiu da cama mais cedo, antes de mim. Ele se deslocou até a sua lanchonete. Limpou equipamentos. Moeu grãos, ferveu a água, passou o café.
Quando eu cheguei na lanchonete, o café estava pronto.

E nesse momento mágico, uma relação de desigualdade foi estabelecida. O dono da lanchonete gosta da xícara de café que ele fez. Deu trabalho. Mas ele prefere mais os meus R$2,00. Eu adoro meus R$2,00. Foi difícil conquistá-los. Mas eu prefiro mais a xícara de café do dono da lanchonete.

Não é uma troca zerada, como os comunistas gostam de dizer. É uma relação em que o dono da lanchonete está transferindo carinho pelos clientes, na forma de trabalho. E os clientes estão reconhecendo esse esforço na forma de dinheiro para o dono da lanchonete.

Todas as trocas que fazemos, todos os dias. São necessidades suas que estão sendo atendidas por outras pessoas.

Pessoas que pensaram na frente. Pessoas que tomaram empréstimos, criaram uma estrutura... Totalmente no escuro. Sem saber se todo o esforço que estavam tendo teria algum impacto na vida das outras pessoas.
Pense em toda a estrutura de criação de um carro. São anos de estudos de tendências de mercado. De desenvolvimento de designe. De peças. Testes de viabilidade, desempenho, de segurança... Criação de estruturas para atender às necessidades da produção do carro. Geração de empregos. Desenvolvimento de estratégias de marketing. São anos de esforço e dedicação para um carro estar parado na concessionária quando você passar.

O que garante que esse carro vai te interessar?
O que garante que a pipoca quentinha no carrinho do pipoqueiro vai te interessar?
O que garante que qualquer esforço que tu fizer vai atender às necessidades de outra pessoa?

Nada.

É só um ato arriscado de amor.
E esse é a última forma de amor que existe no capitalismo.


Sem o trabalho das pessoas, não existiria nada. NADA. N-A-D-A.

Seríamos um grupo de macacos que vive no máximo 30 anos, andando pra lá e pra cá procurando frutinhas e cabras para comer.

Fazer alguma coisa pela sociedade. Participar do desenvolvimento do nosso mundo. Contribuir ao menos com um quinhão para construir um mundo melhor para nós mesmos e para as próximas gerações.
Segundo Maslow, esse é o último tipo de necessidade. E lembre-se: se preocupar em atender uma necessidade é amor.

E se o capitalismo é algo tão bom assim, porque ele não funciona em muitos lugares?
Porque o capitalismo parece tão cruel aqui mesmo, no Brasil?

Justamente porque tiramos o aspecto de reciprocidade das relações.
Porque o brasileiro gosta de trocar o pagamento em dinheiro pelo esforço feito, por entidades como "favor", "solidariedade" ou outros meios.

E isso é ridículo, porque nós trabalhamos muito, por aqui. São muitas pessoas para atender necessidades. Existe trabalho por todos os lados, por aqui.

O que acontece para que não haja dinheiro nas transações? Porque nós temos que depender de outras entidades para reconhecer o esforço de quem atende nossas necessidades?

Porque, no Brasil, nosso governo retira cerca de 70% do que produzimos de nós, através de impostos.
Esse dinheiro nos faz falta no nosso dia-a-dia. A sensação é de que não existe dinheiro no mercado. Vivemos em uma sensação de recessão constante.

Somos tão mal acostumados com dinheiro corrente, que não sabemos lidar com "dinheiro no bolso". Nossa última década mostrou isso bem direitinho: a China comprou nossos produtos e inundou nosso mercado de dinheiro. Com muita produção, os investidores internacionais passaram a colocar seu dinheiro no nosso país. Com dinheiro no bolso, simplesmente saímos comprando qualquer bobagem que nos colocavam na frente. Pior do que crianças!

Não satisfeitos em gastar o dinheiro que tínhamos, passamos a PEGAR DINHEIRO EMPRESTADO!!!
Gastamos o dinheiro emprestado... E agora temos que pagar o empréstimo. Mas sem a China comprando da gente. Sem o dinheiro dos investidores externos.


Ainda se o governo nos desse serviços que atendessem às nossas necessidades... Mas não. O governo nos tira 70% do nosso dinheiro. Não atende nenhuma das nossas necessidades. E nos obriga a cuidarmos de 100% das nossas necessidades com 30% dos nossos recursos.

Empresas não são criadas. Necessidades não são atendidas. As pessoas não conseguem participar da construção do nosso mundo. A sociedade como um todo fica mais pobre.

Isso é a realidade. Nua e crua. Toda relação de trabalho é sobre amor. É sobre uma pessoa tentando atender a necessidade de outra... E a outra pessoa reconhecendo o esforço da primeira através de dinheiro.