segunda-feira, 27 de julho de 2020

How I Met Your Mother

How I Met Your Mother.

Não quer spoilers?
Nem clica no "ler mais".


Ignore esse post. Aproveita a quarentena e vá maratonar o seriado agora. (Chama no chat que eu te digo um modo fácil e 0800.)




Bem. Se você leu até aqui, é porque não se importa com spoilers ou realmente quer ler o que eu tenho a dizer sobre HIMYM.

Última chance de não levar spoilers.

Ok, vamos lá.

Eu confesso: assisti em prime time até a sétima temporada.
O seriado tem um bom ritmo nas três primeiras temporadas.
A quarta e a quinta não são maravilhosas, mas têm seus momentos que fazem as duas serem boas.
A sexta e a sétima temporadas são péssimas. Quem tem o mínimo de noção de criação de enredo e roteirização sabe que a sexta e sétima temporadas foram pura "encheção de linguiça".
A sétima temporada retoma um ritmo bom.
A oitava temporada conta com 3 episódios que não precisavam ter sido feitos, tempo que poderia ser utilizado muito melhor em outros assuntos. Mas como é a última temporada, passa.

E agora nessa quarentena que não acaba mais, eu encarei o desafio da maratona completa de HIMYM. E finalizei o seriado há alguns dias.

Mas mesmo HIMYM tendo 50%/50% entre bons e maus momentos, o conjunto da obra é... bom!

Eu não considero HIMYM como sucessor natural de Friends. Friends tem apenas um arco desnecessário (Rachel e Joey) em 11 anos de seriado. Friends conseguiu encaixar temas relevantes com comédia pastelão por mais de uma década, sem perder o ritmo.
Se há algum seriado que teve um sucesso similar, inclusive agindo com características próximas de Friends, foi The Big Bang Theory. Por um curto espaço de tempo. Mas divago.

Mas a premissa e o desenrolar de HIMYM são bons.

E eu estou escrevendo esse texto porque alguém precisa ser honesto com você na internet sobre HIMYM.
A maior parte das resenhas e críticas sobre HIMYM ou te jogam em uma expectativa irreal de que é o melhor seriado do mundo, ou te dão um banho gelado de que é um seriado terrível com um final tão ruim que pode ser comparável com o final de Game of Thrones.

Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar.

How I Met Your Mother sugere - desde a primeira cena - que o seriado gira em torno da história sobre como Ted Mosby conheceu a mãe dos seus filhos, que estão escutando a história.

E aqui está a genialidade do seriado: ele não é sobre como o Ted Mosby conheceu a mãe de seus filhos. Sim. Passamos nove longos anos acompanhando a vida dos cinco amigos e suas reviravoltas para conhecer a mãe apenas na metade da última temporada. A mãe é tão relevante para a série, que muitos sabem ou sequer notam qual é o nome dela! (O nome da mãe é "Tracy".) (De nada.)


Não, How I Met Your Mother não é sobre como o Ted conheceu a Tracy.

How I Met Your Mother é sobre como Ted Mosby é um perdedor desesperado. Sobre toda uma geração de homens que aprenderam como se relacionar acreditando em destino, amor, encontrar a pessoa perfeita, tendo altos padrões de exigência, tendo medos e tentando superar a todos enquanto está confuso consigo mesmo.

Ted Mosby é o personagem principal. Um arquiteto novato que vive em Nova York. Alguém que ainda não cresceu sentimentalmente o suficiente para ter um relacionamento sério, mas que busca incessantemente pelo amor de sua vida. Ele é carente. Ele quer casar, ele quer ter filhos, ele quer ter um lar. Ele é o tipo de louco que diz que ama a mulher no primeiro encontro.

E os personagens são construídos em volta de Ted para garantir dualidades o tempo inteiro.

Barney é um playboy bon vivant. Riquinho, com a vida inteira planejada para conquistar mulheres rapidamente e descartá-las com a mesma velocidade. Com o passar do seriado descobrimos que Barney é, na verdade, apenas uma pessoa fugindo dos seus traumas. Alguém que pensava ter encontrado o amor de sua vida e fora traído. Então ele decidiu mudar de vida. E com muitas mentiras e golpes de sorte, ele conseguiu um excelente emprego. Com dinheiro, passou a usar as mulheres e não se envolver sentimentalmente com mais ninguém.

Marshall e Lily são os melhores amigos e moram junto com Ted. Namoram há anos. No primeiro episódio Marshall pede Lily em casamento. E os dois servem para defender a ideia de que o amor verdadeiro existe. E durante todo o seriado ambos mostram como são as inseguranças e dia a dia de um casal dito como perfeito. Como eles querem ser independentes e seguirem seus sonhos. E também como ambos acabam fundindo sua personalidade às vezes, perdendo a sua individualidade no processo.

E por fim, temos a Robin. Robin é uma jornalista canadense tentando se dar bem em Manhatan. Ela tem o sonho de ser âncora em uma grande emissora de TV. E o mais importante sobre Robin: ela também se machucou com relacionamentos. E ela fez o que muitos de nós faz: focou na carreira. Não quer filhos, não quer casamentos. Robin aproveita a vida de relacionamento em relacionamento, contanto que não impeçam ela de fazer o que é preciso para alcançar seus objetivos pessoais.

E se você quer saber sobre o que é How I Met Your Mother, o seriado é sobre o amor entre Robin e Ted. Pronto. Estraguei todo o seriado para você.

Mesmo o seriado tendo apresentado no primeiro episódio que Robin é a "tia" dos filhos de Ted, não é coincidência que o seriado inicia no dia que Ted conhece Robin.

E eu não vou ficar citando cada pequena coisinha que acontece no seriado. Mas são oito anos e meio de seriado explorando toda a dinâmica de relacionamentos, sempre nos deixando tensos sobre "será que a Robin e o Ted ficarão juntos?".

Quando a Robin e o Ted namoram, lá na segunda temporada, é um dos momentos mais legais.

Quando os dois se separam, todos nós morremos um pouco por dentro.

Quando o Ted conhece a Vitória, nós torcemos para os dois não darem certo e o Ted poder voltar para a Robin.
Mas aí é a Robin que está namorando e nós só queremos que ela acabe de uma vez com o cara.

Quando o Ted fica noivo e quase casa com Stella eu confesso que senti um frio na barriga.

Quando Barney e Robin namoram é quase um alívio ver um gordo e a outra feia.

Os anos e temporadas se empilham e Robin e Ted ficam cada vez mais distantes.
Parece que só sobrou amizade entre os dois, mesmo.
E se me perguntarem, acho que foi por isso que eu abandonei o prime time de HIMYM. Porque o enredo andava em círculos, enquanto esfriava a tensão "será que Robin e Ted ficarão juntos?".

Aí, depois de idas e vindas, Barney pede Robin em casamento. E isso faz tanto sentido pra série, que eu sinceramente perdi a conexão afetiva. Não havia mais motivo para assistir. Não havia trama.

Quem se importa se a Lily e o Marshall vão para a Itália?
A Robin passou um tempo na Argentina e no Japão e nem sentimos direito.
Quem se importa com o arco do Barney conhecer o seu pai?
Sério, quem se importa?
QUEM SE IMPORTA SE MARSHALL E LILY SERÃO PAIS OU NÃO???

Então, acontece a cena da procura pelo medalhão.
E, puta que me pariu, como eu odeio flashback de ponto fundamental para a trama feito no último segundo. Esse flashback deveria ter sido plantado lá na segunda temporada, de tão importante que é. Só mostra o quanto os roteiristas não tinham noção sobre "pra onde levar" o seriado. Sério, se for escrever algo, sempre comece com o final. Aí você faz a regressão até o início. Fica mais fácil ir construindo a narrativa, levando o espectador para onde você quer que ele vá. Não dá impressão que o final foi feito às pressas. "Olha isso aí é o que conseguimos fazer!" Mas divago.
Basicamente a Robin adolescente escondeu o medalhão da sua avó - sentimentalmente importante para Robin - em um buraco de uns 30cm de profundidade no Central Park. Sem nenhuma proteção, um saco plástico, nada. Em uma distância onde um cão consegue cavar. Onde qualquer detector de metais conseguiria encontrar. Onde a chuva poderia erodir o local, revelando a joia. Uns 20 anos depois, ela vai lá escavar o medalhão para usar como a tradicional "coisa velha" que o pessoal dos EUA usa em casamentos. 

Robin procura, procura, procura, mas não encontra o lugar que enterrou o medalhão. Ela liga pra o Barney, para a Lily e para o Marshall. Nenhum pode ajudá-la. Então ela liga para o Ted, que teria uma importante entrevista de emprego naquela hora. E mesmo assim ele vai ajudá-la.

Depois de um tempo, eles encontram a caixinha do medalhão. Ah meus saco.

E a caixinha está vazia. ~Mistéééééério~

Começa a chover e a Robin nota que Ted foi o único que foi ajudar ela. E que Ted sempre está lá por ela. E ambos dão as mãos. E ali a chama dos dois começa a reacender.


Robin fica desolada por não ter encontrado o medalhão. E Ted comenta com Lily. Então, Lily conta de uma noite de bebedeira que a Robin e ela foram até o parque e pegaram o medalhão. Outro flashback oportunista. E esse aconteceu logo antes da Robin fugir para o Japão porque não aguentava ver o Ted casando com Stella. Sério. Essa cena deveria ter ido ao ar durante o início da quarta temporada. Mas sabem porque não foi? Porque nesse meio tempo a Robin estava totalmente focada na entrevista de emprego para o Japão e Barney estava perdidamente apaixonado pela Robin. A única menção de que Robin ficou chateada com o casamento do Ted foi na hora que tudo estava pronto. Robin decide não ver a cerimônia e vai pegar a balsa para Nova York. Lá ela vê que Stella não se casou porque Stella também está na balsa com o seu ex.

Roteiro remendado de quinta categoria.

Mas mesmo assim Barney e Robin se casam. E a última temporada é uma lentidão só. São 20 episódios e meio sobre o final de semana do casamento. Todos se encontram em um hotel e acompanhamos tudo o que ocorre até Barney e Robin se casarem.

A partir da metade da nona temporada, HIMYM faz de tudo encaixar a mãe em "quase todos os lugares onde Ted passou". Por diversas vezes, Ted e a mãe "quase" se encontraram. Até que ela toca no casamento de Barney e Robin.

How I Met Your Mother tanto não é sobre como o Ted encontra a mãe de seus filhos, que vemos todo o romance perfeito que Ted tanto buscou nesses 9 anos acontecerem em um emaranhado de confusos flashbacks de flashbacks enquanto ele conta a história para seus filhos, de como ele estava contando a história para essa senhora na estação de trem, sobre como ele estava contando a história da vida dele para a mãe, enquanto a mãe e o Ted se apaixonaram.


Não entendeu? Então. É isso que o seriado faz contigo, no final.

De flashback em flashback, no meio de outras tramas, durante uns 6 ou 7 episódios, vemos desde o momento que Ted conhece a mãe, seu início de namoro, como ela engravidou duas vezes antes dos dois se casarem, seu casamento, uma misteriosa doença e subentendemos a morte da mãe.


Enquanto isso, o episódio 11 da nona temporada quase inteiro é sobre o relevante momento que o Marshall esteve contando histórias rimadas para seu bebê de colo para que o bebê não chorasse durante uma viagem de ônibus.

Só não é melhor que o episódio 12, onde Barney sacaneia com a Robin para que o ensaio para a festa de casamento ocorresse em um rinque de patinação no gelo com diversas homenagens ao Canadá, em vez de ser no hotel.

Tempo perdido, que poderia ter sido melhor usado para apresentar a mãe e a história dela com o Ted por uns 30 minutos a mais, pelo menos.

Mas novamente divago.

Eu preciso voltar para o penúltimo episódio. Onde em menos de 5 minutos nós vemos Barney e Robin se casarem, felizes... E então aparece um flashback de alguns anos no futuro com os dois brigando e se separando em um quarto de hotel.

Porque How I Met Your Mother não é sobre como Ted conheceu a mãe.
O arco do irmão negro gay de Barney tem mais tempo de seriado do que o arco com a mãe.

Não.

How I Met Your Mother é sobre como Ted ama Robin e como a Robin ama o Ted.
Sobre como Ted assustou Robin.
E sobre como Ted não soube trabalhar esse medo e insegurança de Robin para que os dois ficassem juntos.

Foi preciso o Ted ter dois filhos com a mãe e contar toda sua história para que seus filhos dissessem na cara de Ted que ele ama a "Tia Robin". E que ele deveria ligar para ela naquele exato momento, há 5 cenas do final do seriado. E ele deveria voltar nove anos no passado, quando roubou a corneta azul da cantina e foi até a casa da Robin. E ele deveria ter fincado o pé no chão já lá no primeiro episódio. E deveria ter dito que não é absurdo um amor à primeira vista. Que o Ted deveria pegar Robin em seus braços e dizer que nada no mundo faria ele largar ela.

E o seriado acaba em um grande anti-climax do velho Ted segurando a corneta azul para a velha Robin. Da janela ela sorri e chora, sabendo o quê aquilo significa.

E nós não temos nem mais um minuto para sabermos o quê aconteceu a partir dali.

Quero dizer: o final de Friends foi perfeito. Nós sabemos que Ross e Rachel vão dar um jeito de ficarem juntos para criarem a Emma. Chandler e Monica ficarão juntos em sua casa. Mike e Phoebe se amam e ficarão juntos. Joey até teve um spin-off na Califórnia, mas provavelmente voltou para Nova York e está morando com Chandler e Monica. Tudo está bem, lá.

How I Met Your Mother está em aberto, mesmo depois do final.
Eu queria ver Ted e Robin juntos.
Eu tenho dúvidas se ambos realmente ficarão juntos.

O que importa é que: quando você sabe do que se trata HIMYM, você passa a gostar do final.
Entender que a série não é sobre a mãe faz você apreciar o desfecho.
Mesmo que o desfecho tenha sido muito mal conduzido.

E eu acho que de certa forma, HIMYM é uma boa analogia para a vida.
Porque a diferença entre a ficção e a realidade é que a ficção precisa fazer sentido.
E quando a ficção não faz muito sentido, ela se aproxima mais da vida real.

Eu não dou uma nota 10 para How I Met Your Mother.
Mas eu também sou incapaz de tocar o gongo e detonar a série.

Vamos de 8 cornetas azuis, o que já é muito melhor do que a média e faz justiça ao conjunto da obra!

PS1 - Menção honrosa ao elenco de apoio.
Para quem já vinha assistindo outras sitcons da década de 90 e 2000, foi um prato cheio de grandes estrelas ajudando a conduzir a história da série. Sarah Chalke, Wayne Brady, Ashley Williams, Jennifer Morrison, Kal Penn, Bob Odenkirk, Joe Maganiello, John Lithgow, Bryan Cranston, entre muitos outros!
E a própria Lily, que eu sempre vou me lembrar dela em "Buffy, a caça vampíros" e de American Pie.

PS2 - Melhor música de abertura.
"Hey Beautiful" da banda "The Solids" é a trilha de abertura. Eu gosto de buscar as músicas de abertura de seriados e compreender como elas se encaixam com sua série. E essa música é disparada a melhor e mais bem escolhida música utilizada em trilha de aberturas de qualquer seriado até os dias de hoje. 

Um comentário:

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