segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Punição Contra Material Íntimo Publicado na Internet?

Vou aproveitar que aqui eu posso me estender, e explicar melhor a sequência de twitts. Preencher lacunas.

Primeiro, sobre a minha "teoria do irmão mais novo".

Eu chamo ela assim porque minha irmã - mais nova - fazia isso comigo. Mas pode muito bem ser o irmão mais velho. O irmão do meio. O irmão adotado ou o irmão legítimo. Pode até ser o primo ou o vizinho. Tanto faz. O importante é que é o piá implicante. 
Sempre tem. Assim como o Loki está para o Thor, sempre um irmão aporrinha outro. Os motivos são variados. Da mais extrema perversidade doentia até a inveja branca.
Um irmão vai lá e implica. Intica. Provoca. Seja com palavras, seja com atitudes ou planos muito bem elaborados. "Foi o fulano quem quebrou o vaso!" - dito com um sorriso nos lábios.
Sempre tem um irmão que quer ver os pais castigando o outro irmão. Sempre.
É normal, mas eu acho doentio. E é um exemplo que se reflete na sociedade de modo geral. Muito cuidado com as vítimas. Ainda mais as que saem alardeando a culpa de terceiros. Não, não estou falando que TODAS as vítimas provocam e são as reais culpadas. Mas que, sim, algumas meninas "provocam e dizem não", até serem estupradas, isso eu já vi.

Não sejamos hipócritas, todos nós sabemos que isso existe.

Segundo, Doença ou Vingança.
Eu não expliquei a DOENÇA, porque ela é óbvia. Há muita gente no nosso país que é doente de pedra, verdadeiros psicopatas, mas andam à luz do dia, dissimulados. Contra DOENÇA não há o que fazer. DOENTES cometem atrocidades sem serem provocados. Simplesmente vão lá e fazem. Seja por não compreenderem as iterações sociais, seja por escutar alguma voz de dentro de suas cabeças. 

Agora, a vingança... ela é marca do ser humano. Ela deriva do senso de justiça, que compartilhamos até com nossos primos, os macacos. Quando algo não parece justo para nós, e não há mais como equilibrar, queremos vingança. Quem aqui nunca escutou um parente de vítima de assassinato bradar "quero que apodreça na cadeia", para o assassino? Até a pena de morte nada mais é do que a vingança de todas as pessoas do Estado. O reconhecimento de que todos falharam ao criar e educar aquele cidadão. E que ele está tão irremediavelmente incorrigível, que a única medida viável de reparação é exterminar a sua vida.

Se a razão nos separa dos animais, é a vingança que nos une a eles.

As pessoas devem ter MUITO discernimento, para conseguirem se afastar do desejo de vingança. E, amigo, em um pais pobre como o Brasil, o que mais tem é gente sem discernimento. Achamos que funk é cultura, somos record de audiência de BBB e votamos no PT.
Fazemos tudo isso, achando que estamos sendo muito espertos...

Assim, é esperado que a esmagadora maioria seja vingativa. 

E quando o final de um relacionamento acontece, o que você espera que aconteça?
Você lembra da música da Legião Urbana? "João Roberto era o maioral, O nosso Johnnie era um cara legal..." Quando tudo acaba, poucos de nós realmente levamos isso tudo numa boa. É normal correr atrás, chorar, pedir perdão, prometer o mundo para continuar junto... 

Mas, quando se tem um coração partido na jogada, nem todos absorvem isso bem. Alguns se jogam de carro na curva do diabo. Outros... Se vingam. Pouquíssimos realmente contornam e seguem a vida numa boa.

Eu? Ah! É! Eu estou passando pelo processo de pé-na-bunda. Já chorei, já corri atrás. Já mandei mensagem às 5hs da manhã. Já não dormi, já gritei na frente da casa. Já xinguei e, agora, estou na fase do despeito. Se eu tenho material dela? Tenho sim. Se eu vou postar? Não. Mas não é um "claro que não". Porque eu não sou hipócrita e mentiroso. Dói, dói muito. E dá vontade de fazer com que ela sofra o mesmo que eu estou sofrendo. Estou aguentando firme, para me manter superior.

Mas é importante preencher mais uma lacuna. Eu disse que um cônjuge dá o pé na bunda "por bobagens" no outro. Amigo, o final de um relacionamento sempre acontece por bobagens. Não importa o tamanho da causa, ela sempre é uma bobagem. Relacionamentos não foram feitos para acabar. As pessoas não foram feitas para perder afeto, carinho e atenção. Parem de transformar tudo em objetos descartáveis.

Quanta ironia, tem gente que quer reciclar o mundo; mas não sabe reciclar seus próprios sentimentos. Largam toneladas de relacionamentos em qualquer lugar. Meios-sentimentos que apodrecem e empestam o ar...

A responsabilidade emocional deve ser ensinada melhor. Independência é um veneno. E, se utilizada em demasia, pode matar. Eu gosto do Pequeno Príncipe. "...Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas..."

Antes de pensarmos em criminalizar a vingancinha estúpida de postar intimidades, vamos criar testes para o início e criminalizar o final de relacionamentos tortos? Vamos colocar casais na frente de juízes, para que eles ouçam o que estão fazendo errado e serem sentenciados a cuidarem mais uns dos outros? Vamos determinar prazo mínimo de convivência para admissão de separação?
Porque, enquanto a separação não é de comum acordo, há alguma coisa de errada com o relacionamento, mas que pode ser consertada.

Bem, se você não percebeu, escrevi essas medidas com sarcasmo. Claro que não dá para mediar toda briga de casal. Nossa geração está perdida. Durmamos com este barulho, paciência. Mas dá para formarmos cidadãos melhores para as próximas gerações. Gente que sairá de casa com mais responsabilidade nos corações. Gente menos hedonista, que pensará no sentimento alheio antes de tomar qualquer atitude. 

Teremos relacionamentos mais sadios e términos mais conscientes.

Enquanto essa solução ideal não é posta em prática, temos que lidar com a situação depravada atual. O que fazer? Cadeia, meu amigo. Não podemos proibir. Quem quer fazer vídeo, que faça. Agora, quem não sabe brincar, que não brinque ou que sofra as consequências.
Só, por favor, apurem corretamente os fatos. Um vídeo na internet pode ter sido enviado por quem se diz vítima. Quem se diz vítima pode ter provocado e agredido sentimentalmente o suficiente para merecer até mais do que um mero vídeo íntimo publicado na internet.