terça-feira, 12 de novembro de 2013

Eu sou um maluco e tenho que me tratar.

Tem algo de errado comigo.

Vocês, que não falam comigo e só conseguem achar arrogância no meu modo de pensar e nas minhas palavras, notem bem que eu não esto dizendo que sou diferente ou que eu estou certo enquanto o mundo todo está errado. 

Eu estou errado em um ponto. Identifiquei uma coisa em mim mesmo que não funciona bem. Uma falha que atrapalha minha vida.

Eu não deixo de amar ninguém que já tenha amado na minha vida.

Mas é pior: eu não deixo de gostar de pessoas que eu já tenha gostado. 

Não importa o que a pessoa tenha feito para mim. Eu perco a cabeça na hora e, para tentar ser normal, eu me afasto. Porque, se ficar por perto, eu acabo perdoando, esquecendo, relevando e seguindo em frente.

Eu vim "de fábrica" sem acesso ao rancor. Ao ódio, à mágoa e ao desprezo.
Todos vocês com quem eu cortei relações: vocês me fizeram um mal gigantesco. Mas o tamanho desse mal é ínfimo perto do esforço que eu faço para manter vocês longe de mim.

Vamos ver se eu consigo explicar.
Na minha cabeça tem uma chavinha torcida para o lado errado. Ela faz com que eu não veja as pessoas como meros objetos, dos quais eu posso me aproveitar, tirar vantagens e, depois, posso descartar.
Na minha cabeça torta, maníaca e doente, cada pessoa nesse mundo é um universo em particular. E eu - histericamente - não me contento em ser mero figurante ou só um simples coadjuvante. Eu, megalomaniacamente, quero tomar o papel principal. Quero ser parte ativa e quero fazer a diferença.

Eu gostaria de ser algo relevante na vida de cada um que cruzou na minha vida e que eu já cultivei o mínimo de apreço.

Vamos ver se eu consigo exemplificar direito.
Não falo com a minha mãe desde 2002. E o início dos motivos para cultivar mágoas dela remontam 1983. Depois, ficaram muito fortes desde 1994. 1999 foi um ano difícil para nossa relação e 2002 foi o que qualquer um tomaria como gota d'água.

Eu sou o contrário dela. Enquanto ela (assim como toda "mulher moderna") é uma "alma livre", eu ainda sou altamente dependente. Eu sou movido a incentivo, acompanhamento, dedicação, elogio e presentes. Ela só pôde me oferecer um tratamento de "te empurro do ninho torcendo para que tu aprenda a voar... e estou te fazendo o melhor pra ti, seja agradecido!".

Mas, mesmo com tudo isso, o esforço para ficar longe da minha mãe é tremendo.

"Ah Arthur... Mas mãe é mãe... Normal tu sentir isso..."
Ok. Outro exemplo, então.

Eu fui humilhado pela minha primeira namorada. Nos conhecemos, ficamos e ela me virou as costas depois de um dia. Eu? Eu me apaixonei para a vida inteira. Passei um verão inteiro correndo atrás dela. No ano seguinte, levei um amigo para veranear umas semanas comigo. Mesmo comigo tendo declarado todo meu amor por ela, ela FICOU com esse meu amigo.

Para muitos, é o suficiente para nunca mais olhar na cara.

Mas não. O anormal aqui passou um ano chorando por ela. No outro verão, eu estava decidido a não olhar nem na cara. Mas no primeiro olhar ela correu até mim, pulou nos meus braços e ficou comigo quase um mês. Então, parou de ficar comigo.

Ok, agora você acha que eu parei de gostar dela? Não... O candidato à um leito de hospício correu atrás, insistiu, brigou com ela, até ela assumir nosso namoro. Um ano de namoro declarado e à distância. Chegamos no outro ano, tivemos o pior e mais difícil mês das nossas vidas e ela... Ao invés de se manter ao meu lado... Foi ficar com outro amigo meu.

É, eu tinha que parar com a minha burrice, não é? Mas não é burrice, amigo, é doença. É um problema. Não é que eu só lembre dos momentos bons. Estou citando os ruins aí. É só ler. Só que a minha doença só me faz lembrar dos momentos bons. Do sorriso fácil.

"Ah Arthur... Mas esse foi o teu primeiro amor... É claro que tu vai lembrar com carinho, ainda mais depois de tanto tempo..."

Ok, amigo. Vou pegar pesado, então.

Minha última namorada me traiu mais do que você pode imaginar do que alguém possa ser traído.
E eu não estou falando SÓ de traições com outros homens e mulheres. Perdoar isso é relativamente fácil. Deslise momentâneo, pede perdão... Para o maluco aqui passa batido e vamos em frente.
Trabalhar no prédio ao lado do dela por vários meses sem almoçar NENHUM dia juntos... Sabendo que está sendo corneado... Tranquilo. Masoquismo puro. Estágio de loucura a ser estudado por especialistas.

As piores traições não foram essas. Essas se mata no peito. Rebaixa-se mais um pouco do orgulho.
O pior mesmo foi ela ter me deixado seis anos construindo o NOSSO relacionamento sozinho. Ela se colocou no papel "eu estou deixando que o relacionamento aconteça". Não levantou um mísero tijolo emocional para levantar nosso castelo. Não opinou na planta, não disse nem qual estilo queria. Começou a me trair no início de tudo.
Mas ainda tem mais. Não satisfeita em não participar, passou a sabotar. Passou a não dar pistas, a não participar e a se fechar no próprio mundo. Por anos a fio, não me convidou para participar do seu próprio mundo. Muito embora eu tenha ajudado a construir o mundo dela.

Sim, eu me sacrifiquei para endeusá-la... Enquanto ela me tratava com menos consideração do que qualquer outro.

Em um surto de sanidade, eu terminei com ela. E ela pareceu sentir-se aliviada! Duas míseras frases de "eu não quero que acabe" e um silêncio profundo vindo dela.

Mas eu tive uma recaída. Na verdade, voltei à minha condição patológica natural. Voltei para ela. Tudo seria diferente. Enchi ela de presentes. Passei a fazer mais ainda, querendo que ela se interessasse por mim.

NADA. Só mais distância, mais silêncio e mais indiferença. Tipos de traição que você não sabe o quanto dói.

Interessante é o que ela reclamava de mim. Que eu não sou legal, que eu sufocava ela, que eu tratava ela mal, que eu não bancava ela... Mesmo eu lambendo o chão em que ela pisava. Mesmo eu economizando cada mísero centavo que poderia, deixando de pagar minhas contas, de comprar roupas, sapatos, celulares, computadores... UM COLCHÃO!!! ou até mesmo comprando comidas mais baratas... Só para garantir para ela as coisas que a fariam feliz...

De morar juntos na casa dela, passamos a nos ver só a noite, só nos finais de semana, só de sábado para domingo, só duas horinhas por final de semana... Só um final de semana sim, um não... dois não... três não... Um final de semana sim, dois meses não...
Perdi espaço para duas noites de futebol, uma de faculdade, duas de chopp com amigos gays, o dia inteiro de sábado para o salão de cabeleireiro, a noite de festa com os amigos gays dela, uma manha de domingo aonde ela precisa dormir e uma tarde de domingo aonde ela passa mal (também, tanta festa, álcool e drogas... quer ficar como?).

Aí, eu cobro o dinheiro que emprestei para ela e ainda "sei ser maligno".

Mas o pior, pior mesmo, é ser um anormal que continuo gostando dela. É saber de todo esse mal que ela me faz. É saber que o natural seria eu mandar uma praga dessas para a puta que a pariu e criou alguém tão hedionda e hedonista assim. O certo seria eu chacoalhar a poeira e ir procurar alguém que queira cuidar de mim. 

Mas não... O doido varrido aqui é digno de pena. Um caso tão perdido que, talvez, a unica solução seja sacrificar. Eu só consigo lembrar do sorriso, do olho brilhando. Eu tenho nos dedos e na ponta da língua os oito momentos plenamente felizes que tivemos. E eu desejo reviver cada um deles eternamente.

Como eu disse lá em cima, eu não "coisifico" as pessoas. Quando eu te pergunto "como vai?" eu quero a ficha completa. Eu só consigo brigar com alguém quando essa pessoa está prejudicando a uma terceira. E, mesmo assim, depois de brigar com esse alguém, é bem capaz de eu querer fazer as pazes e seguir a vida.

"Eu não consigo odiar ninguém". 
- Humberto Gessinger.

E eu sei que isso está errado em mim. Eu sei que eu tenho motivos de sobra para não falar com o Leandro, com o Cláuder, com o Kado, com meu pai, com minha mãe e com tantas outras pessoas nesse mundo. Em contrapartida, eu sei que eu fiz mal (sem querer) para algumas pessoas e tudo o que eu mais queria era poder reparar cada erro meu.
Eu sou um pirado que precisa de algum medicamento forte, talvez até uma lobotomia qualquer... Daquelas que fazem o paciente babar vestindo uma camisa de força dentro de um quarto acolchoado para o resto da vida.

Eu tenho amor demais dentro de mim. E as pessoas de quem eu gosto não deixam que eu o manifeste. Essas pessoas não cuidam desse sentimento que eu tenho por elas. Cultivar? Fazer crescer? Que nada! Viram as costas e querem mais que eu "as deixe em paz".

Se alguém souber de algum tratamento, eu agradeço que mandem para meu e-mail (alsssg@gmail.com).
Por enquanto, o único tratamento que eu conheço é o de esperar que as pessoas que eu gosto passem a cuidar de mim. O que, convenhamos, é um devaneio esquizofrênico gerado pela ausência de sanidade na minha mente.