terça-feira, 24 de março de 2015

O jogo da imitação

Antes de mais nada, um filme raso.

Desculpem, mas não é um filme com profundidade. Não é um filme que inspira pensamentos. Não é um filme sequer interessante.

Se você sabe alguma coisa sobre a segunda guerra mundial, o filme não é nem instrutivo.

Basicamente, o filme mostra a realização de vida de Alan Turing. Para quem não sabe, Alan Turing criou o que podemos chamar de primeiro computador moderno, durante a segunda guerra mundial.
Entretanto, se você desconhece detalhes da segunda guerra mundial mas gosta do tema, esse filme até pode prender a sua atenção.

Particularmente eu achei previsível. Por já conhecer um pouco da história o filme foi até enfadonho. Exploram pouco da inteligência do personagem, pouco da história de vida dele e pouco do seu trabalho.

A sensação que dá é que o filme poderia ter mais cenas, ser mais elaborado.




O filme intercala três momentos da vida de Turing. Detalhes de infância, o trabalho de sua vida e uma investigação da polícia sobre Turing após o término da Segunda Guerra Mundial.

As passagens da sua infância, todas em um colégio interno só para meninos, servem para mostrar ao público como Turing sempre foi diferente. Mais inteligente, mais concentrado, sua relação estreita com seu amigo Christofer e o descobrimento da sua homossexualidade.


As passagens após a guerra servem para criar um tom de narrativa sobre o filme. Todo o filme realmente se passa após um roubo à casa de Turing. Nada foi levado, Turing não presta queixas, mas os policiais tentam entender a história. Cumprindo sua investigação, o policial chama Turing para depor e, então, Turing conta sobre o seu trabalho secreto para o MI6 durante a Segunda Guerra Mundial. Essas passagens são tão mal feitas, que se você não prestar a atenção, é capaz até de se perder durante o filme.


A passagem principal do filme mostra um Turing genial e desprovido de habilidades sociais iniciando um trabalho secreto para o exército da Inglaterra. Qualquer semelhança com o Sheldon é mera coincidência.

Basicamente, Turing e um grupo de especialistas foram contratados para quebrar o código da máquina de codificação Enigma, dos Nazistas.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a comunicação ainda era feita através de código morse e rádio. Essas transmissões eram facilmente interceptadas. Não era uma boa ideia passar informações sigilosas de guerra por estes canais. Então os alemães criaram uma máquina com mais de 157 trilhões de possibilidades de configuração para criptografar as mensagens.

A inteligência britânica logo notou que decifrar essas mensagens seria o caminho mais curto para a vitória na guerra.

O grupo inicial tentava decifrar os códigos por tentativa e erro. O que, convenhamos, é muito amador.
Desde o início, Turing apostou em sua máquina. Fez todos os esboços e o projeto. Sua máquina custaria uma soma absurda. Seu superior não aceitou os valores. O general não aceitou os valores.
Turing se comunicou diretamente com Churchill e, assim, conseguiu não só ser promovido a chefe do grupo, mas todo o dinheiro necessário para criar a sua máquina.

Turing demite os dois linguistas da sua equipe e contrata dois matemáticos através de um jogo de palavras cruzadas no jornal.

Uma delas é Joan Clarke.

Uma brilhante matemática que auxilia Turing não só com as resoluções técnicas, mas com os aspectos sociais, também. O que Turing mais sofria era com a antipatia que a equipe tinha com ele. A equipe não ajudava Turing com a sua máquina.

Essa foi uma parte muito engraçada, para mim. A estratégia que eu uso enquanto líder de equipe é justamente levar comida e contar piadas. E as duas coisas que Turing faz para começar a se enturmar é levar maças e contar uma piada, todo sem jeito...

Com ajuda de Joan, a equipe se engaja e conseguem fazer a máquina funcionar.

Nesse meio tempo, Clarke sofre com o preconceito da época para mulheres que querem trabalhar e não casam. Turing a pede em noivado para conseguir manter sua companheira de trabalho.

O próprio Turing sofre porque muitos notavam sua homossexualidade, o que era crime na época.

Inclusive Turing foi preso e acabou se suicidando por causa disso.



No geral eu gostei do filme, apesar dele não conseguir completar nenhum dos argumentos a que se propôs. A máquina não é explicada em sua totalidade. As táticas de inteligencia e espionagem do MI6 não são explorados completamente. Os aspectos da vida de Turing são muito mal abordados para chamarmos de uma biografia. A Segunda Guerra Mundial passa ao largo do centro do filme. Nem a investigação dos policiais é densa o suficiente para fazer o gênero do filme ser policial.

Mas, contudo, é uma boa diversão. Talvez por ser leve o filme é até divertido. Valeu a pena assistir.