quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Liga da Justiça

Antes de mais nada, deixe eu me apresentar.
Eu sou o Arthur. O Arthur colecionou cada gibi lançado no Brasil do Homem Aranha entre 1989 e 2002. Quando a Saga do Clone acabou e a Marvel fez um reboot do Amigão da Vizinhança, eu pensei que largaria os gibis de vez.


MAS... Esse foi mais ou menos o período em que Grant Morrison assumiu a Liga da Justiça.
Antes, eu achava o grupo muito fraco. Inconstante. Formações esquisitas, com heróis questionáveis e uma vontade gigantesca de focar no "clubinho de heróis" com muito humor me afastavam da Liga da Justiça.
Mas Grant Morrison mudou isso tudo. Trouxe os heróis mais populares da época para a equipe. E fez com que esses heróis se encontrassem apenas para resolver problemas que sozinhos não seriam capazes.

E, nossa... Eu não sei explicar o quanto meus olhos brilharam quando eu vi pela primeira vez uma Liga dos Melhores do Mundo reunidos para resolver casos que envolviam ciências, mistérios, raciocínio lógico, tramas muito bem desenhadas, desafios impossíveis de vencer e vilões tão fortes que nos fazia temer pelo pior.

Eu virei um fã de carteirinha da Liga da Justiça.
Eu fiz questão de consumir até o último material lançado sob a tutela de Grant Morrison.
Não o bastante, me mantive fiel à equipe nos terríveis Novos 52.
Vibrei com o universo paralelo de Injustiça: Deuses entre nós.
E estou adorando o Renascimento.

Nisso tudo, já se vão 15 anos de gibis, tomando cada vez mais e mais espaço nas estantes.

Posto isso...

Hoje eu fui lá assistir - pela terceira vez - Liga da Justiça.

Eu vou confessar que estava com medo deste filme.
Por conhecer tão bem o Homem Aranha, eu simplesmente odiei todos os seis filmes do aracnídeo. Pra não dizer que todos os filmes são ruins, a cena do ladrão de carro no Espetacular Homem Aranha 1 é boa. Só ela.

E eu temi que acontecesse o mesmo com a Liga da Justiça. Eu conheço bem demais a dinâmica da equipe. Eu sei o comportamento dos personagens.

Mas o frio na barriga pela possível decepção passa nos primeiros minutos de filme e dá lugar ao mais perfeito brilhantismo.

Por problemas pessoais, Zack Snyder precisou se afastar no final da produção da Liga da Justiça. E a DC correu para buscar Joss Whedon. Joss trouxe toda sua bagagem dos dois filmes dos Vingadores. Refilmou 35 milhões de dólares em cenas. Removeu o caráter escuro e depressivo do universo cinematográfico estendido da DC. Se aproveitou descaradamente do sucesso do filme da Mulher Maravilha - para nosso bem, muito obrigado! E nos entregou um filme primoroso.

Esqueça o que você leu por aí de ~entendidos~ de cinema: Liga da Justiça é um filme EXCELENTE!


Continuamos vendo o Batman de Frank Miller. O Cavaleiro das Trevas continua implacável, amargurado, atirando em vilões e explorando cada centavo de sua fortuna na luta contra o mal. A dinâmica do Morcego dentro da Liga é exatamente aquilo que nós esperamos: ele é o cérebro da equipe. É quem une todos em torno do objetivo comum. Ele orienta os demais.


Há alguns anos uns colegas ~entendidos~ diziam que a Mulher Maravilha jamais funcionaria em filmes. 2017 veio e - por DUAS vezes - vimos que Diana não só funciona como fica confortável em qualquer história. A Mulher Maravilha é tão excelente no filme que rouba a cena. No primeiro ato você pode inclusive se confundir e achar que está assistindo Mulher Maravilha 2.


Sobre o Aquaman eu vou tecer uma crítica: o cabelo loiro faz parte do personagem e isso me incomodou em Liga da Justiça. Eu realmente espero que o filme solo do Rei de Atlântida explique muito bem essa característica.
E essa é a ÚNICA crítica que QUALQUER UM fará ao Aquaman depois de Liga da Justiça. Porque nesse filme vemos a real extensão do poder de Orin.
Mera aparece em uma cena e tudo na personagem é grandioso. Ansioso para ver mais!


A Liga conta com um Flash inexperiente. Um Barry Allen com a personalidade do Wally West do desenho da Liga da Justiça. Esse Barry não existe nos gibis. Mas o seu ponto de vista humano nos aproxima do personagem. Ele tem medos. Ele tem receios. Ele não tem amigos, tem problemas reais para resolver que a supervelocidade não ajuda. Esse Flash coube muito bem na Liga da Justiça. E o que mais me agradou foi que a DC não copiou nem os efeitos do Mercúrio da Fox, tampouco os efeitos do Mercúrio da Marvel. Os poderes do Flash foram retratados de modo original.

E temos o Cyborg. Ok, vamos lá, eu não sou fã do Victor. Pra mim, ele faz parte dos Titãs. Eu não vejo a menor graça no personagem. Mas eu dou o braço a torcer: em um mundo cada vez mais controlado pela tecnologia, os poderes do Cyborg fazem dele indispensável para a Liga da Justiça. No filme, vemos o Cyborg saltar diretamente da fase amargurada dentro de casa, se achando um monstro, para o membro indispensável da Liga da Justiça, salvador de mundos. Certamente precisaremos ver mais do Victor para julgá-lo como merece.

E esse é o principal ponto do filme: a DC escolheu por mostrar primeiro as equipes e depois os personagens. Até dá pra entender porque fizeram isso: se começassem com os filmes individuais, seriam acusados de copiar a fórmula da Marvel.

E eu vou contar que está me agradando muito a sequência. Porque os elementos mostrados em Super Homem, Batman Vs Super Homem e até mesmo em Mulher Maravilha construíram uma história sólida para o primeiro filme da Liga. Há um cerne, um roteiro aonde as peças vão se encaixando. E os filmes solos dos heróis provavelmente só ampliarão as ramificações, enriquecendo a história principal. 
Bem diferente dos filmes solos dos heróis da Marvel, que nada ou muito pouco contribuem para as histórias dos filmes dos Vingadores.
Você conseguirá entender o Universo Cinematográfico da Marvel sem assistir o Hulk, o Homem de Ferro 1 e 3 e o Thor 1... Mas jamais conseguirá entender o Universo Cinematográfico da DC sem assistir todos os filmes.

Liga da Justiça tem humor na medida certa.

Por óbvio, assim como todas as histórias em gibis e desenhos, os Melhores Heróis do Mundo descobrem com certa facilidade o que precisam fazer para deter o vilão e atingem o objetivo com certa facilidade.


Sim, desculpe o spoiler, mas é parte importante para análise do filme, para derrotarem o vilão a Liga precisa reviver o Super Homem.
E o Super Homem volta dos mortos mais decidido. Mais consciente do seu papel no mundo. Até que enfim aquele escoteiro cheio de dúvidas dá lugar ao Homem de Aço que todos nós conhecemos.


O vilão do filme... Bem... Steppenwolf tem poder para destruir o mundo, mas desde as primeiras cenas dá pra sacar que a Liga vai chutar a bunda do novo deus. Sendo bem sincero, parece que só a Mulher Maravilha e o Aquaman dariam conta dele.
O vilão é tão desprezível que o segundo ato - o retorno do Super Homem - é feito sem que o vilão dê as caras. Parece que os heróis simplesmente dizem "tá, ok, espere ali no canto que a gente já vai te derrotar..."
Li algumas resenhas criticando o vilão feito em CGI. Eu não tenho o que reclamar. Claro que eu gostaria de algo mais próximo do Steppenwolf dos gibis, mas o resultado na tela ficou muito bom.


Bem, já que eu soltei um spoiler, a falta dele no texto já é o segundo: não temos Lanteras Verdes no filme. Há um flashback da primeira batalha de Steppenwolf na Terra, contra Amazonas, Atlantas, Homens e Deuses... e dois Lanternas Verdes aparecem. Só. Lá no passado. Nada de Lanternas Verdes no presente. (Eu torço para que usem o Kyle Rayner!)

Liga da Justiça tem DUAS cenas pós-créditos.
A primeira é bem boba, quase irrelevante.
A segunda, lá depois de todos os nomes, é importantíssima. Fique. Assista. Saia do cinema com a cabeça fervendo pensando: "quem fará parte do grupo???"

Liga da Justiça é um excelente filme, são duas horas de diversão garantida.
Altamente recomendado!

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Filmes 2018

2018 está chegando e já temos todo um roteiro de estreias de filmes para acompanhar no próximo ano.

Dos 12 meses do ano, o público nerd ficará sem opções de filmes em apenas 3 meses: janeiro, agosto e setembro.
Nos demais meses, teremos muitos filmes que prometem ser excelentes!

15 de fevereiro - Pantera Negra (Black Panther, Ryan Coogler, Estados Unidos)
Marvel. Não precisa dizer mais do que isso. Esse será um filme interessante, pois o Pantera já foi apresentado em Guerra Civil. A "fórmula Marvel" de apresentar um personagem com defeitos, mostrar a queda e a redenção até se transformar em herói não poderá ser repetida. E o Pantera não é tão conhecido quanto o Homem Aranha para poder pular apresentações necessárias do personagem, sua família e amigos, história, inimigos, etc...

22 de março - Círculo de Fogo: A Revolta (Pacific Rim: Uprising, Steven S. DeKnight, Estados Unidos)
Eu vou confessar que não sou o maior fã de Círculo de Fogo. Mas não vou cair na bobagem de dizer que não é um bom filme. É ação de primeira qualidade.

12 de abril - X-Men – Os Novos Mutantes (The New Mutants, Josh Boone, EUA)
A Fox vem acertando. Deadpool e Logan foram filmes excelentes. Eu estou com expectativas bem altas quanto aos Novos Mutantes.


26 de abril - Vingadores: Guerra infinita (Anthony Russo, Joe Russo, Avengers: Infinity War Part I, Estados Unidos)
Este é O FILME que TODOS esperam de 2018. E nada mais precisa ser dito.

17 de maio - Slender Man (Sylvain White, Slenderman, Estados Unidos)
Eu não gosto de filmes de horror. Eu perco muito facilmente a conexão com o filme quando o mocinho faz algum ato ilógico. E filmes de terror são recheados de mocinhos correndo pra fora da casa sabendo que o monstro está à espera. Eu passo a torcer para o vilão. E em vez de me assustar com o filme, eu começo a rir.
Mas Slender Man é diferente. É um monstro moderno, de uma fábula moderna. Uma fábula bem amarrada, bem escrita.
É difícil um filme de terror me levar ao cinema. Esse já conseguiu.

24 de maio - Han Solo (Christopher Miller, Estados Unidos)
Eu sou um fã. Eu quero serviço. E bastante. De primeira. TÔ PAGANDO, CACETA!


31 de maio - Deadpool 2 (David Leitch, Estados Unidos)
Em um ano que veremos todos os Vingadores se reunindo para enfrentar Thanos, Deadpool 2 chega para disputar o melhor filme do ano.

21 de junho - Jurassic World – O Reino Está Ameaçado (Jurassic World – Fallen Kingdom, J.A. Bayona, Estados Unidos)
Sim. Viajão bagarai. Mas admita: você também gosta de ver os dinossauros matando pessoas!

28 de junho - Os incríveis 2 (Brad Bird, Estados Unidos)
O único filme que a Pixar estava devendo aos fãs. Até que enfim foi lançado!

5 de julho - Homem-Formiga e a Vespa (Peyton Reed, Ant Man and the Wasp, Estados Unidos)
Eu adoro filme de heróis e, pra mim, quanto mais, melhor. Podia ter um por semana, eu não ficaria chateado, não. Pobre, sim. Chateado, nunca. Mas eu realmente espero que a Vespa roube a cena, porque o Homem Formiga não precisa de mais filmes solo. A não ser para rirmos com o Luis explicando as coisas!

4 de outubro - Venom (Estados Unidos)
Ah Sony... Por favor, não destrua mais um dos meus ícones da adolescência, por favor!

1º de novembro - X-Men – A Fênix Negra (X-Men - Dark Phoenix, Simon Kinberg, EUA)
Tô só pela cena do Mercúrio.

15 de novembro - Animais fantásticos e onde habitam 2 (David Yates, Estados Unidos, Reino Unido)
Falhe miseravelmente em mentir que você não gosta e não acompanha Harry Potter que eu falho miseravelmente em fingir que acredito.


20 de dezembro - Aquaman (James Wan, Estados Unidos)
Quero só ver vocês zombando do Aquaman depois desse filme.


Essa é a minha lista de filmes para assistir no cinema em 2018.
Concordam?
Discordam?
Colocariam ou tirariam algum filme da lista?

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Thor Ragnarok

Então eu fui lá assistir ao Thor Ragnarok.

A Marvel sempre teve muito respeito pelo personagem Thor. Os dois primeiros filmes do herói e todas as suas aparições em outros filmes trataram o deus do trovão com muita seriedade. Desde o Thor irresponsável do primeiro filme, passando pela ampliação da história do herói no segundo filme, pelo Thor em grupo nos Vingadores até o Thor misterioso na Era de Ultron.

Nesse filme, vemos um Thor maduro em uma história cheia de reviravoltas.

O filme é tão intenso que "leva" o Thor pelo enredo. Parece que o filho de Odin "surfa" o filme, buscando fazer o máximo que pode com cada plot twist jogado contra ele.

De certo modo, salvo as devidas diferenças, Thor Ragnarok me lembrou muito Piratas do Caribe: a Maldição do Pérola Negra. Assim como Jack Sparrow, Thor tem um objetivo. Mas nenhum dos dois têm controle sobre o que acontece. O máximo que fazem é tentar aproveitar as chances, usando o máximo das suas habilidades para torcer a maré a seu favor.

Thor Ragnarok é um filme engraçado.
Na primeira vez que assisti saí do cinema com aquela sensação boa de ter gargalhado por mais de duas horas seguidas.
Na segunda vez que assisti, restou a sensação de piadas infantis. O primeiro Guardiões da Galáxia conta com piadas que não perdem a graça mesmo depois de ter assistido o filme. Na minha opinião, ver o Groot matar com extrema facilidade 20, 30 soldados e olhar para os companheiros com expressão de "fiz direito?" é hilário, não importa quantas vezes eu assista essa cena. Ela está inserida na personalidade do Groot. E ela cai como uma luva na cena. Tudo encaixa com perfeição e leva o espectador ao riso. Thor Ragnarok me deixou com o sentimento de piadas forçadas. Quase "praça é nossa", sabe? A tentativa de desenvolver um diálogo entre Thor com um Hulk conversando como se tivesse 5 anos de idade me lembrou o Ross de Friends tentando passar cantadas em mulheres.

Thor Ragnarok segue a tendência dos filmes da Marvel em trazer ambientes coloridos e "viagens espaciais abstratas". Assim como em Homem Formiga e Dr Estranho, Thor Ragnarok mostra animações 3D fantásticas e psicodélicas. Embora a fotografia não seja a melhor dos filmes da Marvel, ver Asgard plana flutuando no espaço foi de tirar o fôlego!

A escolha do elenco também ficou excelente. Thor Ragnarok complementa Capitão América: Guerra Civil e Guardiões da Galáxia Vol.2 ao envolver os personagens que não apareceram em nenhum destes filmes.

Eu não preciso tecer muitos comentários sobre Thor e Loki. Os irmãos persistem em sua conturbada relação. Thor aprendendo a ser menos crédulo em Loki e Loki achando um caminho de redenção. Obviamente, é interesse dos roteiristas persistirem essa relação de amor e ódio. A relação entre os dois, aliás, que faz o filme ter tantas reviravoltas o tempo inteiro.

Anthony Hopkins rouba todas as cenas aonde aparece. Sem exceção. De novo.
Dr Estranho aparece no início do filme para ajudar Thor e Loki. E se não notamos a extensão dos poderes do mago supremo da Terra em seu primeiro filme, em Thor Ragnarok ficamos com a impressão que Stephen sozinho conseguirá dar conta de Thanos.
O Hulk foi um personagem overpower com idade mental e emocional de 5 anos. Lembrou muito o Drax de Guardiões da Galáxia Vol.2. Mas eu confesso que a cena do Hulk batendo o Thor no chão igual fez com Loki em Vingadores e a cena final do Hulk querendo enfrentar Surtur foram... hilárias.

A Valkiria me empolgou na primeira vez que assisti. Tessa Thompson pareceu intensa, dona da situação, poderosa... Mas ao assistir novamente eu vi um personagem com falhas. Alguém que mudou de opinião muito facilmente. Um personagem sem profundidade, apenas com muito poder.

E por falar em decepções, Jeff Goldblum interpretou um Grandmaster que beirou o patético. A sensação foi de um "vilão alívio cômico".
Mas nada supera o Executor. Para alguém que recebeu tanto tempo de trailer e tela, o personagem raso nitidamente apenas "encheu linguiça". Ainda não sei porque Hela o aceitou como "braço direito"...

Profundidade, aliás, eu faço questão de ressaltar a Hela. Cate Blanchett é uma atriz sublime e todos nós sabemos disso. Mas Hela foi um papel formidavelmente escrito. A Marvel tem o defeito histórico de não cuidar bem dos seus vilões. Diferentemente da DC, a Marvel cria motivações fúteis para os antagonistas dos nossos heróis. Dificilmente o espectador cria o mínimo de empatia com o vilão, sequer entende a sua causa. Essa falta de conexão faz com que o vilão não possua sentido e o espectador apenas espere pelo momento que o herói surra o bandido.
Mas Hela tem toda uma história, todo um contexto, toda uma motivação que por vezes faz você torcer pela vilã. E a Marvel caprichou na deusa da Morte: Hela é praticamente um "NEO malvado". Ela é um arsenal ambulante, uma exímia lutadora e ela é imortal.

Mas apesar de todos esses brilhantes personagens, a segunda vez que assisti Thor Ragnarok eu prestei mais atenção no Heimdall. E o guardião da Bifrost esteve sublime em seu papel. Idris Elba foi soberbo e, se olharmos friamente o enredo do filme, Heimdall é o verdadeiro herói que salvou Asgard.


Disseram que Thor Ragnarok foi o jeito que encontraram para a Marvel fazer um filme do Hulk, visto que os direitos do golias esmeralda está com a Universal. Eu não achei isso. Muito pelo contrário, pareceu-me que o Hulk apenas fora "encaixado" no filme para garantir meia hora a mais de película.

A única joia do infinito que aparece em Thor Ragnarok é o Tesseract. Ou seja, toda aquela teoria de que Heimdall seria a joia do espírito por enquanto não se comprovou.

A cena da luta final é intensa e dura pelo menos uns 20 minutos. Os efeitos especiais são de tirar o fôlego e as coreografias de luta são excelentes. A Marvel entregando entretenimento da mais alta qualidade, mais uma vez.

Thor Ragnarok possui DUAS CENAS PÓS-CRÉDITOS. 
Sim, você precisa ficar até o final. Mas a segunda cena é meio decepcionante.

Em minha opinião, Thor Ragnarok recebe um terceiro lugar na lista de melhores filmes de heróis de 2017. (Isso até que estreie Liga da Justiça.)


Eu sei que tradicionalmente eu conto o filme inteiro ao final da resenha sem spoilers.
Mas Thor Ragnarok é muito intenso. É um filme com reviravoltas o tempo inteiro. Assim, qualquer ponto que eu esqueça já vai fazer com que toda a resenha fique torta. Eu realmente aconselho ir assistir nos cinemas. 

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Cervejas da Terra Média!

Cory Freeman imaginou como seriam os rótulos das cervejas da Terra Média!
O resultado do trabalho ficou fantástico!
Se você procurar pelo nome dele no google, encontrará diversas lojas on line que usam a arte dele para estampar camisas!




sábado, 7 de outubro de 2017

Às vezes o trabalho não é fácil

Vocês sabem, eu não gosto de postar histórias de gibis.
Como fã dos quadrinhos, eu realmente espero que cada um de vocês prestigie o trabalho das editoras e compre os HQs. Lembrem-se que a MARVEL faliu na década de 90. Que a DC perdeu dezenas de excelentes profissionais na década de 80. Tudo por problemas financeiros. Portanto, ajude.

Mas, às vezes... Às vezes a história é boa demais e eu me sinto obrigado a postar para o maior número de pessoas lerem.

O poder desse guri só não é mais sensacional do que a história.



segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Setembro Amarelo: Suicídio

É. Eu sei, amigo. Faz tempo que eu não escrevo, aqui.
É. Eu sei, amigo. Eu deveria escrever mais, aqui.

Muita coisa mudou na minha mente desde o tempo que eu costumava despejar opiniões aqui no Ponto Final!.
Não, eu continuo vendo a vida daquele modo particular que só eu vejo.
Mudou em mim foram os dados que uso de base para emitir opiniões. E você sabe: eu não tenho compromisso com nenhum dado; se hoje aparecer uma evidência melhor do que as que eu uso, sem a menor cerimônia eu abandono o dado ruim e passo a usar o dado melhor.
E, como via de regra, se mudam os dados, mudam as conclusões. E se mudam as conclusões, as opiniões mudam.

Por exemplo: nesses anos eu acumulei dados o suficiente para entender que a LIBERDADE é a única coisa pela qual vale a pena morrer lutando para defender.

E quando eu falo de "liberdade" eu me refiro a TODAS AS LIBERDADES.
Cada uma delas.
Desde a liberdade dos drogados em usarem as suas drogas - mesmo eu não gostando de drogas -, passando pela liberdade de quem quer ter armas de possuir suas armas - mesmo eu não vendo motivos para ninguém ter armas -, passando pela liberdade de cada pessoa do mundo - a menor minoria, menor que raças, religiões, sexos, orientações sexuais, etc... - até as liberdades econômicas das pessoas - porra, eu lutei pelo dinheiro, deixe eu usufruir dele!

Quanto a suicídio?

Bem, muitos de vocês que chegaram até aqui estão lendo porque estão pensando em se matar.
Não, eu não vou tentar tirar essa ideia da sua cabeça.
Mas eu vou entrar nesse assunto citando a melhor definição de suicídio de todas:


"Suicídio é uma solução permanente para um problema passageiro."


Eu gosto dessa definição porque ela toca na palavra-chave do suicídio: problema.

Como diz o Louis CK em seu standUp: "Suicídio é a solução perfeita para todos os seus problemas e para todos os problemas do mundo!".

E é verdade. Se você se suicidar assim que terminar esse texto, TODOS os seus problemas somem. Em um estalar de dedos. E vou além: muitos dos problemas que VOCÊ traz para o mundo somem junto.

MAS...

Pense comigo por um instante...

A vida não é nada mais do que uma fila interminável de pequenos problemas, os quais estamos motivados a resolver.

Desde que nascemos, a vida nada mais é do que uma sucessão de dias que nos levantamos dispostos a resolver os problemas que a vida coloca à nossa frete.

Todos nós já tivemos o grande problema de conseguir o chocolate antes da janta. De ter que passar de ano pra ganhar um presente do papai noel. De ter que juntar coragem para falar com aquela gatinha do colégio. O imenso problema de precisar sair de noite para estar na festa aonde aquele gatinho vai e os pais não deixarem. O gigantesco problema de ter que escolher o vestibular. O incomensurável problema de conseguir um emprego. O problema de ter uma moto ou um carro pra poder enfrentar o problema dos buracos e engarrafamentos das nossas cidades. O problema mensal de pagar o aluguel ou o financiamento de onde você mora. Os problemas daqueles boletos que chegam mês após mês. O problema de você não conseguir conquistar a pessoa da sua vida e viver procurando ela em outras pessoas... ou o problema maior ainda de você conseguir conquistar a pessoa da sua vida e precisar reconquistar ela todos os dias. O problema de ter fraldas para trocar e cólicas para tratar no meio da madrugada, enquanto você precisava dormir para chegar bem no trabalho e resolver aquele problema daquela apresentação que pode te dar aquela promoção que você queria. O problema de você conseguir a promoção e precisar lidar com mais e mais problemas. O problema de você não ter tempo para respirar e, mesmo com o patrão torrando o saco e as crianças gritando dentro de casa, você ter que escrever sua monografia para tirar seu diploma. O problema do final de semana na casa da sua sogra. Os problemas do seu país que te deixam maluco. Os problemas do seu estado que te deixam furioso. Os problemas da sua cidade, violência, preços altos, malucos no trânsito, falta de opções de coisas legais para fazer... Os seus filhos que querem bonecas, carrinhos, bicicletas, animais de estimação, jogos, vídeo-games, começar a sair de noite... Nossa, será que sua filha vai engravidar sem querer em uma dessas festas? A idade que começa a chegar. O Imposto de Renda que te come pela perna e não aceita o recibo do dentista que colocou aparelho nos seus filhos. O problema da família que quer uma casa na praia. O exame de próstata ou a mamografia, que eram motivo de piada até uns anos atrás, passam a ser o problema da visita periódica ao médico. O problema dos seus filhos adolescentes que se transformaram em pequenos demônios. O surto dos seus filhos com coisas pelas quais você já passou. O problemão de você não conseguir (e nem saber como!) explicar para seus filhos que os problemas deles não são o fim do mundo. O problemão de você tentar explicar (e não saber como!) para seus filhos que as certezas deles são injustificadas e que eles precisam tomar cuidado com certas coisas! O problemão de ter que acordar de madrugada para resolver merda dos seus filhos porque eles não te escutam. O problema dos seus parentes mais velhos indo embora, um de cada vez. O imenso problema de você notando que sua hora de acertar as contas está visível no horizonte...

A vida, amigo, é uma sucessão de problemas.

E muito mais do que os SEUS problemas, a vida é uma sucessão de problemas das outras pessoas.
Vivemos em um sistema capitalista. 
As pessoas têm necessidades diárias. Comida, abrigo, agasalho, comunicação, transporte, educação, diversão, sexo, etc...
Nosso valor é medido através da nossa capacidade de resolver os problemas das outras pessoas.

Anote aí: Quanto mais problemas de mais pessoas você consegue resolver da melhor forma possível, mais você vale.

Há um motivo pelo qual o padeiro do seu bairro é mais bem quisto do que o vagabundo do seu bairro. O padeiro acorda cedo, compra com o próprio dinheiro os ingredientes e máquinas para fazer o pão. Ele emprega pessoas do seu bairro para ajudá-lo nas tarefas da padaria. Quando você acorda, o padeiro já tem pães quentinhos prontos. 
Quando o vagabundo acorda, todos os pães já foram vendidos.
A diferença entre os números da conta corrente do padeiro e do vagabundo mostram exatamente o esforço em resolver problemas da comunidade que cada um tem.

Nós, seres humanos, só temos um modo de nos tornarmos imortais: através do reconhecimento das soluções dos problemas que resolvemos.

Einstein, Newton e todos os nomes da ciência não são conhecidos por sua inteligência; são conhecidos pelos problemas naturais que conseguiram resolver, abrindo perspectivas para novas tecnologias. As suas soluções para problemas demonstram a inteligência que nós inferimos que eles tinham.

Mozart, Beethoven, Elvis, Walt Disney, James Dean, Helth Ledger, Picasso, Leonardo da Vinci... nossa... todos os grandes nomes de todas as grandes artes. Os nomes deles ainda são lembrados porque eles resolveram muito bem os problemas de entretenimento das pessoas. Alguns deles resolveram o problema tão bem que atraem multidões para verem suas obras décadas, séculos ou mesmo milênios após suas mortes.


E eu não estou falando isso para que você tente se igualar aos grandes nomes da nossa história. 
Existem bilhões de pessoas que resolveram problemas menores e que são lembrados por menos pessoas. Eu certamente vou me lembrar até o último dia da minha vida de várias pessoas que já morreram e não brilharam para o mundo, mas que foram importantíssimos na formação do que eu sou hoje. Pessoas que trouxeram situações que eu encarei como problemas a serem solucionados e me motivaram a superar os meus limites.


O que eu quero te dizer é que eu te entendo.
Entendo que o teu problema é grande.
Entendo que a vida é difícil.
Eu entendo que você não vê perspectiva.
Eu entendo que você chegou a um ponto aonde nada mais faz sentido.
E eu entendo que você está realmente pensando na solução fácil para sair disso tudo.

Mas, amigo, eu vou citar o Super Homem para te dar uma perspectiva.

Há uma história em que o Clark se depara com uma suicida em cima de um prédio, pronta para pular.
Ele passa horas do lado dela.
E, assim como eu, ele diz que entende a decisão dela.
O Super Homem promete que não irá salvar a suicida do salto final se ela responder negativamente à pergunta:


"Se honestamente você acredita, com todo o seu coração, que nunca mais terá um dia feliz na sua vida, então dê um passo no ar. Eu vou manter minha promessa e não vou te salvar.
Mas se você acredita que exista uma chance - não importa o quão pequena ela seja - que possa existir apenas um dia feliz aqui, então pegue a minha mão."


Amigo, a vidá é foda. 
E é pra ser difícil, mesmo.
Se ela fosse fácil, qualquer um conseguiria vencê-la.
E lembre-se que a vida é tão foda, mas tão foda, que mesmo os que parecem vencê-la, um dia morrerão.

São os problemas que a vida te apresenta e a finitude que a vida te impõe que dão sentido para a sua existência.  São os problemas que você precisa resolver urgentemente que fazem o seu coração bater mais rápido. Que te movem para o futuro. São esses problemas que te fazem transformar o mundo à tua volta.
Uma vida eterna sem problemas seria inútil. 
E eu realmente acredito que problemas aparentemente artificiais retiram nossa motivação para enfrentá-los. Essa falta de motivação nos enterra na depressão. E é a depressão de olhar a vida inteira como um complexo sistema de problemas sem sentido e insolúveis que nos leva ao pensamento de suicídio.

A única coisa que eu tenho a dizer pra você é que com um pouco de esforço você pode mudar os problemas que você enfrente. Você pode substituir os problemas sem nexo por problemas que te desafiam. Que te fazem ir pra cama mais cedo porque "amanhã você tem que destruir os problemas que a vida colocar na tua frente!"

Você pode trocar de emprego.
Você pode trocar de família.
Você pode ir morar sozinho em outra cidade, outro estado, outro país, outro continente.
Você pode conquistar aquela pessoa especial.
Você pode largar tudo e ir vender coco na praia ou ir morar no meio do mato.

Você pode substituir esses problemas todos que você não vê sentido por problemas que você se sentirá desafiado a resolver.

Mas eu acredito na liberdade das pessoas.
Enquanto as tuas atitudes não prejudicarem outras pessoas, você deve ser livre para fazer o que quiser.
É como diz o Jim Jefferies: "não existe liberdade maior do que você decidir a sua hora de ir dessa pra melhor".

Portanto, amigo, pense bem sobre sua decisão.
Pense quais são os problemas que te levaram até essa decisão.
Pense se você realmente nunca mais terá um dia feliz na sua vida.
Pense em todos os problemas que você quer resolver e sequer tentou, ainda.

Se, depois de tudo isso, você ainda achar que acabar com tudo é a solução... Eu ainda vou te pedir pra você tentar por mais um dia.

Porque, no final das contas, o mundo inteiro é composto apenas por pessoas que estão aqui, tentando mais um dia. E nós gostaríamos que você trouxesse amanhã suas soluções para os problemas das nossas vidas.

Só mais um dia.
Todos os dias.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Planeta dos Macacos: A Guerra

Então eu fui lá assistir ao Planeta dos Macacos: A Guerra.
Na estréia.
Sim, semanas atrás.
Porque eu só estou escrevendo este texto quase um mês depois de assistir ao filme?

Bem...
Porque foi a pior conclusão de trilogia que eu já assisti na minha vida.

E eu afirmo isso sem a menor sombra de dúvidas: o filme é ruim. Péssimo. Desastroso.
Eu esperei todo esse tempo para não ser injusto. Para não escrever com ódio nas veias. Para não sobrecarregar o texto com as minhas emoções.

Mas mesmo assim, não teve jeito de eu dizer que o filme é bom.
Vou tentar explicar o porquê dessa crítica tão dura.

Eu sempre gostei da mitologia de Planeta dos Macacos. Desde os filmes da década de 60, seriado da década de 70 até a retomada de filmes na década de 90. O argumento do seriado me convenceu. Viagem no tempo resultando em um futuro aonde os macacos são inteligentes e dominam o mundo. É ficção, mas é uma ficção plausível, na minha cabeça. Sim, eu acredito que outras raças possa vir a criar consciência de si, inteligencia superior, gerar linguagem, criar ferramentas, controlar o fogo, desenvolver civilização, etc...

Evidente que a falta de recursos tecnológicos limitava o enredo das histórias do século passado. Não era fácil contar como os macacos ganharam inteligência ou o que levou a raça humana a ser dizimada e escravizada.

Mas essa limitação passou. Hoje em dia o processo de produção de filmes nos permite contar praticamente qualquer história.

E então a Fox lançou Planeta dos Macacos: A Origem.
Eu não vou mentir pra você dizendo que foi um filme sensacional. Mas foi muito bem feito. Adaptaram a história às novas tecnologias existentes. Criaram uma sequência tão crível quanto extraordinária. Gastaram um bom tempo de tela mostrando a formação psicológica de Caesar. E fizeram essa evolução de um modo primoroso. Vemos toda a jornada do herói se desenvolvendo sem que o filme nos agredisse com explicações milagrosas. Planeta dos Macacos: A Origem é conduzido de modo tão suave que você compreende todos os elementos de escravidão, maus tratos, abusos, família, amor, etc... sem receber o peso desses temas.

Então a Fox lançou Planeta dos Macacos: O Confronto.
E, amigo, que senhor filme. Sempre me deixou curioso o modo como todos os macacos inteligentes veneravam Caesar. "O primeiro de nós", diziam. Mas as citações não paravam no aspecto histórico. Todas as menções a Caesar eram acompanhadas de uma carga de interpretação mística, quase divina. Como se os macacos estivesse falando do seu Jesus Cristo. E em Planeta dos Macacos: O Confornto, vemos Caesar deixar de ser apenas "o primeiro macaco inteligente que libertou os demais macacos" para se tornar "o líder da primeira comunidade de macacos inteligentes". A simbologia de Caesar ter "morrido" e, "depois de três dias" ter "ressuscitado" aos olhos dos demais macacos inteligentes é... primorosa.

Então passamos três anos esperando pela continuação.
Pelo fim da trilogia.

Eu fui ao cinema louco para ver como Caesar conduz os macacos inteligentes para o domínio do mundo, após os homens se auto-destruírem.

Porque, afinal de contas, não dá pra reclamar de spoiler em Planeta dos Macacos, né? Todo mundo aqui já sabe como a história termina. Nosso interesse é apenas saber o que aconteceu para que o mundo chegasse na situação de domínio símio.

Planeta dos Macacos: A Guerra remove todas as dimensões dos personagens, trabalhadas nos dois primeiros filmes. Todos os personagens - desde Caesar, seus amigos próximos, os macacos inteligentes, os humanos, etc... - se transformam em bonecos de duas dimensões. O roteiro cria situações "porque sim". Colocam motivações em "loucura", "porque sempre foi assim" e "porque eu acho que assim é melhor".

O filme "chapa" na tela - por mais de duas horas - um Caesar bidimensional, com espírito de vingança tolo em uma missão suicida.
O esforço para construir um Caesar poderoso e toda a mística em sua volta é jogado no lixo assim que um humano mata sua esposa e filho. Porque o humano os matou? Porque sim. Por loucura. E, mesmo dentro da loucura, dos problemas e dos objetivos do humano, assassinar macacos não faz o menor sentido.
Os amigos próximos de Caesar o acompanham na missão suicida. Os motivos? A rapa do tacho das desculpas esfarrapadas que um roteiro pode te oferecer. "Amizade", "lealdade", etc...

Não sei quanto a vocês mas... se um grande amigo meu decide fazer uma senhora cagada, daquelas que vai escorrer em mim, eu amarro esse amigo em um poste, tranco no quarto, me esforço ao máximo para que ele desista da ideia imbecil. E se mesmo assim ele insistir, definitivamente eu não vou mover uma palha para ajudar.

Enquanto os macacos vão atravessar um deserto para chegar em um "lugar seguro" para morar, Caesar vai atrás do general nas montanhas nevadas.

As sequencias bidimensionais e os furos no roteiro prosseguem.

Mas, se há uma coisa legal em Planeta dos Macacos: A Guerra, é a noção que o vírus que erradicou os humanos e que deu inteligência para os macacos está evoluindo. E, nessa evolução, o vírus remove a capacidade dos humanos de falarem, terem raciocínio superior e até mesmo de efetuarem algumas tarefas mais complexas.
Em resumo, o vírus evoluiu e agora transforma os humanos resistentes em animais irracionais.

Claro que o filme mostra isso de um modo tolo. Enquanto Caesar persegue o general - e todo o pelotão - que matou sua família, ele encontra uma cabana. Nessa cabana os macacos matam um homem e encontram uma menina que está com sintomas do novo vírus.

Mas não fique triste se você não entendeu a evolução do vírus na cena do encontro com a menininha: na próxima sequencia de cenas os humanos acampam, levantam acampamento e, quando estão saindo do local, executam três soldados. Caesar ainda encontra um agonizando e o filme esfrega na tua cara a evolução do vírus.

Bem. Quase uma hora de filme e não houve nenhum alívio cômico, ainda. Mas isso não é problema para um filme bidimensional. O roteiro tá muito pesado? Pff... Faça o grupo encontrar um personagem engraçado milagrosamente!
E... PUFF! Bad Monkey aparece. Se você não espera muito do filme, é até uma parte legal. Se existe alguma coisa interessante nesse personagem é a noção que não é apenas o grupo do Caesar que é inteligente. Assim como o vírus se alastrou entre humanos pelo mundo inteiro, se alastrou entre os macacos. Isso ficou subentendido no segundo filme. Mas só agora foi posto na tela. Pena que o roteiro preferiu dar ênfase nas piadas ridículas do macaco engraçado do que nesse aspecto importante da evolução da história do Planeta dos Macacos.

Caesar e seu grupo chegam na base aonde o General levou todos seus soldados.
Basicamente, essa é uma unidade de fanáticos extremistas. Humanos que tinham o dever de combater os macacos. Mas essa unidade tomou conhecimento da evolução do vírus. E o método do general para evitar que o vírus se espalhasse é... executar e abandonar os doentes. 
Os demais humanos souberam disso e exigiram que o general parasse com a matança. Mas ele e seus fieis (PORQUE DEABOS ALGUÉM SERIA FIEL A UM GENERAL QUE MATA SEUS SUBALTERNOS INFECTADOS???) desobedecem a ordem.
O general sabe que os demais humanos virão para prendê-los. Então ele levou seus soldados até uma base militar abandonada em uma montanha, cheia de armamentos e munições.

Aqui uma das coisas que eu menos entendi do filme.
Os soldados estavam indo para o NORTE, para uma BASE NAS MONTANHAS.
Todo o grupo de macacos do Caesar estavam indo atravessar um DESERTO para chegarem em uma SAVANA.
Sei lá eu COMO ambos grupos "se cruzaram sem querer". 

Não, o roteiro não explica. 
Caesar chega na base e todo o grupo de macacos está preso. Machos, fêmeas, filhotes...

Ok. Releva.

Missão de vingança se transforma em missão de resgate. (ZZzzZZzzzZZzZZzzZ)
Caesar é pego. Claro, o roteiro previsível precisa colocar o líder dos macacos na frente do líder dos humanos.
O diálogo entre os dois é marcado por chavões, lugares-comum, toda sorte de discurso raso e furado e até uma tentativa de humanizar o general louco: "Ur dûrr, eu matei meu filho porque ele pegou o vírus evoluído. Todos que me seguem acham que eu fiz certo e acreditam em mim!" - Não, roteiro raso, ninguém vai chorar nessa tua tentativa ridícula de emocionar o público.

Os macacos foram encontrados "por sorte" enquanto os soldados iam para a base nas montanhas. Mas, quando chegaram lá, já haviam prisões adequadas, com guaritas, sistema de luz e até passarelas de metal para transito sobre as celas. Celas diferenciadas para filhotes e adultos...
E, por incrível que pareça, os macacos prisioneiros até tinham função: serem escravizados para construir "um importante muro"!!!

Mesmo preso, Caesar consegue falar com os amigos livres e bola um plano para libertar todos os macacos.

O ponto alto talvez seja a menininha doente (a da cabana!) indo até uma das celas altamente vigiadas, pegando comida e água, atravessando O MEIO DA BASE, indo até A CELA DO LÍDER DOS MACACOS, dando água e comida para Caesar e NENHUM SOLDADO vendo isso.

Mano, nós estamos falando de um filme sobre origem de uma civilização. Pra que criar um cenário de RPG adolescente?

A menina entra e sai de boas da base militar ultra-vigiada por humanos fanáticos.

O plano para libertar os macacos é contar os passos das celas para que os amigos do Caesar entrem pelos esgotos e cavem um buraco no chão por onde os macacos fugirão.

Eu teria vergonha de apresentar essa ideia em público.

O plano se desenvolve com a conveniência de que soldados bem treinados não selam ou vigiam entradas de esgoto por onde é possível um humano adulto passar.

Enquanto os macacos estão fugindo, o ataque dos humanos aos fanáticos ocorre.

Helicópteros de combate jogam fucking mísseis na base. O tão importante muro não resiste dez segundos de filme. Os soldados fanáticos estão claramente em desvantagem e é nítido que os que forem presos terão sorte.
Mas em vez de fugir com seu grupo, Caesar decide ir até o general para matá-lo.

AH. MEU. SACO.

Eu adorava o Caesar dos dois primeiros filmes. Não só um macaco inteligente, mas um macaco bondoso e com consciência maior do que qualquer outro personagem. E essa decisão isolada de voltar para matar o general me fez desejar que o Caesar morresse. Ali mesmo. Bicho burro dos infernos.

Caesar chega na sala do general. Ele está deitado na sua cama, ensanguentado. Sim, ele está com o vírus evoluído. Caesar chega a pegar um revolver. O general aponta a arma para a própria cabeça e engatilha. Seus olhos suplicam pelo tiro de misericórdia. Caesar, com todo o poder do mundo, larga o revólver ao alcance do general.
De repente todo o "espírito Koba" que guiou a vingança de Caear por mais de duas horas... some.
E o general, com uma arma carregada nas mãos vê o líder dos macacos dando as costas a ele. Alvo fácil. Se o general ainda tem consciência para decidir se matar, ainda consegue pensar que Caesar é uma ameaça e um tiro o mataria.

Pff. Caesar sai da sala. Ouve-se o tiro. O general se mata. Caesar foge.

Bem, a saída dos esgotos apontava exatamente para onde os humanos estavam vindo para atacar a base. Eles entraram em fogo cruzado. Caesar vê os macacos, vê os humanos e vê caminhões de gasolina dentro da base. (Sei lá como nenhum míssil dos helicópteros não explodiu a base inteira com tantos fucking CAMINHÕES de gasolina ali. Mas já não estamos mais cobrando coerência alguma, mesmo...)
Caesar pega uma cinta com granadas e corre para explodir um caminhão que destruiria todo o muro. Isso faria os tiros cessarem um pouco e protegeria a fuga dos macacos.

Quando Caesar vai jogar a granada... Um personagem que atira com besta (porque tem a melhor mira do mundo!) acerta Caesar entre as costelas, sob o braço. Cabeça? Coração? Pff... O melhor atirador mal acerta o peito do macaco. Beleza.

Caesar cai. Um dos macacos que está ajudando os humanos vê a cena toda e, milagrosamente, "toma consciência" e explode o caminhão.
A muralha cai.
Quase todo mundo morre.
Menos o Caesar que, mesmo com uma flecha no corpo, consegue alcançar os macacos.

Quando o grupo parece a salvo os humanos notam os macacos.
E, ao mesmo tempo, uma avalanche ocorre.


É. Assim mesmo. Uma avalanche. Agora. De onde ela veio? Você quer mesmo coerência?

Os macacos se salvam subindo em árvores.
Os humanos. A base. Os fanáticos.... todo mundo morre.

Dias se passam e os macacos atravessam o deserto.
Chegam até o lugar prometido.

Só quando eles chegam Caesar dá sinais que está com a flecha ainda no corpo.
Caesar morre.
Foco no céu.

Acaba o filme.

Eu me lembro de ter ficado frustrado com Matrix Revolutions.
No final de Matrix Reload Neo consegue afetar as máquinas no "mundo real". Usar um poder impossível. Eu passei seis meses imaginando que havia "uma Matrix dentro de outra Matrix" e que o Neo era o primeiro a despertar na "Matrix Zion".
Ver Matrix Revolutions destruiu uma expectativa minha e me frustrou com duas horas de tiros e non-sense.

Mas Planeta dos Macacos: A Guerra superou isso. Eu imaginava algo maior. Eu imaginava aprofundamento. Eu imaginava grupos independentes de macacos se encontrando e reconhecendo em Caesar um líder absoluto, mundial.
Eu imaginei cenas como a icônica destruição da Estátua da Liberdade. Eu estava pronto para ver macacos saindo vitoriosos de uma guerra por pura soberba humana.
E antes o filme fosse duas horas de tiros... Não, o filme não se contenta em apenas dar um final melancólico para a trilogia. Planeta dos Macacos: A Guerra destrói o personagem Caesar antes de matá-lo do modo mais imbecil que eu já vi um personagem principal morrer.

O filme é tão ruim que eu sinceramente espero que a Fox se desculpe publicamente por ter lançado esta porcaria. Espero que os detentores da história do Planeta dos Macacos digam que a história desse filme não aconteceu. Que foi um erro bisonho e que o final da trilogia será reescrito e refilmado para fazer jus ao tamanho da franquia.

A propaganda do filme diz que "você vai torcer contra os humanos"... Eu torci contra os humanos, contra os fanáticos, contra os macacos, contra o roteiro feito por uma criança de 4 anos, contra as duas horas de enrolação, contra todo esse péssimo filme.

Vá assistir por sua conta e risco.

Eu não recomendo que você perca tempo de sua vida sequer assistindo esse filme em TV aberta.