quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Liga da Justiça

Antes de mais nada, deixe eu me apresentar.
Eu sou o Arthur. O Arthur colecionou cada gibi lançado no Brasil do Homem Aranha entre 1989 e 2002. Quando a Saga do Clone acabou e a Marvel fez um reboot do Amigão da Vizinhança, eu pensei que largaria os gibis de vez.


MAS... Esse foi mais ou menos o período em que Grant Morrison assumiu a Liga da Justiça.
Antes, eu achava o grupo muito fraco. Inconstante. Formações esquisitas, com heróis questionáveis e uma vontade gigantesca de focar no "clubinho de heróis" com muito humor me afastavam da Liga da Justiça.
Mas Grant Morrison mudou isso tudo. Trouxe os heróis mais populares da época para a equipe. E fez com que esses heróis se encontrassem apenas para resolver problemas que sozinhos não seriam capazes.

E, nossa... Eu não sei explicar o quanto meus olhos brilharam quando eu vi pela primeira vez uma Liga dos Melhores do Mundo reunidos para resolver casos que envolviam ciências, mistérios, raciocínio lógico, tramas muito bem desenhadas, desafios impossíveis de vencer e vilões tão fortes que nos fazia temer pelo pior.

Eu virei um fã de carteirinha da Liga da Justiça.
Eu fiz questão de consumir até o último material lançado sob a tutela de Grant Morrison.
Não o bastante, me mantive fiel à equipe nos terríveis Novos 52.
Vibrei com o universo paralelo de Injustiça: Deuses entre nós.
E estou adorando o Renascimento.

Nisso tudo, já se vão 15 anos de gibis, tomando cada vez mais e mais espaço nas estantes.

Posto isso...

Hoje eu fui lá assistir - pela terceira vez - Liga da Justiça.

Eu vou confessar que estava com medo deste filme.
Por conhecer tão bem o Homem Aranha, eu simplesmente odiei todos os seis filmes do aracnídeo. Pra não dizer que todos os filmes são ruins, a cena do ladrão de carro no Espetacular Homem Aranha 1 é boa. Só ela.

E eu temi que acontecesse o mesmo com a Liga da Justiça. Eu conheço bem demais a dinâmica da equipe. Eu sei o comportamento dos personagens.

Mas o frio na barriga pela possível decepção passa nos primeiros minutos de filme e dá lugar ao mais perfeito brilhantismo.

Por problemas pessoais, Zack Snyder precisou se afastar no final da produção da Liga da Justiça. E a DC correu para buscar Joss Whedon. Joss trouxe toda sua bagagem dos dois filmes dos Vingadores. Refilmou 35 milhões de dólares em cenas. Removeu o caráter escuro e depressivo do universo cinematográfico estendido da DC. Se aproveitou descaradamente do sucesso do filme da Mulher Maravilha - para nosso bem, muito obrigado! E nos entregou um filme primoroso.

Esqueça o que você leu por aí de ~entendidos~ de cinema: Liga da Justiça é um filme EXCELENTE!


Continuamos vendo o Batman de Frank Miller. O Cavaleiro das Trevas continua implacável, amargurado, atirando em vilões e explorando cada centavo de sua fortuna na luta contra o mal. A dinâmica do Morcego dentro da Liga é exatamente aquilo que nós esperamos: ele é o cérebro da equipe. É quem une todos em torno do objetivo comum. Ele orienta os demais.


Há alguns anos uns colegas ~entendidos~ diziam que a Mulher Maravilha jamais funcionaria em filmes. 2017 veio e - por DUAS vezes - vimos que Diana não só funciona como fica confortável em qualquer história. A Mulher Maravilha é tão excelente no filme que rouba a cena. No primeiro ato você pode inclusive se confundir e achar que está assistindo Mulher Maravilha 2.


Sobre o Aquaman eu vou tecer uma crítica: o cabelo loiro faz parte do personagem e isso me incomodou em Liga da Justiça. Eu realmente espero que o filme solo do Rei de Atlântida explique muito bem essa característica.
E essa é a ÚNICA crítica que QUALQUER UM fará ao Aquaman depois de Liga da Justiça. Porque nesse filme vemos a real extensão do poder de Orin.
Mera aparece em uma cena e tudo na personagem é grandioso. Ansioso para ver mais!


A Liga conta com um Flash inexperiente. Um Barry Allen com a personalidade do Wally West do desenho da Liga da Justiça. Esse Barry não existe nos gibis. Mas o seu ponto de vista humano nos aproxima do personagem. Ele tem medos. Ele tem receios. Ele não tem amigos, tem problemas reais para resolver que a supervelocidade não ajuda. Esse Flash coube muito bem na Liga da Justiça. E o que mais me agradou foi que a DC não copiou nem os efeitos do Mercúrio da Fox, tampouco os efeitos do Mercúrio da Marvel. Os poderes do Flash foram retratados de modo original.

E temos o Cyborg. Ok, vamos lá, eu não sou fã do Victor. Pra mim, ele faz parte dos Titãs. Eu não vejo a menor graça no personagem. Mas eu dou o braço a torcer: em um mundo cada vez mais controlado pela tecnologia, os poderes do Cyborg fazem dele indispensável para a Liga da Justiça. No filme, vemos o Cyborg saltar diretamente da fase amargurada dentro de casa, se achando um monstro, para o membro indispensável da Liga da Justiça, salvador de mundos. Certamente precisaremos ver mais do Victor para julgá-lo como merece.

E esse é o principal ponto do filme: a DC escolheu por mostrar primeiro as equipes e depois os personagens. Até dá pra entender porque fizeram isso: se começassem com os filmes individuais, seriam acusados de copiar a fórmula da Marvel.

E eu vou contar que está me agradando muito a sequência. Porque os elementos mostrados em Super Homem, Batman Vs Super Homem e até mesmo em Mulher Maravilha construíram uma história sólida para o primeiro filme da Liga. Há um cerne, um roteiro aonde as peças vão se encaixando. E os filmes solos dos heróis provavelmente só ampliarão as ramificações, enriquecendo a história principal. 
Bem diferente dos filmes solos dos heróis da Marvel, que nada ou muito pouco contribuem para as histórias dos filmes dos Vingadores.
Você conseguirá entender o Universo Cinematográfico da Marvel sem assistir o Hulk, o Homem de Ferro 1 e 3 e o Thor 1... Mas jamais conseguirá entender o Universo Cinematográfico da DC sem assistir todos os filmes.

Liga da Justiça tem humor na medida certa.

Por óbvio, assim como todas as histórias em gibis e desenhos, os Melhores Heróis do Mundo descobrem com certa facilidade o que precisam fazer para deter o vilão e atingem o objetivo com certa facilidade.


Sim, desculpe o spoiler, mas é parte importante para análise do filme, para derrotarem o vilão a Liga precisa reviver o Super Homem.
E o Super Homem volta dos mortos mais decidido. Mais consciente do seu papel no mundo. Até que enfim aquele escoteiro cheio de dúvidas dá lugar ao Homem de Aço que todos nós conhecemos.


O vilão do filme... Bem... Steppenwolf tem poder para destruir o mundo, mas desde as primeiras cenas dá pra sacar que a Liga vai chutar a bunda do novo deus. Sendo bem sincero, parece que só a Mulher Maravilha e o Aquaman dariam conta dele.
O vilão é tão desprezível que o segundo ato - o retorno do Super Homem - é feito sem que o vilão dê as caras. Parece que os heróis simplesmente dizem "tá, ok, espere ali no canto que a gente já vai te derrotar..."
Li algumas resenhas criticando o vilão feito em CGI. Eu não tenho o que reclamar. Claro que eu gostaria de algo mais próximo do Steppenwolf dos gibis, mas o resultado na tela ficou muito bom.


Bem, já que eu soltei um spoiler, a falta dele no texto já é o segundo: não temos Lanteras Verdes no filme. Há um flashback da primeira batalha de Steppenwolf na Terra, contra Amazonas, Atlantas, Homens e Deuses... e dois Lanternas Verdes aparecem. Só. Lá no passado. Nada de Lanternas Verdes no presente. (Eu torço para que usem o Kyle Rayner!)

Liga da Justiça tem DUAS cenas pós-créditos.
A primeira é bem boba, quase irrelevante.
A segunda, lá depois de todos os nomes, é importantíssima. Fique. Assista. Saia do cinema com a cabeça fervendo pensando: "quem fará parte do grupo???"

Liga da Justiça é um excelente filme, são duas horas de diversão garantida.
Altamente recomendado!