quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Doutor Estranho

Caros amigos, acabei de sair da sessão do Doutor Estranho.

Você quer a resenha sem spoilers deste filme em uma frase? Ok. A resenha em uma frase é esta: Doutor Estranho é o filme que justifica você comprar uma TV 3D.

Sim. Esse filme. Sozinho. Só ele já justifica que você compre todos os aparelhos necessários para assistir filmes 3D em casa.

O filme segue a receita já clássica de "primeiro filme de apresentação do super-herói Marvel". Ou seja: é um filme muito acima da média.
Acontece que a Marvel já fez essa receita tantas vezes (Homem de Ferro, Hulk, Thor, Capitão América e Homem Formiga) que se tornou excelente em sua proposta. Doutor Estranho te entrega mais do mesmo que você já viu em outros filmes. Um personagem principal problemático que enfrenta uma situação de estresse. Em uma aula de esforço e superação pessoal esse personagem aprende lições valiosas para se tornar alguém melhor... e acaba recebendo super poderes para defender a humanidade, no processo.

O filme possui piadinhas salpicadas aqui e ali. Mas não vá assistir Doutor Estranho esperando ver uma enxurrada de piadas como em Guardiões da Galáxia. O personagem Doutor Estranho é mais sério, sim. Mas mesmo tendo um tom mais sóbrio, o filme não deixa nada a desejar para os demais.

Agora jogue toneladas de referências bem feitas ao mundo místico, efeitos especiais psicodélicos que deixam Inception parecendo brincadeira de criança, pelo menos quatro grandes referências ao Universo Cinematográfico Marvel, três grandes ganchos para o segundo filme do Doutor Estranho, dois ganchos para outros filmes Marvel e o cameo mais apagado do Stan Lee de todos... e voilá! Você tem 1:55hs de entretenimento em estado puro!


Se alguém me obrigar a falar alguma coisa ruim desse filme, diria que FOI POUCO TEMPO. Saí do cinema achando que faltaram 20 minutos de filme. Alguns personagens precisavam ser melhor apresentados e a cena da luta final poderia ser mais longa.
Mas de forma alguma esses 20 minutos que eu senti falta estragam o filme. Muito pelo contrário, talvez seja eu o nerd que lê gibis, fominha por histórias de heróis, que queria ver meus heróis mais tempo na telona. Talvez esses 20 minutos tornassem o filme menos dinâmico.

Doutor Estranho possui DUAS cenas pós-créditos. E acredite em mim: AMBAS são essenciais para a compreensão do filme e em como se encaixa o Mago Supremo no Universo Marvel. Fique até o final dos créditos.

Na minha opinião, ainda acho Deadpool o melhor filme desse ano. Doutor Estranho roubou a segunda colocação de Guerra Civil. Isso rebaixou  X-Man: Apocalipse para o quarto lugar, Batman Vs Superman se tornou o quinto e Esquadrão Suicida relegado à sexta colocação.

De agora em diante vou escrever spoilers do filme.

Se você não foi assistir o filme, pare agora e vá ao cinema.

Sério? Tá lendo ainda? Por sua conta e risco.

Não vá dizer que eu não avisei que tem spoilers a partir daqui!



O filme começa com um ataque de Kaecilius (Mads Mikkelsen) e seu grupo de magos à uma biblioteca. Os magos decapitam o bibliotecário e roubam duas páginas de um livro. Um mago tenta impedir que os ladrões escapem, em uma luta com efeitos especiais fantásticos! Sim. Assim, logo de cara.


Doutor Stephen Strange (Benedict Cumberbatch) (sim, eu googlei para escrever o nome do ator) é um brilhante médico cirurgião. Daqueles nível House: acerta todas, salva a vida de pacientes com casos aparentemente perdidos, rico, bem sucedido, orgulhoso, prepotente, egocêntrico, frio, lógico, científico, cético... Bem, se você já viu os filmes da Marvel você já deve conhecer esses tipos.

Mas o Doutor - e não ouse tratá-lo de outra forma - Stephen é tão centrado em si e na sua carreira que até mesmo os relacionamentos amorosos ficam em segundo plano na sua vida. O filme se esforça para criar um par romântico entre Stephen e sua colega, a cirurgiã Christine Palmer (Rachel McAdams). Mas o ego do Doutor é tão grande que até mesmo na trama esse romance fica em segundo plano.

Em uma noite, Stephen está dirigindo seu carro esportivo enquanto fala ao telefone. Estava conversando com seu assistente, selecionando casos para atender. Entre eles, legal ver que foi listado "um coronel da aeronáutica com lesão na coluna". Uma citação clara à James "Rhodey" Rhodes, o Máquina de Combate, que perdeu o movimento das pernas no final da batalha no aeroporto, em Capitão América: Guerra Civil.
Claro que a combinação carro mais telefone não dá certo e Stephen perde o controle do carro. O acidente é muito feio e o socorro demora a chegar. Stephen é operado, mas suas mãos são destruídas. Tendões, músculos... As mãos trêmulas e sem coordenação de Stephen tiram dele a capacidade de operar.


O Doutor vê sua vida desmoronar.

Desesperado, Stephen tenta de tudo para recuperar as suas mãos. Cirurgias revolucionárias, perigosas... chega a implorar para amigos cirurgiões que façam nele procedimentos teóricos ou experimentais.
O desespero e o egocentrismo de Stephen são tão grandes que o fisioterapeuta dele fica indignado. "Sim, houve uma pessoa que conseguiu se recuperar e eu vou te dar os dados dele só para que você pare de me encher o saco!"

Assim, Stephen descobre Pangborn. Stephen suplica a Pangborn que o ensine como conseguiu superar sua paralisia. Pangborn lhe conta sobre uma sociedade secreta de magos em Kamar-Taj.
Stephen gasta até seu último centavo para descobrir o local.

De pista em pista, de indicação em indicação, Stephen chega à cidade aonde fica Kamar-Taj. O Barão Mordo (Chiwetel Ejiofor) nota entre a multidão que Stephen está procurando por Kamar-Taj e o segue. Em um beco, Stephen é abordado por três ladrões. Stephen reage ao assalto e passa a ser espancado pelos ladrões. É quando o Barão Mordo aparece e salva Stephen.

"Mas peraí, Arthur! Eu conheço as histórias dos gibis! O Barão Mordo é um inimigo do Doutor Estranho!"

Caaaaaalma, amigo. Nesse filme o Mordo é um amigo, ainda. Assim como todo o Universo Marvel, esse primeiro filme conta as histórias dos personagens, introduzindo todos à trama maior.
Mordo leva Stephen até Kamar-Taj, até A Anciã (Tilda Swinton).
Stephen, ainda com seu ego inchado, diz que não acredita em todo papo-furado de exoterismo que A Anciã lhe apresenta. E A Anciã mostra para Stephen toda a extensão das dimensões da magia... em uma viagem realmente psicodélica pelos reinos da computação gráfica. Cara, são minutos preciosos de filmes aonde vemos fractais e toda sorte de efeitos expressionistas. Não duvido nada que muitas daquelas passagens tenham vindo diretamente das alucinações de alguém sob efeito de LSD.


No fim, Stephen implora para A Anciã: "Ensine-me!"
E A Anciã responde... "Não!"

Stephen é posto pra rua. Mas Mordo insiste com A Anciã. As páginas roubadas do livro ensinam como derrubar os três Sanctuns (escudos) da Terra que impedem Dormammu de consumir nosso planeta. Mordo argumenta que os magos precisarão de toda ajuda possível para defender a Terra. E que Stephen passou horas na porta, negando-se a ir embora enquanto não fosse ajudado.

Pois bem, A Anciã aceita Stephen. E ele passa a se empenhar no treinamento. 

Eu achei que aqui as cenas foram rápidas demais. Mostram Stephen como um aluno muito aplicado, mas ainda muito egocêntrico e preso à realidade. Mas, de qualquer forma, Stephen é determinado. Em uma cena, dá pra ver o corpo físico de Stephen dormindo, enquanto seu corpo astral continuava lendo. Eu gostei dessa ideia. Adoraria poder usar minha consciência enquanto meu corpo descansa.
Mas eu acho que faltaram cenas para mostrar direto quem é A Anciã. E faltaram cenas para mostrar a evolução de Stephen.


Menção honrosa ao personagem Wong (Benedict Wong) o novo bibliotecário. Seu senso de humor (ou a falta dele) criam algumas situações bem divertidas.

Bem, em menos de dois minutos saímos de um Stephen que não conseguia conjurar um portal para um Stephen que pegou o Olho de Agamotto (que no filme é uma joia do infinito) e já está manipulando feitiços de tempo. Mordo e Wong aparecem e repreendem Stephen. E aqui vemos pela primeira vez o desprezo de Mordo pelos magos que quebram a realidade. "Você não deve manipular o tempo! Você pode criar realidades paralelas ou ficar presso em um loop temporal!"

Pelo menos deu tempo para Modor citar o Cajado do Tribunal Vivo em um treinamento! Já estou aguardando ansioso para esse gancho ser utilizado em filmes futuros!!!


A partir daí Kaecilius passa a atacar os Sanctuns para derrubar os escudos da Terra, permitindo que Dormammu invada a Terra. E Stephen não tem muito mais tempo para ser aprendiz. É jogado diretamente no papel de Doutor Estranho.

Em sua primeira luta, o Doutor Estranho já deve impedir que o Sanctum de Londres caia. Ali ele encontra a Capa da Levitação (ou é ela quem encontra ele... não dá pra saber!).
Com muita dificuldade, Stephen consegue teletransportar os dois seguidores para locais distantes e consegue aprisionar Kaecilius.
Kaecilius, como bom vilão que é, conta seu plano. Ele quer invocar Dormammu porque em seu universo o tempo não passa. Não há morte. Para Kaecilius, a Terra se transformaria em um paraíso.
Kaecilius revela que A Anciã usa energia do universo de Dormammu para se manter viva por séculos.


Quando o Doutor Estranho estava para chamar seus companheiros, um dos seguidores de Kaecilius retorna. E na briga o Doutor Estranho é apunhalado no coração!
O Doutor Estranho abre um portal para o hospital aonde trabalhava e pede ajuda à sua ex-colega. Enquanto Christine cuida do seu corpo físico, o Doutor Estranho briga no mundo astral contra o seguidor de Kaecilius.

Sabe o que é legal dessa sequência? Que a médica mal costura o coração e o peito do Doutor Estranho e ele já volta pra briga. Assim, sem tempo de recuperação. Haja magia não explicada nesse momento! Mas a gente releva porque, né?

De volta à Londres, Kaecilius havia fugido. Mordo e A Anciã estão ali. 

O Doutor Estranho confronta A Anciã. "Como assim você diz para gente não fazer coisas erradas e você própria usa energia de um universo hostil?"
Novamente vemos Mordo desconfortável com a manipulação da realidade... O vilão está nascendo aos poucos!!!

Kaecilius ataca Nova York. Doutor Estranho e Mordo vão defender o Sanctum. Na luta, Doutor Estranho leva todos para o mundo dos espelhos. E haja efeitos especiais de cair o queixo! Inception vê essas lutas e chora em posição fetal, rolando de um lado pra outro no chão. 
Mas no mundo dos espelhos o poder de Kaecilius é maior. Os heróis estão quase perdidos, praticamente só fogem dos vilões. 
Durante as tentativas de fugas aparece o Stan Lee, rindo de um jornal, dentro de um ônibus... 
Bem, quando os vilões alcançam os heróis A Anciã aparece. Ela luta com os vassalos de Dormammu e mesmo com todo o CGI do mundo... A Anciã perde!

Doutor Estranho leva A Anciã para o hospital, mas ela morre. Na forma astral, ela fala as últimas palavras que o Doutor Estranho precisava escutar para se tornar um herói. (A mim lembrou a cena que o mestre Oogway tem com o Mestre Shifu, antes de Oogway sumir, em Kung Fu Panda. Olha aonde a minha cabeça zanza durante os filmes...)

O agora motivado Doutor Estranho pega Mordo e o leva para defender o último Sanctum remanescente: HongKong.

Quando chegam lá, os magos protetores já estão mortos, o Sanctum já está destruído e Dormammu já está invadindo a Terra.

O poder de Kaecilius está maior e o Doutor Estranho e Mordo levam uma surra do mago.

Então o Doutor Estranho lembra que está com o Olho de Agamotto. Então o Doutor Estranho simplesmente volta o tempo até o momento que o escudo ainda não havia sido destruído.

Brilhante mas... o poder de Kaecilius está maior. Ele consegue sair do fluxo de tempo sendo retrocedido e ataca o Doutor Estranho. O tempo pára segundos depois que o escudo foi destruído. Doutor Estranho, Mordo e Wong deveriam deter Kaecilius antes de terminarem o feitiço.

Mas é aí que o Doutor Estranho tem a melhor ideia de todas. Ele entra no universo de Dormammu, aonde não existe tempo... com o Olho de Agamotto.
Chegando lá, ele cria um loop de tempo.

Assim como em "O Feitiço do Tempo", Dormammu mata o Doutor Estranho repetição após repetição. E a cada morte o Doutor Estranho retorna. "Eu quero negociar com você!" - diz o Doutor. "MORRA!!!" - responde a entidade maligna.

AQUI é o segundo momento que eu senti falta de mais tempo de filme. Eu sei, poderia ficar chato. Mas eu entendi que o Doutor Estranho deve ter morrido milhares de vezes, passando anos sendo morto repetidamente por Dormammu, até que esse notasse a prisão que o Doutor Estranho criou.

Porque o tempo na Terra estava parado. E enquanto Dormammu estava vivendo a repetição do Doutor Estranho, matando o herói repetidas vezes, o vilão não estava indo dominar a Terra.

A prisão na repetição fez com que Dormammu aceitasse negociar com o Doutor Estranho. E os termos foram simples: Para ser liberto, Dormammu deveria tirar seus seguidores da Terra e não voltar a atacar o planeta.

O Doutor Estranho volta à Terra. Kaecilius e os outros magos do mal são levados para o universo de Dormammu e a Terra foi salva mais uma vez!!!

Quer dizer... Nessa hora Mordo fica puto da vida de vez. Ele simplesmente abandona os magos. "Vencemos ao custo de interferir na realidade."

Fim do filme.

Na primeira cena pós créditos, o Doutor Estranho está sentado à mesa com o Thor. "Thor, nós temos uma lista de seres que observamos no universo. Seu irmão está na lista. Porque você o trouxe à Terra?"
Thor explica que ele está procurando por Odin.
"Se eu te ajudar a achar Odin você tira seu irmão da Terra?"
Teremos participação do Doutor Estranho em Thor!!!!!

Na segunda cena pós créditos, Mordo vai até Pangorn.
"Você sabe o que há de errado com o mundo? Existem magos demais!" - Mordo mostra que ele não tolera mais os magos e que ele próprio está se tornando o vilão que conhecemos! Gancho para Doutor Estranho 2? Tomara!!!