quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Esquadrão Suicida

Então eu fui lá ver a pré-estréia do Esquadrão Suicida.

Amigo, você sabe que eu sou entusiasta de gibis. Sabes muito bem que eu leio gibis desde 1989. Que eu conheço o Esquadrão Suicida você deve imaginar. Afinal de contas, você bem sabe que eu gosto mais da DC do que da Marvel, hoje em dia.
ALIÁS, você sabe muito bem que eu sempre sou muito empolgado com todos os filmes de heróis. Que eu acho essa fase dos cinemas bárbara e eu tenho tendencia a sempre ver o lado bom de cada filme. Que eu sempre procuro o ponto espetacular de cada filme e sempre trago isso para vocês.

Mas sabem o que eu achei do Esquadrão Suicida?

Usando as palavras do Coringa: "Really, really bad."

Por onde começar?

O Esquadrão Suicida é um filme sobre um grupo de vilões que está na cadeia. Estes vilões recebem uma missão. Se cumprirem a missão, ganham benefícios. Se não cumprirem, morrem.
O problema: em um único filme a história deve apresentar todos os personagens. Todos os vilões. Todas as pessoas que estão criando e gerenciando o Esquadrão. E, é claro, o vilão do filme. Some a isso tudo o Coringa, que cai meio que de pára-quedas nesse história.

Vamos deixar claro: das duas horas de dez minutos de filme, pelo menos uma hora é utilizada construindo personagens. São pelo menos 10 personagens com alguma importância na história. Isso dá cerca de seis minutos de construção para cada personagem. Dá pra notar que essa conta não fecha? Seis minutos não é suficiente para fazer um Coringa decente. Uma Arlequina decente. Um Pistoleiro decente. Um Capitão Bumerangue decente. Uma Magia decente. Uma Katana decente. Um Crocodilo decente. Um El Diablo decente... enfim. Nenhum personagem tem a profundidade necessária. 
E isso é... DECEPCIONANTE e até IRRITANTE.

O filme conta como os membros do Esquadrão Suicida foram presos. 
Aparições do Batman e do Flash. 
Poxa vida, teria sido muito melhor se tivessem lançado dois filmes do Batman. Um filme contra o Pistoleiro e um filme contra o Coringa e a Arlequina. Nesses filmes, tanto o Batman do Ben Affleck quanto os vilões poderiam ter sido melhor construídos.
Um filme do Flash, aonde a galeria de vilões dá trabalho e o Flash acaba prendendo o Digger.
No final desses filmes, uma cena pós-créditos chamando o gancho para a Liga da Justiça... e outra cena pós-créditos fazendo a chamada para o Esquadrão Suicida.

Será que a DC não aprendeu nada com os filmes da Marvel, poxa vida? Vá lançando um filme de cada herói, separados. Nos faça ter empatia, reconhecer os personagens. Só então junte-os em uma equipe para salvar o mundo.

O Coringa do Leto sequer superou o Coringa do Jack Nicholson. Desculpem. O Coringa é um lunático, mas é inteligente. A loucura do Coringa deriva muito mais da incapacidade do homem comum em acompanhar o seu brilhantismo, do que de palhaçadas sem nexo. E o Coringa do Leto é apenas um palhaço apaixonado. E isso diminui o Coringa. Diminui o Leto. Diminui o filme...


A Arlequina... Eu comparo essa Arlequina com o Deadpool do Wolverine Origens. Margot Robbie protagonizou uma boba alegre. A Arlequina do Esquadrão Suicida parecia mais uma "Diaba da Tasmânia" com pouca roupa, pronta para atacar a qualquer minuto. Longe. Muito longe de qualquer Arlequina que nós já vimos nos gibis ou nos desenhos. Poxa vida, a Arlequina é uma personagem brilhantemente inconstante. Alguém a quem nós não esperamos o próximo movimento. Há uma história de gibi aonde a Arlequina se alia ao Lobo. Faz piadas com ele. Ajuda ele. Depois rouba a moto do Lobo. E em menos de cinco páginas DECAPITA o Lobo. ISSO é o FURACÃO Arlequina. Uma sociopata que você fica com MEDO da próxima ação. Aonde você não sabe se ela será tomada por um surto de normalidade... ou se ela sairá destruindo meio mundo. No Esquadrão Suicida? Pff... Nem piadas a Arlequina faz direito. Toda a atuação meio forçada.

Mas nada se compara ao Pistoleiro.


Vamos deixar uma coisa clara: Em um filme aonde aparece Batman, Coringa, Arlequina, Magia, Katana, Crocodilo e El Diablo, o Pistoleiro é coadjuvante. De luxo. Sim. Mas é um mero coadjuvante.
Sei lá porque, mas o Pistoleiro foi o centro da história, junto da Arlequina. Eu achei que foi até mais o centro do que a Arlequina. Mas falei com alguns amigos e eles insistiram que os dois tiveram o mesmo peso.
O Pistoleiro pode ser foda. Pode ser O CARA. Mas é só um soldadinho que acerta o alvo.
Tem o dedo do Will Smith para que o Pistoleiro fosse o líder do grupo, o centro da história. E não foi o dedo da qualidade artística, tenho certeza. Ficou evidente para mim que o Will Smith pressionou para ganhar mais tempo de cena do que os demais. E isso influenciou negativamente o filme. E, mais uma vez, o Pistoleiro não usou a sua máscara na maior parte do filme. E, assim como o Capitão América, isso me irritou profundamente. Odeio esses artistas que demandam que as suas caras feias se sobreponham à lógica dos personagens.

Se você lê gibi, sabe quem é a Amanda Waller. Viola Davis encaixou como uma luva na personagem. Parabéns MESMO. PENA QUE... os roteiristas destruíram a personagem. Se você não lê gibis, a Amanda é uma agente do governo que vive monitorando a atividade meta-humana. É dela o projeto do Esquadrão Suicida. Amanda é uma personagem violenta, sim. Mas a Amanda jamais sujou as mãos. Já mandou matar, mas nunca puxou o gatilho. Nesse filme, ela mata pessoas a sangue frio. Tipo de coisa para a qual não há perdão.


E por falar em sacrilégio, vou te contar: Queimaram a Magia em um filme BARATO desses. Desnecessário usar uma vilã tão poderosa para essa meia dúzia de manés. E, é claro, para que esses manés vencessem a Magia, subutilizaram os poderes e o potencial dela. Magia é uma vilã para ser usada contra o Super Homem. Contra a Zatanna. Contra a Mulher Maravilha. Coloca um roteirista de verdade a escrever a história do Esquadrão Suicida, a Magia teria transformado todos os vilões em seus asseclas. O gancho para o filme da Liga da Justiça seria resgatar o mundo do domínio de Magia.

Esquadrão Suicida tem um acoplamento fraquíssimo com os próximos filmes da DC. Talvez tenha servido para introduzir o Coringa, a Arlequina, o Pistoleiro, Amanda Waller, El Diablo e o Capitão Bumerangue. Talvez, porque ficaram tão rasos que é capaz de não tornarem a utilizar nenhum desses personagens.
O acoplamento fraco e as piadas forçadas evidenciam as cenas que foram filmadas depois, para complementar o filme.

Tem uma cena pós-créditos. Fique no cinema até ela acabar.

A trilha sonora é muito boa. Mas nós fomos mal acostumados pelos Guardiões da Galáxia e pelo Deadpool. Nesses filmes, a trilha está integrada ao roteiro e aos personagens. As músicas significam algo dentro do filme. Mas no Esquadrão Suicida, as músicas estão chapadas no background das cenas. Sem conexão alguma com a história. Em muitas cenas, a música inclusive sobrepõe os barulhos da luta e das explosões. Todo o esforço para criar um apelo com a memória musical da audiência é perdido. Nos Guardiões você sai do cinema querendo escutar "Hooked on a Feeling". No Deadpool você sai do cinema querendo escutar "Angel of the Morning". Mas Esquadrão Suicida usa Bohemian Rhapsody e você sai do cinema com zero vontade de escutar a música. Frustrante.

Agora vamos contar a história do filme...




Daqui em diante tem spoilers.

O filme começa com a Amanda Waller se reunindo com outros membros do governo para solicitar a permissão para criar o Esquadrão Suicida.
Nas apresentações do projeto aparecem os primeiros detalhes sobre os personagens.

Aparece o Pistoleiro, seu trabalho, sua família e como ele foi preso com uma dica da Amanda para o Batman.
Aparece a Arlequina, toda sua história como psiquiatra do Coringa no Arkam. Como ela se apaixonou pelo Coringa, como ela o ajudou a escapar e como ela deixou que o Coringa a tornasse a psicopata que é. E aparece o Batman prendendo ela.
Aparece a história do Capitão Bumerangue e o Flash o prendendo.
Aparece o Crocodilo. Como o Batman o expulsou de Gotham... e como ele foi preso.
Aparece o El Diablo se rendendo, amargurado por ter matado sua família com seus poderes.


Aparece a história de June Moone e como ela se tornou Magia. Como Amanda descobriu June, Magia e o segredo para controlar Magia: ter o seu coração. Quase como o Davy Jones do Piratas do Caribe...

Tendo a lealdade de June, Amanda tem como manipular Flag, namorado da meta-humana.

Enfim. Meia hora de filme já se foi só com construção de personagens. Sério, eu tô com sono só de lembrar disso tudo.

Amanda usa o medo pelos meta-humanos para convencer o departamento de defesa a deixar o Esquadrão Suicida ser formado.


Então Magia assume o corpo de June durante o sono. Magia liberta o seu irmão e acha um hospedeiro para ele. Com os poderes de seu irmão, Magia se livra do domínio que Amanda tinha por ela, por deter o coração da maga.

Magia começa a construir uma arma para dominar o mundo, enquanto seu irmão passa a fazer um exército para protegê-la.

O filme faz um corte brusco. Da noite aonde a maga está iniciando seu plano, para o dia, aonde os vilões do Esquadrão Suicida são reunidos.

No melhor estilo RPG, colocam uma bomba no pescoço de cada um dos vilões. Bombas acionadas por um aplicativo de celular. "Melhor aplicativo de todos!" - talvez a única piada engraçada da Arlequina...
Esse dispositivo lembra muito a bomba que colocaram no pescoço dos membros da seita dos vilões em Kingsman... se bem que em Kingsman o implante tinha a justificativa de proteger os membros das ondas nocivas do aplicativo do vilão... enfim.

Pistoleiro, Arlequina, El Diablo, Capitão Bumerangue, Crocodilo e Amarra são tirados da cadeia e obrigados a ir cumprir a missão de resgatar uma pessoa que está próxima do lugar aonde está Magia.
Tal qual nos gibis, Rick Flag é o soldado braço direito de Amanda, que guia o Esquadrão Suicida em campo.
Ao grupo ainda se junta Katana, como guarda-costas de Flag.


Enquanto o grupo sai em missão, o Coringa bate na prisão aonde estava a Arlequina. E descobre que a sua amada já não está mais ali.

Logo no início da missão Amarra tenta fugir. E Flag explode a cabeça do vilão. Um extra tão extra que o filme nem perdeu tempo contando sua história. Pena, uma indicação a menos de que o Kobra será aproveitado na telona.

O extra mais extra de todos os tempos!
Mas aqui no Ponto Final! você vê ele mais tempo do que no filme!

O grupo se desloca pela cidade até encontrar soldados de Magia. Pessoas normais transformadas em monstros sem rosto. Praticamente zumbis que podem ser mortos do modo mais violento pelos vilões, sem que o público fique chocado. Quase como se fossem nazistas, os vilões mais perfeitos de todos os tempos.

Ainda tô tentando entender de onde saiu essa bebida.
Ela apareceu DO NADA!

O Esquadrão passa por várias ruas até chegar no prédio aonde está a pessoa a ser resgatada.
Mais briga mal coreografada, em ambientes escuros e com efeitos e tomadas que mal nos deixam ver silhuetas dos personagens... e o grupo chega a uma sala aonde está Amanda. Sim, Amanda era a pessoa a ser resgatada.

O grupo vai até o telhado e espera um helicóptero para resgatá-los.
No helicóptero que chega está o Coringa. Coringa resgata a Arlequina. Mas Amanda manda o Pistoleiro matar a Arlequina. O Pistoleiro "erra" o tiro, para salvar a companheira. E então Amanda manda derrubarem o helicóptero. Um segundo helicóptero atira um míssil. O Coringa joga a Arlequina em um telhado enquanto o míssil atinge e destrói o helicóptero.

Amanda é resgatada sozinha por um helicóptero. Porém este é abatido pelo irmão de Magia. O irmão de Magia recupera o coração da maga e o devolve à irmã, que agora está completamente livre de qualquer domínio.

O grupo se junta para resgatar Amanda. Afinal, essa é a missão. Sem Amanda, o grupo não recebe seus benefícios... e podem até ser executados.

O plano para deter Magia é... babaca.
Uns soldadinhos posicionariam uma bomba, a ativariam e MORRERIAM, porque a bomba tem apenas dois segundos de timer.
Enquanto isso, o grupo de meta-humanos e Flag "empurrariam" o irmão de Magia até o lugar marcado, para que ele explodisse com a bomba.

O que poderia dar errado, né?

Bem, pelo menos vemos a forma de demônio do El Diablo. Eu achei muito boa.
A bomba explode de modo frustrante. E pela pouca explosão, a morte do irmão de Magia é mais frustrante ainda.

Então o grupo passa a lutar contra Magia.
Magia termina sua "máquina". A máquina está ligada à Amanda e extrai de suas memórias as localizações das armas secretas dos EUA. PQP, como a Amanda sabe aonde estão todas as armas dos EUA???

ENFIM...

Mais luta com fumaça, efeitos e muitas silhuetas. Uma maga do nível de Magia sofre para não apanhar dos desclassificados integrantes do Esquadrão Suicida. Em um rompante de arrogância, Magia interrompe a luta e diz que "de todos com quem lutei, vocês merecem viver... se vocês se ajoelharem e se unirem a mim!"

Haja paciência...

Arlequina faz tipo. Diz que vai se juntar à Magia. Se ajoelha perante a maga... Mas pega uma espada no chão, faz um corte no peito de Magia e pega seu coração.
A maga está novamente sob o controle dos humanos. Flag dá uma bomba para o Crocodilo, que a arremessa na arma de Magia. Arlequina joga sua arma para o Pistoleiro, que atira na bomba. A bomba explode, destrói a arma de Magia e joga a maga no chão.
Flag, segurando o coração de Magia, exige que a maga dê lugar à June.
Magia diz que não cederá e que Flag não tem coragem de a matar, pois mataria June, também.

Flag esmaga o coração de Magia.
Todos acham que June morreu.
Mas June retorna! \o/

Mas não é a única a retornar. Amanda retorna. Com o app de explodir cabeças, Amanda garante que todos os vilões voltem à cadeia. Entretanto, dá direito a alguns pedidos. Quase como recompensas de RPG.

No fim ainda há tempo do Coringa invadir o presídio e resgatar Arlequina.

Na cena pós-créditos, Amanda entrega para Bruce Wayne informações sobre meta-humanos. É o princípio da Liga da Justiça. Bruce pede para que Amanda desista do Esquadrão Suicida. Ele garante que fará o serviço que ela precisa.
E Amanda diz que Bruce parece cansado. Que ele precisa diminuir o trabalho noturno.
PQP esse mundo aonde todo mundo sabe quem é o Batman.

Sendo sincero, eu não gostei do filme.
Esperava mais.
O Coringa não convenceu.
A Arlequina ficou muito longe do personagem dos gibis.
O Pistoleiro ganhou uma evidência que não merecia.
Queimaram uma grande vilã.
As lutar foram mal coreografadas.
O roteiro pareceu mais um jogo de RPG de adolescentes.
Muitas tomadas ficaram "sujas", com elementos demais e com pouca nitidez.

Enfim. Se esses personagens aparecerem em outros filmes, TALVEZ o Esquadrão Suicida se torne relevante para o universo cinematográfico da DC. Senão, é um filme que nem vale a pena assistir quando passar na TV.