terça-feira, 26 de novembro de 2013

Meu sexto sentido, Dólares e Bit Coins

E aí povo? Beleza? Comigo não, mas tá tudo bem. Se chamarem no inBox para saberem o que é, não reclamem se eu chorar a conversa toda. Estão avisados.

E eu já largo avisando porque vocês são assim mesmo. Bem do tipinho de vocês lerem o que eu escrevo, não me seguirem no twitter (@alssst), não me adicionarem no facebook (Arthur Luiz Tavares) e não comentarem aqui mesmo. Aí eu passo a noite inteira com 500 chats, conversando sobre 2000 assuntos diferentes e não consigo me concentrar em escrever para vocês, em trabalhar nos meus livros, etc...

Pior: vocês acabam não se conhecendo uns aos outros! Já conversei com duas pessoas ao mesmo tempo, sobre o mesmo assunto, cada qual defendendo um extremo do ponto de vista. Só por piada, eu usava os argumentos de um, contra o outro. Foi muito engraçado. Sério.

Sim, pode parecer arrogante, mas é só o retrato de uma noite comum do Arthur. E como eu sei que outras virão? Por causa do meu "sexto sentido matemático". E, acreditem, ele existe e é foda.

Enquanto vocês têm que criar planilhas, popular elas com os dados para, depois, pedir para o papai Excel fazer a curva de evolução dos dados, o gráfico vêm automaticamente na minha cabeça.
Poxa gente. Se anteontem foi 1, ontem era 2, hoje está no 3... É meio óbvio que amanhã deverá estar no 4, né?

Bem, mais uma vez eu acabei de notar algo que é meu, mas eu achava que era comum a todos nós. E é algo tão especialmente meu, que eu já vou jogar na condição de sexto sentido. Eu "sinto" esses padrões. Eu "jogo" com eles. É quase uma clarevidência matemática.

Mas eu tenho que provar que tenho isso, né? Então vamos lá.

Meio da década de noventa, Plano Real recém instituído. O Dólar saiu de um patamar de completa incompreensão monetária para uma situação de submissão à nossa nova moeda. Entenda: a inflação galopante fazia com que o Dólar variasse tanto, que somente quem já trabalhava com Dólares sabia como a moeda se comportaria, frente a nossa desorganização financeira. E, de uma hora para outra, entrou a URV, padronizando nosso sistema financeiro. Daí para a instituição do Real foi um pequeno passo.

O Real nasceu chutando a bunda do Dólar. Nossa moeda era conceitualmente tão forte, que um mísero Real chegou a valer dois Dólares.

O Arthur da época devia ter algo entre 13 e 16 anos. Um piá de merda, se você preferir. Eu não dominava um centésimo da matemática que domino, hoje em dia. Mas, mesmo assim, cuidando os jornais com o canto do olho, meu sexto sentido notou o padrão. Larguei, naquela época, para os meus familiares que tinham algum dinheiro para investir: COMPREM DÓLARES.

Eu não entendia porra nenhuma de economia. Não tinha a menor ideia da situação da indústria brasileira. "Balança Comercial", "PIB", "Índice Bovespa", eram termos obscuros, pronunciados pelo apresentador do telejornal (Sérgio Chapelen e Cid Moreira, se eu ainda não estou louco...) (Sim, eu sou velho. HAHAHA. Melhor que você, que é jovem, gordo, feio e cara de mamão). Para mim, na época, era líquido e certo: o Dólar valorizaria. O Brasil não sustentaria o Real tão valorizado.

Os meus parentes e pais de amigos que me escutaram e compraram dólares me agradecem até hoje. Houve quem adiou a compra de uma casa por dois anos, devido ao meu conselho. Só esperando, entupiu o rabo de dinheiro. (Aliás, um presentinho de agradecimento não ia nada mal, einhô?)

Bem. Eu posso ter inventado tudo isso aqui, né? Beleza. Então eu vou dar um exemplo "daqui pra frente". Aproveite quem quiser. Eu estou aproveitando.

Em 1998 uns nerds criaram o tal do Bit Coins. Uma moeda virtual, gerada por um programa de computador. Você deixa o programa rodando, ele gasta um monte da memória, capacidade de processamento e da vida útil do teu computador. Além disso, se você quer muitas Bit Coins, você tem que colocar vários computadores full-time, 24 horas, 7 dias por semana, 4 semanas por mês. Isso gasta muita energia elétrica. Ainda mais se você colocar um ar condicionado para não fazer a sala pegar fogo com o calor dos computadores sendo usados direto.

Essa porcaria toda não servia para porra nenhuma. Poucos sites aceitavam Bit Coins em troca de algum conteúdo ou serviço. Geralmente sites pornográficos.

Então veio a crise de 2008. União Européia e Estados Unidos ferrados em recessão. As regiões com economia mais delicada destes dois lugares começaram a sentir os efeitos negativos. Primeiro, foi o dinheiro que rareou. Os empregos foram cortados. Sem salários para gastar, as pessoas não consumiam nas lojas. As lojas pararam de vender, os estoques ficaram parados, demitiram funcionários e não precisavam/tinham como comprar das fábricas. As fábricas sentiram novamente a falta de dinheiro e demitiram mais.

Grécia, Chipre, Espanha, Portugal... Em alguns lugares, uma a cada três pessoas em idade de trabalho não tinha o que fazer. Em um mundo aonde o normal é empregar entre oitenta e noventa e cinco pessoas a cada cem, esses países estavam penando para empregar entre sessenta e setenta.

E você sabe qual é o primeiro tipo de pessoas que são cortados, nessas situações? Sim: homens jovens. As mulheres jovens aceitam ganhar menos(bobas, parem de aceitar isso, BOICOTEM!!!), são mais responsáveis e, geralmente, desempenham as funções com maior qualidade do que os homens da mesma idade.

Esses rapazes se viram com serviços que poderiam prestar, mas ninguém tinha dinheiro para pagar. Foi então que o primeiro gênio se lembrou dos Bit Coins. Passou a aceitar a moeda virtual. Melhor do que ficar parado ou trabalhar por permuta de bens e serviços... Passaram a aceitar Bit Coins aqui, ali... Logo, padarias, cafés, lojinhas... O "amigo do amigo" só poderia pagar com Bit Coins? Sem problemas. Melhor do que não vender nada no mês inteiro...

Você não notou. Eu não notei. Ninguém notou. Mas, ontem, a maior Universidade do Chipre passou a aceitar Bit Coins como pagamento de mensalidades...

E o que essas Bit Coins têm de tão especial? Simples: é a primeira MOEDA que está sendo ACEITA que não foi criada e não é controlada por algum governo.
As flutuações de câmbio dela são incontroláveis e, assim, imprevisíveis. Essa moeda é "criada" "do nada". E, também, é "criada" através de força de trabalho. De negociações, de trocas...

A moeda só tem valor quando nós passamos a aceitar o valor dela para traduzir o nosso esforço de trabalho. E o Bit Coin passou a cumprir essa função. É a primeira moeda de internet realmente bem-sucedida.

Eu coloquei preto-no-branco os dados dos últimos dois dias e o dia de hoje. Você consegue ver o dia de amanhã? Ainda não?

O Brasil esteve, se manteve, está e não entrará no centro da crise, porque nós não "importamos" as coisas boas lá do estrangeiro. Nosso sistema financeiro é infantil, perto dos sistemas do primeiro mundo. Para eles, nós brincamos de esconder dinheiro debaixo do colchão. Por isso não nos desenvolvemos. Mas, em compensação, nós "importamos" todo o lixo cultural. Basta virar modinha lá fora, para - cedo ou tarde - estourar por aqui.

E o Bit Coin JÁ É modinha lá fora. Meu sexto sentido me dá a humilde opinião que só estamos esperando alguma multi-nacional passar a aceitar Bit Coins, para não falarmos de outra coisa, aqui no Brasil.

Por isso, lá vai mais um conselho financeiro do Arthur. Igual ao que dei para parentes e amigos lá no meio da década de noventa. Peguem suas máquinas antigas. Instalem um programa gerador de Bit Coins. Essa merda logo chegará no Brasil. E a cotação dela é cara, por aqui. Um mísero Bit Coin vale, hoje, cerca de dois mil reais. Um computador velho, rodando full-time no mês um programa "minerador", chega a fazer cem reais.

Asso, quando essa modinha aportar em terras tupiniquins, vocês terão os seus Bit Coins para gastar, não precisando inflacionar o câmbio, correndo com seus muitos Reais para comprar os parcos Bit Coins produzidos por aqui... Muito pelo contrário, vocês serão alguns dos poucos detentores de moeda virtual, que será muito desejada e, portanto, muito valiosa.

No meio disso tudo, não sei o que é mais ridículo. Os governos do mundo inteiro querendo limitar a liberdade na Internet, ou as pessoas que acham que os governos terão esse poder e criam "Partidos Piratas" para tentar impedi-los...

Sério, amigos. A única saída é um partido realmente liberal. Clássico. Que torne a liberdade do indivíduo um padrão social. Que forme um Estado aonde todos têm liberdade de tentar, empreender, vencer, perder... E, se a pessoa cair, que tenha perspectivas de encontrar novas maneiras de viver. As amarras dos governos só servem para garantir privilégios para seus favoritos. Precisamo é de um Partido Novo!