segunda-feira, 26 de outubro de 2015

A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Início da nota:

NOTA:
Oi, tudo bem? Faz tempo que eu não escrevo aqui, né?
Ainda mais um "texto de raiz", com minha opinião sincera.
Acho que desde 2012 eu não faço um texto realmente forte.

Pois bem. Esse é o MEU texto a respeito do tema do ENEM 2015. AQUI, no MEU BLOG, eu fugirei do tema, sim. EVIDENTE QUE, estando na sala, com a folha da redação à minha frente, eu escreveria o que o tema está nos obrigando a escrever. Que as mulheres são "tristes vítimas indefesas de homens perversos", que as mulheres "nada fazem para irritar ninguém", que as mulheres são "um poço de ternura", que as mulheres são "nossas mães, irmãs e filhas", que "em mulher não se bate nem com a pétala de uma rosa" e todo o discurso femi-mi-mi-nista esperado. NA PROVA eu estaria correndo atrás de PONTOS PARA SER APROVADO, não de DISCUSSÃO DO TEMA RIDÍCULO.
MAS... Meu tempo de vestibulares passou. Já sou profissional, tenho uma carreira principal bem encaminhada, pelo menos duas carreiras secundárias aonde poderia me agarrar "para não passar fome caso algo der errado" e meus investimentos.
PORTANTO... Meu objetivo aqui é mostrar o problema real, que o TEMA não deixa claro: a persistência da violência contra as PESSOAS na sociedade brasileira.
Obrigado por entender.

Fim da nota.


INTRODUÇÃO:

É CLARO que no Brasil existe violência contra a mulher. Mulheres são agredidas moralmente, xingadas, assediadas (não só, mas também sexualmente), espancadas, sequestradas, estupradas e assassinadas, todos os dias.
Mas estamos no Brasil. Aqui, existe violência contra a mulher, contra o negro, contra o homossexual, contra o pobre, contra a criança, contro o idoso, contra o desempregado, contra o índio e contra qualquer outra minoria que você queira acrescentar. Mas é IMPORTANTE ressaltar que, no nosso país, a violência não é restrita a nenhuma segmentação do povo. Não somos uma Alemanha Nazista, aonde caçamos um grupo específico, os mandamos a campos de concentração para torturarmos e matarmos nossos desafetos.

Fosse um problema específico, certamente a comunidade internacional já estaria fazendo pressão contra nosso país. Provavelmente estaríamos sendo invadidos por forças militares estrangeiras. Mas não. O problema do Brasil é pior do que isso. A violência no Brasil é generalizada. O homem morre tanto quanto a mulher. O branco morre tanto quanto o negro ou o índio. O heterossexual morre tanto quanto o homossexual. O rico morre tanto quanto o pobre. Ninguém é "escolhido" para sofrer violência. Todos sofremos algum tipo de ataque, todos os dias.

Enfim, "tá ruim pra todo mundo", tá ligado?

É - pelo menos - uma falta de EMPATIA sua em achar que só a sua situação é ruim. Que só o seu grupo está sendo discriminado. Que a SUA circunstância se dá pelo que você É, em vez de notar que todos os outros estão no mesmo barco furado (e sem um balde pra jogar a água pra fora).


ARGUMENTAÇÃO A FAVOR:

CLARO que eu desejo que mulheres não sejam vítimas de violência. Que tipo de ANIMAL eu seria, caso desejasse que qualquer ser humano sofresse violência?
E também é EVIDENTE que mulheres recebem tipos de violência específicas. Negar as diferenças físicas e psíquicas entre homens e mulheres não faz com que elas não existam.
Desde a incapacidade (NO GERAL) masculina em entender que mulheres são mais emotivas (NO GERAL), até o extremo cúmulo em que um homem mata uma mulher, a violência não se sustenta. Não é opção. Sempre é errada. Algo deve ser feito para EVITAR a violência contra a mulher, SIM. (Espero que tenha conseguido deixar a minha posição clara!)

Usando o pior tipo de base possível, a minha própria experiência, eu lembro da minha infância. Três mulheres participaram diretamente e ativamente da minha criação. Minha mãe e minhas duas avós. Isso sem falar de dezenas de professoras, minha irmã, tias, bisavó, vizinhas, namoradas, etc... Cada uma contribuiu com algum valioso conhecimento para formar minha opinião e, através desta, minha conduta para com as mulheres.
Não que eu saiba tudo sobre mulheres. Elas são misteriosas pelo seu próprio gênero para nós, homens. Sequer precisamos apelar para a individualidade para dizermos que são diferentes e difíceis de entender. São seres humanos, poxa vida. Exemplares da espécies mais complexa que conseguimos encontrar no universo, até o momento.
Elas são seres fortes, inteligentes, estáveis... Capazes de feitos incríveis de força, destreza, vigor, inteligência, raciocínio e tudo o mais que nos define enquanto humanos. Mas também são delicadas, frágeis, precisam de apoio, muitas vezes de auxílio e tudo o mais que qualquer um precisa para ser feliz neste mundo.
De qualquer forma, minha mãe - e todas as demais mulheres que participaram da minha criação - me ensinou a respeitar as mulheres, em especial. Não se briga com mulheres. Jamais agredir mulheres. Preservamos as mulheres ao máximo de confrontos, quaisquer que sejam. ALIÁS: é de bom tom tomar partido das mulheres e defendê-las, caso estas estejam sendo confrontadas.
Demorou muito tempo para eu notar que esse é um ensinamento perigoso. Partimos do pressuposto que todas as mulheres são boas, honestas e sempre estão certas. Que nenhuma mulher é capaz de qualquer perversidade. Que elas nunca se enganam, nunca estão erradas. É um posicionamento até mesmo contraditório quando vemos que alguns grupos de mulheres INCITAM confrontos (sejam eles ideológicos, discussões, brigas ou até mesmo planejando e executando crimes).

O "Sexo Frágil" não tem nada de "frágil". E se você tratar as mulheres dessa forma, você acabará sempre sendo envolvido nos joguinhos mentais/emocionais/sociais que elas adoram fazer. Para quem pensou "NOVELA", sim. Não é a toa que mulheres assistem novelas. Não é a toa que as novelas perduram no horário nobre da maior rede de televisão há tanto tempo. Homens aprendem a ser maquiavélicos. Mulheres nascem mestras nessa arte.


ARGUMENTAÇÃO CONTRA:

É complicado romantizar as mulheres (ou qualquer ser humano!), "endeusando" suas características. TODOS (sim, TODOS) somos "humano, ridículo, limitado que só usa dez por cento de sua cabeça animal" (não usamos só 10%, mas você entendeu).

Eu GOSTO de citar Tim Mintchin quando ele lembra que TUDO É QUÍMICA.
Seres vivos são química. NÓS, seres humanos, somos química.
E o que diferencia homens de mulheres são compostos químicos. São milhares de moléculas diferentes, agindo em quantidades e lugares específicos do corpo, para transformar o "feto assexuado" em um homem ou uma mulher.
Cada molécula muda o funcionamento de diversas áreas do corpo. Desde as características físicas mais evidentes, até as características mentais mais escondidas.

Vamos deixar os comediantes Louis CK e Chris Rock falarem um pouco sobre as diferenças mentais, as menos perceptíveis. 






Por favor, abstraia a camada de piadas e note os pontos delicados em que os dois tocam.
"Mulheres não são violentas, mas elas são capazes de destruir quem você é."
"Homens se preocupam só com sexo, mulheres se preocupam com o estilo de vida."

Essas diferenças básicas entre homens e mulheres geram formas de violência diferentes. A origem, a motivação da violência é diferente para cada sexo. Mas lembre-se: violência é violência. E toda violência é condenada.

Portanto, é bobagem olharmos apenas a "violência persistida contra a mulher", quando a violência acontece em todos os lugares, todos os dias.
E a bobagem que é vitimizar apenas a mulher fica mais evidente quando vemos NÚMEROS.

1 - Homens morrem mais em TODAS as faixas etárias:

2 - Homens morrem mais cedo:

3 - Homens de 20 à 29 anos morrem quatro vezes mais do que mulheres:

Se homens morrem mais e mais cedo, como a violência segmentada com ênfase nas mulheres é mais importante?


5 - Instituto PragerU mostrando que mulheres não recebem menos pelo mesmo trabalho.



6 - Meninas até 14 anos são 53% das vítimas de estupro.


NOVAMENTE (Caso você não se lembre de ter lido lá na introdução): Não estou argumentando que os problemas das mulheres não existem. Estou tentando mostrar que o problema da violência no Brasil não é PARTICULAR DAS MULHERES. Estou deixando claro que a violência se dá em TODOS OS SEGMENTOS DA POPULAÇÃO.

Ainda restam dúvidas que a violência é endêmica?

1 - Brasil é o 18º país mais violento do mundo:
(À frente de países em revolução ou guerra civil!)

2 - Segundo a OMS, Brasil tem o maior número de homicídios absoluto do mundo:

3 - Brasil tem 16 cidades entre as 50 mais violentas do mundo:

4 - Mulheres não são santas, não:

Basta pesquisar no Google. São inúmeras as estatísticas, notícias e relatórios mostrando como a violência está descontrolada no Brasil. Para TODOS OS SEGMENTOS.


MINHA CONCLUSÃO:

É de uma desonestidade intelectual sem tamanho segmentar o assunto "violência", no Brasil.
A estratégia é antiga, anterior ao Império Romano. Mas foi Napoleão quem a usou com maestria:

"Dividir para conquistar."

Se há algum antagonismo que precisamos cultivar no nosso país e o "POVO Vs POLÍTICOS". Nossos políticos (TODOS) usam do "dividir para conquistar" para desunir a população. Jogaram a isca e nós, enquanto bom povo BURRO, mordemos com força. Andamos por aí, ostentando o anzol como se fosse o piercing da moda.

É "Direta X Esquerda", "Homens X Mulheres", "Heterossexuais X Homossexuais", "Branco X Negro", "Rico X Pobre" e qualquer "Maioria X Minoria"...
O povo inteiro sendo violentado pelos políticos... mas aceitamos o argumento de "lutas de classes" e brigamos entre nós... enquanto os políticos aumentam impostos, cortam serviços e ROUBAM NOSSO DINHEIRO.
É necessário acabar com a violência contra a mulher. E também contra o homem. Contra todo o povo.


COMO SEMPRE, eu não vou terminar o texto apenas levantando os problemas. Vamos dar uma SOLUÇÃO, também.

Solucionar o problema da violência passa, primeiro, por educação das pessoas.
O indivíduo bem educado é o princípio para uma sociedade bem educada.

FONTE
Mas não se trata só de educação de escola. Não. Escola é um lugar aonde você recebe educação técnica. Para o trabalho.
Trata-se de educação para a vida. Trata-se de mostrar o ponto de vista correto sobre os assuntos do cotidiano, para as pessoas.
Mostrar que cada um é agente ativo na construção da sua vida. Que o esforço pessoal leva a pessoa aos seus objetivos. Muito melhor do que vitimizar a pessoa desde cedo, incutindo comparações que só trazem ira à pessoa.
Mostrar desde cedo que o limite de um termina quando começa o limite do outro. Ensinar o respeito ao próximo, às suas ideias, à sua liberdade e à sua vida.
Se trata de educação familiar.

Educação familiar que dá ao indivíduo a base para ser um bom aluno. Para se concentrar nas aulas e aprender o necessário para ser um bom profissional. Bom profissional, este, que tem capacidade de enxergar perspectivas, na vida. Com uma economia saudável as perspectivas são plantadas e, delas, nascem as oportunidades. Oportunidades que mantém sonhos vivos. As pessoas com sonhos vivos mantém-se ocupadas lutando por eles. E gente ocupada em buscar a sua felicidade não enche o saco dos outros.

Que irônico. Somos uma pátria sem valores. Desesperados. Sem perspectivas. Talvez por isso achamos que temos o direito de tomar dos outros o que queremos. Sejam ideias, sejam bens, seja o corpo, seja a vida.