segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Vertentes Políticas

Eu estou cansado, amigo. Cansado de ler BOBAGENS nas redes sociais.
Pessoas que não leram NENHUM livro, analfabetos funcionais que leram livros e não entenderam nada - ou entenderam tudo errado - e alguns poucos que até sabem do que estão falando, mas não sabem os contrapontos...

Uma multidão de infelizes com conhecimentos incompletos, palestrando como se fossem sumidades nos assuntos abordados.

Isso me revolta muito. Demais mesmo.
E você me conhece, amigo. Sabe do meu lema de vida de não falar daquilo que eu não entendo. Sempre cito como exemplo mecânica e moda. Até entendo um pouco de mecânica teórica. Polias, alavancas, etc... Mas você JAMAIS me verá dissertando sobre um motor, por exemplo. Não sei nada sobre motores e não arrisco sequer a emitir opiniões. Sobre motores eu só sei que se fecharmos a corrente elétrica ou fornecermos combustível, eles funcionam. E meu conhecimento sobre moda é menor ainda. Mal consigo dizer o que eu acho bonito, feio ou entendo. E geralmente erro.

Agora, vou te contar um segredo: eu ENTENDO de política. Gosto do assunto. Leio livros, assisto palestras, vejo documentários e debato com entusiasmo, sobre esse assunto.
Você está lendo um texto de alguém que já leu e entendeu Marx, Smith, Varleine, Voltaire, Mises, Engels, os fundadores dos Estados Unidos, Hitler, Ford, Gandhi, pensadores ingleses, holandeses... Entenda, amigo: eu li com olhar crítico Maquiavel quando tinha apenas 11 anos de idade.

Depois de colocar todas essas doutrinas na cabeça, eu avaliei cada uma. Já tive meu tempo de comunista. Já fui conservador e social-democrata. Hoje sou liberal pela simples comprovação: os pobres são mais ricos em países mais liberais.
Estados Unidos, Austrália, Suíça, Reino Unido, Canadá, Nova Zelândia, Chile, Hong Kong, Cingapura, Japão... Os exemplos se empilham ao redor do mundo. Quanto menor é o envolvimento do Estado com as decisões e o dia-a-dia dos indivíduos, melhor a vida dos mais pobres.

Nessa minha bagagem eu notei uma coisa que está muito errada no cenário político do Brasil. Algo que anda me deixando furioso quando vejo alguém citando.
Aqui no Brasil, polarizaram a política. Tudo é "direita" ou "esquerda", como se só houvessem duas possibilidades de posicionamento sobre "como gerir o país".
Nada poderia estar mais longe da verdade.

Para explicar, vou até fazer um desenho para vocês. Vejam a próxima imagem com atenção:


Vendo esse triângulo você já nota que não existe "Direita" e "Esquerda". Isso porque nenhum lado é completamente antagônico aos outros dois.

Conservadores concordam com os liberais que o capitalismo deve ser seguido. Mas também concordam com os comunistas que o Estado deve ter um papel grande na construção do país.
Liberais concordam com comunistas que o povo deve ser o principal beneficiado pelos rumos que o Estado toma. Mas também concorda com os conservadores que o capitalismo é a forma de economia a ser utilizada.
Comunistas concordam com liberais que o povo deve ser o principal beneficiado pelos rumos que o Estado toma. Mas também concordam com os conservadores que o Estado deve ter um papel grande na construção do país.

E em um segundo momento, comunistas discordam de conservadores e liberais no modelo econômico a ser tomado pelo Estado.
Liberais discordam de conservadores e comunistas no tamanho que o Estado tem na vida dos indivíduos.
Conservadores discordam das mudanças no status quo que comunistas e liberais pregam.

E ainda há de se lembrar que existem todos os "tons de cinza" entre as três vertentes. 
Podem haver comunistas voltados ao conservadorismo, que formam ditaduras e desejam exterminar minorias, como Hitler, Guevara, Mao, etc... Ou mais voltados ao liberalismo, geralmente abrindo margem para o liberalismo comportamental.
Podem haver conservadores que desejem uma economia mais aquecida pelo liberalismo econômico, mas sem abrir mão do conservadorismo comportamental (ou ao contrário...). Ou, ainda, que entendam que um pouco de atenção à população possa ser benéfica.
Podem haver liberais que entendam que um pouco a mais de Estado possa fazer bem à população... E outros que defendam um pouco mais de moralismo e ideias conservadoras.

No fim, cada indivíduo está em um ponto único e isolado naquele triângulo da imagem. Isso porque somos todos diferentes. Cada um de nós pensa um pouquinho diferente de todos os demais e isso é saudável.

O grande ponto é que não podemos simplesmente jogar o comunismo na esquerda e os liberais e conservadores na direita, como fazemos aqui no Brasil.
Isso é fundamentalmente errado.

Conservadores são o grupo que eu menos compreendo. Isso porque eles simplesmente QUEREM manter o mundo exatamente do modo que está. Querem manter os usos e costumes de antigamente. Se esforçam para que nada mude.
Conservadores geralmente são avessos a tecnologias. Precisam do dobro de esforço para aceitarem alguma novidade. E mesmo assim só aceitam as que obviamente trazem algum benefício para eles. Na contramão, conservadores geralmente são religiosos fervorosos. Muitos são machistas, homofóbicos, racistas e, é claro, classistas. Se pudessem, tirariam uma foto "dos velhos e bons tempos" e viveriam nela para sempre...
E isso é incompreensível para mim porque está mais do que comprovado que a única certeza que podemos ter nesse mundo é a da MUDANÇA.
Já dizia a piadinha que "tudo muda, até a surda-muda"... Mas piadas à parte, tudo ao nosso redor é dinâmico. Nós, enquanto seres vivos, estamos evoluindo constantemente, através da seleção natural. Nossas ideias avançam sobre a fronteira do conhecimento a cada dia, nos revelando um pouco mais desse misterioso e maravilhoso mundo. COMO alguém pode virar as costas a todos esses fatos?

Comunistas eu até entendo. Não concordo, mas entendo.
Eu divido os comunistas em dois grupos: os mal-informados de bom coração e os bem-informados de mau caráter.
Isso porque o comunismo tem princípios muito bonitos. A ideia é de dissociação total do dinheiro como balizador de relações de trocas, visando que todos sejam tratados com igualdade. E para isso, é necessário toda uma mudança de paradigmas da sociedade. Uma mudança tão profunda em cada indivíduo, que teríamos abandonar comportamentos que nos definem como humanos.
A recompensa seria, é claro, uma sociedade igualitária, aonde todos tivessem o mesmo quinhão.
Acontece que isso jamais ocorreu em todas as experiências socialistas/comunistas. O poder corrompe o ser humano. Somos falíveis, suscetíveis aos "sete pecados capitais" e competitivos por natureza. Assim, os "grandes líderes" e suas castas de burocratas sempre acabaram tomando vantagem sobre o proletariado que tanto defendiam...
Entenda: é do ser humano ceder aos vícios. Gula, avareza, luxúria, ira, inveja, preguiça e orgulho... Essas características movem o mundo. Não é a fraternidade que faz você levantar às seis horas da manhã para ir trabalhar. O que te move é a vontade de ascender. De ser mais. De provar algo para alguém - nem que seja para você mesmo. De competir com os demais e mostrar que você é melhor.
E, por causa disso chegamos a maior prova de que o comunismo não é a melhor saída: nunca nenhuma experiência comunista/socialista deu certo.
Os relatos sempre são os mais tristes possíveis. Desinteresse por ciência e pela produção de bens. Desabastecimento. Falta de inovação e até mesmo retrocesso tecnológico. Isso sem falar na perseguição aos desinentes. 

Por essas e por outras, ou quem defende o comunismo é um desinformado que estudou pouco e não nota a realidade nua e crua... Ou é um mau caráter, que pretende dar o golpe e viver de burocrata no regime, passando muito melhor do que todas as outras pessoas.

E por fim os Liberais. Deixei por último porque é o que eu defendo.
Entenda, amigo: eu não faço lobby pelo que eu acredito. Eu mudo para o que é comprovadamente o mais certo. E é muito mais simples você estar "do lado vencedor".
Cada ser humano que pisou nesse mundo almejou ser livre. Ter liberdade para fazer o que quiser. VOCÊ tem esse desejo, não minta pra mim. E qual das três vertentes tem o princípio de liberdade? É, né?
Mas ser livre é um conceito bem extenso. Você pode não notar, mas existem muitos modos de te aprisionarem. O próprio pacto social é uma forma de tirar tua liberdade. Veja só você: por causa do pacto social, você não pode vir até aqui me matar! Desagradável não ter total liberdade, né?
O Estado, como um todo, tolhe as liberdades individuais, ao determinar leis. Mas uma vida completamente sem leis também é uma prisão. Quem sairia de casa em um mundo aonde qualquer um pudesse matar qualquer um?

Por isso que eu não coloco anarquismo como sendo o extremo do liberalismo. Anarquismo não é uma vertente política. Anarquismo é a ausência total de Estado. Logo, o Estado Mínimo liberal é um dos extremos.
Em um Estado Mínimo, as leis são as mais básicas o possível. Que garantam a cada individuo seu direito à vida, à propriedade e às suas escolhas pessoais. Um Estado que não taxa o indivíduo além do necessário para manter um sistema judicial forte e eficiente, polícia e exércitos prontos para combaterem ameaças internas e externas, um legislativo enxuto para representar a vontade do povo e um executivo mais enxuto ainda, mais com função de representar o país do que de controlar a vida das pessoas.

O liberalismo se apoia na capacidade do indivíduo de empreender. Em um sistema aonde não hajam tantos impostos e intervenções do Estado com leis protecionistas, os melhores podem aparecer e enriquecer. Os medianos podem ter vidas confortáveis cumprindo seus papéis. E a quantidade de empresas privadas existentes tornarão empregos sempre disponíveis para os mais pobres. E quem tem um emprego tem dinheiro. Quem tem dinheiro sempre pode ter uma vida melhor, basta se organizar, poupar e saber investir.


Amigo, o que definitivamente não existe no Brasil (e em nenhum outro lugar no mundo) é essa história de direita contra esquerda. Aliás, se formos ver bem de perto, o que menos temos são políticos defendendo alguma filosofia e, sim, grupos de interesse tentando puxar brasas para suas próprias sardinhas. E não estou inventando nada disso! Quantos candidatos prometeram coisas nas últimas eleições? Praticamente todos vinham com o discurso pronto de "mais educação", "mais saúde", "mais segurança"... E quando saíam do discurso genérico em que prometiam o que o nosso Estado já deveria estar dando, caíam nas promessas claras para determinados grupos como "pelos direitos dos aposentados", "pelos direitos das mulheres", "pelos direitos dos negros", "pelos direitos dos trabalhadores", "pelos direitos dos empreendedores", "pelos direitos de graiskull". Não. Péra. Esse último não.

Cada candidato prometendo coisas para o seu público-alvo e foda-se o resto do Brasil? Como assim?

Como assim o PP e o PMDB são de "direita" e estão aliados ao PT que é de "esquerda"?
Como assim o PSDB é de "direita" e cria o Bolsa-Escola, mais tarde ampliado para Bolsa-Família?

E por fim, essa confusão de direita/esquerda faz com que liberais e conservadores saiam às ruas contra os comunistas, como as passeatas do dia primeiro de novembro. Essa mesma confusão fez com que comunistas, liberais e conservadores saíssem às ruas em 2013. 
Ninguém ainda sabe quais eram as reivindicações, porque cada grupo pediu o que quis. Uns queriam mais Estado, exigindo passe livre nos ônibus. Outros pediam menos estado, pelo corte de impostos. Outros, ainda, pediam mais moralidade na figura de mais segurança pública. Pedidos incompatíveis, mas lado a lado na marcha.

O Brasil precisa de muitas coisas. Mas, sobretudo, o Brasil precisa que o brasileiro estude mais. Pelo menos para saber aonde se encaixa nesse mundo.