sexta-feira, 27 de março de 2020

Sobre Twitter, CoviD19 e Teoria de Grupos

Então, lá no distante dia 30 de janeiro eu fui suspenso do Twitter. E por "suspenso", entenda "expulso".

O motivo? Uma entidade pau no cu, arcaica, pré-histórica denunciou 4 tuítes meus como infração de propriedade intelectual.

Veja só você, que coisa, não? Logo eu, que defendo a propriedade intelectual, sendo acusado de roubar propriedade intelectual.

Acontece que esses 4 tuítes que eu postei eram de vídeos feitos por terceiros, onde havia música incidental de artistas defendidos por essa entidade. Ficaram putinhos com o meme e sem perguntar se era meu ou não, denunciaram minha conta para o Twitter. O Twitter - que possui regras mais absurdas para suspensões temporárias e permanentes - também não se deu ao trabalho de analisar o conteúdo. "Tem a música?" "Tem." "Tá expulso." Porra, eu estava roubando propriedade intelectual de alguém que roubou propriedade intelectual. Ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão, caceta. E eu nem tava roubando, só repassando a porcaria do meme pra frente.

Forma de reaver a minha conta? Entrar em contato com a entidade, explicar o que aconteceu e esperar que eles retirem a denúncia.

A resposta da entidade? "Denunciamos milhares de casos e não temos como avaliar cada um deles em separado."

A resposta do Twitter? "Pau no seu cu, tô pouco me fodendo para o teu caso."

A resposta do Arthur? Não volto mais pro tuíter.

Mesmo porque, o Twitter é feito das pessoas que postam naquela rede social. Quanto menos pessoas postarem, menos relevante a rede se torna. Eu sei que eu não sou lá grandes coisas, mas eu não somo mais o +1 lá no contador de usuários. Vão se foder, antes que eu me esqueça.

E, para ser sincero, faz algum tempo que eu já estava de saco cheio de rede social.

Primeiro porque eu entendi o Efeito Barbra Streisand. Cada assunto é tão relevante quanto o foco que você dá para o assunto. E, puta que me pariu, povo de rede social é gado demais. Dão foco para qualquer merda, mesmo para os assuntos que eles não gostam. E dá-lhe compartilhamento do assunto só pra dizer o quanto o assunto é irrelevante, ruim e nem importa. Sem saber que estão dando força para o assunto, mesmo falando mal dele.

"Falem mal, mas falem de mim."

Com o tempo, você fala mal tantas vezes de algum assunto, que o assunto ganha quantidade de menções suficientes para se tornar popular.
Do mesmo modo que a Luciana Gimenes chamou o Bolsonaro para zoar ele e, sem querer, deu espaço e notoriedade para o deputado irrelevante. O Bolsonaro - que de bobo só tem a cara e o jeito de andar - aproveitou o espaço para ser o máximo polêmico possível. Garantiu audiência, mesmo que de pessoas horrorizadas com as opiniões bosta dele. A TV quer audiência e o assunto ruim deu audiência.

"Falem mal, mas falem de mim."

Dez anos depois, tá aí o Bolsonaro na presidência.

Depois, por causa da máxima de MIB: Uma pessoa é inteligente, o povo é burro.
Onde estiverem duas ou mais pessoas reunidas, pode ter certeza que a imbecilidade se instaura e todos ali passam a agir feito gado.
É um processo biológico, sabe? Somos animais sociais. A evolução nos moldou assim porque o grupo garante segurança. Nos tempos de savana, os indivíduos cujo corpo secretava hormônios de prazer por atividades em grupo tinham a tendência de viver mais e reproduzir.
E atividades em grupo são uma bosta. Se você não é dominante no grupo, você não discorda do grupo para não ser expulso do grupo. E assim, você dá mais e mais razão para os dominantes do grupo, garantindo que os outros membros do grupo também estejam presos nessa estrutura de ser obrigado a concordar com a opinião dominante.

E eu tenho a péssima mania de pensar por mim mesmo, sabe? Já perdi o número dos grupos dos quais fui defenestrado porque eu ousei ter a minha própria opinião em vez de concordar bovinamente com a opinião dominante.

E o impressionante dessa dinâmica é que os grupos SEMPRE colocam pessoas estúpidas como líderes dominantes. Mesmo porque a escolha por líderes não está associada a inteligência de suas decisões mas, sim, por sua capacidade de se impor perante os demais. Seja usando a boa e velha força, seja por carisma, seja por simplesmente falar mais alto e impositivamente. Raramente líderes são escolhidos pela capacidade intelectual. Na verdade, só o acaso coloca o mais inteligente na liderança de grupos. Geralmente porque as outras pessoas são tão burras que o mais forte ou mais carismático é também o mais inteligente.

O pessoal inteligente geralmente fica em segundo plano no grupo. A maioria sabe que o grupo está errado, mas fica quieto. Os que avisam são taxados de chatos. E os que têm o mínimo de relevância no grupo logo são vistos como ameaças pelo pessoal dominante. Os líderes normalmente não gostam de ser desafiados. E se serem desafiados por alguém sabidamente mais inteligente deixa os líderes apavorados. E nesse momento eu tô falando de disputa por liderança de grupos. Tô falando de carneiros batendo cabeças até um desmaiar. De leões lutando até a morte pelo controle do grupo. Girafas dando pescoções até quebrar o pescoço do rival.

Bem, cada vez que um líder estúpido me atacou eu reagi do mesmo modo: virei as costas e deixei o grupo. Fodam-se. Meus instintos gritam para fazer parte do grupo. Medo de ficar sozinho na savana. Mas meu cérebro superior sabe que eu não estou mais em uma savana. Tamos aí, século 21, era da informação, sociedade ocidental avançada. 8 bilhões de pessoas no mundo. Se eu sair de um grupo, logo encontrarei outro grupo. E se o novo grupo for uma bosta, posso encontrar outro e outro grupo. E vou até ser sincero: eu ando evitando novos grupos. O vício de relações sociais tira a liberdade do indivíduo. Em pouco tempo nos vemos fazendo coisas para agradar o grupo em vez de focarmos na nossa própria felicidade.

E o twitter replica essa dinâmica muito bem. Você entra em grupos e, quando nota, sabe quem é o líder do grupo. Começa a concordar com uma opinião dominante. E quando você nota que a opinião dominante tá estranha, você não pode dizer nada contra, porque logo aparece uma multidão bovina para te ridicularizar por ousar pensar sozinho.

Por dois ou três dias eu pensei em fazer um fake e voltar para o Twitter. Mas eu pensei melhor. Além desses dois motivos, fevereiro ainda me mostrou que eu estava passando tempo demais no twitter. A quantidade de tempo que apareceu no meu dia não tendo twitter para me ocupar foi surpreendente! E eu mantinha salvos os memes que eu postava. Fui dar uma conferida no tamanho da pasta de imagens e gifs: 45 gigas. Imagine o gasto de tempo, internet e equipamento. O retorno que o twitter me deu? Dois ou três bons contatos (que jamais renderam nada no mundo real), 5 ou 6 encontros com algumas meninas e internet fake points a rodo.

No final das contas: foi até melhor ter deixado o twitter para trás.

Aproveitei e larguei o LinkedIn, também. Se o twitter é tóxico, você não tem noção do quanto é terrível o LinkedIn. É a representação em rede social da fogueira das vaidades. Absolutamente nada do que está ali é real. Todo mundo maquiando a realidade para parecerem os melhores profissionais do planeta. Porque? Porque o LinkedIn serve apenas para recrutadores de RH preguiçosos aliciarem funcionários de outras empresas. E, puta que me pariu, como é terrível de ruim o trabalho do pessoal de RH. 

Conversa real:
RH: "Eu analisei o seu perfil e tenho uma vaga perfeita para você como gerente de loja de roupas!" 
Eu: "Obrigado, mas apesar de ter cursos de gestão, meu foco de carreira é Gestão Ágil de Projetos de TI..."

Tentei usar Facebook e Instagram para postar os memes que eu ainda tenho facilidade de encontrar na internet. Mas os públicos são diferentes e não funcionou tão bem. As chances são de abandonar de vez essas redes sociais, também.

E é por isso que eu tô a cada dia mais sumido das interwebs da vida.



Coronavírus, ein?

Você escuta os especialistas, eles te dizem para ficar em casa, cuidar da saúde para, assim, conseguirem atender todo mundo que for ficando doente.

Você escuta os líderes e os boçais repetem besteiras como "economia vai colapsar", "é só uma gripe", "só pega em velho", etc...

Aí, é claro, os seguidores bovinos desses líderes passam a perseguir o pessoal inteligente, grupos, blá-blá-blá...

Mas tem uma parcela bem interessante do povo que desperta nesses momentos. Gente que acha ser inteligente legal. Só que essas pessoas não são inteligentes de modo algum. Entende o gap? Você quer estar em um padrão, mas não tem capacidade para estar ali. Então o que faz esse "wanna be"? Sim! Finge!

Aí aparece toda forma de charlatão, criando hipóteses absurdas, com claras falhas de lógica para quem tem o mínimo de inteligencia. Anti-vaxxers, Terraplanistas, Nacionalistas, Comunistas... Tem gente que duvida do ser humano ter chego na Lua. Fosfoetanolamina. Com o Corona vírus tem uma galera aí achando que remédio caseiro é suficiente. Negando que a doença seja tão terrível. Houve até "espertos" difundindo a informação que o vírus teria sido criado em laboratório.

Há quem chame de "fake news"... Eu chamo apenas de "humanidade". É só ver como os grupo funcionam e extrapolar. 

O futuro? Pior e pior. Até termos algum déspota esclarecido no poder, que "ponha os pingos nos is" e arrume essa baderna.

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