domingo, 27 de maio de 2012

Marcha das Vadias!

Para não chamar de hipocrisia, vou dizer que falta é bom senso, mesmo.

Vamos ver se eu entendi direitinho:

As mulheres fazem - historicamente - o papel passivo na conquista. Assim como as flores atraem os polinizadores com açúcares, cores e texturas convidativas, as mulheres se "montam" para atrair o parceiro.
Sim, elas cuidam do corpo. Elas querem estar com "tudo em cima", sempre. Magrinhas, malhadas, siliconadas, cabelos e unhas feitas, esfoliantes, massagens, hidratações, maquiagem, olhos, dentes...
Elas se importam demais com os cheiros. A indústria dos perfumes foi criada para elas.
Elas usam subterfúgios. Os saltos altos femininos foram adotados apenas para acentuar a lordose, nas mulheres. Sim, para ressaltar a bunda. Apenas isso.
Elas capricham nas roupas. Querem mostrar as pernas, mostrar a barriguinha, mostrar as costas, mostrar o decote.
Tudo isso não é para se sentir confortável. Não, nenhuma mulher fica "de bobeira" com um espartilho, por exemplo. Confortável é moleton. Sutiãs especiais, para "levantar" os seios, não são ideais para ficar de bobeira, trabalhar ou sair para se divertir.
Tudo isso não é para "aumentar a auto-estima" ou "para estar bem consigo própria". Não há como imaginar que alguém se sinta melhor consigo mesmo, só porque está mostrando para os outros os seus atributos.

Literalmente as mulheres se objetificam. Em lugar de estudarem, pesquisarem, se tornarem pessoas melhores, ficam se preocupando apenas com o externo. Pena.
Com muita imagem e pouco conteúdo, não percebem que atraem, sim, os homens. É natural isso. Os homens sentem interesse e, consequentemente, investem.

Dois parênteses necessários. Aliás, justamente necessários porque quem criticaria esse texto não tem conteúdo para discernir esses dois pontos:

1 - Existem malucos. Doentes. Homens lunáticos, agressivos e completamente fora de si. Aqueles que fazem as coisas porque alguma voz fala dentro da cabeça deles. Para esses caras, não adiantam manifestações, passeatas e frases de ordem. Adianta só cela acolchoada e camisa de força.

2 - Existem mulheres que abordam os homens. Que passam a cantada e conquistam o homem que lhes interessa. Mas, convenhamos e não sejamos hipócritas, o comportamento mais comum entre as mulheres é esperar que o homem tome a iniciativa, mesmo.

Parentese fechado.

Então vamos lá. A menina está linda e perfeita.

Além do visual impecável, ela está armada com as desculpas mais esfarrapadas que podem existir.
Coisas como o famoso "Eu estou saindo só para dançar..." ou "Não tem nada demais essa roupa para ir trabalhar..."

Então, aqui, tem uma linha tênue. Diria microscópica, quiçá invisível! Uma barreira muito subjetiva entre a dança da sedução e o assédio sexual. Entre uma noite tórrida de amor e um estupro consensual.

Sim, porque, em tese, estes atos começam em um mesmo ponto: o interesse de um homem, por uma mulher. E o que diferencia, na prática, uma cantada, que pode levar a um encontro, que pode levar a um romance, que pode levar a um casamento, filhos e uma vida longa e feliz, de um nojento, vil, desprezível e imoral, assédio sexual?

O que determina se a investida de um homem é "normal" ou "ilegal"?

Bem, isso é algo que eu estive pensando muito, e não encontrei "pontos finais".
Claro, porque é natural do ser humano ter interesse por potenciais parceiros. E, quando o interesse é grande o suficiente, é mais comum, ainda, a abordagem. "Oi, vem sempre aqui?" "How you doing?" "Quer almoçar comigo, hoje?" Sem falar em outras centenas de milhares de frases.

Penso, então, que o problema do assédio sexual é o local. O contexto. Só que... Existem muitos casais que começaram a namorar no trabalho. Em uma situação que não era de convívio social. Pessoas que se conheceram em ambientes que não eram propícios para uma cantada. Quem, aqui, nunca ouviu a cantada "que horas você sai do trabalho?", por exemplo?

Bem, senão é o lugar, só pode ser como a frase é dita. Mas, mais uma vez, fico em dúvida. Porque o momento da descoberta do interesse e da investida são de alta tensão. Há a excitação. A vontade de conhecer algo totalmente novo. De descobrir o amor. O nervosismo. A vontade de fazer tudo correto, misturado ao turbilhão de emoções, instintos e hormônios. Realmente é complicado. Não é qualquer um que consegue se dominar e evitar de falar bobagens, sem querer!
Mas há quem fale do próprio contexto. Dizem que abordar qualquer um, a qualquer hora, de surpresa, seja assédio. Bem, não sei se é sempre bem assim. Já aconteceu comigo e insisto: existe o "amor a primeira vista". Você passa pela rua e vê uma pessoa maravilhosa. Fazendo algo que te chama muito a atenção. Vai fazer o que? Ficar calado e perder a chance de conhecer o amor da sua vida?

Volto à situação inicial. É uma linha muito tênue. Eu, enquanto homem, só sinto mais um temor. O temor de estar com a melhor das intenções e, por algum motivo qualquer, ser interpretado errado e acabar sendo acusado de assédio sexual.

Piora se você pensar que o homem pode nem ter feito nada! Sim, uma mulher pode se confundir ou, simplesmente, agir de má fé. É a palavra da vítima, contra a do acusado. E como o homem não tem um estatuto próprio, é complicado.

Se acaso não for o homem que ela quer que a aborde, já pode ser um assédio sexual.
Piora se ela acaba aceitando conversar, fala frases ambíguas e cede a famosa "ficada", para o pretendente - que ela nem está muito interessada. Ele, ali, achando que está conquistando uma mulher maravilhosa. Ela, ali, "pagando para ver" "onde é que isso tudo vai parar". Se o cara não tem uma empatia muito grande (o que é normal para homens), ele fica a um mísero passo de cometer até um estupro. Consentido ou não. Com violência ou não.

Aí, a "pobre menina que saiu de casa vestida como puta para caçar" fala em assédio sexual e/ou estupro.

Fico confuso demais. Elas próprias se auto-objetificam e, quando são tratadas de acordo com o que aparentam, ficam revoltadas. Existe um dito popular - que eu gosto muito - que diz "o hábito faz o monge". O modo como você se veste ajuda a determinar a primeira impressão que as outras pessoas terão, de você. "Tribos urbanas" são identificadas, assim. Pessoas com roupas coloridas e franjas nos olhos. Pessoas vestidas todas de preto, com coturnos e camisas de bandas. Pessoas com terno e gravata. Pessoas com decotes que mostram muito de seus seios, pernas e bundas...

Revoltam-se e vão às ruas, ostentando cartazes com  dizeres ridículos a respeito de como são "donas" de seus corpos. Bradam coisas como "Não sou só peito e bunda". Sim, se vestem para atrair homens e, quando atraem o errado, acham que a culpa é "deles".

Eu sei lá. Tenho medo disso. Na dúvida, não falo mais com mulheres que eu não conheço. Ainda mais se não houverem muitas testemunhas, por perto. Vai que eu pergunto as horas, por aí, e acabo na frente de um juiz?

Elas têm do direito de serem vadias? Muito bem! Nós, homens de bem, temos o direito de ficarmos totalmente afastados delas. Quem sabe nós, homens de bem, fazemos a "Marcha das Mulheres de Bem"?