quarta-feira, 30 de maio de 2012

Nova Classe Média

O governo brasileiro aprendeu o poder que a matemática tem. Deixou de ensiná-la às pessoas, nos colégios, e passou a utilizá-la para afirmar o que quiser.


Os números não mentem. Nunca. Mas sempre podem ser manipulados, para dizerem a verdade que você quer escutar.


Na noite de ontem, o secretário de ações estratégicas da SAE, Ricardo Paes de Barros apresentou as novas faixas de classes, no Brasil, divididas pela renda familiar.


Os extremamente pobres têm renda per capita familiar até R$ 81 e os pobres, de R$ 81 a R$ 162.


Dentro da classe média, foram definidos três grupos: 
A baixa classe média, com renda familiar per capita entre R$ 291 e R$ 441; 
A média, com renda familiar per capita de R$ R$ 441 a R$ 641;
E a alta classe média, cuja renda familiar per capita fica entre R$ 641 e R$ 1.019.

A classe alta estaria acima de R$ 1.019 e também foi dividida em dos grupos. A baixa classe alta ficaria entre R$ 1.019 e R$ 2.480 e a alta, que fica acima deste valor.


Com isso, 54% da população acaba de ser unificada, passando a ser considerada classe média.


Da noite para o dia eu passei a ser uma pessoa considerada "classe alta". Te mete!


Absurdo, amigos, é pouco. Precisa muito mais que uma classificação boba como essa, para tirar as pessoas da pobreza. Pelos padrões atuais, a classe média brasileira passa fome. Aliás, se a classe alta não cuidar seus gastos, pode acabar tendo mais mês do que salário.


Fico imaginando, entretanto, a parcela da população que ganha mais de vinte mil reais por mês. Aquela parcela que rege nosso país. Políticos, seus cumpinchas em cargos de confiança, grandes empresários... Eles são o que, nessa nova escala? Podres de ricos?


Não tem mais como levar a sério esse país.