quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Importação de médicos -> O PT escrevendo certo por linhas tortas...

Eu sou um libertário puro, sabe?

Depois que você entende porque o Capitalismo dá certo. Depois que você enlaça ele com as leis da selva. Depois que você nota que o mais apto sempre se perpetua... Depois disso tudo você nota que não haveria outra forma das pessoas viverem que não fosse através de competição. O Capitalismo transformou o mundo em um jogo, aonde os pontos são somados de acordo com a sua conta bancária. É preciso estratégia para enriquecer. E quanto melhor sua estratégia, mais pontos entram na sua conta. E, assim como qualquer bom jogo, compra-se tempo de jogo (vida) com esses pontos.

O mundo só chegou aonde está por causa do Capitalismo. Não fosse essa necessidade em ganhar a competição, as pessoas não se esforçariam. Ninguém quer ficar acordado até as 3hs da manhã, a base de café, para entregar um trabalho no prazo estabelecido. Não fosse o Capitalismo e suas regras, ninguém faria isso.

Regras. O Capitalismo tem regras claras, espelhadas nas melhores regras da selva. Darwin + cadeia alimentar. O mais apto ganha a próxima refeição. O menos apto vira a próxima refeição. Não são leis minhas, amigo. É a vida real. Aquela que você nem pode dizer que "se esqueceu de como é", porque nunca a viveu.

Sim, eu concordo contigo. São regras viscerais. Somos máquinas químicas emotivas. Sabemos muito bem da nossa condição precária e limitada de vida. Não só sabemos que vamos viver "como dá" até a nossa morte inevitável, como já sentimos tristeza por sabermos que todas as outras pessoas do mundo também viverão vidas miseráveis até o suspiro derradeiro. Dentre estas pessoas, estão aquelas que amamos. E, puta que pariu, a pior sensação do mundo é não conseguir dar para aquela pessoa que amamos, aquilo que nós sabemos que ela precisa. O Gandalf é que sabia do que falava, quando disse ao Frodo: "Muitos dos que devem morrer, vivem. Muitos dos que devem viver, morrem. Diga-me Frodo, você consegue dar vida a eles, novamente?"

O Capitalismo é selvagem, mas sua aplicação é uma convenção nossa. E, tal qual, podemos ajustá-la. Temos que ajustá-la.
(Quem você acha que libertou os escravos ou formalizou as mulheres no mercado de trabalho? Acha que foi a causa anti-racismo ou o feminismo? Mesmo? Não seja ingênuo: negros e mulheres só se tornaram "livres" porque o Capitalismo demandou mais pessoas para trabalhar e consumir...)

Concordo que temos que garantir - ao menos - o início igual para todas as pessoas. Oportunidades iguais para todos. Mesmo para os desiguais. "Jogos" devem ser justos. Se não forem justos, todos os esforços são em vão.
Na nossa sociedade, muitos fatores determinam o volume da sua conta bancária. Infelizmente muitos deles são aleatórios, e costumamos colocá-los no pacote "sorte". Loterias, oportunidades únicas na vida, intempéries, etc...
O limiar da "sorte", ao meu ver, é o fator herança. Claro, ninguém pode escolher nascer em uma família rica. Logo, como o processo é aleatório para o herdeiro, é como se fosse "sorte" nascer em uma família rica. Mas, é claro, se a família e o próprio herdeiro não tratarem bem os seus recursos, eles se esvaem naturalmente.

Acontece seguidamente com ganhadores dos primeiros prêmios de loterias milionárias.

Essa coisa de "sorte" é interessante e está sempre vinculada à algum tipo de estratégia. De conhecimento sendo utilizado para tomada de decisões acertadas.

Exemplo? Há vários reais sobre esse assunto, por aí. Mas fiquemos em um da ficção, por ser mais fácil de identificar:
Forrest Gump só ficou rico porque seu barco de pesca de camarão foi o único que ficou inteiro depois de um furacão.
Mas Forrest TINHA um barco pesqueiro de camarão, para apostar na sorte de enfrentar o furacão.
E ele comprou esse barco porque fez uma propaganda para materiais de tênis de mesa.
E eles só foi contratado para fazer tal propaganda por ser um excelente atleta.
E ele só se tornou um excelente atleta porque teve tempo para treinar muito, no hospital do exército, e por ter o "defeito" de ter muita capacidade de concentração.
E ele só estava no hospital do exército porque havia levado um tiro na bunda, durante a guerra do Vietnam...

Sei, isso tudo é pura ficção. Mas é uma história que todos conhecemos, que nos lembra o quanto os reveses da vida acontecem. Como os juízes do futebol, que hora "erram" para um time, hora "erram" para o outro time. Na vida real acontecem momentos de sorte, quando o mundo "erra para o bem", e momentos de azar, quando o mundo "erra para o mal".

Nesse ambiente caótico de sorte e azar, temos que saber prever as marés, o movimento das estrelas e as intempéries do tempo para conseguirmos utilizar nosso conhecimento, nosso raciocínio e nossa inteligência. Assim, com estratégia, podemos ajustar nossas velas e navegar no oceano de oportunidades, aproveitando os melhores ventos que encontrarmos.

O certo é que temos que interferir na selvageria do Capitalismo para dar a todas as pessoas a capacidade para adquirirem conhecimento, interpretá-lo e, a partir disso, formarem suas estratégias.
O que cada um faz da sua vida depois disso, é problema particular de cada um de nós. Você com seus problemas, eu com os meus. Não sou seu pai para te levar no colo e nem quero que ninguém dite o que eu tenho que fazer da minha vida.

E essa livre concorrência de ideias, estratégias e oportunidades, salpicadas com o acaso, gera o cenário do nosso tabuleiro do jogo do Capitalismo. Quem tem boas ideias, boa estratégia, sabe agarrar as oportunidades que aparecem e ainda aproveita as marés de boa sorte, se sobressai. Quem coloca suas fichas em ideias, estratégias e oportunidades duvidosas se dá mal. É da vida.

E se lembre: quem está falando isso sou EU. Um fodido na vida, nascido em família de classe C-D. Um alguém sem grandes ideias e habilidades medianas. Logo, não estou "militando em causa própria". Não estou defendendo o liberalismo porque eu seria beneficiado mas, sim, porque o sistema é justo.

Mas lembre-se que nós somos máquinas químicas emotivas. Aliás, nunca se esqueça disso. Até o mais leve sopro nos gera emoções. E as emoções estão em um nível de processamento do nosso cérebro muito mais basal do que o nosso raciocínio lógico. E, se nós não podemos confiar plenamente nos nossos pensamentos mais refinados, o que podemos falar dos pensamentos primitivos, como as emoções?

Colocamos as emoções no meio da jogada e ferramos tudo. Literalmente. É só o ser humano começar a "pensar com o coração" para se tornar um otários na vida. Um gerador de oportunidades para os demais.
Essas emoções criaram as religiões, por exemplo. Qualquer crença em uma pós-vida é mero resultado do medo gerado pela certeza da morte (sua e de quem você ama), da esperança de que ~um dia~ você verá todos a quem você ama em um mundo aonde não haja dor e, por fim, que exista uma "justiça superior", que irá julgar e sentenciar todas as pessoas na terra.

Emoções, emoções, emoções...

No Capitalismo, as emoções passam a criar regras que chamamos de "protecionismo". Queremos que amigos, conhecidos e conterrâneos se deem bem nos seus negócios. Então, para que ninguém concorra com nossos amigos, começamos a "proteger o mercado". Mas, na verdade, ninguém está "protegendo o mercado". Regras estúpidas são criadas para proteger o negócio dos nossos amigos, prejudicando o mercado, isso sim!



Criamos regras de beneficiamento em nossa casa, rua, bairro, cidade, estado, país, bloco econômico, continente, etc... Fazemos com que os concorrentes melhores que nossos amigos não possam atuar na mesma área dos nossos amigos. Criamos um "brete" econômico para a população. Essas regras poluem o mercado inteiro, para que o pequeno grupo dos meus amigos continue ganhando dinheiro.

Já contei aqui a furada do Bush, né? Não viram? Ou, pelo menos, vocês ao menos viram que Detroit virou uma cidade-fantasma, né?

Então... a campanha do titio Bush foi patrocinada por muitas empresas. Entre elas, pela indústria do aço dos Estados Unidos. Lembre-se do fator estratégia: no Capitalismo ninguém dá nada de graça. Espera-se retorno de cada centavo investido. A indústria do aço dos Estados Unidos andam mal das pernas, porque o aço brasileiro e de outros lugares do mundo é mais barato. Sim, nós damos aço quase de graça para eles. Ao aceitarmos receber menos pelo aço que vendemos, a indústria do aço Norte Americana perde clientes. E, assim, tem que demitir, fechar, etc...
Qual a "solução" do Bush para ajudar aos amigos que patrocinaram sua campanha? Sobretaxar as importações de aço. Assim, o aço importado ficaria mais caro que o aço nacional. E o aço nacional passaria a ter o melhor preço para o mercado interno deles. Caro, mas o mais viável. A indústria do aço norte americana voltou a vender e ficou feliz.
MAS... O aço é matéria-prima para diversas outras indústrias. Entre elas, a indústria automotiva. Como o aço ficou mais caro, o valor foi repassado para o consumidor final dos carros. Os carros norte-americanos ficaram caros e as vendas despencaram até pararem completamente. Os consumidores norte-americanos passaram a comprar automóveis europeus ou asiáticos.

Você lembra das notícias da GM quase falindo, né?
Do governo dos Estados Unidos tendo que socorrer a GM?

Bem, para proteger amigos os amigos produtores de aço, o Bush destruiu a indústria automotiva. E como Detroit é a cidade que mais tinha montadoras de automóveis...

Por isso eu sou um libertário, sabe? O comércio não deve ser impedido. Não deve ser taxado. Não deve ser setorizado, negaceado ou impedido de qualquer forma. Aliás, o comércio deve ser difundido e incentivado. Que cada pessoa nesse mundo tenha sua própria empresa e produza algo, tentando ganhar seu dinheiro.

Honestamente.

Porque, depois de garantir que todos tenham estudos básicos para enfrentar o Capitalismo, o Estado deve garantir a justiça do comércio. Direito de propriedade. Direito de criação de contratos. Direitos do consumidor. Direitos do comerciante. Regras claras, de preferência "afixadas em praça pública". Ensinadas já nos primeiros anos de escola, que é para que ninguém alegue que "não sabia" delas.

Aproveitando a onda do Obama fazendo discurso parecido com o do Martin Luther King, eu também "tenho um sonho", sabe?
Eu sonho com um mundo sem barreiras. Cujo único custo adicional de um produto feito do outro lado do mundo seja o do frete entre o final da esteira de produção até a loja da esquina ou até a porta da minha casa.
Sonho em um mundo aonde o conhecimento seja nivelado. Que as crianças no Haiti, Cuba, Coréia do Norte, mundo árabe, Etiópia e nos mais distantes e pobres lugares do mundo, tenham o mesmo acesso à mesma educação de qualidade do que os filhos de bilionários.

Nosso conhecimento já é universalizado. A internet está no mundo inteiro e só não acessa quem não quer ou é impedido. Impedimento geralmente causado por protecionismo, aliás. Governos que não querem só manter as pessoas em um brete comercial para as empresas de seus amiguinhos, como querem manter as mentes das pessoas presas, para manutenção do próprio poder.
Com a garantia de que todos recebemos os mesmos conteúdos, nossos diplomas valeriam em qualquer lugar.
O ato de contratar alguém ficaria muito mais complexo do que é hoje. Os psicólogos (que geralmente já fazem um trabalho horrível no recrutamento e seleção), ficariam completamente obsoletos.

Cada pessoa deveria saber o seu próprio potencial. Aliás, "dever já deve". Faz mais de dois mil anos que a frase "Conheça-te a ti mesmo" foi cunhada. E, desde sempre, quem consegue descobrir os detalhes da própria capacidade tem uma vantagem sobre os demais. Conhecimento é poder, nem que seja o auto-conhecimento.

E é aí que entra o zé-povinho brasileiro.

Nós somos hedonistas por excelência. Todos queremos "desfrutar do bem-bom", sem o ônus do esforço. Queremos o popular "se dar bem em tudo". Pouco trabalho, muito dinheiro. Cunhamos até a "lei de Gerson": "Venha se dar bem você também!"
E, paradoxalmente, somos emotivos demais. E essa receita misturada resulta nessa merda de país. Nós achamos que o melhor para nós mesmos e para as pessoas que nós amamos é pouco trabalho e muito dinheiro.

Criamos aqui no Brasil o que eu chamo de "coitadismo". Todos nós sentimos pena e queremos "proteger" a todos. Então, formamos SUS, delegacias especiais, taxas para proteger a aposentadoria dos trabalhadores, taxas para proteger acidentados no trabalho, taxas para proteger desempregados... Taxas, taxas, taxas, para coitados, coitados, coitados...
O Estado pensa em tudo, para nós. E, nessa super-proteção de tudo, o Estado vêm tirando nossas liberdades.
O Estado determinou que não sabemos negociar nossas condições de trabalho. Criou a CLT.
O Estado determinou que não sabemos cuidar do nosso dinheiro. Criou a poupança forçada do FGTS para cada um de nós.
O Estado determinou que não sabemos criar escolas privadas. Criou a escola pública.
O Estado determinou que não sabemos criar hospitais. Criou o SUS.
O Estado determinou que não sabemos cuidar de uma poupança para a velhice. Criou o INSS.

O Estado nos vê como coitados. E, com o passar do tempo, notou que estava arraigado em todos os pontos das nossas vidas. Determinando cada decisão nossa. O Estado determina o que você aprende. O que você come. O seu salário. Até o momento da sua morte.

Tudo através de funcionários públicos. Gente da gente. "Brasileiro-coitadinho-que-quer-se-dar-bem-em-tudo", que atende aos outros "brasileiros-coitadinhos-que-querem-se-dar-bem-em-tudo-também".

Os interesses do Estado estão completos. A falta de vontade em nos dar liberdade de pensamento é unida a um currículo imbecil, ministrado por professores incompetentes para alunos que não se interessam.

Fabricávamos compositores de "Trem das Onze". Passamos pela Tropicália, pela Bossa Nova, pelo Iêiêiê, pelo rock dos anos oitenta, pelo pagode dos anos noventa... Hoje nossas escolas fabricam compositores de Funk, mesmo. A expressão máxima da dança nacional é uma mulher de quatro no palco, rebolando a bunda empinada na direção da platéia. E há quem defenda publicamente que isso é "cultura".

O ponto é que o povo brasileiro foi tão protegido, mas tão protegido, que adoeceu e está quase morrendo.
Sabe quando a mãe acha que seu filho é frágil? Sabe quando essa mãe não deixa a criança fazer nada? Sabe quando a criança "não ganha anticorpos"? Sabe quando a criança pega uma pneumonia e morre por qualquer ventinho que tenha pego sem querer?

O Liberalismo econômico é parecido com uma infância normal. Certamente a criança vai rala o joelho. Vai machucar o braço, levar ferroada de abelha, ficar resfriado por ter tomado chuva e cair um tombo mais dia ou menos dia. E vai doer. Vai machucar. Vai sangrar. E essa criança só não vai quebrar um osso por sorte.
Mas, protegida de tudo isso, a criança não ganha experiência. Não "fica cascuda" para enfrentar a vida. Não busca se superar em nada. A proteção gera uma "zona de conforto", aonde a criança se instala. E, se nada acontecer, dali a criança nunca sairá.

Aconteceu no Brasil inteiro. Mas eu vou contar dois casos que estavam próximos a mim.
Você lembra quando o Collor "abriu os portos"?
Tá, eu explico. Até o início da década de 90, não era liberada a importação de produtos. Nossa situação econômica, inflação descontrolada, heranças econômicas da ditadura militar e protecionismo burro faziam com que pouquíssima coisa produzida no exterior entrasse no Brasil.
Então, o Collor começou a botar ordem na casa. Quebrando pratos, jogando quadros no chão, botando abaixo as paredes, etc... Da pior maneira possível ele "sumiu" com o dinheiro inflacionado (dinheiro sem lastro, que só existia no papel...). E, mais rápido do que quem abre a porta do banheiro quando está apertado para mijar, o Collor "abriu os portos", liberando as importações.

Minha avó paterna mora em Sombrio-SC. Na época, Sombrio era um polo calçadista de Santa Catarina. Imagine o que aconteceu com as indústrias da cidade, quando os portos foram abertos pelo Collor... Sombrio passou décadas produzindo sapatos sem a concorrência internacional. Vendia mais "porque ninguém mais fazia sapato" ou "porque era o mais barato na região", mesmo... A qualidade dos sapatos era péssima. Então, de uma hora para outra Na mesma prateleira você via um tamanco feio, coberto com couro e uns fios feios para amarrar, do lado de um NIKE. E o NIKE era mais barato, tinha mais qualidade, durava mais e era mais bonito.
Qual você compraria? O "produto da terra", feio, desconfortável e caro? Ou compraria o "nike norte-americano-porco-capitalista" bonito, confortável e barato?
É, eu também.
A indústria calçadista de Sombrio MORREU. Assim como tantas outras Brasil a fora.

Eu cresci em Criciúma-SC. Essa cidade tem algumas cerâmicas. Você conhece. Eliane, Portinari, Cecrisa, etc... Quando o Collor abriu os portos de supetão, as cerâmicas internacionais abalaram a indústria de Criciúma. Mas estas empresas investiram em qualidade. Máquinas. Produção, automação, designe e novos materiais. Algumas empresas faliram. Paciência. Outras se uniram para sobreviver. Mas as que passaram por essa provação se transformaram em referência nacional. Algumas até exportam produtos para o exterior, a peso de ouro.

Isso é o benefício da liberdade de comércio. Quando as barreiras protecionistas caem, os melhores se sobressaem. E isso é JUSTIÇA. MERITOCRACIA. Os melhores se sobressaem, atingem o status e o saldo bancário proporcionais à sua qualidade. E os piores... Estes sempre podem aprender com os erros, buscar a requalificação e reinserção na economia.

Como alguém se reinsere na economia?
Com educação técnica, linhas de crédito para empreendedores e iniciativa privada.

Assim, eu chego no título do texto. É notório que o brasileiro falhou. Nós não somos bons trabalhadores. Nossa média é abissal. Para cada brasileiro que arregaça as magas e faz algo notório, devem haver milhares que nem sabem por onde começar. E, quando começam, ainda fazem do pior modo possível. E, quando o primeiro médico cubano pisou em solo Tupiniquim, o PT assinou a confissão de que não cuida da formação dos nossos cidadãos e passou o atestado de que brasileiro é vagabundo.

Sim, nós precisamos pagar para que profissionais de outros países venham trabalhar aqui. Porque nós não trabalhamos ou o resultado do nosso trabalho não é o suficiente. Eu acredito que todos os nichos de mercado devam ser ocupados pela iniciativa privada. Mas se a iniciativa privada não ocupou os nichos mais distantes e nem a iniciativa pública conseguiu, precisamos encontrar quem o faça.
Se o modo de ocuparmos estas vagas é encontrando quem se disponha a tanto em outros países, que assim seja.

E, do modo mais torto possível, estamos derrubando barreiras de protecionismo imbecil. Existe o trabalho. Não existe quem se candidate para fazê-lo. Trazemos quem quer trabalhar para as vagas oferecidas. Simples assim. Concorrência sem fronteiras, sem protecionismo de inaptos.

Eu celebro que os médicos de outros países estejam vindo para a nossa terra. Eles (ainda) não têm o vício brasileiro em "se dar bem em tudo". Estes são médicos que - muito provavelmente - trabalharão de verdade.
E, com gente lá "colocando a mão na massa", os números poderão ser mensurados. Atendimentos feitos, pessoas salvas pelos médicos importados, pessoas mortas pela imperícia, pela decadência do SUS, pela péssima gestão do Estado, pela atitude eleitoreira ou, simplesmente, constatando que todos os serviços públicos são podres e devem ser exterminados.

Na impossibilidade de exterminar todos os serviços públicos, parasitas sociais, eu prefiro que venham para o Brasil mais profissionais de outros países. Tal qual uma transfusão de sangue, esses profissionais trariam uma nova cultura de trabalho real e duro para nossos hospitais, escolas, segurança, previdência, infra-estrutura, etc...

E, assim como lá na abertura dos portos feita pelo Collor, a nossa mão de obra enfrentaria um choque com a mão de obra importada. E, assim como os novos produtos forçaram que os nossos produtos fossem mais competitivos, a mão de obra importada certamente forçará que a mão de obra nacional seja mais competitiva. Assim como os produtos melhoraram, os serviços também melhorarão.

Se tu me perguntar se eu concordo com o "como está sendo feito", eu te digo que "não". Assim como o Collor fez coisas necessárias da pior forma possível, o PT está seguindo os passos e "tentando se dar bem em tudo" com essa importação de médicos.
É uma atitude eleitoreira rasa, alguns médicos vêm através de verdadeiras negociatas escravagistas, a infra-estrutura continuará precária e a "ambulancioterapia" sé tenderá a aumentar.

Mas, talvez, lá na frente, isso ainda dê bons frutos para todos nós.
Talvez nós, vendo os padrões serem forçados ao limite, também nós forcemos a estudar mais, trabalhar mais e melhor. Talvez não pare nos médicos. Quem sabe possamos importar professores, contadores, advogados, profissionais de TI, profissionais de telecomunicações, farmacêuticos, cientistas, policiais, lojistas, atletas, etc...
Quem sabe o Brasil possa dar um passo importante para derrubar toda a ignorância das fronteiras. E, quem sabe, nesse processo cheguemos ao tão sonhado "dia de amanhã", aquele em que o Brasil finalmente será uma potência mundial.