domingo, 12 de agosto de 2018

Piegas

É um texto piegas.
Mas é algo que eu tenho que colocar para fora.

Desde que eu me conheço por gente, meu coração possui alguma residente.
Já foram tantas meninas que moraram no meu peito. Algumas nem devem saber que já tiveram a chave do meu coração. Outras souberam e fizeram pouco caso. Outras forçaram a entrada, mas a casa já tinha dona. E, por 4 vezes, a dona do meu coração cuidou dele.

E esses anos foram os melhores da minha vida.

E quando cada um deles acabou, eu fiquei desolado. Destruído. Deprimido. Sem perspectivas. Sem chão. Sem mundo. Sem futuro.

E em cada um desses momentos sombrios, as pessoas que se importavam comigo tentavam me explicar que eu tinha que cuidar eu mesmo do meu coração. Eu tinha que morar dentro do meu peito, para que o próximo amor não me destruísse tanto.

No final de 2013 foi a última vez que caí. E em 2014 eu coloquei na cabeça que iria cuidar eu mesmo do meu coração. Nada de engatar um relacionamento no outro, curando um amor acabado com um amor novo.

Chega. Hora de quebrar o ciclo.

Foi difícil. Demorou um tempo até eu conseguir colocar as ideias em ordem. Estabelecer prioridades. Criar planos comigo mesmo. Fazer dos compromissos comigo os mais importantes. Cuidar de mim.

Mas, mesmo com tanta dificuldade, eu consegui.
Enchi meu coração de Arthur. Nossa, como eu sou legal comigo mesmo. Eu preparo café, almoços e jantas pra mim mesmo. Sempre as coisas que eu mais gosto. Vivo me dando presentes. E sempre acerto, porque o presente sempre me agrada! Entendo meu estresse no trabalho e tenho sempre uma solução legal para relaxar, seja um banho de banheira, um cinema, um passeio em um lugar legal...

O Arthur é um cara bacana. Eu gosto de passar todo o tempo possível com ele.

Mas isso gera um problema.
Um problema que eu não tô sabendo resolver.

Disseram que era bom eu ter amor próprio. Cuidar de mim mesmo. Não terceirizar a necessidade de sentimentos, para que a minha estabilidade emocional não dependesse de ninguém.

Legal. Tá feito.

Mas, e agora? Agora eu não dependo de ninguém. Agora, eu aprendi a viver sozinho. Aprendi a gostar de mim, a me divertir sozinho. Veja bem, eu transformei a minha solidão em um parque de diversões. Particular. Privativo. O melhor do mundo!

Aí, quando alguma mulher quer se aproximar de mim, ela precisa ser completamente excelente. Ela precisa ser melhor do que o modo que eu me trato. Ela precisa me oferecer mais do que eu consigo oferecer para mim mesmo.

E se você só está pensando em sexo enquanto eu falo essas coisas, amigo, o Tinder tá aí para não deixar faltar um final de semana que seja. Com o mínimo de esforço se conseguem "contatinhos descartáveis". Não, não tô falando de sexo. Mesmo porque, se é só sexo o que a menina consegue me oferecer, ela não consegue oferecer nada de diferente das outras 3 bilhões e 750 milhões de mulheres no mundo.

Tô falando de amor. De sentimento. De cuidado. De vontade de pertencer a algo maior do que ela ou eu, sozinhos. Tô falando de plano de vida, de batalha dia a dia para construir algo legal. Tô falando de horas rindo sozinhos no sofá da sala por conta de algum seriado ou filme bobos. Mas também tô falando de dias estudando e trabalhando para conseguir aquele dinheiro para levantar aquela casa, comprar aquele carro, fazer aquela viagem, montar aquele negócio, etc...

Sei lá, a lista de coisas que podem ser feitas é infinita.
E eu escolhi o punhado de coisas que fazem sentido para mim.
E eu tô indo sozinho na direção dessas metas.
Algumas eu até já alcancei. Sem a ajuda de ninguém.
Outras estão ali depois da esquina.
Outras vão demorar um pouco mais, eu sei.

Mas nenhuma das minhas metas particulares é impossível.

E isso só agrava o problema: como uma guria vai se aproximar de mim e vai montar metas em conjunto melhores que as minhas metas que eu criei comigo mesmo?
É quase impossível. Qualquer relacionamento que eu entre agora fará com que eu abra mão de alguns - senão todos - os meus objetivos pessoais. Porque nenhuma mulher irá abandonar todos os objetivos particulares dela para me acompanhar. E ela não vai me propor nenhum objetivo pessoal melhor do que os que eu já tenho comigo mesmo!

O universo de mulheres com quem eu poderia ter um relacionamento sério, de verdade, íntimo, é ínfimo. E desses grupo restrito de mulheres, ainda temos que tirar o sub-grupo das que realmente vão querer alguma coisa comigo. E dessas que querem algo comigo, ainda precisamos que os encontros aconteçam na hora e no local certos. Porque eu tenho certeza que já encontrei uma delas, mas foi na hora e no local errados.

Enfim.

Escrevi isso para balancear o texto do ódio.
Sim, eu tenho ódio da burrice, da ignorância, da falta de talento, de pessoas que não sabem se colocar no seu lugar e de todos que só sabem olhar para o próprio umbigo, buscando "levar a melhor" em todas as situações.

Mas eu tô legal. Tô bem comigo mesmo. Ficar sozinho é a coisa mais deliciosa do mundo. Estou apaixonado pelas minhas metas pessoais. O coração tá vazio de outras pessoas e isso só me deixa mais leve para voar mais alto.

Eu disse que esse texto seria piegas.