segunda-feira, 22 de julho de 2013

Super Homem - O Homem de Aço

Então amigo, fui assistir ao Super Homem - O Homem de Aço.

É, não encaro mais o blog com profissionalismo e não corri para pegar a primeira sessão. O post com a minha resenha demorou duas semanas. Acontece.

É bom lembrar que eu meto spoiler sem dó no texto. Portanto, se você ainda não assistiu e quer se preservar ver o filme sem a interpretação de outra pessoa, não leia esse texto. Muito embora eu vá te contar coisas que talvez você não saiba sobre O Homem de Aço. E esses detalhes que eu vou te passar muito provavelmente te farão olhar o filme com mais atenção. E, ao notar os pontos, talvez o filme tenham dimensões a mais, para ti.

Antes de mais nada, esse filme está preparando o espectador para os próximos. Cada cena que foi colocada no filme é uma explicação sobre o personagem, a história e como você deve imaginar o Super Homem. Sequências virão, podes apostar. E, muito provavelmente, interconectarão com outros filmes de super heróis da DC. Quem sabe esse filme seja o primeiro para a criação de uma resposta da DC aos Vingadores da Marvel.

E, vamos combinar, os heróis, vilões, enredos, histórias e abordagens da DC são muito superiores aos da Marvel. Falo isso do alto da propriedade de quem leu Marvel dos 9 aos 21 anos e trocou para a DC (em um processo gradativo que começou lá nos meus 15 anos), justamente por notar a qualidade superior da Detetive Comics. A Marvel mantém o foco no drama pessoal do herói, tentando dar explicações possíveis para o super poder adquirido (mutações, radioatividade, etc...) e relacionando isso com a vida real. Porém, amigo, a vida real não é uma novela e não existem super poderes. E é nessa premissa que a DC se apoia para criar os seus heróis. Porque, se é para viajar na maionese de super-seres, que se faça em escala industrial e sem limite de imaginação. A DC pega uma ideia que esteja em pauta na sociedade, extrapola e exibe todas as consequências que conseguirem imaginar.

Exemplo? Depois do 11-9, a DC fez uma série de histórias com os heróis enfrentando dilemas morais a respeito do excesso de poder concentrado que eles detém. Até onde o Super Homem pode interferir? O ex-lanterna Íon (Kyle Rayner) sendo inquerido por estar usando os seus poderes próximos à divindade... Sem falar do próprio Batman, expulso da LJA por ter dossiês e planos de contenção contra todos os super seres existentes...

Essa abordagem do todo sobre um cenário ideal é o que faz com que eu goste mais da DC, hoje em dia. Quando a Liga da Justiça se junta para resolver um caso, você não vê egos em disputa mas um conflito de interesses de acordo com os temas atuais da ética, moral, ciência, etc...

E é isso o que fazem em O Homem de Aço. Chega de choro do Super Homem. Chega de aventuras rasas contra um Lex Luthor super poderoso. Esse filme deixa claro para todos que a raça Kriptoniana não é tão diferente de nós, humanos. E que nós, humanos, conseguimos ter uma certa equiparação de pensamentos (tanto superiores quanto primais) com eles. Isso fica muito claro quando vemos o pai adotivo (Kevin Costner) dando lições de moralidade, ética e filosofia extremamente avançadas ao jovem Kal, perfeitamente alinhadas com o pensamento de Jor-El (Russel Crowe), genitor do Super-Homem. Ou, quando vemos Perry White (Laurence Fishburn) falando sobre a decisão de Lois Lane (Amy Adams) de não publicar o que descobriu sobre o Super Homem.


E isso é um ponto forte do filme: enquanto o ator principal é um ilustre desconhecido até o momento, os personagens secundários são estrelas de primeira grandeza, do cinema. Atores que deram ótima sustentação ao filme, interpretando muito bem suas cenas altamente cerebrais.

Mas, voltando aos dilemas, o filme deixa muito claro o que é "ser o Super Homem". O fato de Clark ser uma bateria solar viva e conseguir armazenar energia do sol amarelo em suas células é tanto uma benção quanto uma maldição. Se, por um lado, ele é indestrutível, muito forte, tem os sentidos multiplicados e ampliados e consegue voar, por outro lado, ele tem que conviver com esses poderes. Realmente, as pessoas não estão preparadas para a convivência com um ser tão poderoso. E a maldição do Super Homem é justamente não poder revelar sua existência para o mundo. Mesmo ele sabendo de toda sua capacidade e sendo uma pessoa justa.

E isso é mais um ponto positivo deste filme. Diferentemente das tentativas anteriores de trazer o maior super herói de todos às telonas, em O Homem de Aço o enredo não tenta fazer o espectador de idiota. O penteado e os óculos não protegem a identidade secreta do Super Homem. Lois Lane, ganhadora de um Pulitzer, demora poucos dias para descobrir quem é o Super Homem. Algo que seria natural de acontecer, mas jamais ousaram fazer nos gibis, desenhos, seriados ou filmes anteriores.

O próprio Super Homem deixa claro o quanto é poderoso e porque "faz-se de idiota", às vezes. A cena do interrogatório, por exemplo, é primorosa.
"Porque você deixou que eles te algemassem?" - Pergunta a Lois.
"Para que eles se sintam mais seguros." - Responde o Super Homem.

E a capacidade total do Homem de Aço é vista nas lutas do filme. Aliás, finalmente temos um filme à altura dos poderes do Clark. Entendam: o Super Homem é a criatura mais forte jamais pensada. Não há Goku, Darseid, Galactus ou Hulk que possa fazer frente ao Super. No início, sem saber de todos os seus poderes, ele segura uma torre petrolífera, como se ela pesasse uns vinte quilos. E ela só cede porque o ponto de apoio ruiu. Se o Super soubesse de todos os seus poderes, um sopro, um soco e tudo estaria resolvido. mas foi passar essa "fase" que o filme mostrou Kal como ele realmente é. Somente outros seres igualmente poderosos conseguiam movê-lo. Digo "movê-lo" e não "bater no Super", porque o Super Homem não sentiu os golpes. Ele chega a cair em uma oportunidade, mas logo levanta novamente para a briga.


Quanto aos vilões, quando eu soube que era o Zod - general kriptoniano - eu pensei em mais um pastelão da DC. Estava com medo do filme, sério. Medo de retratarem a Zona Fantasma como uma foto Polaroid, novamente. Mas não. A introdução da origem kriptoniana do Super Homem foi bem contada, junto da origem de Zod. O fato de ter "nascido para ser o general", através de manipulação genética - quase uma citação ao livro de Aldoux Huxley "Admirável Mundo Novo" - explica perfeitamente a obsessão do general por "proteger o povo e glória de Kripton". E o fato de Clark carregar o Codex Kriptoniano dentro de si mostra perfeitamente porque Zod quer destruí-lo. Tudo se encaixa, tudo se explica.

E isso é uma constante no universo DC, sabe? Aprende-se coisas maravilhosas lendo Gibis. O Coringa me ensinou que você "nunca deve entrar em um lugar sem saber como sair dele". Parece bobo e óbvio, mas é algo precioso. E o Batman me ensinou a resolver conflitos quando explicou o seu método de investigação: "sempre responda a pergunta: quem se beneficia?".

Em O Homem de Aço, as coisas se encaixam muito bem. E, se você souber para onde olhar durante o filme, você encontrará "pontas" para os próximos filmes, praticamente em todas as cenas. Como o cartaz "Keep a Calm and Call Batman" colado em um muro, a rivalidade de logotipos da LexCorp e da Waine Interprises em quase todos os estabelecimentos comerciais ou os casulos abertos e sem corpos de kriptonianos, na nave de exploração que Kal e Lois encontram no início do filme... Detalhes que, se você se deixar levar pela boa história e pela enxurrada de ótimos efeitos especiais, você perderá.


Acredito muito que a destruição que a batalha entre o Super Homem e o General Zod causaram a Metrópolis será o ponto de partida da raiva de Lex Luthor contra o Super Homem. Raiva justificada, dado o ambiente pós-apocalíptico em que se torna Metrópolis. Acredito, também, que o Batman logo aparecerá em filmes com o Super Homem, tal a qualidade da história.

A história é tão bem contada que temos até o imenso chavão - diria até que é uma "tradição" - do Super Homem salvando a Lois Lane de uma queda, e a deixando gentilmente no chão, segura. E a cena foi tão bem encaixada na história do filme, que muitos nem percebem que é a cena clássica da Lois "caindo do prédio"...

Mas o que passa quase desapercebido na história, mesmo, é o maior poder do Super Homem: a sua inteligência. O Super Homem não é o herói que é só por causa das suas capacidades físicas. Ele é, acima de tudo, alguém de moral irretocável e de um brilhantismo simples, porém magnífico. Talvez só resultado não aparente da irradiação do sol amarelo, talvez pela criação do seu pai adotivo. Mas o fato é que o Super Homem é um exemplo. Aliás, ele foi criado lá no início do século 20 justamente para isso: ser um exemplo. Gerações de leitores cresceram sob o ideal do Super Homem. Se o homem mais poderoso do universo consegue ser alguém completamente honesto, correto e justo, imagine nós, pobres mortais. Ser o Super Homem é muito mais do que voar, parar locomotivas ou salvar a mocinha da queda. Ser o Super Homem é ser alguém correto.
E onde isso aparece no filme? Se até no início do filme Clark rouba algumas roupas, no Alasca, onde ele mostra a inteligencia dele?
Quando o General Zod exige que a humanidade entregue Kal-El, Clark faz o que é completamente correto: ele se entrega para a humanidade. Mesmo podendo resolver tudo "com as próprias mãos", ele abre o diálogo. Faz de tudo para que os humanos o aceitem. Sujeita-se às algemas para mostrar que não está contra nós. É bom notar que algemas de papel contém mais um humano do que as algemas de metal contiveram o Homem de Aço...


Enfim, eu achei um filme sensacional. Torço muito para que saia logo o 2, o 3, etc... Que a franquia de Nolan traga o Batman novamente, em uma aventura ao lado do Homem de Aço. Que a DC acerte a mão e crie uma série com a Mulher Maravilha, o Flash, o Lanterna Verde, o Aquaman e o Caçador de Marte (Ajax, sic).
Que apareçam o Eléktron, Arqueiro Verde, Fogo, Gelo, Zatanna, Gavião Negro, Mulher Gavião, Homem Borracha (POR FAVOOORRR!!!!), Besouro, Gladiador e outros, que contribuam para a grandiosidade de uma Liga da Justiça! (Mesmo ateu, eu adoro a ideia do Zauriel, por exemplo).


Hollywood está sedenta por boa ideias para filmes. O público está alucinado por ação com conteúdo. E o poço dos super heróis é, aparentemente, inesgotável. A DC trazer a concorrência saudável com a Marvel para as telonas é fascinante.
Quem sabe, em um futuro próximo, nós vejamos os famosos crossovers entre as duas grandes franquias? Quem sabe não vejamos histórias da série "DC x Marvel", e "Acesso, o Homem de Dois Mundos"!

Isso é um negócio onde TODOS os envolvidos só têm a ganhar. Atores, editores, roteiristas, indústria do cinema, platéia... Sempre levando à frente os bons valores de moral, ética, honestidade e luta contra o mal!