sábado, 6 de julho de 2013

Como os Políticos Roubam

Oi amigo. É, eu sei, não tenho te mandando muitas notícias. Para falar a verdade, eu ainda te escrevo muito. Só não te mando os meus devaneios porque estou farto do julgamento das pessoas que não são capazes de alcançar o ponto central das minhas ideias. Antes, eu pensava que poderia ser didático e que todos estariam abertos a uma conversa franca e, principalmente, educada. Mas, com o passar do tempo, notei que a internet é só um grande parque de diversões para os egos. Talvez o Emerson Damasceno esteja certo e todos por aqui só queiram aparecer.

Bem, eu já fui notado pelas pessoas a quem me interessaria "aparecer".

Mas, às vezes, eu releio meus textos e noto que cito conceitos que são óbvios para mim. Entretanto, como tudo o mais nessa vida, o que é óbvio para mim pode ser algo que sequer existe, que é desprezado ou simplesmente ignorado, por outras pessoas. São estes temas que têm me despertado interesse em te enviar, sabe? Assim, esse texto complementa tantos outros em que eu citei o conceito, mas não tive tempo, espaço ou foco suficientes para discorrê-los.

Mesmo porque, eu insisto, eu só falo do que eu sei. Daquilo que eu pesquisei, estudei, li, conversei, vi, apliquei e pensei muito sobre. Você pode ver a minha "obra" completa que eu garanto que não encontrarás nenhuma explicação sobre mecânica, maquiagens e tantos outros assuntos que passam ao largo dos meus interesses. Eu sou assim. É o meu jeitinho S2. Hehe!

Uma das coisas que eu cito direto nas minhas colocações, é que o primeiro problema que temos que resolver para criarmos um Brasil melhor é cessar os roubos dos políticos. Veja bem que, nesta frase extraída do grupo mais simplório do senso-comum, está implícita a certeza de que os políticos roubam. Isso, aliás, não está em discussão. Todas as pessoas envolvidas na máquina pública roubam. Inclusive os consumidores dela.

Mas, veja bem, muitos servidores públicos sequer notam que roubam. Até eu, quando estagiei em uma prefeitura, roubei sem notar, na época. Aliás, logo alguém virá querendo me processar contra essa minha generalização. Porque sempre haverá alguém que ache que está trabalhando corretamente e que honra suas responsabilidades e o seu ordenado.
O problema do roubo por parte dos políticos, é que ele é institucionalizado. É endêmico do nosso povo. Faz parte do dia-a-dia de cada um de nós. Se nós, meros cidadãos, achamos normal infringir alguma regra caso isso não pareça prejudicar outra pessoa (como atravessar fora da faixa de segurança em uma rua pouco movimentada, furar um sinal vermelho em um cruzamento vazio ou como a mulher no vídeo abaixo), imagine o que não fazem os políticos. Eles têm o poder de escrever as leis que regem nosso país. Eles podem definir o que é certo e errado na nossa nação. E são eles quem aplicam e fiscalizam estas regras, todas.


Deixa eu ver se entendi: o cobrador pede para ver a foto do crachá (parte do trabalho dele), a mulher surta, invade o local de trabalho do cobrador com a intenção de interromper a gravação dele, ele se defende (empurrando a mulher para fora lugar de trabalho dele...) e a doida ainda quer se achar no direito? Bem, é nesse ponto que começa a corrupção do Brasil. Exatamente quando nós, ainda somente cidadão, já nos achamos acima de alguma regra da sociedade...


É bom lembrar que nenhum dos nossos políticos é "importado": cada pessoa eleita pela população VEIO DA POPULAÇÃO.

Assim, quando elegemos um "jaguara" qualquer para governar por quatro (ou seis) anos, ele sai diretamente do âmago da nossa sociedade. Este político recém-eleito já é uma pessoa corrupta, independentemente de ter consciência disso ou não. Então, esse ilustríssimo político passa a criar mecanismos para tornar seus roubos legais.

Quais roubos?

Vou tentar ser didático. Vamos contar uma estorinha que jamais aconteceu. Eu até vou me colocar nessa fábula.

Vamos dizer que você, meu amigo, tem um negócio. E você precisa de um software para gerenciar, emitir relatórios e automatizar suas obrigações para com o governo. Mesmo porque, né? Dá um trabalhão manter a contabilidade e todos os documentos fiscais em dia. E, se você já tem que alimentar um software com todos os dados financeiros do seu negócio, porque não criar uns relatórios para que você saiba sobre a saúde financeira da sua empresa, né?

Então, você amigo - que não é burro nem nada -, abre a internet, busca em listas telefônicas ou de qualquer outro modo, pelas empresas que podem oferecer pelo software que você precisa. Até acha alguns. Alguns até bem baratos.

Mas........
Peraí amigo!!!!

Eu (eu, Arthur, o autor do texto, eu mesmo que estou escrevendo), teu amigo, sou programador. Você sabe que EU posso fazer o software para você. A primeira coisa que você pensa é em se utilizar da nossa amizade para ganhar um precinho melhor. Logo imagina que, como o software será criado só para você, eu posso fazê-lo bem do jeito que você precisa.

Bem, só por estes pensamentos, VOCÊ já está roubando.

Aí, tu fala comigo. E eu fico feliz por isso, porque estou me utilizando da nossa amizade para conseguir um trabalho. Trabalho que trará dinheiro que eu não ganharia, caso não fosse teu amigo. E, mesmo tendo que me sujeitar a fazer um preço especial por conta da nossa amizade, eu aceito fazer o software para você.

Bem, só por estes pensamentos, EU já estou roubando.

"Mas Arthur! Qual é o mal em eu beneficiar um amigo e ser beneficiado por esse amigo?"
Só para começar, esse exemplo acima prejudica o mercado por meritocracia. As empresas com experiência, que já têm softwares estáveis no mercado, acabam perdendo clientes. Seus produtos acabam ficando mais caros, pois menos unidades são vendidas e as que são vendidas ainda precisam sustentar toda a estrutura das empresas. Acontece que, ao invés de termos um grupo de empresas especialistas disputando o mercado, acabamos tendo uma legião de artesãos de software. Gente que cria softwares baseados nos achismos dos clientes amigos, em vez de criar tecnologia de verdade, fundamentada em teorias administrativas, contábeis, fiscais, estatísticas, etc... O famoso "barato que sai caro".

Mas esse é um caso privado. Nesse estágio, o problema ainda é de cada um. Apesar de ser uma escolha imbecil a médio e longo prazo, todos temos a liberdade de escolher errado.

Mas o problema é que os políticos brasileiros saem do meio do povo. Os políticos surgem de gente como esse meu amigo e eu.

Então esse meu amigo, foi eleito para ser prefeito de Cafundópolis. E nossa cidadezinha precisa de um software para gerenciar a prefeitura.
Aliás, meu amigo conseguiu o meu voto justamente porque me garantiu que ele contrataria o meu software para a gestão da prefeitura.
E, mesmo com a lei prevendo mecanismos para evitar que o meu amigo me favoreça, ele "dá um jeitinho brasileiro". Criam-se leis complementares. Vírgulas na lei principal para que eu seja beneficiado de alguma forma na licitação. Afinal de contas, meu amigo tem o poder, agora, de articular, criar e destruir algumas leis. Claro que, para poder articular essas leis, ele acaba devendo mais favores para mais políticos. E todos os políticos aderem ao conchavo do "eu te ajudo na lei para ajudar o teu amigo, tu me ajuda na lei para ajudar o meu amigo".

Claro que, se não dá para fazer por imorais "meios legais", eles metem a mão mesmo. O que mais tem Brasil a fora são licitações fraudulentas, licitações de fachada e licitações combinadas. Roubo premeditado, à mão armada e à luz do dia.

Só que tem um porém, agora. Não é mais vida privada. Não é mais do bolso do meu amigo que sai o dinheiro para me pagar pelo meu software. Logo, eu não preciso mais abrir mão de um pedaço do meu lucro. Aliás, como a situação toda é armada, eu posso até cobrar um pouco mais caro pelo meu software... E, como o meu amigo (prefeito da nossa amada Cafundópolis) está me ajudando a conseguir esse contrato, nada mais justo que eu continue dando o "desconto de amizade" para ele. Mas, como eu estou cobrando até mais caro que o normal da prefeitura, e não dele, o "desconto de amizade" se transforma em um presente que eu dou para ele, todos os meses. Pode ser uma grana depositada na conta dele (vinda diretamente do valor "a mais" que a prefeitura está me pagando pelo meu software, etc...).

Bem, aqui acaba a estorinha. Foi só um exemplo. Há muito mais modos que os políticos usam para roubar. Há o uso indevido da máquina pública (tem parlamentar usando aviões do Governo para viagens pessoais...). Existem as leis aprovadas para benefício próprio (Para que os parlamentares precisam de DEZENAS de assessores?). Obras desnecessárias feitas só para a empresa do amigo ser vencedora da licitação e vender produto de qualidade duvidosa mais caro do que o mercado, para o Governo... A lista é longa.
Deixa eu ver se entendi: A Presidenta da República tem um gabinete, que emprega um chefe de gabinete. Mas esse chefe do gabinete da Presidenta tem o seu próprio gabinete. Então, o Gabinete do chefe do gabinete da Presidenta da República emprega um chefe de gabinete? Que nome bonito para "Secretário do Chefe de Gabinete"!

Mas o "como" é sempre o mesmo. Amigos. Favorecimentos. Escolha do mais próximo, em detrimento do melhor.

E a farra é financiada pelos impostos excessivos que os próprios políticos fazem com que a população pague, todos os dias. Literalmente, os políticos tiram dinheiro de quem não é amigo deles, para dar para seus amigos. E, quando os impostos não chegam, o Governo simplesmente "imprime mais dinheiro" e coloca em circulação, causando inflação.

Para você que não sabe, o dinheiro que existe em um país é o total do esforço de trabalho de todas as pessoas da nação. Eu sei, esse total do esforço de trabalho da população é muito difícil determinar. O Governo tenta descobrir o valor deste dinheiro - com cálculos complicados e indicadores que são noticiados nos Jornais - para disponibilizar em circulação, seja imprimindo moeda de papel ou liberando empréstimos controlados via dinheiro eletrônico, das transações entre bancos.
Quando a quantidade de papel moeda e dinheiro eletrônico estão abaixo do resultado do esforço de trabalho da população, há a deflação. O dinheiro é raro, ninguém quer gastá-lo. Os empresários baixam os preços para tentar conseguir algum dinheiro (às vezes até abaixo do preço de custo da produção), ficando sujeitos à falência. Acontece a depressão econômica e o mundo como conhecemos pode realmente acabar caso isso aconteça.
Menos pior é manter a quantidade de papel moeda e dinheiro eletrônico um pouco maiores do que o resultado do esforço de trabalho da população, de modo controlado. A famosa "meta de inflação". Quando o país erra muito feio e passa dessa meta, então a moeda se desvaloriza. É o mercado tentando dar o verdadeiro valor ao dinheiro a mais que está em circulação. Se há 20% a mais de moeda circulando do que o total de esforço de trabalho da população, então R$1,00 não vale mais "um reáu". Esse "um reáu" valerá só R$0,80. Só que ainda está impresso R$1,00 na cédula. Então, para compensar a quantidade de moeda a mais, os empresários - instintivamente - passam a cobrar R$1,20 pelo produto que, antes, custava R$1,00. Assim, a cédula de R$1,00 passa a custas "um reáu" que, na verdade, são só R$0,80...

E o que faz o dinheiro valer menos? A ação consciente do Governo em imprimir mais dinheiro do que o que existe na economia.

Ou seja: além de te cobrarem impostos caríssimos, ainda desvalorizam o teu dinheiro, para poderem roubar só um pouquinho mais!

O FHC pode ter roubado muito. Mas, pelo menos, fez com que os políticos parassem de nos roubar na inflação... O Mecanismo usado pelo FHC para tirar dinheiro do mercado foi o de lançar pedidos de empréstimo do Estado. Títulos Públicos. O Governo pede emprestado hoje, para quem quer que queira emprestar o dinheiro (olha no site da Caixa, tem lá e você pode emprestar dinheiro para o Governo...). Esses títulos podem ter prazo de até décadas. E, no final, a promessa de pagamento é generosa. Algo como "tu dá R$100,00 hoje e ganha R$300,00 daqui vinte anos, corrigidos". E esse dinheiro todo que o Governo pegou emprestado é guardado. O Governo não sai usando, porque acabaria colocando o dinheiro em circulação, gerando inflação novamente. Por isso o FHC "endividou" tanto o Brasil. E por isso que essa "dívida" toda é boa. Ruim foi terem imprimido dinheiro demais, antes. E o dinheiro, uma vez impresso, não some mais. Nem através de confisco das poupanças, como o Collor fez...

Para fazer a Copa do Mundo, através do "Bolsa Família", do "Minha Casa, Minha Vida", de infindáveis linhas de crédito do BNDES e dos aumentos irreais que os políticos se deram, o PT acabou imprimindo muito mais dinheiro do que o resultado do esforço de trabalho do povo brasileiro. O resultado? Inflação que se refletiu no tomate, na cebola, na erva mate, em mais produtos que eu não lembro... até chegar na passagem de ônibus metropolitanos.

Tudo isso para que os políticos pudessem beneficiar o amigo. E, é claro, serem beneficiados de volta por estes mesmos amigos. Uma mão lava a outra. É uma festa que NÓS pagamos, mas não fomos convidados. Quer dizer, nem todos nós. Os políticos e os amigos de políticos são brasileiros, são do povo e estão lá se divertindo. Esses brasileiros foram convidados e, com certeza, aumentaram suas contas bancárias. O filho do Lula, por exemplo. Ele não foi eleito a nada. Mas, em menos de oito anos passou de funcionário de zoológico a empresário milionário. Isso que é mobilidade social!

E esse, amigo, é mais um dos motivos pelo qual EU seria um excelente político, sabe?
Começa porque eu não minto mais. Nem quando a bomba vai estourar no meu colo.
Passa por eu entender (de verdade) de filosofia, ética, moral, economia, relações internacionais, administração, contabilidade, educação, segurança pública, planejamento urbano, transporte, logística e sistemas de informações.
E, como cereja do bolo, tenho meia dúzia de amigos, só. Conhecidos tenho vários. Mas pessoas a quem beneficiar caso eu tivesse algum poder? Não caberiam em uma mão. E eu tenho certeza que todos os meus amigos (até você) são pessoas do mais alto garbo. Gente consciente, daquelas que se sentiriam horrorizadas caso eu propusesse uma situação em que vocês saíssem ganhando muito em troca de quase nada, às custas dos cofres públicos. Eu tenho poucos amigos porque escolho muito bem quem eu quero à minha volta. Aliás, escolhi vocês justamente por serem pessoas com qualidades superiores.

Mas, né? Como o povo não votará em mim, amigo, pelo menos fica a dica. Parar de votar em quem tem muitos amigos. Em quem já vendeu a alma - dada a quantidade de promessas - para se eleger. É cargo para o filho de um, contrato com a empresa de outro, lei para favorecer o tio daquele outro...

Voto tem que ser dado pelas ideias, qualidade e capacidade do candidato. Quem vota em candidato corrupto é claro que será comandado por um político corrupto.