terça-feira, 8 de abril de 2014

Todo Conhecimento É Valioso!

Todo início de ano letivo o Brasil repete o mesmo papinho de sempre. Algum repórter retardado vai à alguma escola (tanto faz se pública ou particular), mete o microfone na cara de alguma criança e pergunta:

- Qual é a matéria que tu menos gosta?

A resposta, quase unânime, é:

- MATEMÁTICA!



E essa matéria me deixa furioso. Sempre.

Os amigos que leem meu blog assiduamente (são quase seis mil por dia! Muito obrigado!) já sabem da minha opinião a respeito do "mimetismo social". O famoso "efeito manada". Aquele fenômeno que faz com que todos nós sigamos o grupo que estamos, mesmo que isso contrarie nossa vontade individual.

Para os amigos que ainda não leram essa minha opinião, um breve resumo: 
O ser humano luta entre a necessidade de se diferenciar para ser único e, portanto, notado pelos demais... E a necessidade de que todos o aceitem, justamente para fazermos parte do grupo. Um eterno "Eu me mato para ser diferente, para ser aceito e ser igual a todos".
Somos egoístas nas camadas mais básicas da pirâmide das necessidades. Mas, depois que as necessidades fisiológicas estão atendidas, nós temos a necessidade de conquistarmos a camada social. Está no nosso instinto há tanto tempo que já foi entalhado no nosso DNA. Existem neurotransmissores de prazer e de dor que são acionados de acordo com a nossa iteração social. Como todo o mais, o grau de vício que cada um de nós têm nesses neurotransmissores fazem com que nosso comportamento seja mais ou menos ditado pelo grupo.

Se você encontra um grupo que faz com que seu corpo libere esses neurotransmissores e se você sente prazer com eles, você faz de tudo para se manter nesse grupo. Se o grupo é virtuoso, você aprende novas habilidades, línguas, instrumentos musicais, pratica esportes, ganha cultura, ganha dinheiro... "vai para frente" aos olhos da sociedade. Se o grupo é corrompido... Bem... Quantas histórias você conhece de pessoas começando a fumar ou beber... Entrando no mundo do crime ou drogas... Sendo arrastados de bobagem em bobagem pelas "más companhias"?

Quando estão em um grupo, essas pessoas viciadas nos neurotransmissores disparados pelo estímulo social fazem de tudo para se manterem no grupo. Tudo. Tal qual viciados, roubam, matam, largam famílias... Eu realmente acredito que existam pessoas cujo nível de "influenciabilidade" seja tão grande que, sim, "dão a bunda porque todo mundo está dando". Olhe essa onda de meninas bi e homossexuais que se espalhou pelo mundo... Uma legião de gurias que só querem atrair atenção para fazerem parte do grupo. Como os atributos físicos são mais proeminentes do que os atributos mentais, essas meninas se transformam em verdadeiras "attention whores". Pequenas putinhas que beijam outras meninas para chamarem a atenção por 15 minutos. "Olhem para mim, eu sou diferente, eu sou gay!" - só porque os seus amigos o são.

Só não é mais ridículo porque é real. E isso não vem de hoje. A era da comunicação instantânea apenas divulgou o que a sabedoria antiga já conhecia por "Maria vai com as outras".

O assunto homossexualismo é só um bom e atual exemplo desse fenômeno. Não que não existam homossexuais de verdade. Pessoas que realmente nasceram com o cérebro de um sexo, mas com o corpo de outro sexo. O problema é quando colocam isso na cabeça de crianças confusas, desconhecedoras da própria sexualidade, mas com "liberdade" para escolher o que quiserem. Chego a acreditar que, para cada homossexual de verdade, devem haver uns dez "gays modinha". E esses "gay modinha" só prejudicam a causa homossexual. Podes não acreditar nessa minha opinião, hoje, Mas meus textos ficarão aqui. Parados. Esperando que o tempo os confirme...

Eu AMO o filme "MIB - Homens de Preto". Há passagens profundas no primeiro filme dessa trilogia. Como, por exemplo, quando o K está sentado em um banco no cais, conversando com o (ainda) James Edward:

J: "Porque vocês não contam para as pessoas?" (Que existem alienígenas.)
K: "Você sabe como são as pessoas. 'São animais perigosos', 'vão nos destruir'... UMA PESSOA É INTELIGENTE, O GRUPO É BURRO."

Ou, então, qualquer filme do Adam Sandler, em que SEMPRE há uma turba pronta para o linxamento e alguém grita "peguem eles!".

Enfim.

Fechado o parêntese "as pessoas são influenciáveis e seguem a manada cegamente".

Ontem foi dia do jornalista e eu fico imaginando o poder que essa tal de "palavra divulgada" possui sobre as pessoas. Nós somos preguiçosos. Nós não queremos ir atrás das fontes. O ser humano está mais para o estereótipo do baiano do que para o estereótipo do alemão. O ser humano não preza o esforço e a disciplina, naturalmente. O que a TV entrega de bandeja facilmente se torna a verdade absoluta. E haja coragem e esforço para remar contra a maré da ignorância.

Aposto que você, brasileiro, morre de medo das ruas. Acha que o Brasil é trabalho, trânsito ruim, violência, corrupção, sexo e futebol. Eu nem precisei fazer uma pesquisa muito grande para chegar nessa conclusão e saber que eu acertei o que você acha. Bastou ligar a TV, entrar na internet ou ter quinze minutos de conversa com qualquer pessoa. Nosso foco é guiado de acordo com a disponibilidade de informações.

Não acredita em mim? Vá ler "Rápido e Devagar, duas formas de pensar..."

Não quer ler? Então um exemplo prático: No início de 2013 a boate Kiss pegou fogo em Santa Maria, Rio Grande do Sul. Matou mais de duzentas pessoas. Comoção nacional. Presidenta largou tudo e foi atender às pessoas nessa tragédia. Mobilização de hospitais. Médicos trazidos dos Estados Unidos para acompanhar vítimas em estado grave.
Meses de notícias. Todas as cidades, os estados e o próprio Brasil legislaram regulamentações mais rígidas para a prevenção de incêndios. Seguimos diversas leis e estabelecimentos foram vistoriados. Isso tudo por uns três meses.
E hoje? Continuamos verificando TODOS os estabelecimentos em busca de irregularidades? Em todas as cidades? Você ainda se preocupa com incêndios, quando entra em um bar, restaurante, teatro, cinema ou casa noturna?
Não, né? Um ou dois de vocês, talvez.
Mas todos vocês se lembram de ter se preocupado com segurança contra incêndios no ano passado, né?

Disponibilidade de informação + sentimento de manada = povo manipulado.

Quando alguém vai à televisão e diz para você que "matemática é ruim" e "educação física é bom", está plantando uma semente na sua cabeça. Uma resposta pronta para uma pergunta que você nem nota que estão te fazendo todo dia. Que você mesmo se faz sem perceber.

Educação física é sinônimo de recreação, de alegria e de felicidade. Algo fácil de se fazer e que oferece uma recompensa pequena, mas imediata.

Matemática é difícil. Exige concentração, dedicação. Exige que treinemos nosso raciocínio, nossa visão espacial. Você precisa abstrair as informações do problema. Sair do plano físico e entrar em um mundo de imaginação. Você precisa imaginar entidades. E precisa manipular essas entidades abstratas. Precisa tocar o intangível, descobrir para que serve cada fórmula.

Sim, se você não notou, TUDO o que desenvolvemos são ferramentas. Desde a mais antiga machadinha esculpida em pedra até a mais refinada e intangível fórmula matemática, todos esses meios são meros instrumentos que utilizamos para resolvermos nossos problemas do dia-a-dia.

Você sabe para que serve um machado. Uma enxada. Uma pá. Uma faca.
São objetos de uso lógico. Não é preciso de muito estudo para descobrir para que serve um machado e como ele deve ser utilizado. Em poucos dias qualquer um de nós já estará habituado ao uso de um machado. Em poucos meses, qualquer um atinge a excelência em cortar uma tora de madeira em quatro pedaços, com um machado apropriado.
Apesar de fórmulas matemáticas também serem ferramentas, seu propósito é menos óbvio. E seu uso é mais complicado, ainda. Mas, tal qual o machado, todas as fórmulas matemáticas estão ali para te ajudarem a resolver problemas.

E não se engane, amigo. Seu trabalho lhe paga pelo problema que você resolve para as outras pessoas. São diversas variáveis que influenciam o valor que você recebe, mas todas elas giram em torno do problema que você resolve para as outras pessoas.
O problema que você resolve é urgente ou é transitório? As pessoas vivem sem a sua solução?
O problema que você resolve agrega valor à vida das outras pessoas? Os outros se valem da sua solução para criarem as suas próprias ferramentas?
Quantas outras pessoas resolvem o mesmo problema que você? Quantas pessoas dominam a sua função?
A solução do seu problema atende à quantas pessoas ao mesmo tempo? Você é um artesão ou produz em massa?

Acho que já consegui me fazer entender com essas perguntas. Há mais fatores, como o status que o seu trabalho fornece, a sua capacidade de oferecer informações de vanguarda, etc... Mas para a minha conclusão, a sua reflexão sobre aqueles quatro pontos já é suficiente.

O cruscial é você entender que o seu salário é diretamente proporcional à complexibilidade do problema que você resolve. Se você resolve problemas simples (atender um cliente em uma loja), seu salário será baixo. Se você resolve um problema complexo (a estratégia de vendas a ser seguida por todos os vendedores da cadeia de lojas, fazendo com que a empresa como um todo venda mais), seu salário será alto.

E, é claro, para que você resolva problemas mais complexos, você precisa de ferramentas mais complexas. Você precisa dominar mais informações. Você precisa tomar conhecimento dos sucessos e dos fracassos das outras pessoas na sua área. Você precisa ler. Você precisa formar opiniões. Você precisa desenvolver hipóteses. Você precisa testar suas hipóteses, até que elas se mostrem sólidas o suficiente para serem chamadas de "teorias".

Como eu já disse aqui, antes: cientistas chegaram no nível de humildade tal, que não rotulam mais suas descobertas como "princípios" ou "leis". A humanidade aprendeu MUITO com o caso Newton/Einstein. Newton imaginou certo, desenvolveu cálculos certos e talhou as "leis do movimento e da gravidade". Einstein chegou e afirmou que Newton não havia olhado o todo. E, com matemática correta, Einstein estendeu os conceitos de Newton, mostrando que as "leis" de Newton não eram tão... "leis" assim.
Desse modo, nenhuma nova descoberta científica é chamada de "lei", hoje em dia. Qualquer um pode formular uma hipótese. Essa hipótese deve ser TESTADA. Constantemente, diversos cientistas tentam provar que a afirmação da hipótese é falsa. Desenvolvem métodos e mais métodos para derrubarem-na. Testes e mais testes. 
Conforme a afirmação da hipótese vai passando nos testes, ela vai ganhado o status de "teoria". E mesmo que a hipótese (agora já chamada de teoria) tenha passado por séculos e inúmeros testes diferentes (como a teoria da evolução ou a teoria da relatividade), ela jamais será chamada de "lei". Isso porque diversos cientistas ainda estão desenvolvendo testes para tentar derrubar as afirmações da hipótese.
E isso é um processo bom! Porque se a hipótese for derrubada, abrirá espaço para outras hipóteses melhores. E se o teste não provar que a hipótese está errada, significa que ela está um passo mais próxima de ser verdade E cada experimento que a hipótese passa nos dá mais conhecimento para que possamos criar mais comodidades para nosso dia-a-dia.

Você só faz pipoca - em dois minutos e sem sujeira - no microondas, fala no celular ou acessa a internet, porque Einstein se esforçou na matemática e resolveu problemas na física da relatividade geral. A partir disso, diversos outros cientistas, usando matemática também, testaram a ideia de Einstein, tentando derrubá-la. E a cada novo teste que eles criaram e a teoria da relatividade passou, pelo menos um novo produto foi criado. Da bomba atômica que acabou com uma guerra mundial de mais de quatro anos, até o sinal de TV que viaja via satélites até o receptor da sua televisão...

Portanto, amigo, quando eu vejo alguém falando que "matemática é ruim" em cadeia nacional brasileira, eu sinto raiva. Raiva, pois eu estou enxergando uma manipulação de massa, ali. Um recado para o inconsciente de cada brasileiro. Um recado que diz assim: "Matemática é ruim. Matemática requer esforço. Esforço é ruim."

Esse recado é passado ano após ano. Para garantir que toda criança o receba no maternal. No jardim de infância. No primário. No ginásio. No segundo grau. No ensino técnico. Na faculdade. Na pós graduação. No mestrado. No doutorado. No PHD.

Um recado que o brasileiro entende muito bem: "Bom mesmo é conseguir as coisas sem esforço."
"Bom é ser malandro". "Bom é deixar a vida me levar". "Bom mesmo é votar em um governo que me dê tudo de mão beijada".

Brasileiro acha isso tudo bom em um nível inconsciente. Porque, conscientemente, não entendemos porque os nossos salários, aqui, são menores. Nós achamos injusto que Estados Unidos, Europa e Tigres Asiáticos sejam mais ricos. Achamos injustos, mas compramos os celulares, os carros, os eletrônicos, os serviços, as ideias deles... Alugamos seus satélites. Compramos seus instrumentos de guerra, para nos sentirmos a nossa soberania - falsamente - protegida.

Toda vez que eu vejo pessoas dizendo que "não sabem porque estudam a fórmula de báskara" eu sinto a revolta por essa falta de coerência. 

Eu vou ser legal e vou tentar explicar de modo simples o que é a fórmula de báskara. Sendo didático e simplista. Amigos matemáticos, suplico vossa intervenção, para me ajudarem a ser mais exato.

Vou começar dizendo que fazemos cálculos para podermos prever os problemas de uma execução. Calculamos a quantidade de cimento, para não fazermos nem mais, nem menos concreto do que precisamos. O cálculo é uma ferramenta que nos permite economizar dinheiro ou tempo, tá ligado? Economizar é bom, né? Sobra mais dinheiro ou tempo para fazermos outras coisas. Legal isso, né? Ninguém gosta que sobre cimento - desperdiçando dinheiro - ou falte cimento - nos obrigando a gastar tempo fazendo mais cimento uma segunda vez...

Amigo, a fórmula de báskara é uma ferramenta que nos permite resolver um problema de cálculo em um cenário que existem dois valores desconhecidos.

Você pode tentar resolver o problema no "olhometro". Mas, assim como o exemplo do cimento, se você não calcular, corre o sério risco de resolver errado. E gastar demais... ou não ter o suficiente para executar a ação que você quer.

Um exemplo simples de onde poderíamos usar essa ferramenta, mas não o fazemos? Um exemplo prático. Que muitas pessoas enfrentam no dia-a-dia? Vamos lá:
Você almoça em buffet? Você já se encontrou na situação em que se senta à mesa e nota que pôs comida demais... Ou comida de menos no prato?

Quando seu prato está vazio, no início do buffet, você tem um cenário com diversas variáveis desconhecidas. E você resolve uma fórmula de báskara atrás da outra, conforme decide ou não servir-se de alguma comida ou outra. O resultado do seu prato montado, no final do buffet, é uma extensa fórmula de "pegar mais de um prato, em função de pegar menos de outro prato". Uma sucessão de problemas com duas variáveis desconhecidas. "Pego mais ou menos arroz? Porque?" Um problema que você está delegando a solução para os instintos das sua entranhas.

E porque é melhor calcular antes, do que delegar essa decisão para os instintos das suas entranhas?

Simples. Respondo com outro exemplo.

Como você cuida das suas finanças pessoas?

Deixe-me adivinhar:
1 - "Se tem dinheiro na conta, eu compro!"
2 - "Se a parcela cabe no meu salário, eu compro!"
3 - "Se eu não tenho dinheiro, eu peço emprestado ou fico na vontade!"

Acertei?

É. né?

Há toda uma ciência, que desenvolveu toda uma gama de fórmulas, que geraram toda uma metodologia só para cuidar do fluxo de financeiro (de uma pessoa, empresa, ong, órgão público, entidade, etc...): a contabilidade.

Usando a matemática, você pode organizar as suas receitas e gastos. Pode conhecer a sua situação financeira. Pode criar um planejamento de atitudes a serem tomadas para que a sua situação financeira saia do vermelho e entre no azul...

Mas, né? Matemática é ruim. Todos nós sabemos disso. Deu na TV. O famosinho de internet tuitou isso para quase 400.000 pessoas que o que ensinam no colégio não serve para nada na vida... O efeito de manada fez você pegar a informação disponível e sair falando besteira aos quatro ventos.

E eu estou falando de matemática porque é a área do conhecimento que eu escolhi para me aprofundar. Eu resolvo problemas fiscais e contábeis em sistemas informatizados. As organizações me pagam bem para que eu resolva esses problemas.
Mas temos que estudar línguas, história, geografia, biologia, física, química... Todas as áreas estão correndo atrás de soluções para diversos problemas que temos no nosso dia-a-dia.

E mesmo que você escolha uma área, é importante que você saiba o mínimo das demais áreas. Que é para que você não seja feito de bobo quando falarem das outras áreas na televisão ou na internet.

Amigo, por favor, pare de fazer as coisas porque o teu grupo faz.
Amigo, por favor, pare de acreditar cegamente em tudo o que te dizem.

Amigo, por favor, definitivamente: pare de dizer que estudar é ruim.

Obrigado.