segunda-feira, 2 de março de 2009

Simplicidade




Se alguém perguntar, a resposta padrão é: "Não, não pode."


Calma, como sempre, explico.


Hoje tive o que era pra ser uma simples conversa com o meu pai. Infelizmente, somos antagônicos neste tema, ao que parece. Mas, no final das contas, ficou bem claro, para mim, outros aspectos dele. Porém, só um me fez escrever este texto: "Não, não pode."


Não posso ter as minhas opiniões. Não posso me opor às opiniões dele. Não posso sequer cogitar ser o que ele quer que eu seja. Não posso ser eu mesmo.


Não se trata de qualquer rebeldia de minha parte. Já passei desta fase. Aliás, passei tanto da fase de me opor ao mundo que já estou em processo de me render a todas as maiorias. Afinal de contas, pra que ir contra, né?


Acontece que minha família é uma minoria. Faz parte daquele seleto grupo de "ex-classe-alta". Intelectuais. Justamente o tipo de pessoa que menos se encontra no Brasil - e mais se encontra na Argentina, por exemplo (acho que é por isso que ele gostou tanto de lá).


Bem, até ai nada demais.Só que, desde o início da conversa (que era para ser tranquila)meu pai (e, depois, minha avó) revoltaram-se comigo e deixaram claro: Não, não posso ser que eu sou. Aliás, toda a ajuda que eu deveira ter deles é condicionada por eu ser ou não "um dels".


Mas ai é que está... Como posso pertencer a qualquer grupu se sou único?


Porque, desde sempre, não tive uma vida normal. Não tive um desenvolvimento normal. Não sou, em absoluto, produto de um meio específico; muito pelo contrário, sou um amálgama de vários pequenos mundos, de pequenas opiniões e exemplos, retirados de vários locais diferentes. O que sou hoje é responsabilidade direta minha, pois eu e só eu decidi que exemplos seguir ou não.


Deu um nó agora, né?


Eu não faço, realmente, parte de grupo nenhum. Mas sou inteligente o suficiente para saber que tenho que fazer parte de grupos. O contato com as pessoas que produz as oportunidades de que tanto precisamos para construir nossas vidas.


Então, tendo o mínimo de inteligência - e uma dose considerável de preguiça (faço certo da primeira vez, para não ter que fazer duas vezes) - descobri que cruscial é saber identificar o que te faz feliz, e buscar só por isso.


Bem. Reconhecimento alheio que se exploda.

Dinheiro? Só o suficiente. Nem pouco, nem muito.

Fama? Conhecimento? LIXO


No final das contas, vale a pena, mesmo, é ter "por quem" e "pelo que" morrer.


Ou seja, no meu humilde caso de preguiçoso de carteirinha, ter o conforto que idealizo para mim, o tempo ao meu dispor e, principalmente, a pessoa que eu amo feliz ao meu lado, são o suficiente para que eu consiga ser feliz.


Pequenas metas enchem a vida de processos e tarefas, pequenos degraus para alcançar o objetivo.


Todo o mais? Passatempo.


E, amigos, assim começou a briga. POrque, talvez, só eu vejo o real valor de um passatempo na vida das pessoas. Um chimarrão tomado demanhã, um jornal folheado devagar, livros que se acumulam nas estantes depois de lidos, revistas que se amontoam em um canto da casa, textos e mais textos encontrados e saboreados aqui e acolá, praticar ou assistir esportes, fofocas no muro, na janela, conversas animadas ou acaloradoas, horas de internet sem razão, tocas ou escutar todo o tipo de música, bobagens televisinadas por horas a fio, caminhadas sem fim, compras compulsivas, cafezinho com amigos, namoro ou sexo com quem tu gosta, fazer ou comprar boas comidas, comer com amigos, comer sozinho, doces(!), cartas, soninhos na chuva, no friozinho ou na rede, praia, fotos, filmes... Há quem se distraia de um dia exaustivo de trabalho... TRABALHANDO!


E, sinceramente, como o passatempo é algo que te alivia das opressões e obrigações do dia-a-dia, logo, é algo que te dá certo tipo de alívio, prazer...


FELICIDADE.


Eu sei que parece bobo, Mas cada linha nova que leio tenho mais certeza que a ignorância é uma benção. E que Deus (se é que Ele existe) mora, mesmo, é na Simplicidade.


Só gostaria que, ao invés de um muro levantado às idéias, minha família pudesse aceitar uma conversa que eu proponho numa boa, pois meu objetivo sempre ao abrir a boca não é mudar o mundo. Essa tarefa eu deixo apra os intelectuais.


Eu só quero a simplicidade do meu tempo utilizado para me dar o máximo de satisfação com meus simples objetivos que tanto me fazem feliz...