quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Dos Orgulhos que eu Tenho da Minha Vida

Faz tempo que eu não coloco um texto aqui, né?
Desculpe, amigo. Tem muita coisa acontecendo na minha vida, em muito pouco tempo. Eu queria MESMO poder compartilhar mais. Mas ou eu vivo, ou eu escrevo. E esse é um momento de viver.

Mas é final de ano, também. Momento de reflexão. Aí tu imagina um ser reflexivo como eu VIVENDO INTENSAMENTE em um momento de reflexão.

Talvez auto-conhecimento também caia no conceito de que "tudo que é demais faz mal".

Enfim... Como estou em um momento positivo, estava relacionando as coisas que eu tenho orgulho em ter conquistado. Que estão na minha história e na minha mente. Coisas cuja presença ou lembrança me fazem bem.

A primeira coisa de que eu me orgulho é de ter uma coleção de gibis IMENSA.
No filme dos Simpsons, o cara dos gibis, frente à morte certa, se abraça em seus gibis, nas ruínas de sua loja. Ele brada alto: "Uma vida inteira dedicada aos gibis e histórias... Uma vida que valeu a pena!"

Antes que você saia me atacando por este meu orgulho, olhe as coisas que são caras para você. Sapatos, tatuagens, festas, músicas... Eu não estou julgando as coisas que VOCÊ usa para se distrair do mundo real. Não julgue a minha, ok?
Eu preciso de histórias. Eu preciso de devaneios, eu preciso do fantástico, do lúdico, do improvável e do impossível. E as histórias de super-heróis me dão tudo isso, com uma carga de moral, cultura e bons valores que me agradam muito.

Eu me orgulho por ter quase vinte anos de gibis na minha estante. Páginas amareladas, algumas amassadas, alguns gibis que ainda cheiram a papel recém impresso, outros gibis de sebos, que fecharam minhas coleções com suas páginas amareladas.

Minha coleção vale MUITO dinheiro. Mas eu JAMAIS venderia NENHUMA revistinha minha. São minhas amigas, minhas parceiras. Elas já sopraram palavras nos meus ouvidos em situações difíceis. Já me fizeram conquistar mulheres, empregos, amigos, reconhecimento e, principalmente, minha própria auto-estima e personalidade. Eu seria alguém muito diferente caso não tivesse essas páginas na minha vida.
E, é claro, essas páginas me levaram a outras grandezas. De gibis eu passei a livros, filmes, coleções, séries... Sempre buscando por histórias com igual carga de bons valores, mas mais complexas. Histórias como a da Terra Média, criada por Tolkien.

E, depois de tantas histórias, vem o meu segundo orgulho: O de ter fundado grupos de RPG. Mais especificadamente, o que está a pleno vapor hoje, em Balneário Gaivota.

Primeiro que RPG é o melhor entretenimento que alguém pode pensar em ter. RPG é a arte de contar uma história, de modo que as pessoas que estão escutando ela interagem e decidem os rumos para onde os personagens principais estão indo. Assim, nunca é entendiante. Nem para quem conta, que falaria a mesma história, sabendo do final, apenas entretendo os ouvintes... E nem os ouvintes, que podem não gostar ou concordar com as coisas que estão acontecendo na história.

Ninguém fica passivo. Todos interagem. E o que era para ser uma história de uma visita tranquila a um restaurante pode se transformar em uma perseguição em alta velocidade pelo centro da cidade... Vai saber!

Coisa de quem tem muitas histórias na cabeça:uma hora tu vais querer contar elas para os outros.

Lá pelos idos de 2003 reunimos o primeiro grupo. Muitos não se conheciam. Mas o tempo, as interações e as histórias foram formando grandes amizades. Alguns já se foram (eu, inclusive...) e outros chegaram. Mas o grupo continua lá. Jogando sempre que a vida adulta deixa.

Esse é um tipo de coisa que dá orgulho de verdade, porque eu sei que eu ajudei a mudar a vida, fiz com que algumas sinapses se formassem na cabeça desse pessoal e, no final das contas, são pelo menos uns 40 bons amigos, de que todos sentimos saudades. Saber que eu tive papel ativo na construção dessa turma me deixa realmente orgulhoso de mim mesmo.

E se você notar esses dois orgulhos que eu tenho, eles se passam em volta de ler histórias, criar histórias e de contar histórias.

Tem uma frase que diz que "pessoas medíocres falam de pessoas, pessoas medianas falam de fatos e pessoas superiores falam de ideias..." Não sei se eu concordo muito ou pouco com essa frase, mas uma coisa nela é certa: todas as pessoas FALAM. E o "falar", ali, é no sentido de "contar histórias". As histórias são o cerne do desenvolvimento do ser humano, enquanto espécie.

Histórias precisam ser FEITAS. Isso é óbvio para histórias verídicas. Mas mesmo as histórias de fantasia precisam de alguma transpiração para existirem. Uma história, mesmo quando mentirosa, é, em resumo, o resultado de algum trabalho que foi feito por alguém. E, acredite, muitas pessoas só FAZEM coisas, para poderem CONTAR, depois.

Nesses tempos de internet baseada em redes sociais, isso nem é tão absurdo...

As histórias precisam ser ORGANIZADAS. Porque uma mesma história pode ser contada de um modo emocionante ou de um modo entediante. Depende de como você se organiza para contá-la. Das palavras que escolhe, das pausas dramáticas que você ensaia...

E você precisa ter desenvoltura para interpretar a história que você criou, do modo que organizou. Precisa sentir o feeling da platéia para improvisar, quando necessário. Precisas representar bem.

E, no fim, quando você entende que tudo o que é feito é uma história e que toda história pode ser gloriosa, você passa a viver de um modo que transforma a sua realidade chata em uma fantasia divertida.
E esse é o meu terceiro orgulho. Eu transformei a minha história de vida real em uma história de vida de faz-de-conta. Eu sei transformar meu cotidiano em um roteiro de um seriado. Um seriado estilo "O Show de Trumam", com 30 temporadas, até o momento.

Eu sei rir de mim. Eu sei me apaixonar por mim mesmo. Eu sei ficar irado comigo. Eu aprendi a vencer meus medos, a superar obstáculos, a atingir metas, passar por etapas, concluir fases, a realizar meus planos e a atingir meus objetivos.
E dá muito orgulho de mim mesmo ter chego nesse ponto. Ter domínio da minha história de vida. Saber que ali na esquina do acaso algo inesperado vai virar meu mundo de pernas para o ar. Que minhas certezas serão ceifadas e eu terei que me adaptar, reescrever alguns parágrafos, me "virar nos 30", improvisar o que eu não puder resolver e, no fim, seguir minha história.

Eu tenho orgulho de conseguir entender tudo isso. Tenho orgulho porque conhecer a estrutura das histórias me faz ter uma visão sistêmica das coisas. E essa minha visão sistêmica é valiosa para o mundo real. Essa visão sistêmica me fez aprender JAVA, me fez conseguir empregos e me deu a minha carreira.

Eu tenho orgulho de ter esse nível de reflexão. De ser inteligente o suficiente para ver até esse ponto. E de conseguir pensar coisas como "eu tenho que me cercar dos melhores, para aprender com eles como ser um dos melhores".

E, por fim, sim. Eu tenho ORGULHO de cada um dos meus amigos. De você.