segunda-feira, 8 de abril de 2013

Iniciativa Privada


Ok. Para quem acha que eu sou resoluto nas minhas opiniões, e que eu não penso e re-penso cada uma delas, aqui vai um texto em que eu volto atrás em uma opinião.

Porque tu sabes, né, amigo? Você, que me entende, sabe que cada átomo de dado novo que entra na minha cabeça provoca uma reação em cadeia absurda. Tal qual um boi no pasto, eu removo cada opinião minha do fundo do meu "folheoso" e "rumino-as", até que o novo dado ajuste a todas elas. As opiniões, por sua vez, moldarão minhas atitudes.

Para quem já leu "Rápido e Devagar, duas formas de pensar" simplesmente ajusto os pensamentos do meu Sistema 2 e forço as conclusões ao meu Sistema 1. Pode até ser que aconteçam alguns atos-falhos, até que os novos modos de agir sejam plenamente aplicados. Mas a tendência é evoluir o meu comportamento, sempre.

Eu nem sabia que existiam dois sistemas, mas sempre usei eles: Quando qualquer ideia nova se mostra melhor do que a ideia que eu defendia, abando a ideia antiga sem piedade.

E, neste último final de semana, abandonei um conceito que me acompanhava desde os meus 14 anos: que "Eles" são prejudiciais para o mundo.

Sabe, eu já não achava que as pessoas carentes eram pobres-coitados. Mesmo eu próprio tendo crescido em uma faixa de renda que está abaixo do aceitável, eu jamais pensei que as pessoas que não tem dinheiro fossem dignas de pena. Mesmo porque, essas pessoas têm o mesmo direito e acesso à educação do que todas as outras. A mobilidade social existe (muitas pessoas morreram para garantir esse nosso direito) e está aí para ser utilizada por qualquer um que não se contente ou não queira viver paupérrimo.

Mas, mesmo achando que os pobres não são os mocinhos da história, eu também não achava que os ricos fossem muita coisa, não. Não que eu concorde com a aberração da ideia de que "para que hajam ricos é necessário que existam pobres". Colóquio para bovinos cochilarem. Na verdade, ninguém fica rico sozinho. Quando alguém faz um esforço para melhorar de vida, geralmente emprega outras pessoas. E se quem estava na classe média acaba vidando rico, é comum que pobres sejam empregados e tornem-se classe média...

Mas, mesmo assim, eu acreditava que as pessoas que promoviam iniciativas de negócios em com esforços e recursos privados, eram pessoas motivadas pela ganância e vaidade. Armas que o Capitalismo usa para se desenvolver. Logo, se o princípio está errado, os meios e o final estarão, também. Lei básica da matemática, sabe? Lógica cartesiana, simples.

Tá, eu confesso, agora, que eu sou fã absoluto de Maquiavel. Mesmo ele contradizendo tudo o que afirmou em "O Príncipe", no livro "A República", ele é fantástico. Talvez, justamente, por ele conseguir abstrair o próprio ego e publicar ideias divergentes das que ele já expôs, anteriormente. E, o mais surpreendente, é que "O Príncipe" continua tão válido para regimes absolutistas quanto "A República" persiste válida para regimes democráticos.
Como iniciativas privadas - embora regidas por regras em todos os países - geralmente são estruturas absolutistas, a máxima de que "os fins justificam os meios" são plenamente válidos nesse contexto. Quando o benefício social da iniciativa privada é maior do que o custo do labor humano, esta é válida. Mesmo que somente o dono e alguns diretores realmente enriqueçam, quando o negócio movimenta dinheiro na região (país e até o mundo), cria empregos indiretos e faz com que se criem novos mercados, a "exploração" do trabalhador que muito se esforça e não enriquece é válida.

Aliás, aqui entrou a ideia nova que me fez rever meus conceitos: Qual é a diferença do trabalhador e do dono da empresa?

Alguns dirão que o dono da empresa teve "berço". Nasceu em família abastada, estudou nos melhores colégios, teve oportunidades... Quem nasceu na "casta" jamais sairia dela.
Ok, falências não existem? Ninguém aqui sequer ouviu falar de famílias que perderam o dinheiro? Ou, ainda, dos "novos ricos": pessoas que enriqueceram "do nada", só utilizando seu esforço, genialidade e trabalho?

O fato é que as pessoas têm valor de mercado. Assim como jogadores de futebol, o que você faz "no campo" do trabalho reflete no seu salário no final do mês... Ou no seu lucro.
E, ainda assim como os jogadores de futebol, a maioria dos trabalhadores sequer "concentram" para os jogos. Uma boa parte parece muito boa até os juniores, mas jamais se mostram bons profissionais. Alguns concentram, mas não ficam no banco. Outros ficam no banco de reservas... E poucos são os que jogam. Mas, mesmo dentre os que jogam, a imensa maioria ganha pouco e estão em funções de "carregar piano", para que os realmente bons se destaquem.
Para cada Neymar que ganha milhões por mês, existem milhares de zagueiros do "XV de Cafundó", que mal ganham a Coca-Cola no final do jogo, se ganharem...
Para cada Steve Jobs da informática (que revolucionam o mundo), existem milhares de "programadores" PHP ou Wordpress (e isso lá é linguagem de programação???), destruindo o mercado da informática, ao "trabalharem" de graça ou a preços abaixo do mercado, e entregando porcarias de códigos cheios de Bug...

Assim, insisto que a culpa de você não ser podre de rico é inteiramente sua. E minha, visto que eu me mato para ser um membro da classe média brasileira...
Ao não oferecermos nada de excepcional para o mercado, o mercado também não nos oferece nada de excepcional como remuneração...
Ou você realmente espera ganhar milhões sendo caixa de supermercado, vendedor de loja ou fazendo qualquer outra destas funções-padrão que o mercado oferece?

O que aconteceu comigo é que houve uma mudança de paradigma na minha mente, quando descobri a pergunta "porque existe governo"? Sim, "descobri a pergunta". Mesmo porque é mais difícil encontrar as perguntas certas, do que as respostas corretas...
E, quando eu fui pesquisar a resposta a esta pergunta, descobri um mundo novo. Algo que sempre esteve ali, mas eu não notava.

Os governos só existem para auxiliarem "Eles" em suas iniciativas privadas.

E isso até que é uma coisa óbvia, sabe?
Porque, me desculpem os folgados, preguiçosos e encostados, mas o mundo é de quem faz. Não importa o que, não importa quando e não importa como. O mundo está aí, disponível, para ser transformado por aqueles que sonham, ousam e realizam as coisas. São essas pessoas que perturbam a harmonia e organizam o que a entropia reivindica para si. Essas pessoas são "Eles".
E, convenhamos, "Eles" gastam tempo, esforço, recursos e dinheiro para criarem negócios e criarem mercados. "Eles" são as pessoas que fazem as coisas acontecerem. Que criam soluções e maravilhas. Que trouxeram nosso mundo até onde ele está. E, exatamente por se empenharem tanto em construir maravilhas, "Eles" não têm como trabalharem na base. "Eles" não podem cuidar do país, necessidades de infra-estrutura, médicos, segurança, educação, saneamento, etc... E, ao mesmo tempo, pesquisar tecnologia, criar as fábricas e desenvolver avanços maravilhosos para nossa vida. Não há ser humano que consiga pensar rapidamente e analisar tantos casos separados, com extrema perícia e sucesso.

Por isso, "Eles" concordam que devem existir Governos. E, como "Eles" estão ocupados para serem os Governos, essa responsabilidade cai sobre... os preguiçosos, menos hábeis, incapazes de criar algo revolucionário, encostados e folgados... pessoas da pior estirpe, de modo geral.

E, assim como tudo o mais em nossa nação-experimento "Brasil", há uma inversão de valores monstruosa, aqui!

Nós literalmente odiamos "Eles", embora todos queiram ser "Eles". Aliás, quando um Eike Batista aparece na TV, todos nós o reverenciamos. Mas, aposto, esse mesmo Eike seria alvo de um linchamento coletivo pela massa facilmente manipulável que constitui o nosso povo... Só pelo fato do Eike ser uma pessoa que soube criar empresas, coletar dinheiro em bolsa de valores e obter e administrar concessões de exploração de minerais...
Convenhamos, não é nada difícil abrir uma empresa, fazer um preço mais baixo pelo serviço de exploração de minérios, conseguir dinheiro na bolsa de valores e, assim, sustentar sua empresa... Difícil não é. Mas é trabalhoso. E, quem consegue notar que isso pode ser feito e o faz é notável. E, por isso, ganha e perde bilhões na bolsa de valores, assim como nós - mero povo-padrão-médio - perde sua juventude trabalhando para comprar carros ou smartPhones...

E, quando você nota que os "poderes públicos" são destinados à escória dos trabalhadores brasileiros, que contemplamos os menos aptos a realizarem qualquer coisa para comandarem nosso país, passamos a entender o porquê da piada em que vivemos.
E, se elegemos os piores, o que falar de concursados? Aqui, se inscrever, fazer provas e entrar em cargos da máquina pública é objetivo de vida de uma parcela significativa da população. Gente que almeja "estabilidade no emprego"... Pobres-coitados que não sabem que, se forem realmente bons, os empregos chovem no seu telefone, e-mail, rede social e até na sua porta! Gente que não percebe que viver a vida inteira fazendo a mesma coisa (ou em um plano de carreira rígido) é passar atestado comprovando a sua inutilidade e capacidade de crescer...
Para aqueles que têm a menor capacidade de produzir algo, empregos já chovem. Aqueles um pouco mais destacados são mantidos dentro de empresas a peso de ouro. Já os notáveis nem se preocupam com emprego... Só olhando a maré de oportunidades já se sentem estáveis o suficiente, sabendo que vão aproveitá-las e ganharão mais dinheiro do que qualquer outro...

Aliás, quando levamos este pensamento até as últimas consequências, notamos o quão ridícula é essa estrutura de "caça a cargos públicos": milhares de pessoas afirmando publicamente que são imprestáveis ao ponto de precisarem da força de lei para se manterem no trabalho!

E eu acredito que nem preciso defender a afirmação de que os servidores públicos são medíocres. Ressalvando meia dúzia de gatos-pingados, que realmente amam o o que fazem e, por isso, o fazem de modo exemplar, a regra é encontrarmos servidores públicos vagabundos e preguiçosos, mesmo. Atendentes, burocratas, especialistas... não importa onde olhemos, sempre haverá algum servidor público sem a menor vontade de atender aos cidadãos, empurrando com a barriga e até mentindo(!) para se livrarem de ter que trabalhar.
Afinal de contas, pró-atividade e presteza pra que, já que a estabilidade está garantida? É só fazer o arroz-com-feijão da mesmice que, no final do mês, o salário cai na conta.

E, por pior que pareça, essa escória da sociedade (que não produz porra nenhuma e só empacam o desenvolvimento de quem quer ir para frente) é unida! Reivindicam mais e mais salários, chegando ao cúmulo de receberem valores incompatíveis com a realidade do mercado, para a mesma função na iniciativa privada... E a distorção acontece para cima e para baixo, de acordo com o interesse de desenvolvimento nacional dos políticos-estúpidos... Professores, médicos e policiais, que deveriam receber muito, pouco ou nada recebem. Agora, aspones, burocratas, atendentes, especialistas e afins, acabam recebendo até mais do que seus correspondentes em carreira privada...

Chego a pensar, olhando esse cenário, que um país que emprega milhões de pessoas para fazerem tarefas que a iniciativa privada poderia desempenhar muito melhor, regulamentada pelo mercado, é um lugar em que sua população falhou.
A massa inapta é praticamente o número total de pessoas que se inscrevem para concursos públicos, mostrando que, sem utilizar o apoio do Estado, nós seríamos incapazes de nos cuidar por nós mesmos.
Nosso país segue sendo um experimento internacional, onde os valores que nenhuma outra nação quer em suas fronteiras é testado para ver "como seria se"... Mas o povo? A maioria das pessoas que aqui vivem já passaram o atestado de mediocridade.

Bem, não o bastante esse zé-povinho politiqueiro e caça-concurso já serem uma mão-de-obra de custo-benefício extremamente duvidoso para o nosso país e numericamente muito mais expressiva do que o máximo aceitável (ou até suportável...), hoje pela manhã eu tive o desprazer de ser informado que isso existe:



Você sabe, amigo, que as tradições são passadas de pai para filho... Imagine os filhos de um casal como este... Combinando genes de dois inúteis sem iniciativa, em uma criança que será pressionada desde o início de sua fase escolar para passar em algum concurso público... Que Darwin intervenha e gere mutações nos padrões mentais, gerando crianças que notem como a iniciativa privada é importante para o país e que venha a querer ser "Eles" um dia...

Porque pode parecer insano isso que eu estou concluindo, aqui. Mas, se você aceitar o meu convite e pensar bem sobre o assunto, notará que eu não falei nenhuma besteira. A economia de um país nasce no esforço da iniciativa privada. Se há algum "vilão" para a economia de qualquer país, definitivamente não são "Eles", os que se esforçam para apresentarem iniciativa com os próprios recursos. Estes perturbam o mercado, gerando soluções e novos problemas. Esses novos problemas devem ser solucionados, instigando que novas pessoas sejam, também, parte "d'Eles", mostrando suas iniciativas privadas para solucionar os problemas que aparecerem. E, nesse processo, pessoas são empregadas, o dinheiro é conquistado e gasto, geralmente nas soluções que as pessoas acabam querendo para as suas vidas, em um gigantesco círculo virtuoso.
Quem não tem dinheiro ou se contenta com pouco também não servem como vilões, nessa história. São pessoas que temos que "acordar". Tirar da "matrix" e mostrar que a especialização e a vontade de trabalhar gera prosperidade para todos. Imaginem quantos avanços espetaculares já perdemos porque seus inventores passaram a vida inteira sem educação...
Agora, embora necessários, se há alguém que pode se encaixar na vaga de "vilão", são os funcionários públicos - sejam eleitos ou concursados. Mesmo só existindo porque as pessoas que têm iniciativa privada pagam pesados impostos para sustentá-los, esses funcionários geralmente entregam os piores serviços possíveis à população... E tudo isso por pura convicção da vontade própria.

Solução? Desinchar essa máquina estatal ridícula que temos, já seria de bom tamanho. Cortar na carne diversos serviços desnecessários à vida da população. Nossos governantes já provaram que não sabem administrar os serviços públicos e a maioria dos funcionários públicos já provou que não sabe efetuar o trabalho para o qual foram contratados.
Já escrevi sobre a reforma política. É só procurar aqui no Blog.
Quanto aos funcionários públicos, vamos remover a estabilidade ou simplesmente atrelá-la a metas que variam de acordo com o desempenho médio da função. Quem estiver a baixo ou receber muitas reclamações, é demitido. Simples assim. Não é justo para com o bom, que o mau seja tratado da mesma forma. Quem tira dez merece as estrelinhas. Quem tira zero tem que repetir o ano...

Mas enfim... Já estou preparado para os "ativistas em causa própria" virem aqui, defender seus "direitos constitucionais" ao emprego estável, para os "sensibilizados" sentirem pena dos funcionários públicos, vindo defender os pobres-coitados dos concursados e para os ataques de acéfalos que não se prestam a pensar por dois minutos...
Para todos os demais que têm opinião oposta e querem conversar a respeito do tema, estou a disposição a ter uma boa conversa.