segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O Controle Absoluto: T-Rex, Facebook e o Minha Vida Documentada na Internet.

"Se você está assistindo isso no futuro, eu venho de um tempo aonde existiam dois sistemas possíveis de vida, centrados na opinião das pessoas sobre o monopólio.
As pessoas do oeste reclamaram por anos que as pessoas no leste viviam em um sistema de monopólio...
Mas é exatamente para o monopólio que o sistema do oeste está rumando...
Porque, quando o último peixe grande devorar o último peixe de tamanho médio, teremos um único e último peixe gigante, com o estômago dilatado..."
Robin Hitchcock - Trecho da introdução de Filthy Bird, em StoreFront Hitchcock.


Nos últimos dois dias o Brasil está em polvorosa. O preço do PlayStation 4 foi anunciado e as manifestações na internet já estão quase incontroláveis. Não ficarei nem um pouco surpreso se qualquer hora gamers do Brasil inteiro saírem às ruas com cartazes "Não é só pelos R$4.000,00!".

Internet e Globalização, suas lindas, eu amo vocês duas. Os exemplos internacionais ainda chegarão até as mentes dos nossos jovens, corrompidas pela péssima escola comunista que o nosso Estado nos provê. No dia em que 50% + 1 de nós abrirmos os olhos, as coisas passarão a mudar. Veremos que o caminho para comprarmos a "calça de R$300,00 para uma menina adolescente" não é exigir reajuste no Bolsa Família mas, sim, parar de brincar, deixarmos de ser eternos adolescentes, estudarmos muito, trabalharmos mais ainda e, com o resultado do nosso suor, comprarmos a tal calça de R$300,00. Ou mais caras.

Mas o ponto central é "deixarmos de ser eternos adolescentes". Escola de péssima qualidade, programas de TV que diminuem a qualidade da arte, promoção de jornalistas sensacionalistas e nossa insistência em tornar famosos pessoas sem nenhuma qualidade fazem do nosso povo eternos adolescentes. Adultos com pensamentos rasos. Gente que reza para a semana passar mais rapidamente, para que chegue logo o dia de folga. Gente que não nota que, quando nos tornamos adultos, o jogo muda. E que esse novo jogo é mais divertido: receber dinheiro dos outros pelo o reconhecimento por algo que só você faz de especial.

Bem, enquanto você está com 50 anos fingindo ter 15, lá fora as pessoas de 18 anos estão se esforçando para viver como se tivessem 40. Levando a sério a vida, eles tomam teu dinheiro em troca de espelhinhos touch-screen. E tu nem nota...

Pior: Alguns brasileiros também vivem assim. Mas a nossa, mente, talhada aos moldes do "comunismo-coitadista", logo os recrimina. Como se alguém viver como adulto fosse errado. Como se oferecer bons produtos, a preços baixos e tendo lucro com isso fosse alguma espécie de crime hediondo, comparado ao holocausto... Se o brasileiro-adulto-sério chega a publicar sua felicidade em sentir-se útil para as outras pessoas, então... Pena de morte por apedrejamento, no melhor estilo Monty Python, em "A Vida de Brian".

Isso sem falar que o nosso próprio Governo vende uma imagem de trapalhões. De ineficientes. A precariedade com os cuidados à população fazem com que a população dê como certo que o Governo é incompetente MESMO.

Você não sabe, mas o Brasil tem um super-computador. Ele é chamado carinhosamente de "T-Rex". Sua finalidade? Esse monstro da tecnologia armazena e processa todas as declarações de impostos de renda de pessoas e empresas, os documentos de declaração de compras, produção, vendas, pagamento de impostos, etc... (Sped's, etc...).
Cruzando todas as informações das declarações, este super-computador emite relatórios indicando se o que você declarou que pagou por algum produto ou serviço é o mesmo valor que a empresa declarou que recebeu de ti.

Sim, na hora de cuidar dos interesses do povo, o nosso Governo é incompetente. Mas na hora de cobrar os tributos do povo, nosso Governo está fazendo um trabalho de primeira qualidade. Referência internacional, mesmo.

Enquanto você brinca de viver como um adolescente-cabeça-de-vento, a receita federal esquadrinha sua vida inteira. Eles sabem o que você compra e quando você compra. Com o tempo, eles conseguem determinar suas características e suas preferências. Você não sabe (também) mas nosso governo consegue até prever o que você fará da sua vida.

E isso não é nenhuma novidade. Cartões de crédito já fazem isso há décadas! A diferença é só a fonte e quantidade de dados. Os cartões de crédito só conseguem saber de ti pelo que você movimenta através dos cartões deles. Exemplo? Sempre paguei o corte de cabelo com dinheiro. Para minha operadora de cartão de crédito, eu devo ter cabelo comprido ou ser um careca!

A era da informação pega tão pesado nas nossas vidas, que até o que você faz na internet é gravado e utilizado contra você.

Você já escutou a lenda urbana de que o Facebook e o Google rastreiam e armazenam todas as tuas informações de navegação em seus sites. Todo link que você acessa através do Google, todas as curtidas que você dá no facebook... Tudo isso vai traçando o teu perfil de usuário. 
Experimente, um dia qualquer, passar meia hora fazendo buscas por algum produto diferente daqueles que tu normalmente procura. Sei lá, cabos de energia elétrica, aquaplays, esferas anti-bolinha para máquina de lavar... Qualquer coisa que tu não procuras ou curte, normalmente. "Automágicamente" anúncios similares passarão a aparecer no seu e-mail, nas barras laterais do facebook, em anúncios do addWords do Google pelos blogs e sites da vida...

Amigos, a informação sempre esteve ali. Você pode ignorá-la, como um adolescente imbecil qualquer, ou podes dar a ela a importância que ela tem, como um adulto empreendedor.
A informação bem armazenada, organizada, tratada e processada tem valor. E, olha, o preço dessa informação - para quem sabe o que fazer com ela - é alto.
Não é a toa que Google, Facebook e outras figurem entre as empresas que mais faturam no mundo... Os relatórios de preferências e perfis da população que eles são capazes de oferecer têm precisão cirúrgica. E, por ser um ótimo produto, é vendido a peso de ouro.

Para você que não sabe, eu estou passando por um furacão classe 10 (escala vai de 0 até 5) sentimental.

Desculpe o desabafo aparentemente fora de contexto, mas eu garanto que o texto ali de cima é preparatório para o ponto que eu quero ressaltar. E o ponto que eu ressaltarei da minha vida conclui satisfatoriamente tudo o que eu já escrevi. Você pode confiar em mim.

Basicamente, eu estou me vendo completamente sozinho nesse mundo. 
Já devo ter dito aqui que não falo com a minha mãe há mais de uma década. 
Com o meu pai, eu falo esporadicamente, mas a nossa conversa é sempre artificial e improdutiva. 
Eu namorei pelos últimos seis anos da minha vida. Se eu estivesse solteiro, talvez não tivesse sentido tanta solidão nesse tempo.
Eu fui me perdendo dos meus amigos, conforme fazíamos nossas escolhas na vida. Conselho: NUNCA joguem todas as suas fichas em uma única pessoa. Pode parecer romântico, mas é muito arriscado para ser efetuado na vida real.

Enfim. Estou sozinho. All By Myself. E isso é um saco.

Mas eu sou alguém inteligente. Reflexivo. Eu pratico à perfeição o "passo atrás". Eu saio do meu corpo, vejo toda cena ao meu redor e analiso ela como se fosse alguém que não está envolvido emocionalmente com o contexto. O resultado atual não é algo que eu goste. Então, resta-me rever o que aconteceu e descobrir os erros. Corrigi-los, para que essa situação horrível não torne a acontecer.

E qual não foi a minha surpresa quando eu notei que a minha vida está toda documentada?

Sim. Por muito tempo, sem querer, eu documentei opiniões. Tirei fotografias do meu estado psicológico. Mês a mês, dia a dia. Em uma versão "século 21" de um diário, todas as coisas importantes da minha vida estão distribuídas em fóruns, blogs e diversos e-mails.
As minhas conversas tortas com o meu pai. 
Seis anos pedindo a mesma coisa para uma pessoa que nunca se importou. Que nem lerá esse texto.
Os meus textos infinitos, explicando coisas que nem eu sei para mim mesmo.
Todas as minhas lutas, todas as minhas reclamações, todos os relatos das obras que eu realizei, todos os meus sofrimentos, todas as minhas conquistas e todas as minhas vitórias.

Tudo o que eu fiz está ali. Ouro esperando para ser garimpado. Pepitas e mais pepitas reluzentes, prontas para que eu as descreva, contextualize, interprete, analise e crie novos métodos. Mesmo porque, é impossível ter resultados diferentes empregando sempre os mesmos métodos.

Uma lágrima escorre pelo meu rosto, enquanto eu agradeço a Odin por não ser mais um adulto brincando de ser adolescente. Quando eu noto o valor da informação bruta. Quando eu noto que eu tenho capacidade de processá-la. E quando eu sei que eu posso criar novas perspectivas a partir das minhas conclusões.

Vivemos em um mundo mágico. Aonde podemos ser pessoas melhores. Aonde podemos ser quem nós quisermos ser. 

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