sábado, 5 de outubro de 2013

"O Futuro não é mais como era antigamente"

Eu não tenho controle sobre a minha imaginação. Essa entidade geradora de questionamentos, ideias, conceitos e sonhos é dona da minha mente. Minha imaginação começa a fluir e se apropria indevidamente de toda a minha (pouca) capacidade de processamento. Sempre fico maravilhado com os roteiros que o meu inconsciente me apresenta. E, não bastasse me ocupar e distrair, a imaginação ainda usa minha (pouca) memória para guardar suas viagens.

Eu sinto constantemente o que eu defino como "saudades do que não aconteceu". Em algum momento da minha vida eu fiz uma decisão. Escolhi um caminho. E todos os outros caminhos foram jogados fora. Não, não existe a possibilidade de "recomeçar". Nenhum de nós é capaz de retornar exatamente aquele momento, ter novamente todas aquelas oportunidades e fazer uma decisão diferente. Você pode voltar àquela encruzilhada, mas as oportunidades à sua frente nunca serão exatamente as mesmas. Muitas oportunidades já não existirão, enquanto outras oportunidades novas aparecerão.

"É pra frente que se anda / na rua a banda continua a tocar / (LOVE, LOVE, LOVE, LOVE...)"

O importante dessa historinha é a consciência de que "eu fiz uma decisão". O futuro em que eu estou vivendo é este, porque eu fiz todo o necessário para chegar até aqui. Somos unidades modificadoras do nosso meio. Tudo o que vemos ao nosso redor é resultado das nossas ações.

Reserve.

Em meio às recentes manifestações brasileiras, tenho visto muita gente argumentando - em apoio ou reprovação - de que o futuro que sonhamos hoje é pior do que o futuro que era sonhado nos anos 90, que era pior que o futuro sonhado nos anos 80, que era pior que o futuro sonhado nos anos 70, que era pior que o futuro sonhado nos anos 60, e assim sucessivamente.

Eu fico vendo os devaneios das pessoas de outras gerações com certa curiosidade. Gente que via os Jetsons na TV e achava que no ano 2000 teríamos carros voadores e passaríamos as férias em Marte...
Esse pessoal olha o fascínio adolescente por vampiros luminosos, por super-heróis exibidos ou por zumbis, e ficam revoltados. Como se as próximas gerações tivessem responsabilidade de fazer acontecer o futuro que a própria geração sonhou...

Aliás, se formos ver bem direitinho... Muitas "crianças" das gerações passadas fizeram alguns milagres saírem das telas das televisões e entrarem na nossa realidade. As portas automáticas das naves espaciais (que eram abertas por pessoas escondidas nos cenários) hoje nos dão acesso a shoppings, restaurantes, hotéis, etc... Aliás, é até um invento que contribui para a saúde pública: é bom não termos que tocar onde milhares de outras pessoas também tocariam. Menos trânsito de germes e doenças.
O mesmo podemos falar para computadores, celulares e outros equipamentos touch screen...
A própria internet é algo que saiu da ficção científica para a realidade.

Ou seja, muitas pessoas que sonharam um mundo melhor arregaçaram as mangas e trabalharam para fazer acontecer.

E, se o mundo não está melhor, hoje, é apenas porque muitas pessoas simplesmente fizeram escolhas que não levaram o mundo na direção dos seus sonhos.

Geralmente as pessoas frustradas com a distância da realidade para os seus sonhos são, geralmente, as mesmas pessoas que reclamam demais da "situação atual do mundo". Gente que poderia ter feito muito para melhorar a vida de todos. Chegaram na encruzilhada e, frente a todas as opções, escolheram caminhos que não levavam a um mundo conforme o sonhado.
Alguns fizeram escolhas que se revelaram caminhos sem saída logo depois. Pelo menos estes tentaram.

Mas esse texto é para advertir sobre os que escolheram pela inatividade na encruzilhada das opções. Não escolher um caminho é escolher um caminho. E é hipocrisia chegar no final desse caminho, não encontrar o que queria e, então, passar a culpar os outros pelas próprias escolhas.

O futuro não é mais como era antigamente? Bem, amigo. Você é culpado por não inflamar a próxima geração. Por não estudar, não mostrar como se faz, não despertar interesse, não fazer os outros se apaixonarem pelo ideal. A inatividade abre um vácuo. E, como todo bom vácuo, ele tende a ser preenchido pelo que estiver mais próximo. Ainda mais quando tratamos do vácuo das ideias. Se não existem boas ideias preenchendo o imaginário coletivo, qualquer ideia entra em seu lugar. Mesmo as ruins.

Aí os jovens colocam zumbis, lobisomens e vampiros no inconsciente coletivo e as gerações anteriores ficam iradas?

Eu admiro os jovens, em geral. Ainda mais quando eles fazem alguma coisa. Quando eles conseguem se desprender do exemplo das pessoas das gerações mais antigas. Quando eles irrompem a inatividade e fazem um sonho acontecer. Quando o caminho é mudado, as cartas são reembaralhadas, a situação muda, as pedras são sorteadas e os dados rolam.

Quando o caminho é novo, ninguém consegue ver com precisão o que está logo ali, na frente. O futuro deixa de ser algo planificado para se tornar uma massinha de modelar. E a habilidade de esculpir de cada um é o que determinará a forma final do nosso futuro. O mundo volta a se tornar excitante.

O futuro não é mais como era antigamente. Aliás, o futuro já não é mais como era no início desse ano.
Se antes tudo era previsível, hoje ninguém mais sabe quem vai viver... e quem vai morrer!