terça-feira, 22 de outubro de 2013

Como suportar o fim de um relacionamento?

"Não é o fim do mundo, é só o fim de tudo... que fomos nós..."
- Herbert Vianna.

Vou começar dizendo que os relacionamentos não deveriam terminar. E, se terminam, é porque começaram errado. Não era para ser. Só esse pensamento já traz um alento.

Eu já tive quatro grandes relacionamentos na minha vida. E, destes, um eu sei que começou muito bem e não deveria ter terminado. É o único para o qual eu não tenho uma solução. Até hoje dói e, se a menina quiser retomar agora mesmo, eu não penso duas vezes: largo tudo o que eu estiver fazendo e corro para o lado dela.

Mas os outros três relacionamentos começaram errado. Eu tentei conduzir da melhor forma possível, tentando "desentortar o pau que nasceu torto". Como bem diz o ditado, esse é um esforço em vão. O que nasce errado dá muito trabalho para ser desenvolvido, até que não vale mais a pena e é descartado.

O problema é que, mesmo quando os relacionamentos começam errado, eles manipulam nossos sentidos e sentimentos. E o ato da separação é horrível.

Entenda: em um relacionamento que nasce errado sempre há um indivíduo que gosta mais do outro. Ou um indivíduo mais instável do que o outro. Ou um indivíduo com mais dúvidas, medos, receios, temores, etc... do que o outro.

Esse desequilíbrio entre as duas partes gera toda a insatisfação que abala e compromete o relacionamento desde o seu início até o seu fim.

A pessoa que ama de menos tende a achar que a pessoa que ama demais a prende, a sufoca, a impede de ser livre, a manipula e a obriga a viver uma vida que ela não quer. A pessoa que ama de menos geralmente se diz vítima de ciúmes, de perseguição, de vigilância.
Já a pessoa que ama demais tende a achar que a pessoa que ama de menos a ignora e a deixa de lado. A pessoa que ama demais geralmente se diz vítima de indiferença, de traição, de ser feita de boba, etc...

O que ambos não notam é que suas próprias atitudes geram a reclamação da outra parte. E o que os dois notam menos ainda é que essas atitudes são tomadas justamente por causa do desequilíbrio. Um simplesmente não tem tanta vontade assim, enquanto o outro tem vontade demais.

E o rompimento pode vir de qualquer uma das partes. 

O mais óbvio é que a pessoa que quer ser livre abandone o barco no primeiro sinal de pressão. Isso faz com que a pessoa que ama demais caia em um sofrimento indescritível. Mesmo porque, quem ama de verdade faz dos planos do relacionamento os seus próprios planos. E perder isso, amigo, é o mesmo que perder o chão, os horizontes e todas as perspectivas.

Mas a pessoa que ama demais também pode abandonar o barco. Cada um tem o seu limite de traições. Tem gente que não aceita que a outra pessoa faça uma coisa sem avisar e acha que essa bola nas costas já é um tipo de traição. Tem gente que precisa pegar o parceiro na cama com outra pessoa... Quando este limite é ultrapassado, a amargura toma o coração e, sim, a pessoa que ama demais pode resolver parar de amar. E a pessoa que ama de menos pode até se dizer aliviada com o fim. Mas é tão ruim quanto. Nessas horas é que, geralmente, a pessoa que ama menos nota que ama a pessoa que ama demais.

Mas não pensem que a dor ocorre só na pessoa que foi chutada. Mesmo quando há uma terceira pessoa envolvida, causando a separação, os rompedores do relacionamento também se sentem mal.

Porque não acredite que é fácil para quem ama de menos passar a viver longe dos cuidados e da atenção da pessoa que ama demais.
Ou, então, imagine todas as contradições que aparecem na cabeça da pessoa que ama demais, quando esta acaba um relacionamento! Coisas como "ela era tão importante para mim, será que não temos como arrumar as coisas?".

De qualquer modo, eu aprendi uma técnica. Não é a solução universal. Certamente não funcionará para todos. Mas tenho certeza que esse texto vale a pena estar aqui, porque ele pode dar base para pensamentos de todos. Nem que seja te fazer pensar para argumentar contra.

Primeira ponto importante é cortar totalmente os laços. Exclua das redes sociais, apague o número do celular, o e-mail da agenda, etc... Se você puder não ver e não falar com a pessoa, isso só vai acelerar o processo de cura.

Mas o nosso corpo prega uma peça. Como recurso evolutivo, nosso corpo nos dá doses cavalares de drogas hormonais para gostarmos de ficar próximos ao parceiro. E, ao ficar longe, você tem uma crise de abstinência desses hormônios. Entenda: você não quer a pessoa em si, você quer a reação das drogas dos hormônios que essa pessoa te proporcionava!

Então, o segundo ponto é controlar a abstinência causada pela falta da pessoa. E essa é fácil, amigo. Aguente no osso. Ou, faça o que eu prefiro fazer: substitua o teu vício pela pessoa, por um outro vício. Compras, álcool, cigarros, jogos, sexo fácil, noitadas... Se tiveres como, peça férias e viaje para um lugar que você sempre quis ir e nunca tinha ido, antes.
Evite fazer as coisas que você fazia antes. Mude de restaurante, mude de bar, mude de roupa, mude de casa, mude, mude, mude...
Permita-se se jogar em tudo que for prazeroso.

Só tome cuidado na hora de "sair pegando geral". Quando ainda estamos com "o coração cheio", nós podemos ficar mais agressivos na conquista. O que potencializa o sucesso da conquista. E podemos acabar fazendo com que alguém se apaixone por nós, enquanto tudo o que queremos é só "um amor de uma noite", que garanta a dose diária da droga hormonal.
Existem MUITOS homens e mulheres por aí em situação igual à tua. "Os perdidos se distraem", sabe como é? E tem gente que está nessa por convicção. Pegam geral porque é o que querem e não vão querer um relacionamento sério mesmo. Procure essas pessoas.

E não se engane, amigo: O coração é como um copo e, se o teu coração está cheio, tu não conseguirás colocar mais nada dentro dele. Ele transborda, os líquidos se misturam e só causam mais confusão. No fim, tu está com alguém só pela disponibilidade, sobrepondo o sentimento residual do relacionamento antigo.

Justamente esse é o terceiro ponto: esvazie o seu coração. As doses que tu conseguires da droga hormonal vão te deixar mais calmo. E você deve utilizar essa calma para controlar o teu pensamento. Para excluir do teu dia-a-dia tudo que era do relacionamento. E preencher a tua rotina com coisas que te definem enquanto pessoa.

Porque já diz o ditado virtual: "não se corre atrás das borboletas, se prepara o jardim para atraí-las".

Vá para uma academia. Depois de duas semanas, o exercício físico passa a dar prazer. Fazendo um exercício físico, você pode tomar álcool, comer chocolate e gorduras quase à vontade, coisas que dão prazer. 
Inscreva-se em cursos, participe de grupos, vá a eventos, etc...
Frequentando novos lugares que TE definem enquanto pessoa, você passará a encontrar pessoas que SE definem enquanto pessoa pelo mesmo lugar. Estilos parecidos tendem a ser um bom início para amizades. E amizades bem construídas reduzem as chances de desastre em consequentes relacionamentos.

Então, quando tu já estiveres "limpo" do antigo relacionamento, com o coração cheio apenas com as tuas coisas, tu já terá passado pelo pior e estará pronto para viver a tua própria vida e para começar a pensar em um novo relacionamento.

Vá devagar na próxima conquista. Não é feio estar sozinho. Amigos de verdade vão querer te ajudar escutando teus desabafos. Use a tua fragilidade para pegar geral. Use tua raiva para pegar geral. Se ache para pegar geral, finja-se de "pior pessoa do mundo" para pegar geral. 

Só é importante lembrar lá do início do texto: os relacionamentos que terminam, começam errados. Não dê tanta atenção à paixão. Não escute tanto as suas entranhas. Não se jogue em um relacionamento "para ver no que vai dar". Um relacionamento invade teu coração, destrói a tua vida particular, cria seus próprios objetivos, te faz escravo dos planos em conjunto e, mesmo assim, ele pode acabar do dia para a noite e te deixar mal, novamente.
Pense racionalmente sobre as qualidades e os defeitos da outra pessoa. Tente encontrar alguém que forme um relacionamento equilibrado contigo. Aonde os dois amem em proporções muito similares.