sexta-feira, 25 de outubro de 2013

O Mundo Contra Mim

É, eu não ando em um bom momento e meus textos estão, todos, sendo escritos com um princípio de depressão.

Mas, mesmo assim, você pode notar que os meus textos tendem à imparcialidade emocional. Eu formo as minhas opiniões de modo racional, sempre. Mesmo que esteja emocionalmente enterrado até o pescoço na situação. Eu dou "o passo para trás", eu saio do meu corpo, eu olho a situação como se fosse um terceiro não-envolvido. E a primeira pessoa que eu critico no processo inteiro sou eu mesmo.

Eu estou fazendo as coisas corretamente? 
As decisões que eu estou tomando são as melhores? 
Estou sendo sensato nas minhas colocações?

Amigo, eu sou assim porque li. E não foi qualquer literatura que eu li. Eu li a melhor literatura formadora de caráter que pode existir nesse mundo: eu li gibis de super-heróis.
E eu não li poucos, eu não li por pouco tempo e eu não parei de ler.

Ver um super-herói na TV é uma coisa. Ler um único gibi é uma coisa. Agora, amigo... Eu passei quase quinze anos da minha vida comprando mensalmente vários títulos. Peter Parker, Kyle Rayner, Kal-El, Wally West, John Jonzz, Arthur, entre outros, são mais do que meros personagens desenhados, para mim. Eles são influenciadores diretos da minha personalidade.

Todo super-herói é alguém que tem o ímpeto de fazer a coisa certa, porque a coisa certa é a coisa certa a ser feita. Eu sei, a frase é redundante. Mas, depois que tu a entende, essa frase faz todo o sentido do mundo. Guy Gardner foi quem disse isso.

LEIA ESSE GIBI AQUI -> http://imgur.com/gallery/Ijdxh

E eu, enquanto ótimo interpretador de textos, deixei que estas ideias entrassem na minha cabeça. E elas se infiltraram profundamente. Sim, diferentemente de você, se eu tivesse algum super-poder, iria me fantasiar e sair às ruas protegendo as pessoas. Impedindo crimes, investigando quadrilhas, desmontando o tráfico, protegendo inocentes e o principal: Fazendo com que o mundo continue girando corretamente. Esse último ponto quem falou foi o Kal.

Mas eu não tenho super-poderes. Então, amigo, me resta ser o "side-kick". O parceiro. A pessoa que colabora ao máximo com o super-herói. Na reconstrução depois do arco de histórias "Guerra Entre os Mundos", o Super Homem está só observando enquanto operários reparam uma usina de energia elétrica. Um dos operários cai e o Super Homem o salva. O presidente Luthor chega, observa e critica o Super Homem, por ele não ajudar na reconstrução. Alega que tudo voltaria ao normal mais rapidamente. Então, quando o Super Homem ia esboçar uma resposta, o operário salvo interrompe: "Eu não quero que o Super Homem faça o meu trabalho. E ele está fazendo um favor para mim por me deixar contribuir para a reconstrução do mundo. Ele já fez a parte dele nos salvando dos alienígenas, agora é a nossa hora de lutar para salvar o nosso planeta."

Então, eu me esforço para sair da situação de "ser salvo". Eu não quero tomar o tempo do Super-Herói, que ele poderia estar utilizando para salvar outra pessoa mais necessitada.
Então, eu me esforço para nunca estar na situação de vilão. Forçando que o Super-Herói tenha que intervir em alguma situação por minha causa.

Eu não voo, não atravesso paredes, não tenho super-força, super-resistência, super-velocidade, não grudo em paredes, não tenho fator de cura, não disparo laser pelos olhos e não fico invisível.
Mas eu posso ajudar sendo justo a todo tempo. Eu posso ajudar recolhendo o lixo que algum porco jogou no chão. Eu posso ajudar pedindo para que não estacionem na calçada. Eu posso ajudar intervindo em arruaceiros para que a ordem seja estabelecida.

Eu posso ajudar o Super-Herói sendo eu mesmo um disseminador do bem, da ordem e dos bons costumes para todos ao meu redor.

Então, quando eu dou o meu "passo para trás", eu critico a mim mesmo sobre todos esses itens. Eu estou ajudando o Super-Herói ou estou me colocando no papel de vilão?

Eu não quero entrar no papel de vítima, mas a resposta para essa pergunta me deixa extremamente triste. Ainda mais aqui no Brasil.

Vivemos em um país aonde o Super-Herói não dormiria. Passaria 24hs por dia só correndo de um lado para outro para "fazer o mundo girar". Capaz do governo regulamentar a ação do Super-Herói para garantir "cotas para salvar a população carente"...

Estou em um país, de maioria católica, aonde cada cidadão "lava as mãos" para qualquer possibilidade de ajudar ao próximo ou fazer valer a justiça. Ou, se não bastasse que TODOS ignorem os problemas, a MAIORIA deste "todos" é agente ativo de corrupção direta.
Se a indiferença frente às injustiças é rotineiramente ruim, a geração de injustiça é o que condena nossa sociedade.

Pensando bem, o Brasil só tem UMA ÚNICA CHANCE de ter um Super-Herói: que eu ganhe super-poderes.
Porque, se QUALQUER OUTRA PESSOA recebesse super-poderes, teríamos um super-vilão, mesmo.

Essa balança é tão desequilibrada, que constantemente fico me sentindo um bobo. Um otário por acreditar nos bons valores da vida. Na vida justa, batalhada, que ruma para a realização de sonhos bonitos.
Porque todos os outros viventes desse país querem mesmo é BOTAR FOGO NO CIRCO, fingirem que não sabem como o fogo começou, ficarem apreciando o fogo consumindo o que era bom e, pasmos, posarem de vítimas inocentes, que perderam o circo porque ele pegou fogo.

Uma população de pessoas sujas, que preferem as trevas do lado mais podre da vida. Que refutam e jogam os bons relacionamentos no chão, como se fosse lixo. Pessoas vazias de bons conceitos, que acham que "aproveitar a vida" é se entregar para festas banais, amizades rasas, drogas, violência e transgressões.

Como se a sua cara excessivamente maquiada, suas roupas caras ou seu perfume importado escondessem toda a falta de caráter que transparece dos seus olhos...

Sou eu sozinho, amigo. Eu, só eu e apenas eu, contra todas as outras pessoas do mundo. Eu aqui, bastião de tudo o que é bom e cor-de-rosa neste mundo. A última resistência.

Vocês podem me atacar à vontade. Eu jamais cairei. Em qualquer situação eu vou me criticar fortemente, sempre. E eu vou fazer tudo o que é correto, sempre. E não há argumento de vocês que possam me corromper deste caminho que eu escolhi. Porque o certo é o certo, todo mundo sabe o que é o certo e o certo é o certo a ser feito.

Mas eu falo do Brasil porque é aqui que eu vivo. Periferia bastarda e mal parida do mundo. E o mundo inteiro é muito parecido com o Brasil. Raros são os lugares aonde suspeito que tenha uns poucos que talvez se pareçam comigo. O fato é que sou eu contra uns sete bilhões de pessoas. Gente que deveria estar zelando pelo certo, mas estão destruindo o mundo só para obterem ganhos pessoais ou por pura ignorância, mesmo.