terça-feira, 20 de janeiro de 2015

1% mais ricos do que 99%

Ontem saiu a notícia de que até 2016 o 1% de pessoas mais ricas do mundo terão mais recursos do que os 99% restantes.


E em vários outros veículos de comunicação.
Como você pode imaginar, o pessoal que defende o viés comunista está em polvorosa com esta notícia. Sério, eu fico imaginando os comitês cheios, com pessoas correndo de um lado para outro, se esbarrando, tomando café e fumando cigarros com cara de preocupados, andando em círculos pensativos...

E como nossos professores já são formados por catedráticos que apontam para a esquerda como caminho correto, nossas crianças são educadas também orientadas para a esquerda... Isso forma um país de pessoas com cultura esquerdista. Provavelmente todos repetindo frases como:

"Os patrões são ruins."
"Os patrões exploram."
"O acúmulo de capital é errado!"
"Os trabalhadores são pobres coitados!"

Bem, na hora de falar mal do capitalismo todos se fazem de vítima e regurgitam essas atrocidades.
Mas é claro, nenhum esquerdista/comunista que se preze deixa de querer um celular touchscreen de última geração e da moda, roupas de grife, carrões importados do ano... ou sequer de beber sua coca-cola enquanto almoça.

Comunistas têm a visão errada de que as riquezas produzidas no mundo são um "bolo" único e estático. Um "bolo" aonde, para eu comer um pedaço a mais, outra pessoa tem que comer um pedaço a menos.

Mas aí vai a verdade: dinheiro não obedece a lei de conservação de massa.

(Esquerdista geralmente é de humanas e costuma não gostar de ciências exatas. Eu explico a lei de conservação de massa pra vocês. Essa lei indica que a matéria não se cria e não se destrói. Apenas pode ser transformada de uma forma em outra. Ou seja: um quilo de água pura líquida fervida resultará em um quilo de vapor d'água. Como dizia Beekman: "Tudo vai para algum lugar!"

Sim, amigo. Dinheiro pode ser "criado do nada". Quer um bom exemplo de como isso acontece? Toda vez que colocamos um produto a mais no mercado um pouco de dinheiro é "criado do nada". Seja extraindo um recurso natural diretamente da natureza (através de mineração, plantio, criação de gado) ou agregando valor a produtos já existentes (ESTUDANDO, compartilhando conhecimento, pesquisando, refinando, enfeitando, transformando, etc...). Sempre que a gente CRIA ALGO NOVO estamos CRIANDO OU AGREGANDO VALOR. Assim, "do nada". O produto passa a valer dinheiro que não existia ou a valer mais dinheiro do que valia originalmente.

Portanto, amigo, o "bolo" que os comunistas se referem é mais como a história de Jesus e os peixes. Se tu se esforça os peixes são multiplicados, sim. O bolo "cresce" conforme tu trabalha.


Pergunte a um comunista porque existe mais dinheiro em circulação hoje do que há dez anos atrás... Do que há cinquenta, cem, duzentos ou mil anos... Eles te dirão que é "inflação" ou farão alguma retórica para tentar explicar que "os poderosos malvados" exploram "os pobres coitados trabalhadores".

Amigo, o capitalismo funciona porque explora nossas características mais básicas. Aquelas conhecidas como "pecados capitais" - que de "pecados" não têm nada!
Queremos as coisas por preguiça, inveja, gula, luxúria, avareza, orgulho e ira.
Mas para que possamos nos sobressair no capitalismo, precisamos sobrepujar os "pecados capitais".
Temos que deixar a preguiça pra lá. Temos que esquecer a vaidade e o orgulho. Temos que controlar nossa gula e luxúria. Temos que ter a medida certa de ira e de avareza, para que estas não nos ceguem.

Os números apresentados na pesquisa só mostram uma coisa para quem sabe lê-los: Um por cento das pessoas desse mundo fizeram ou fazem algo notável para uma parte considerável de pessoas - tanto do presente quanto do futuro.

Seja o Bill Gates separando software de hardware e iniciando uma revolução na microinformática;
Seja o Steve Jobs criando produtos-conceito que mudaram nosso modo de nos comunicarmos e vermos o mundo;
Seja o Henry Ford criando a linha de montagem em massa;
Seja o Thomas Edson perseverando até encontrar o filamento perfeito por tentativa e erro;

(Inventor do Ar Condicionado: TE AMO!)

Seja o xeique árabe que extrai e refina o líquido negro que mudou o mundo para sempre;
Seja a indústria química/biológica/farmacêutica que cria remédios que salvam milhões de vidas todos os anos;
Seja o corretor da bolsa de valores que aplica dinheiro em empresas que estão precisando de recursos para crescerem;
Sejam os artistas que alimentam nossos sonhos todos os dias;
Sejam os esportistas que nos ensinam o valor da determinação a cada lance;
Sejam os milhares de multimilionários que eu não citei aqui, cujos negócios nasceram de ideias que fazem a diferença nas vidas de muitas pessoas...
Todas essas pessoas merecem a "parte do bolo" que fizeram crescer com seu trabalho árduo. Com suas ideias revolucionárias. Com as horas a fio estudando, dando um jeito de fazer a empresa funcionar mais um mês, mais um dia... Encontrando fornecedores, criando estratégias de distribuição melhores que deixam o produto um centavo mais barato para os clientes...

Não existe almoço grátis. Os 1% mais ricos são mais ricos porque fizeram algo que os 99% mais pobres não fizeram.
Esqueça aquela imagem de Hollywood do "patrão rico malvado tomando whisky no alto da torre de vidro enquanto escraviza os seus pobres funcionários". Os donos de empresas estão se esforçando para ganhar dinheiro SIM. Mas, no processo, estão dando produtos para os clientes e emprego para os funcionários. Clientes que não teriam acesso ao produto e funcionários que não teriam emprego se o dono da empresa não existisse.

Na verdade, o maior vilão deste cenário são os funcionários. Todos nós. Os 99% que nos contentamos com nossas vidas medíocres. Que somos incapazes de desligar a novela das oito, o jogo de futebol ou o BBB e irmos estudar. Que não estamos fazendo nossa parte para encontrar algum conhecimento notável e nos acomodamos nos nossos empregos de oito horas por um salário mínimo.

Sim. Nós somos os culpados pela nossa pobreza. Cada um de nós que vive a vida "de salário até o próximo salário" ("paycheck to paycheck", em inglês - ainda escrevo um texto sobre isso!). Cada um de nós que não sabe economizar para criar o próprio negócio. Que tem uma ideia mas não sabe como colocá-la em prática (Dica: vá no SEBRAE, poxa!). Que sequer tem uma ideia!!!
Sim. Nós somos os vilões. Todos nós que nos escondemos atrás de ideias e feitos de outras pessoas. Que deixamos que nossos professores, padres, filósofos, políticos, pais, maridos, mulheres, amigos e "quem quer que seja" pensem e ajam no nosso lugar, por nós.

É muito fácil criticar quem chegou no topo. Mas é complicado notar o esforço de quem chegou lá. E mais complicado ainda é aprendermos com os passos deles e notarmos que nós temos que fazer nosso caminho até o topo, também. É nossa responsabilidade fazer "o bolo crescer" para termos nossos pedaços a mais.

Não é fazendo os 1% mais ricos ficarem mais pobres que os 99% mais pobres ficarão mais ricos.

O capitalismo ESPERA que você tenha produtos para oferecer, conquiste bastante dinheiro e possa comprar de outras pessoas que vendam seus produtos. Assim essas outras pessoas também terão dinheiro para poder comprar o SEU produto. Nesse ciclo virtuoso, cada vez que você agrega valor ao seu produto você está criando mais dinheiro. "Fazendo crescer o seu bolo", sem precisar tirar pedaços "do bolo" de ninguém.

Quer um mundo mais igual? Vamos nos libertar das pequenezas do nosso dia-a-dia. Vamos estudar um pouco mais, um pouco mais a sério. Vamos trabalhar um pouco mais, um pouco melhor. Use o seu tempo livre para evoluir as suas habilidades, para agregar valor ao produto que a sua mão de obra é. Aprenda a não se contentar com um trabalho que não seja o melhor (ele é seu cartão de visitas!), a criar coisas realmente boas e a conquistar o "sim" das outras pessoas.

Seja você mais igual aos melhores, em vez de tentar piorar os melhores.

Quer um bom exemplo do que eu estou falando?
Você usa a internet para que? Redes sociais o dia inteiro? (Não né? Leitor do Ponto Final que chega no fim dos meus textões é diferenciado, eu sei!)

Bem, eu tenho um grande amigo que descobriu um curso de alemão em audio-book e apostilas, 100% gratuito. Ele baixou as aulas e as escuta no trajeto até o trabalho, pela manhã. Ao meio dia ele faz as lições da apostila. No final da tarde ele repassa a aula do dia no trajeto de volta para casa.
Pode não ser o melhor curso. Ele pode não se tornar fluente em alemão no final dos dois meses. Mas você entende que ele está se esforçando? Que outras pessoas estariam dormindo, escutando música ou alguma rádio, nesse momento?
Você entende que esse meu amigo está um passo mais próximo dos 1% e um passo mais longe dos 99%?

E você?