quinta-feira, 23 de maio de 2013

Comentando segundo MINHAS regras de discussão


A coisa que eu mais abomino em qualquer ser humano é a capacidade de só notar a sua própria circunstância. Sabe aquele tipo de pessoa que tem a certeza de que só as suas próprias conquistas e problemas são relevantes? Então, exatamente essas pessoas.

Há muitos modos de descobrir quem é "militante em causa própria". Mas o meu método predileto é confrontar as opiniões da pessoa, com o que a pessoa lê. Geralmente esse zé-povinho parcial e tendencioso só lê o que é de seu interesse. Fica inflando o ego da sua causa, tendo contato apenas com argumentos, opiniões e conclusões que se alinham com sua base de pensamentos. Esse tipinho de pessoa é tão medíocre que, para você ter uma noção, eu ainda os considero menos do que os reacionários que tomam contato com as filosofias adversas, só para ter argumentos para atacá-las. Pelo menos esses últimos baderneiros ainda tomam contato com mais pensamentos, diferentemente dos "militantes em causa própria".

Por puro princípio, se eu acredito nisso, meu comportamento segue essa diretriz. Não que eu seja um santo, vivendo em harmonia com todos os conceitos do mundo. Tenho os meus pré-conceitos, tenho minhas opiniões formadas e tenho até as minhas teimosias (sabidas ou não). E, assim como todo mundo, eu me sinto incomodado em ler algo que contradiz as minhas opiniões, argumentos e conclusões. Mas eu me esforço para tentar conter todos os argumentos, pesá-los e chegar a um denominador comum e justo.

Tendo isso em vista, li esse texto, hoje:


OOOOOKKKKK.....

Os meus comentários sobre este texto são contundentes, fortes e eu poderia ter escrito em poucas linhas. Lá nos comentários do texto, mesmo. Mas eu não gostei das políticas de comentários deles. Concordo que ataques diretos e baixarias não devem fazer parte de uma conversa de alto nível, mas não me senti completamente livre para escrever o que eu penso, por lá. Então, estruturo e transformo a opinião em texto para colocar aqui. Um espaço meu, onde eu mando e permito que as pessoas destilem todas as suas opiniões sem reservas ou garantias de proteção.

1 - Antes de mais nada, CONCORDO com o âmago do texto.
Sim. Assim como a autora do texto, eu concordo que existe algo de podre na cultura da nossa sociedade. E esse cheiro nefasto está a tanto tempo empesteando o ar, que muitos de nós já acham-no natural. É um problema grave. Algo a que não podemos mais virar as costas. Se por muito tempo a civilização conseguiu carregar o peso deste problema (e em alguns momentos o peso foi até benéfico para o avanço), a sociedade de alto desempenho em que vivemos já não pode mais manter "peças" em estado de degradação.

Desde o final da primeira guerra mundial, as mulheres formam uma massa de pessoas com função social de altíssima importância.
Não sejamos cegos, não sejamos parciais, tendenciosos ou hipócritas.

Na história da civilização humana, por muito tempo a "lei do mais forte" imperou. Tribos nômades, caça, pesca, coleta... A função social de uma mulher nesse tempo era a de reproduzir. Questão simples de emprego do recurso correto para cada tarefa: as chances dos homens defenderem o grupo contra predadores, terem sucesso em caçadas e pescas e até mesmo conseguirem coletar alimentos em árvores, era maior. Estatisticamente falando, é claro.
Se você assiste a bons programas, está acompanhando o seriado "África" no Discovery Channel. Em um dos episódios, eles mostraram a função social do leão macho, no grupo. Porque, você sabe, os leões machos não permitem que outros machos façam parte de seu grupo. Assim, o macho até caça, mas as leoas, em grupo, é que têm mais sucesso. Porque elas deixam que ele coma a caça que elas obtiveram? Simples. Hienas e outros carnívoros são atraídos pelo cheiro da caça abatida pelas leoas. E as leoas não conseguem defender a caça, sozinhas. Mas o leão macho consegue. E uma carcaça dura dias, para um bando. São dias em que só a presença do leão macho já afugenta muitos carnívoros aproveitadores...

Função social. Recurso certo, sendo recompensado pelo grupo por causa do seu trabalho bem executado. Leis da natureza. Coisas das quais todos os seres vivos estão sujeitos.

Na raça humana, refinamos nosso modo de vida sistematicamente, com o passar do tempo. Desde os caçadores/coletores até o final da primeira guerra mundial, nosso mundo era uma merda. Nossa sociedade era tosca. As pessoas acreditavam em bobagens, crendices e religiões para qualquer bobagem que acontecesse no dia-a-dia. E eu não estou falando só de homens. Preste atenção: estou falando de pessoas. Todos.
Ou você acha mesmo que eram só os homens que declaravam que mulheres eram bruxas? Só os homens jogavam pedras em prostitutas, em praça pública? Acha mesmo?

Por muitos milênios, nossa sociedade se desenvolveu de acordo com a lei do mais forte. E, convenhamos, estatisticamente as mulheres não são mais fortes.
Vou deixar a ressalva, para que ninguém venha me torrar o saco: Isoladamente, sempre existiram "Xenas" por aí. Assim como sempre existiram homens fracotes. Mas, no geral, em média, estatisticamente, os atributos físicos dos homens são mais destacados. Culpa da testosterona e de outros hormônios que estão mais presentes no gênero masculino.
Aliás, novamente se você assiste a bons programas na TV, o National Geographic mostra uma série chamada "Tabu". Em um dos episódios, essa série mostrou transexuais nascidos mulheres, que se submeteram a tratamentos para moldarem o gênero de seus corpos, conforme o gênero de suas mentes. Mastectomias, exercícios e, claro, tratamentos com hormônios. O principal hormônio? Testosterona. Sinceramente, os três voluntários que o programa apresentou tinham traços mais masculinos do que eu. Mesmo os três tendo nascido mulheres...

Ou seja: meninas feministas, desculpem a nós, homens, por termos nascido com um cromossomo Y. Sério, não era nossa intenção. Aliás, desculpem a nós, homens, pelas leis da natureza, também.

E, se vocês mulheres não notaram ainda, nossa sociedade anda - a passos largos - para o refinamento completo das atividades valorizadas. Hoje em dia, criar um chip de computador vale mais do que alguns ares cultivados ou do que algumas dezenas de gado criado. Processos delicados, coisa que as mulheres têm muito mais capacidade de fazer do que os homens, hoje em dia valem dinheiro, em nossa sociedade.
A autora do texto frisou irritantemente que "há cinco mil anos" a cultura é machista. Não, amiga. Desde que a vida surgiu na Terra a lei do mais forte impera. E, em nossa espécie, o macho é mais forte. E, só a partir dos meados do século 19, que nós conseguimos transformar nossa sociedade para que - definitivamente - o mais inteligente e hábil possa preponderar sobre o mais forte. É um processo. Um processo lento, de transformação das leis naturais, para um mundo mais justo.


2 - Cantadas de Pedreiros: Violência sexual dos homens para com as mulheres.

Eu gosto de escrever aqui, porque aqui é um lugar meu. E, em um lugar meu, não pode existir hipocrisia. Queres frases confortantes, conformistas e amenas, saia daqui.
Vamos deixar uma coisa clara: embora seja uma das funções que define "vida", na natureza a reprodução custa caro. Encontrar o melhor parceiro, acasalar, dispensar células suas para criar um novo ser, cuidar da gestação desse novo ser, cuidar desse novo ser até que ele tenha uma vida independente... Isso tudo dispensa muita energia, recursos e trabalho. É tão custoso que chega a ser inacreditável que qualquer ser vivo - em sã consciência - realmente queira ter filhos. Por isso as mulheres escolhem tanto os seus parceiros. Porque, se for para ter tanto trabalho cuidando de uma cria, que pelo menos o macho valha a pena e ajuda! 
Dada a finitude certa de todo ser vivo, a natureza, então, cria uma série de dispositivos para garantir que os genes da espécie se perpetuem. Primeiramente, a natureza coloca em nossos instintos - comandos primais de todo ser vivo - que a reprodução seja um objetivo na nossa vida. O instinto é só um conceito para englobar todas as consequências de hormônios e neurotransmissores que agem no nosso corpo.

Sim, novamente, comparo os animais com máquinas. Somos o que somos e não há muito o que fazer, senão contermos conscientemente os impulsos gerados pela química do nosso corpo.

Na nossa espécie (e em algumas outras) além do instinto nos mandando reproduzir, nosso corpo ainda nos dá mais um prêmio pelo ato de reprodução: prazer. Aliás, muito prazer.
Desde que o animal homem dissociou o prazer da reprodução (há milhões de anos), o negócio já ficou complicado. Tipo... Os humanos queriam muito sentir o prazer proporcionado pelo sexo. Mas o sexo ainda trazia muitas doenças e, é claro, filhos. Em sociedade, com mais capacidade de abstração, o prazer do sexo nem sempre compensava os custos dos filhos.

Mas foi com o advento de métodos contraceptivos realmente eficazes que a situação degringolou de vez:
Primeiramente, nós, homens, vemos as mulheres mais como "um lugar de diversão" do que como "mãe dos nossos filhos". Se você é homem, sabe do que eu estou falando. Se você é mulher e não acredita nisso, venha buscar o seu troféu de "Ingenua do Ano", comigo.
Por mais que as mulheres não acreditem, nós, homens, somos estúpidos e achamos muito difícil e trabalhoso conseguir uma parceira. Por isso tantos mentem. Por isso todos trabalham. Por isso todos se esforçam. Nós, homens, somos tão ridículos, que vivemos toda a nossa vida em função de conseguir uma parceira sexual.
E o cara que disser que não é assim, que é "diferente", está pregando a maior mentira de todas!
No máximo, empregamos aquela velha máxima de "se tem que trabalhar, que faça algo que gosta". Mas ninguém trabalha para "realização pessoal". "Realização pessoal" o sr meu Bráulio, utilizando monóculos. Todos queremos é ganhar dinheiro o suficiente para vadiarmos o dia inteiro. De preferência com a mulher que desejamos, do lado. Sombra e água fresca.

Um dia a mega-sena me acerta...

Enfim. Nós, homens, somos tão desesperados, inseguros e incapazes por "pegar mulheres", que achamos que precisamos de "estratégias". Veja só, que coisa ridícula! Achamos que frases prontas, elogios, cinemas, restaurantes, presentes, passeios, galanteios, fama e dinheiro são métodos para "pegar mulheres". E porque achamos isso? Porque somos burros, em um primeiro momento. Um colega "pega uma mulher" e já saímos perguntando: "o que você fez para conquistar ela???" E, o que quer que o cara diga que fez, já vira uma "estratégia" para "pegar mulher"! E achamos que essa nova "estratégia" irá funcionar para TODAS AS OUTRAS!!! Eu não imagino um ato mais estúpido do que esse. 

Mas acredite, existe.

Se esse pensamento de "estratégia para pegar mulher" persiste, é porque, em algum momento, ele funcionou. Seleção natural básica aplicada, sabe? Se os homens tentam abordar mulheres com cantadas de pedreiros é porque alguma mulher já caiu nessa abordagem. Mesmo porque, se não tivessem caído, o infeliz não teria reproduzido. E não teria infectado a próxima geração com esse conceito infeliz de "estratégia para pegar mulher".

E, novamente, não se trata de transferência de culpa. Se trata da "máquina ser humano" em ação. São os hormônios femininos ditando o comportamento das mulheres. E, se a mulher realmente se interessou pelo cara, ele pode chegar nela dizendo até coisas sem nexo, que a menina dará entrada para a conversa. Aí, até o "Gostosa", sibilado entre os dentes, é atraente para a menina. E esse "Gostosa" vira uma conversa. E a conversa logo evolui em "ficada", "namorico", "namoro", "noivado", "casamento", etc...

Aí, o homem retardado ali do exemplo de cima diz pro amigo: "Caralho, cara! Peguei a ~Atenogilda~! E foi fácil! Só cheguei nela e chamei ela de "Gostosa"!"
E o imbecil do amigo entende que, para pegar QUALQUER mulher, basta chamá-la de "Gostosa"!!!

Sinceramente, já deu para notar que eu repudio essa programação sexual, intrínseca aos seres humanos. Tanto a dos homens quanto a das mulheres. Reconheço que ela existe e que é um problema. E, como todo bom problema, deve ser solucionado o quanto antes. E, para solucionarmos, precisamos dessa consciência de que somos todos nós - humanidade, homens e mulheres - contra o problema. Porque ficar se desculpando o tempo inteiro e, no processo, culpando o outro lado, é o princípio da anarquia. E quando a anarquia se instala, o problema nos vence. 

E eu sou um homem. E homem não perde para problemas. (asuhaushaushaushaushuah!)


3 - Aspectos subjetivos:

O título do texto me incomodou demais, sabe? "Como se sente..." 
Sinceramente, utilizar o micro é legal para atingir o macro. Eu mesmo uso isso aqui, o tempo inteiro. Mas isso é um processo complicado. Difícil. Penoso. Por experiência própria, diria até que é perigoso.

É um processo tão complicado que eu chego a dizer que quem mais ganha é a pessoa que o utiliza. Isso, é claro, se a pessoa for auto-reflexiva. Porque, quando exageramos características do nosso íntimo para todas as pessoas, querendo criar padrões a partir do comportamento individual, temos que julgar a todo momento se a nossa característica realmente está presente nos outros. Pelo menos na maioria. E, nesse processo, acabamos descobrindo mais sobre a natureza das nossas falhas, do que propriamente sobre a natureza do ser humano.

E, na urgência em militar em causa própria (a sociedade é machista e todos os homens não prestam, como se as mulheres não fizessem parte da sociedade e elas próprias não fossem machistas e não prestassem, também), o texto indica diretamente que ~funk~ é cultura, que as mulheres são OBRIGADAS a passar maquiagem (ah se elas soubessem que ficam mais bonitas de moletom e sem maquiagem...), que são impedidas de pagar a conta em restaurantes (WTF???) e que o mundo as oprime, exigindo delas comportamentos predeterminados...

Amigo, isso tudo acontece para com os homens, também... O mundo também nos oprime. A sociedade também nos impõe um papel a ser cumprido. E vou contar um segredo para as meninas: nós não gostamos de "brincar de homem adulto", também... Já falei lá em cima: queremos sombra e água fresca. Din-din suficiente para nos jogarmos em uma rede, com a "nega véia" do lado, só para desfrutarmos o que a vida tem de bom. Mas, geralmente, nos matamos de tanto estudar e trabalhar, para podermos sustentar a nós mesmos e nossas famílias, tá ligada?

E, por fim, quero deixar aquele velho pensamento, que tanto me incomoda: As mulheres são oprimidas, relegadas ao trabalho doméstico e à educação das crianças. Se a esmagadora maioria das crianças são educadas por mulheres, porque a sociedade ainda é machista? Porque a TV "denigre e violenta a mulher"? Porque a sociedade rebaixa as pessoas do sexo feminino, se é o sexo feminino quem forma moralmente e eticamente a maioria dos seres humanos, em seus primeiros anos de vida? Não me venham com "influência do pai". Em um lar ideal, ele fica fora de casa o dia inteiro. "Mas a mulher trabalha!" E com quem fica a criança? Deixa eu adivinhar: com outra mulher, né? Tia, avó, professora da creche... Não é um homem quem está formando as ideias da criança...


4 - Solução.

Já falei aqui, antes. Até deixei explícito neste texto: homens e mulheres são diferentes. Poxa, meu. Olhe dentro das calças. Sinta o cheiro. Faça um exame hormonal. Faça um exame de DNA. Químicas completamente diferentes, gerando corpos diferentes, com propriedades diferentes. Cérebros diferentes, com habilidades diferentes, que geram opiniões diferentes.

Como, em sã consciência, alguém vai exigir que dois seres diferentes sejam tratados da mesma forma?????

Insisto na minha observação: Sou só eu que noto que algumas de minhas colegas mulheres quase morrem agonizando, durante o período menstrual? Administrativamente falando: uma pessoa com dor rende o mesmo que ela própria, quando saudável? Sou só eu que daria alguns dias de dispensa do trabalho ou da aula, para essas mulheres, todo mês? E você acha mesmo que menos produção deve ser recompensada com salário igual? 

E isso é só um detalhe. Existem outras milhares de características em que as mulheres são infinitamente melhores do que os homens. E o refinamento da nossa sociedade está demandando cada vez mais essas habilidades femininas. 

Eu chego a imaginar que, dentro de poucos séculos, a força do homem será completamente descartada, em nossa sociedade. Os músculos serão substituídos por mais e mais robôs. E, para as tarefas que não puderem ser automatizadas, certamente inventaremos ferramentas melhores. Já existem até protótipos de exoesqueletos, que, hoje, multiplicam a força do usuário em várias vezes...
A inteligência, delicadeza, suavidade e demais habilidades - hoje preponderantes nas mulheres - terão muito mais demanda do que a capacidade de levantar grandes pesos, ou imprimir pressão. Nesse vislumbre de futuro, a pessoa que não conseguir utilizar o cérebro certamente não terá utilidade alguma. Algo que acontece muito mais entre nós, homens...