sexta-feira, 10 de maio de 2013

Pontos da Segunda Guerra Mundial


Eu tenho uma curiosidade gigantesca sobre a segunda guerra mundial. Acredito que devemos aprender com a história, para não repetirmos os mesmos erros.
Só que, apesar de termos que estudar demais as guerras para aprendermos modos de evitar conflitos futuros, é muito complicado encontrarmos fontes confiáveis, que retratem com veracidade o que aconteceu nos períodos de batalhas.

Mesmo porque, para que uma guerra aconteça, um dos lados deve ser manipulado. Propaganda e marketing de guerra. Omissão de pontos negativos e contrários, super-enaltecimento dos pontos positivos e favoráveis e muitos jogos de palavras para transformar fatos adversos em argumentos motivacionais.
Enquanto isso, é sempre bom lembrar que o lado que ganha é o que fica vivo e livre para escrever a história. E geralmente esse lado registra os fatos não só do seu ponto de vista (que sempre é o certo e justo), como "maquiando" a realidade, para que os feitos pareçam mais gloriosos e justificáveis, ainda.

Claro que essa receita só pode gerar muito conteúdo absurdo. Explicações desencontradas e até ilógicas.

Dentre todas as histórias mal-contadas na segunda guerra mundial, duas me deixavam extremamente inquieto.
Ontem, assistindo a um documentário, consegui desvendar os mistérios destes dois pontos, tornando-os um pouco mais aceitáveis.

1 - O ataque de Hitler à União Soviética;

Tem uma piadinha sobre um motorista que perde um pneu quando está passando em frente ao hospício. O motorista sai do carro, procura o pneu, mas não o encontra no terreno baldio em que o pneu caiu. Então, o motorista pega o estepe e o macaco no porta-malas, levanta o carro e encaixa a roda... Mas, como a sua roda havia simplesmente caído, o motorista não tinha os parafusos para prender o estepe.
Confuso, o motorista olha de um lado, olha de outro, coça a cabeça...
Então, um louco que estava sentado sobre o mudo - e havia visto todo o ocorrido - dá a ideia:
- Ô! Tira um parafuso de cada roda e coloca eles para prender o estepe. Tu vai rodar com três parafusos em cada pneu, até chegar em um mecânico e conseguir comprar mais quatro parafusos!
Boquiaberto, o motorista retirou um parafuso de cada roda e prendeu o estepe, conforme o louco havia sugerido.
- Mas louco, você é um gênio! Porque você está no hospício?
- Eu estou no hospício porque eu sou louco, não porque eu sou burro... - respondeu o louco...

A piadinha serve para justificar a minha próxima afirmação: Hitler era um maluco de pedra, com ideias completamente desvinculadas da realidade. Hitler não era só louco: era uma pessoa completamente insana. Mas era um doido inteligente. Não foi a toa que ele conseguiu convencer multidões de que o nazismo era algo correto. Não foi por acaso que ele convenceu jovens e mais jovens a morrerem pela causa. E, como estrategista militar, Hitler era quase um gênio.

Posto isto, sempre me intrigou o porquê de Hitler seguir os passos de Napoleão e, mesmo sabendo do fracasso vexativo do francês, resolver atacar a União Soviética.

Bem, primeiro, Hitler não atacou a União Soviética por pura megalomania. O leste europeu era (e ainda é) menos desenvolvido que o resto do continente. Logo, as atividades mais básicas são as mais efetuadas nesses países. Mineração, desmatamento, agricultura e pecuária extensivas, indústrias de transformação básica e pesada. Resumindo: todo o trabalho mais necessário, conhecido como "commodities". Em um tempo de guerra, onde os esforços dos países estão voltados para a batalha, esses produtos supervalorizam. E, assim como o Brasil lucrou alto vendendo commodities para os aliados, a União Soviética estava "tirando a barriga da miséria" ao "meter a faca" nos preços das commodities que estava vendendo para a Alemanha.
Nesse caso, era de se esperar que Hitler olhasse com desejo para os campos de petróleo, para as imensas fazendas de trigo, cevada e de gado, para as usinas e fábricas e para toda a mão-de-obra que poderia ser conquistada. Como fator positivo, a própria Russia havia anexado diversos países na revolução comunista, para formar a União Soviética. Alguns países, como por exemplo a Ucrânia, não estavam nem um pouco satisfeitos em fazer parte da União Soviética e até viam o ataque nazista com bons olhos...

Hitler, entretanto, não atacou a União Soviética desavisadamente. A estratégia dele foi até brilhante: dividiu suas forças de ataque em três frentes. Uma para conquistar o petróleo, ao norte, outra ao centro para tomar a capital política e outra ao sul, para tomar as plantações, usinas e fábricas. Os ataques ao norte e ao sul fariam com que nenhum reforço pudesse ser enviado rapidamente (através de rios) para Moscou.
A União Soviética, entretanto, repetiu a estratégia de defesa que praticou contra Napoleão: ao menor sinal de avanço dos atacantes, os cidadãos pegavam tudo o que podiam carregar, destruíam a cidade inteira e partiam para a próxima cidade. Isso porque, em uma guerra, os exércitos que atacam contam com os espólios de abrigo e comida que conquistam dos derrotados. Sem esses ganhos, as tropas não têm o que comer ou onde dormir, o que prejudica o avanço território invadido a dentro.
Mas até nisso Hitler havia pensado. As três frentes de ataque tomaram as linhas de trem, garantindo que suprimentos chegassem até as tropas.

E, se as tropas nazistas não morreram de frio e fome, e foram vitoriosas nos ataques-chaves, porque perderam a batalha pela invasão da União Soviética?

O principal problema é que os generais que estavam em campo, lutando nas três frentes de batalha, não concordavam com a estratégia de divisão da força de ataque. Hitler viu seus batalhões como meros recursos a serem utilizados, não como pessoas. E pessoas têm opiniões e vontades. Muitas das unidades nazistas que estavam atacando a União Soviética simplesmente desertaram, se entregando ao inimigo ou - até mesmo - virando de lado!

Hitler podia até ser muito bom de oratória e estratégia de guerra. Mas mostrou que não sabia se cercar de pessoas confiáveis ou, simplesmente, não sabia manter a lealdade de seus próximos. Para o bem da humanidade, claro.


2 - Camicazes

Segundo a história, os Camicazes eram "pilotos japoneses suicidas, com a missão de atirar seus aviões contra navios, bases e unidades inimigas".
Agora, vamos pensar por um segundo:
Você acha mesmo que uma cultura inteligente, milenar e rica, como a nipônica, não teria chego no conceito de "viver mais um dia para lutar"?
Por mais que vendam o estereótipo de "honra acima de tudo", eu não consigo acreditar que os camicazes conseguissem colocar sua missão acima dos mais básicos instintos de sobrevivência e do mais lógico bom-senso...

Isso sempre me cheirou a marketing de guerra. História mal contata para boi dormir.

O que aconteceu, realmente, é que a guerra entre Estados Unidos e Japão foi travada, em sua maioria, em alto mar ou em minúsculas ilhas do pacífico. Dadas as imensas distâncias entre as ilhas, a maior parte dos "navios" utilizados eram porta-aviões. E as batalhas consistiam, basicamente, nos aviões de um lado tentando afundar os porta-aviões do outro lado.
Aconteceu que, nessa guerra, os Estados Unidos tinham mais e melhores equipamentos do que os Japoneses. Era comum que, no meio do oceano, os aviões norte-americanos afundassem os porta-aviões japoneses antes da esquadra de aviões retornar.
Agora, pense na situação do piloto japonês. Ele decolou do seu porta-aviões, gastou sua munição, suas bombas e seu combustível tentando derrubar os aviões e afundar os navios norte-americanos. Então, ele volta para recarregar em seu porta-aviões. Mas só encontra os destroços de sua base móvel em alto-mar.
A primeira opção é pousar na água e esperar ser resgatado. Com sorte, um (dos poucos) navios de resgate japonês passaria por ali e o resgataria antes que o frio da noite ou algum tubarão o matasse, ou que os (mais numerosos) barcos norte-americanos o resgatassem e prendessem...

Agora sim fica mais aceitável a ideia dos camicazes. É mais fácil pensar em pilotos nipônicos putos da vida por ver seus companheiros, que estavam no seu porta-aviões, mortos e com sentimentos de honra, não-rendição e de cumprimento do dever culturalmente exagerados, se arremessando contra os navios de seus inimigos.
Nessa situação, o sacrifício parece algo lógico e é completamente aceitável. O pensamento de "se eu vou morrer mesmo, que morra ajudando/vingando meus companheiros" é mais motivador do que o puro "morrerei sem motivo, por minha nação".

É claro que a notícia destes feitos foi distorcida e utilizada no marketing da guerra, tanto japonesa quanto aliada. Esse tipo de coisa eleva o moral dos companheiros (no caso japonês) e transforma os inimigos em monstros (no caso norte-americano).
Histórias são aumentadas nos dois lados até chegar ao ponto que alguns pilotos japoneses (com algum parafuso a menos) realmente se jogaram, deliberadamente e sem necessidade, contra navios e bases norte-americanos...


Sim, ainda existem muitos detalhes - aparentemente sem lógica alguma - a serem esclarecidos sobre a segunda guerra mundial. Mas aos poucos podemos ir entendendo o que realmente aconteceu e, assim, ficarmos preparados para evitar os pontos de rupturas nas sociedades, que levariam à mais e mais guerras insensatas...