quarta-feira, 8 de maio de 2013

Círculo de Influências


Vamos lá, então.

A minha paixão por Nirvana foi aterradoramente instantânea. Primeiramente, porque a pessoa que me apresentou à banda é alguém por quem tenho profunda admiração até hoje. O Robson é uma das pessoas que não só me entende, como dispensa todo o respeito que acredito que mereço e, não o bastante, ainda consegue conversar comigo em altíssimo nível, empregando argumentos sólidos, de forma cirúrgica, fazendo com que as ideias entrem em conflito em meu cérebro. Sim, esse é um cara que alço ao nível de ídolo pessoal, por conseguir fazer pensar, discutindo no plano das ideias.

Claro que prestei o máximo de atenção no Nirvana. Busquei por história, influências, citações, curiosidades, explicações para as letras aparentemente estranhas, etc...

Uma das citações atribuídas ao Kurt Cobain (mas que também é atribuída a muitos outras pessoas famosas) é aquela frasezinha batida: "Curta a vida porque a vida é curta."

Reserve.

Lá pelo meio da década de noventa, meu pai fez questão e colocamos a tal da TV a Cabo em casa. Recém o plano real estava se firmando. A economia "de verdade" do Brasil ainda estava engatinhando. Ter acesso a canais internacionais de qualidade e internet em casa não era para qualquer um. Te mete!
Nesse contexto, tomei contato com Monty Phyton. Bem, mais um grupo de artistas cujo trabalho me apaixonou desde o primeiro segundo. "O sentido da vida", "Em busca do cálice sagrado" e "A vida de Brian" foram assistidos mais do que naturalmente. E qualquer esquete que eu tivesse a oportunidade de ver era deglutido com mais urgência do que o ar pode ser necessário para alguém que estava se afogando. Até hoje eu assisto ao esquete "da piada mais engraçada do mundo", rindo sempre, feito uma criança despreocupada...

Reserve.

Conheci o GreenDay através do Daniel. Melhor amigo, sabe como é? A vida leva as pessoas pra lá e para cá, mas esse tipo de coisa fica. GreenDay era legal lá na década de noventa. Problemas com os pais, dúvidas quanto a própria sanidade, problemas com dinheiro, problemas com as meninas, com os amigos, sentimento de estar desajustado em relação ao mundo inteiro... Fazia sentido demais na época. Aliás, ainda escuto hoje em dia, relembrando como as dúvidas na minha cabeça faziam daquela época simples, mais complicada do que os dias complicados de hoje em dia, que eu insisto em transformá-los em momentos simples...
O fato é que, com o tempo, parei de acompanhar o GreenDay. Só em 2011 eu fui escutar e entender o "American Idiot" - álbum de 2003...

Reserve.

Hoje, trabalho o dia inteiro escrevendo códigos, documentos de análise e manuais para software. Mesmo cercado de gente, é um trabalho solitário e de extrema concentração. Para isolar-me do mundo à minha volta, coloco fones nos ouvidos e o som o mais alto que posso. São mais de oito horas escutando música, todos os dias, de segunda a sexta. Só que, por mais que eu tenha um gosto bem variado (tudo que for bom, de óperas ao heavy metal, passando por MPB, bossa nova, punk rock, rock melódico, rock nacional, etc...), não há gosto musical com músicas o suficiente para suprir anos e mais anos de exposição constante, tal qual eu estou vivendo.

Por isso, passei a explorar cada milímetro das bandas que gosto, das influências das bandas que gosto, das citações das bandas que gosto, dos parceiros das bandas que gosto... Enfim, estou esquadrinhando tudo o que posso para encontrar novas músicas.

Nesse processo, foi natural que o cd "Bullet in a Bible" do GreenDay caísse na minha mão. Música vai, música vem, cheguei na música "King for a Day/Shout". 
Pesquisa rápida, descobri que "Shout" é uma música de uma banda chamada "The Isley Brothers". 
O que me chamou a atenção, entretanto, foi que o GreenDay, no meio de "King for a Day/Shout", lançou os versos: "Always take a look on the bright side of life..."
Na hora, identifiquei: Isso era Monty Python! A música de encerramento do filme "A vida de Brian". Mas, como não conhecia a música "Shout", não sabia se era um trecho desta música, também. Conseguir a música "Shout" por meios lícitos foi meio complicado, mas o CD "Mietters the Best" está aqui, comigo. Musiquinha completamente agradável, diga-se de passagem.

Bem, vamos resumir a história: o trecho que me chamou a atenção não está presente em "Shout". Mas a melodia em que "Shout" é cantada, é a mesma melodia da música final do filme "A vida de Brian".

Reserve.

Tem um mês, mais ou menos, eu acordei às 5:30 da matina de uma segunda-feira, para assistir a um filme-documentário sobre o Monty Python. Sim, sou desses. É bem o meu tipinho.
Lá pelas tantas, eles comentaram que fizeram muito sucesso com o filme "Em busca do Cálice Sagrado". Tanto que foram convidados a fazer outro filme. Então, veio "A vida de Brian". "A vida de Brian" é uma paródia da vida de Jesus Cristo, em uma visão judia/ateia, ironizando a infelicidade da crença injustificada e ignorante que as pessoas têm em qualquer bobagem absurda. Uma sátira sublime da Bíblia, se me permitem emitir o meu conceito.
Só que, lá pelas tantas no filme-documentário, Eric Idle comenta que já tinham todo o filme pronto e já sabiam que a cena final seria com o Brian crucificado sobre uma colina. Mas não haviam pensado em diálogos para essa cena, e o filme acabaria monótono, caso fosse apresentada apenas a imagem descrita... Então Eric Idle comenta que "eu tinha um Jazz na cabeça há algum tempo". Segundo seu relato, pensando em como o grupo estava empacado, Eric compôs a música "Always take a look on the bright side of life"... Com o mesmo ritmo de "Shout"!

Então as peças do quebra-cabeças começaram a se juntar. E eu, que já conhecia "Always take a look on the bright side of life", parei para escutá-la com atenção. E olha lá o que é cantado no final da música:

"I mean - what have you got to lose?
You know, you come from nothing
- you're going back to nothing
What have you lost? Nothing!"

Analisando com atenção, a música inteira nos leva a concluir exatamente que... "Enjoy the life, because the life is short..." Olhe lá em cima! Exatamente uma das frases atribuídas ao Kurt... Bem, se você procurar em vídeos, o próprio Kurt disse que Monty Phyton é uma de suas influências... E, para fechar com chave de ouro: O Billie Joe afirma que uma das suas maiores influências é, justamente... o Monty Phyton... Que provavelmente se inspiraram na banda "The Isley Brothers".

Parece tão bobo... Mas é tão legal ver que as pessoas que tu admira têm influências umas entre as outras... Eu curti muito ter descoberto essas peças e ter montado o quebra-cabeças que elas compõem.