segunda-feira, 5 de novembro de 2012

E Valeu a Pena!

Este foi o melhor final de semana da minha vida. Talvez possa ter sido porque todas as coisas que eu planejei fazer deram absolutamente certo. Mas, com certeza, foi porque cada coisa que aconteceu superou completamente cada expectativa minha. Eu esperava um final de semana excelente e, como já disse, recebi o melhor da minha vida.

Porém, eu vou contar uma historinha desse findi. Uma historinha que é para ser encarada com humor. Mesmo porque, por pior que eu a pinte, essa passagem não estragou em nada o meu final de semana. Se eu soubesse de antemão os percalços que passaria, faria tudo novamente. Rindo.

Então, ao meio dia de domingo, o final de semana mais perfeito da minha vida, acabou.Estava na rodoviária de Criciúma, com uma passagem marcada para as quatro horas da tarde. Com previsão de chegada em Porto Alegre às 21:30hs. Só isso já configurava uma dureza só. Mas tudo bem. vamos enfrentar.

Primeiro, procurar por almoço. Por sorte, quase na frente da rodoviária de Criciúma está o Supermercado Angeloni. Mercado que foi totalmente remodelado, inclusive. Fiquei curioso para ver como tinham pensado soluções para criar um mini-shopping com um supermercado. Para a minha surpresa, o Angeloni conseguiu construir a mais complicada, mal-planejada, feia e labiríntica planta para seu novo estabelecimento. Áreas e mais áreas utilizadas para imensas esteiras rolantes. Um palco esquisito, redondo, para "área cultural". E, pasmem, a maior loja ali é de uma lan house. Cara, eu gosto de lan houses. Mas, convenhamos, esse tipo de serviço morreu, principalmente em mini shoppings...
Enfim, almocei. Pensei em ficar na internet até as 15:30, ali na lan house. De cara eu notei que o navegador-padrão da máquina de número um dali era o o Internet Explorer. Bem, gastei quinze minutos do meu tempo baixando o Chrome e instalando alguns complementos necessários. Até que eu tive que instalar o Flash. Tá certo, com o HTML 5.0 o Flash está caindo em desuso. Mas ainda existem páginas que usam o Flash. Tem que instalar, ainda. Baixei. Tentei instalar, não deu. Segunda vez, não deu. Fazia o processo de instalação completo, mas não instalava. Chamei o atendente. Ele me respondeu que era "problema na máquina", então. Então eu caí fora dali.

Voltei para a rodoviária e fui ler o meu presente: O Hobbit. Sim, ganhei o livro "O Hobbit" neste findi, com a dedicatória mais linda que eu já li!
E aí eu vou ter que te contar uma coisa: eu não sei receber presentes/elogios. Eu acho que já fui talhado assim desde a infância, sabe? Hoje, eu me esforço para ser um cara bacana, mas acho que é "só a minha obrigação". Que bom que, de agora em diante, eu tenho certeza que uma pessoa me ajudará (muito) com isso.

Então eu li o meu novo livro até o horário de embarque no ônibus. Empresa Santo Anjo, a qual meu pai apelidou os veículos carinhosamente de "Navios Negreiros". Não, não se trata de racismo para com os usuários. Mas, sim, sobre as condições dos veículos e sobre o tratamento que os funcionários da empresa nos dispensam.
Fui um dos primeiros a entrar. Coloquei minha mala sob a minha poltrona. Coisa que eu faço SEMPRE. Minha mala é pequena, não incomoda ali. Ocupando exatamente o espaço sob a cadeira, minha mala nem ME incomoda. Veio o motorista: "tire essa mala do chão e coloque no compartimento. Se não couber ali, tu vai ter que colocar a mala lá no bagageiro." Assim. Bem educado, sabe? Ok. Coloquei a mala no compartimento superior.
Então, as crianças começaram a entrar. Mãe, Pai, filho. Mãe, filha. Avó e neta. Uma, duas, três, cinco... Quando terminei de contar, haviam nada menos que 12 crianças entre 0 e 3 anos de idade, no ônibus. Eu que não acredito em nenhum Deus, fiz uma breve oração para Odin, pedindo paz na viagem, que já seria longa o suficiente sem choro de crianças.

Quando abro os olhos de minha oração silenciosa, estava entrando no ônibus um "mano". Dois. Três. Seis. Seis caras mal encarados, bonés com aba reta, roupas com o dobro do tamanho necessário, calças caídas no meio da bunda. E, como não poderia faltar, o celular tocando Funk/Rap. Alto.

Só faltava uma freira chata sentar do meu lado e começar a falar de Deus. Bem, errei por pouco. Era uma evangélica chata, mesmo. Mas essa só irá chatear daqui a pouco. Esperem.

Antes, o motorista entrou no ônibus e disse para os manos desligarem a música. Os manos baixaram o som. O motorista dirigiu-se para o seu posto, para iniciar a viagem. Os manos colocaram seu som a tocar, novamente. Dessa vez, até o final da viagem.

Eu me adiantei. Peguei meus fones de ouvido e coloquei o meu Green Day o mais alto que pude. Sim, meus fones de ouvido me separaram por um instante daquele navio-negreiro caótico.

Mas foi só por um instante. A sinfonia dos bebês chora-chorantes começou na primeira curva que o ônibus fez. Aí, um bebê chorava e acordava outro. Então, uma menininha um pouco maior chorava, porque ficava triste que os outros bebês estavam chorando...

PORRA. Deu vontade de dar uma camaçada de pau naquelas crianças berrentas. E nos pais delas. Caralho, em vez de mandarem as praguinhas calarem a boca, ficavam com "que foi meu bem..." ou "pega a mamadeira que deve ser fome..."

Enfim. Depois de uma hora e meia de choro ininterrupto, eu já estava concordando que a Phoebe tem razão e não se acorda uma criança, de jeito nenhum. Foi aí que a evangélica deu o ar da graça. Começou a falar alto (do meu lado) que "o demônio" estaria naquele ônibus. E que todos deveríamos rezar para afastar o demônio. Só assim os bebês parariam de chorar.

PORRA, PORRA, PORRA! Deu vontade de dar uma camaçada de pau NA EVANGÉLICA!

Mas eu tinha ganho chocolate, também. A mesma pessoa (a mais especial do MUNDO INTEIRO) que me deu O Hobbit, me deu uns chocolatinhos da melhor espécie. Boba, queria me engordar, que eu sei!
Enfim, pensei que, se oferecesse um pedacinho de chocolate para os bebês, isso iria acalmá-los. Virei para a mãe do primeiro chorão e ofereci um pedacinho, de tamanho proporcional para um bebê. A mãe, muito educada, disse-me que não adiantaria. Seu filho estava com dor na barriguinha nos últimos cinco dias...

Amigo, o sangue ferveu. Voltei para a minha poltrona quieto, mas com vontade de esganar aquela mãe. Tipo, eu já não entendo porque alguém leva uma criança em um ônibus. Avião. Ambiente público, que seja. Não entendo. Ainda mais uns fedelhos mal criados desses. Esses monstrinhos têm que ser mantidos em casa, até terem o mínimo necessário para poderem se portar em público. Até lá, jaulinha para as crianças. Mas, agora, levar uma criança sabidamente DOENTE para um ônibus. Aí é atestado master de sadismo, com pós-graduação em requinte de crueldade.

A evangélica continuou torrando o saco. "Blá-Blá-Blá Deus...", "Blá-Blá-Blá Leia esse folder...", "Blá-Blá-Blá Lugar no céu..."

Fingi dormir. Escapei para o meu reino de sonho acordado. Aquele lugar que é alimentado por pessoas que dizem "Sim", para mim. Como todos os "Sim" que a pessoa mais especial deste mundo disse para mim. Ah, mas eu sonhei demais com um futuro bom. Ao som de Green Day, Sublime, ColdPlay e outros...

Então, o ônibus pára, na FreeWay. Congestionamento monstro. Ali estava o motivo pelo qual o ônibus demoraria. A menina do balcão deu um baita serviço, já calculando os engarrafamentos para dizer a previsão de chegada.

Com o ônibus parado ou lento,os pais largaram seus pequenos Gremlins, que logo começaram a brincar pelo corredor. Aquele bando de toco de gente, correndo pra lá e pra cá. E nenhum pai supervisionando. Os fedidinhos caíam, choravam, levantavam, corriam. Brigavam, riam, esbarravam na gente. Um quis morder a minha perna. Tente tirar, mas a ferinha foi mais rápida: recebi uma babada gigantescamente nojenta no joelho. O pai do peste só disse "deixa o tio". "TIO O CACETE! SE ESSA MERDINHA ENCOSTAR EM MIM NOVAMENTE, JOGO PRA FORA DO ÔNIBUS!" Adoraria ter falado isso. Mas só olhei pro pai e dei um sorriso amarelo.

Os congestionamentos não cessavam. A cada dez minutos, víamos um carro e/ou uma moto no acostamento. Acidentados. Bando de maneta do caramba, me atrasando.

Cheguei em Porto Alegre exatamente às 21:30, conforme previsto, e sem surtar.

Corri para pegar o ônibus para Novo Hamburgo. Quando cheguei no terminal, descobri que o ônibus saíra dali às 21:30. SACO DE ENGARRAFAMENTO!
Esperei por uma hora para pegar o ônibus para a minha casa. Pisei dentro do meu apartamento exatamente 23:50. Nem liguei a TV. Não me interessava os dez minutos finais de Homeland.

Vim para o PC escrever esse texto, o texto de segunda.

E eu só queria deixar esse recado para a pessoa mais especial do mundo, para mim: foram doze horas para chegar em casa. Mas eu faria tudo novamente. Nem que fosse para chegar aí, no sábado, só ver o teu sorriso e, depois, encarar tudo isso para voltar, novamente.

Por você, vale a pena.

Sim.