sábado, 10 de novembro de 2012

Tempos Interessantes

"Você viverá tempos interessantes"

                                                   - Antiga maldição Chinesa.

É. Não há maldição maior do que essa dos tempos interessantes. Mesmo porque, quando a vida está boa e calma, as coisas nunca são interessantes. Não há nada de interessante na felicidade alheia. E, mesmo que tentemos nos enganar, jurando que ficamos felizes pelos outros, essa felicidade é mentirosa ou extremamente passageira.

Satisfação, mesmo, temos com os contratempos que as pessoas passam. As situações em que o mundo inteiro vira de cabeça para baixo. E não há truque para tentar. Não dá simplesmente para "girar ao contrário", como os Pixies falaram, quando perderam sua mente.
Não, amigo. Aqui, na vida real, quando o mundo inteiro vira de cabeça para baixo, as consequências sempre são... interessantes...

Eu estava há cinco anos com alguém. Alguém que nunca foi completamente honesta comigo. Alguém que gostava demais de si própria para viver realmente uma relação.
Tanto que me traiu quando quis, da forma que quis.

Brigamos várias vezes. Fomos, voltamos, paramos, recomeçamos e nunca éramos plenos. Uma casa torta, para alguém não muito certo.

Em cada briga, eu cobrava dela o comprometimento comigo. Eu cobrava o brilho nos olhos e o desejo de ser mais. Que ela crescesse um pouco e passasse a lutar por coisas mais importantes do que unhas feitas ou a vidinha com seus pais... E, é claro, recebia como resposta "você quer que eu não seja eu".
Vou confessar para você que faz um ano, desde que saí da casa dela, que eu estava "pagando para ver". "Empurrando com a barriga" para saber aonde nosso relacionamento poderia chegar. Amava muito, como ainda possuo um carinho muito grande, mas não estava mais disposto a sofrer por causa dessa relação doentia.

Pessoas muito diferentes uma da outra. Quase sem nenhum interesse em comum. Complicado.

Mas vamos combinar, né? Que coisa triste essa de não poder citar o nome da pessoa. Ela sempre pediu para eu respeitar o seu direito de não ser exposta. E eu fico me perguntando onde fica o respeito pelo meu direito de expor a minha felicidade?

Então, eu conheci outra pessoa. Uma menina com quem eu compartilho certamente mais de 90% dos interesses. Uma menina que dizia que eu fazia bem a ela, enquanto conversávamos. E, é claro, enquanto ela me dizia isso, eu passava a sentir uma felicidade que eu não lembro se já senti antes.

E o motivo de conversar tanto com essa menina? Simples. O ex-namorado dela não tinha quase nenhum interesse em comum com ela. Ele não estava sendo completamente honesto com ela. Ele era alguém que gostava demais de si próprio, para viver realmente uma relação a dois. Em cada briga ela cobrava que ele fosse mais compreensivo, que vivesse mais a vida dos dois. Que crescesse e passasse a lutar por algo a mais do que bandas bobas e vidinha com seus pais... É claro que ela recebia respostas como "é você quem está errada", e coisas do tipo.

Vou contar um segredo: nos últimos cinco anos, uma das coisas que eu mais sentia falta foi de escutar música com a minha namorada. Com outras meninas que passaram pela minha vida, eu costumava dançar abraçado, em casa, no quarto, escutando músicas que nós dois gostávamos. Coisa boba, mas gostosa de se fazer. Poxa amigo! Não zoa se não tentares. É legal sim. Vai por mim.

Mas esse é só um exemplo. Mais ou menos como o Leonard, que não pode assoviar em casa porque o Sheldon não gosta de assovios, eu não fazia uma gama gigantesca de coisas porque eu sabia que não iria agradar.
E isso, amigo, sempre me fez sentir diminuído. Como se a minha alma estivesse sendo tolhida.

Quando eu encontrei essa pessoa com centenas de preferências e uma história de vida muito similares às minhas, eu pensei que, ali, estivesse guardado o segredo da felicidade.

Tanto que eu fui contra todo o bom senso. Deixei de lado décadas de sabedoria de internet e tomei uma atitude que muitos jugarão errada: Deixei o meu relacionamento de cinco anos para trás, para mergulhar de cabeça em um novo.

Mas não imagine que eu fiz isso de forma inconsequente, não! Eu imaginava saber exatamente onde estava pisando. Ela parecia ser uma menina verdadeira, com o coração machucado, mas aberto. Alguém receosa, mas que sonhou bastante, junto comigo. Chegamos a discutir como ficaria o nome dela, em um possível casamento! Não é mesmo, senhora "Futura Esposa"?

Cada conversa que tínhamos era melhor do que a anterior. Nosso relacionamento estava ganhando vida própria. Independente. Estava brotando a coisa mais bonita que eu jamais havia visto acontecer.
Simplesmente precisávamos nos ver.
Marcamos o final de semana que, com certeza, foi o melhor da minha vida. Eu estava nervoso, falei pelos cotovelos. Passamos minutos e mais minutos, inteiros, só olhando um para o outro, com cara de bobos. Os bobos mais felizes do mundo. Nossas conversas, o modo como ela ajeitava o cabelo... Tudo foi realmente mágico.

Foram 24 horas onde eu fui mais feliz do que no resto da minha vida inteira.

Então, voltei para casa. Mandei mensagens como fazia antes do final de semana, mas parece que elas estavam indo para uma pessoa diferente. O teor das respostas dela me perturbavam. Onde está aquela menina especial que se despediu de mim, em Criciúma??? Onde será que ela se escondeu? 

Olhei o e-mail de destinatário. Era o mesmo. Hum. Estranho. Cheguei a imaginar que, talvez, ela tenha sido hackeada pelo ex-namorado dela. Perguntei como tinha sido o final de semana. Várias vezes. Em todas, ela fez questão de dizer que foi maravilhoso. Foi demais. Perfeito. Etc, etc...

Só que... Segundo ela... Não estávamos na mesma "vibe".

Sabe, amigo. Tendo em vista tudo o que foi dito antes, tudo o que foi feito antes, o final de semana E as afirmações que ela faz ainda hoje, eu aceitaria muitas justificativas para o "não". Eu aceitaria um "tu não era tudo o que eu esperava". Aceitaria tranquilamente que ela me dissesse que voltaria para o ex. Ou que estava muito confusa e atarefada, precisando de alguns dias para colocar a cabeça no lugar.

Sendo o mínimo possível lógico, eu aceitaria qualquer argumento.

Mas, nesse momento, eu recebi um "Adeus" de uma pessoa que sonhou uma vida comigo. Que sabe que temos quase tudo em comum. Nossas músicas, nosso estilo de diversão, livros, amigos, festas, bebidas, filmes, etc... Uma pessoa que sabe que estamos exatamente com os mesmos interesses de vida. No mesmo nível de responsabilidade e companheirismo. Alguém cuja sintonia já é tão perfeita, que não precisaríamos gastar tempo e energia em brigas desnecessárias, buscando os ajustes finos.

Um "Adeus", por não estarmos na mesma "vibe".

Só agora eu noto que não posso falar o nome dela, também. Ela fica pedindo para que eu respeite o momento dela. Será que eu não mereço que o meu momento (muito mais intenso) seja respeitado, também?

Eu aceito que a separação dela esteja mais dolorida que a minha. Afinal de contas, o meu relacionamento já não estava indo bem fazia tempo. O dela acabou repentinamente, pouco tempo atrás.
Mas ela sempre soube que teria tempo. E o amigão aqui para ajudá-la.

Só não me conformo com duas coisas:

1 - O fato de ver um relacionamento especial sendo morto, antes mesmo de nascer. É todo um mundo novo... Uma realidade que se tornou paralela. Que existirá somente na mente de quem imaginar o "e se tivesse sido assim". Um futuro bom, jogado fora.

2 - A mágoa múltipla que a nossa irresponsabilidade causou. Hoje, são quatro pessoas diretamente afetadas, de modo injustificado. Ainda se tivéssemos prosseguido, um relacionamento poderia ser razão do final de outros dois. Uma coisa bonita a partir de duas coisas feias.
Esse ponto dois piora: Porque eu estava esperando para ver onde o meu relacionamento antigo daria. Talvez ele pudesse se tornar algo lindo. As chances eram remotas. E, agora, são nulas, mesmo.
E piora mais: Se ela voltar para seu relacionamento antigo, sabemos que as chances de sair algo bonito dali serão tão grandes quanto as do meu relacionamento antigo.
Mas fica ainda pior: A mágoa de saber que se encontrou uma pessoa especial, saber que se é especial para essa pessoa, também, mas - sei lá raios o que quer dizer "vibe" - saber que não sairemos do "se".

Resumindo esse último mês: Quatro pessoas, uma sequencia de ações equivocadas, imaturas e irresponsáveis, que só geraram sofrimento para todos os envolvidos.

Eu pensei que fosse "completamente excelente" nesses assuntos do coração. Aprendi que sou apenas um garoto...