terça-feira, 20 de novembro de 2012

Morgan Freeman: Mês da Consciência Negra

Sabe, amigo, essa é aquela velha história que eu já falei aqui, tantas e tantas vezes. Os preconceitos são necessários mas, se não forem bem guiados, tornam-se monstros. E esses monstros criam as fantasias que utilizamos para rotular as pessoas à nossa voltar.

E esses rótulos, quando não nos protegem de absolutamente nada, tornam-se o destilado da ignorância humana.

Deixamos de ver as pessoas e passamos a ver brancos, negros, índios, asiáticos, homens, mulheres, crianças, jovens, adultos, velhos, ricos, pobres...

E o mais estúpido é que estes rótulos conseguem gerar pessoas que são alvo de preconceito E preconceituosas, ao mesmo tempo!!!

Morgan Freeman é um dos atores mais importantes da história da sétima arte. Qualquer filme que tenha o nome dele no elenco merece a nossa atenção por mais de duas horas. E, nesse mês da consciência negra (nos Estados Unidos é o mês, aqui no Brasil é só hoje), o ator concedeu esta entrevista:




Menos de um minuto falando apenas palavras simples. Mas de uma profundidade gigantesca, proporcional ao tamanho da pessoa que ele é.
Vamos ver se eu consigo explicá-las.

Primeiramente, Morgan Freeman é uma daquelas pessoas que tem raiva. Raiva porque sabe que não é a cor da sua pele, sexo no meio das pernas ou números na conta corrente que o diferenciam das outras pessoas. Não. Freeman é o tipo de pessoa que transcendeu a tudo isso. O que o torna ímpar são as ideias que ele conseguiu reunir e produzir, durante a sua vida. Ideias que moldaram seu caráter, sua conduta e, enfim, o seu próprio ser. Ideias que o fizeram desenvolver seus talentos, transformando-os os habilidades altamente requisitadas.

Eu sei, não é fácil transcender a tudo isso. A sociedade nos esmaga, o consumismo nos rouba a paz de espírito e é muito mais fácil "ficar de bobeira com a galera", do que lendo livros, estudando, treinando e trabalhando sério.

E, quando a sociedade cobra o resultado que não temos para apresentar, é mais fácil ficarmos brabos com o mundo. Cairmos nos estereótipos que se encaixam em nós. "Eu não pude ser mais na vida porque sou negro". "Os homens tiram as vagas de trabalho das mulheres". "As empresas só contratam gente nova, esquecendo dos velhos" ou "As empresas só contratam gente com experiência, assim os jovens nunca têm trabalho!".

Não, amigo. Tudo o que acontece na sua vida é culpa sua. E esses acontecimentos não são mais ou menos importantes do que todo o resto. Criar divisões entre as pessoas, subdividindo-as em grupos por aspectos que ninguém tem o controle sobre, é ridículo!

Como disse Freeman, somente quando derrubarmos essas barreiras de ignorância, é que vamos conseguir livrar-nos das fantasias e vermos uns aos outros como realmente somos: pessoas.

E como conseguimos acabar com o muro da ignorância? Simples. Derrubando-o. Parando de utilizá-lo para sempre. Sim, amigo. Agora mesmo, pare de olhar para as pessoas notando suas características. Esqueça se são homens, mulheres, pardos, índios, brancos, homossexuais, heterossexuais, jovens ou velhos... Olhe para  cada pessoa que você conhece com o olhar crítico do que ela fez consigo mesma. Meça as pessoas pelas ideias que elas discutem. Pelos hábitos que elas têm. Por como conseguiram se tornar boas no que fazem. Pelo potencial guardado dentro de si.

Então, no dia em que todos conseguirmos fazer isso, talvez tenhamos superado essa enorme perda de tempo que é o preconceito infundado.