sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Fazer o que Quiser com o Próprio Corpo?

Outro dia eu fui confrontado no twitter. Fui confrontado em Uma das minhas especialidades: a imaginação.

Amigo, minha imaginação é foda. Tão foda que eu acho que sou algum tipo de ser de quinta dimensão. Basta tu me jogares um tema, e eu já visualizo todos os cenários possíveis para aquele caso. TODOS. SEMPRE.
E eu até acho uma benção que vocês me dêem corda, sabe. É melhor ter a mente focada em apenas UM CASO, do que não ter caso nenhum para me concentrar.

Porque, se eu não tenho no que me concentrar, o turbilhão de pensamentos é insano demais. Qualquer sensação se conecta a outra, a outra, a outra, a outra... E eu não controlo o modo como as coisas se conectam. Isso para mim é algum tipo de mistério. Estou pensando em passarinhos e, de algum modo que só a lógica da insanidade me permite, estou lembrando das cenas em que o padre está declamando poesias no filme "Coração de Cavaleiro".

Aí perguntaram se eu tenho um lado negro na minha mente.

Amigo, esse foi o primeiro lado que eu conheci de mim mesmo. E eu tenho tanto MEDO desse lado, que até hoje eu luto para manter minha imaginação INTEIRA trancada na minha "Caixa de Pandora".

Duvida? Quer um exemplo da minha mente maluca?

Tu tem uma lista de pessoas REAIS, QUE TU CONHECE, que tu mataria?
Tu organiza ela de vez em quando? É... Eu tenho rankings por ódio, por mal que me fez, por proximidade, por menos suspeitas se eu começar a executar as pessoas, pela idade delas, pela cor do cabelo... 
Isso sem falar dos planos... Tenho sub-listas de como matar cada pessoa. Ordenadas pelo quanto de sofrimento cada infeliz merece que eu o faça sofrer, o quanto eu estaria disposto a sujar minhas próprias mãos, quantos recursos eu deveria dispender para executar cada um...

Pior: EU tenho uma sub-sub-lista com os amigos que eu acho que poderia contar para executar cada um desses planos. E tenho uma sub-sub-sub-lista dos métodos que cada um poderia utilizar, para me ajudar nos meus planos.

Eu tenho uma imaginação negra tão fodida, que eu tenho até a lista das coisas que eu poderia oferecer para convencer esses meus amigos a me ajudarem em cada um dos planos que eu tenho para assassinar as pessoas de quem eu não gosto...

Fiquem com suas fumaças, espelhos, sombras, demônios, anjos e o caralho a quatro de seres imaginários que vocês acham que fazem da imaginação de vocês algo foda.

Eu tenho listas mais detalhadas ainda, especialmente criadas para determinar os melhores meios de como matar meus melhores amigos. 

Crie-me lendo gibis. Muitos conceitos contidos neles fazem parte da minha pessoa, hoje. O Parallax, o Coringa e o Carnificina, em particular, fazem muito sentido para mim.
Na minha mente, destruir um universo inteiro para reconstruí-lo sem falhas é algo óbvio.
Na minha mente, "Só entre em um lugar aonde você sabe como sair" é o melhor conselho que alguém já me deu. Obrigado Coringa.
Na minha mente, só o caos existe no mundo. Teoria básica da entropia, sabe? E eu adoraria conseguir entendê-lo, como o Sr Cassady consegue.

Touchê. Cheque-Mate.

Escrevi tudo isso porque eu preciso que você entenda que a minha imaginação é foda. É livre. E eu penso EM TUDO, O TEMPO INTEIRO. Minha cabeça dói porque eu vou do vinho mais fino ao vinagre mais forte em todos os assuntos que são postos à minha frente. Sempre.
Já falei antes. Se você pensou em algo que eu não pensei, considere o teu dia ganho.

O bom é que eu notei que esses pensamentos todos não são uma coisa construtiva. Ser tão imaginativo é algo ruim. Eu me perco. Eu me distraio. Sem um fiel de balança externo, eu uso meus sentimentos para determinar quais pensamentos desse turbilhão eu vou seguir. Eu acabo acreditando no que eu quero acreditar.

Você pode achar que é uma mentira infantil. Mas é um mundo completo que eu crio e aonde eu vivo, sozinho. Usando da inocência e da ignorância alheia para sustentar minhas fantasias.

Sua imaginação de duendes sob a cama jamais te fez mal algum. A minha imaginação projetada no mundo real já ferrou gente demais. E eu carrego o peso de cada uma dessas vidas destruidas na minha consciência.

Assim eu aprendi que a minha imaginação é um monstro perigoso e feio. Algo que deve ser mantido a ferros, dentro de uma prisão, selada dentro de uma tumba, construída dentro de uma caverna, cujo único acesso é monitorado constantemente por mim, único detentor da informação sobre a sua localização.

Esse monstro fica mais bonito em meias arrastão. Não fosse tão perigoso, eu iria até lá e colocaria meias arrastão nesse monstro.

Esse texto é para falar da minha luta contra esse monstro. Como DEABOS eu consegui derrotá-lo.

A primeira coisa que eu fiz (e talvez a mais importante) foi desconectar-me do que eu chamo de "vontades das minhas tripas". Aquelas vontades que temos e fazemos um malabarismo russo para justificarmos, sabe? Acordar às 3hs da manhã para comer bacon e assistir ao filme "A Mosca". Coisas do tipo.
Deixar de ouvir suas tripas totalmente não é uma coisa boa. Eu nunca mais me apaixonei "porque sim", desde que me desconectei das minhas tripas. Todas as coisas que eu faço têm um motivo claro. Uma justificativa lógica, racional e palpável.

Rafael, eu não fui na sua formatura porque estava quente demais e eu estava sem saco para viajar oito horas por uma festa. Mesmo que a sua, amigo. Foi mal mesmo. Acredite ou não, eu não fui na formatura do meu pai, eu não quero estar nem na MINHA festa de formatura... Agora calcule a minha motivação de sair da minha casa no segundo findi livre na minha nova casa, em um dia de calor insuportável na rua, para viajar oito horas, não saber aonde eu ficaria ou como seria o final de semana na cidade que eu mais odeio de todas... Só por causa de uma festa! Parabéns mesmo, ajudei como pude, torci demais por ti, fiquei feliz demais com a tua conquista... mas eras isso!

Deu para entender como a minha solução funciona? Sim, eu pareço uma espécie de Spock. Ou Sheldon. Meu fiel da balança não está mais no improviso, não vem mais "das minhas tripas", não é mais expontâneo. Meu fiel da balança está aonde o que é líquido e certo aponta, aonde os outros calcularam e afirmaram com propriedade que é real.

Isso faz de mim um CHATO. Chato porque parece que eu sempre estou certo.

PA-RE-CE.

E sabe porque PARECE que eu estou sempre certo? Porque eu parei de me comprometer com ideias. As uso para justificar minhas decisões até conhecer outra ideia melhor embasada. Nesse momento eu jogo fora a ideia ultrapassada sem medo, despido de orgulho. E, de um momento para outro, eu assumo as ideias que têm melhor embasamento. Passo a reger minhas decisões seguindo essa nova ótica.

Se isso funciona?

Amigo, eu consigo acomodar ideologias como o liberalismo econômico e a filosofia de liberdades individuais, junto com opiniões como ser contrário ao aborto e que educação rígida cria pessoas melhores...

E tudo isso com lógicas simples. Sem os grandes malabarismos que vocês fazem para sustentar seus pontos de vista insensatos, ilógicos e insanos.

Exemplos? hummm...

Todo direito é baseado em um dever. Para você ganhar algo, infelizmente alguém acaba perdendo algo, em algum outro lugar. "Não existe almoço de graça", já dizia velho ditado.

Vivo falando disso, aqui. Igenuidade sua achar que o mundo são só direitos.

Acontece que a vida é um eterno equilíbrio. 
Imagine um disco gigantesco, aonde todos os brasileiros estão contidos. Esse disco tem um ponto de apoio minúsculo na parte de baixo, exatamente no seu centro. O objetivo é mantermos o disco inteiro apoiado apenas neste ponto de apoio, como uma gigantesca gangorra.

Todos que estão muito para a direita, precisam ser corrigidos para o meio. E essa correção consiste em empurrá-los para a esquerda. O "remédio" funciona, porque eles chegam NO MEIO.
Todos os que estão muito para a esquerda, precisam ser corrigidos para o meio, também. Mas não podemos aplicar o mesmo "remédio" que usamos para as pessoas que estavam lá na extrema direita. Se empurrarmos alguém que já está na extrema esquerda mais para a esquerda, acabamos "derrubando" essa pessoa do disco. Ela sai do grupo. Acaba se tornando alguém além da margem do grupo. Um excluído, um marginal... tá ligado?
O "remédio" para alguém que está muito na esquerda é... ser empurrado para a DIREITA. Assim essa pessoa chega NO MEIO.

Equilíbrio é a chave. E mantermos todos NO MEIO ajuda a equilibrar o disco mais facilmente. Porque se tentarmos equilibrar todos nas margens da gangorra, qualquer grama de diferença entre as pessoas será suficiente para derrubar todo mundo.

E não seja imbecil: as pessoas são diferentes, sim. Aprenda a coniviver com isso.

Manter todos no centro torna o equilíbrio mais fácil...

Enfim... Hoje pela manhã fui afrontado (novamente... aff...) e tive minha lógica desafiada.

Tudo começou quando retuitei um pensamento do Fabão. Dono da empresa de vídeos pornográficos "Brasileirinhas". Olha só... Eu, um moralista, seguindo um diretor pornô. Complicado demais para você entender a minha lógica, né?
Na verdade sigo ele porque ele não é todo pornográfico. Assim como o Edu Testosterona, ele tem pensamentos muito finos sobre a vida. Ambos andam tão próximos "do outro lado", que estudam e sintetizam o pensamento feminino e o pensamento masculino sobre o comportamento feminino, muito bem. São duas pessoas que estão se graduando em "como as mulheres pensam e agem", mesmo que de modo acidental.

Em um desses surtos de brilhantismo, o Fabão tuitou:


Eu, prontamente, fiz questão de retuitar e comentar o quanto eu concordava com ele.

Vou deixar CLARO aqui:
1 - Eu tenho em mente o conceito clássico de vadias. Libertinas. Vagabundas. Prostitutas que não cobram cachê. Meninas que não sabem lidar com responsabilidade e não sabem cumprir seus deveres, para desfrutarem do direito que têm.
2 - No meu mundo ideal você seria inteligente o suficiente para notar que eu estou falando no feminino porque ESSE CASO ESPECÍFICO se trata de um comentário sobre uma mulher que terminou um relacionamento, sendo comentado de modo genérico. Mas provavelmente você não estudou o suficiente para notar a diferença entre "modo genérico" e "generalização". Tão pouco tem a noção (ou boa vontade) de que esse exemplo se extende não só para mulheres, mas para qualquer pessoa... Sim, os homens também não precisam cair na putaria só porque ficaram solteiros. Mas eu gostei da frase e falei "das mulheres", porque eu estou cagando e andando para o comportamento dos outros homens.
Na minha humilde opinião, a vulgaridade é quesito de exclusão de pretendentes. Se as mulheres excluíssem os homens vulgares como pretendentes, eu seria favorecido. Logo, quanto mais homens imbecis vulgares, melhor para mim, que não sou vulgar.

Bem, em menos de uma hora tive que explicar quatro vezes qual era a minha definição para "vadias" para meninas feministas. E mais três explicações sobre "porque só as mulheres não poderiam ser vadias?".

Mas eu fiquei irado justamente quando uma menina disse para eu "tomar cuidado para não parecer machista", justificando que "o corpo (da vadia hipotética) é dela e ela tem o direito de fazer o que quiser com ele"...

OPA, PERAÍ CACETA...

Primeiro, vá chamar sua mãe de machista. Ok? 
Insisto que sou um "pessoísta". Eu só acomodo na minha mente as ideias concretas do machismo e do feminismo. Ainda tenho muito o que ler, debater e concluir. Mas acredito que já cheguei a um bom meio-termo. Eu só aceito ideias que eu possa extrapolar e usar para os dois sexos

Exemplo?

Atentado ao pudor é um conceito que deveria ser levado a sério pelos dois sexos. Eu adoro ver tetas. Mas elas só têm real significado se forem as tetas da mulher que eu amo. Todas as outras tetas do mundo são só... tetas. Protuberâncias no peito das mulheres. Talvez eu seja muito diferente dos outros homens do mundo, mas eu já passei da fase em que ficava hipnotizado caso visse tetas aleatórias. Isso aconteceu lá pelos meus 14 ou 15 anos, mais ou menos...
E eu acredito que nem preciso dizer que não gosto de ver tetas masculinas.

Logo, acredito que a luta correta seria a de impedir que QUALQUER PESSOA mostrasse as tetas em público...
Mas não... No lance do equilíbrio, as feministas querem EXATAMENTE O MESMO "REMÉDIO" aplicado aos homens. Elas vêem os homens sendo "empurrados para a esquerda" para chegarem no meio... e não notam que precisam ser "empurradas para a direita" para chegarem no meio também... Ao invés disso, querem ser e"mpurradas para a direita", também. E ao invés do bom senso prevalescer (Ninguém atentar ao pudor e todos andarem com o peito coberto), elas querem poder andar com as tetas para fora na rua!

Odeio gente que não pensa.

O brasileiro anda tão libertino, que precisamos urgentemente de repressão, para "sermos empurrados para o meio". Mas vocês estão tão traumatizados pela Ditadura Militar, que basta falar em PROIBIÇÕES para que alguém acenda a fogueira.

Menina, somos, sim, soberanos dos nosso corpo. Temos o DIREITO de fazer o que quisermos com ele. Mas eu vou te ENSINAR uma coisa: o DIREITO é relativo. O DIREITO é acompanhado de pelo menos UM DEVER... E esse DEVER solitário é acompanhado de uma série de RESPONSABILIDADES.


Eu AMO o liberalismo e as liberdades individuais, porque eles demandam CONHECIMENTO E DISCERNIMENTO. Pessoas que PENSAM. E eu me sentiria MENOS SOZINHO no mundo se MAIS PESSOAS passassem a PENSAR DIREITO.

Quem me dera eu ser a pessoa mais burra do mundo, sendo exatamente a pessoa que eu sou, hoje!

O DIREITO de "fazer o que quiser com o corpo" traz consigo, implícito, o DEVER de cuidar bem do seu corpo. Porque, sinceramente, eu não quero pagar a conta do SUS pelo teu tratamento de AIDS. Não é justo para mim, que CUIDO DIREITO DO MEU CORPO, COM RESPONSABILIDADE, ficar pagando coquetel de mais de R$10.000,00 por mês para ti, que SAIU DANDO PARA TODO MUNDO PORQUE "O CORPO É TEU".

E o mesmo vale para as outras DST's. Para fumantes. Para gordos ridículos que não cuidam do próprio peso. Para motoqueiros que se arriscam sobre duas rodas diariamente, costurando por entre os carros.

Querem se matar? Puta que os pariu, estourem a cabeça com uma doze. Mas tenham a merda da RESPONSABILIDADE de não onerar o resto de nós com as suas decisões. E isso é um DEVER seu.

E aproveitarei o encejo para te ENSINAR mais uma coisa: "Fazer o que você quiser com o seu corpo" é algo EXTREMAMENTE relativo. Se masturbar silenciosamente, sozinha dentro do seu quarto é "fazer o que você quiser com o seu corpo". "Sair pegando geral" nas festas, já envolve "outros corpos". Ou vamos mentir aqui que essas VADIAS já provocaram BRIGAS E ATÉ MORTES em festas, por saírem "pegando geral"?

Casos extremos, claro. Estou escrevendo esse parágrafo para você que não tem capacidade de entender o que é um exemplo. Desculpem-me os meus leitores tradicionais, que não precisariam estar lendo isso.

Sério galera. Tá foda aguentar gente que não tem alcance intelectual para me acompanhar. Embora exista quem me ache um pequeno gênio, saibam que eu sou um borra-bostas comum, que só exercita a lógica para decidir quais palavras falar, colocar no papel ou seguir. Eu não sou nada demais. Sou um normal, um ser humano padrão. Vocês não me acompanham porque estão se superando na mediocridade.

Vamos aprender a ter COERÊNCIA e a RESPEITAR as LIBERDADES dos outros, antes de exigirmos a nossa? 
Teu direito de "ouvir música alta" passa primeiro pelo dever de respeitar o "silêncio dos demais".
Teu direito de ser vadia passa por respeitar os sentimentos das outras pessoas envolvidas...

Sim. Todo esse texto só para dizer que eu sofri demais por uma VADIA ter me ENGANADO por SEIS ANOS, dizendo que queria fazer as coisas direito. Alguém que disse que me daria uma vida plena a dois. Então, num surto de VULGARIDADE, veganismo, feminismo, homossexualidade e todos os outros conceitos estúpidos e ridículos que andam desrespeitando a vida correta das pessoas, ela me deu as costas.

E aí? O direito dela "fazer o que quer com o próprio corpo" também dá a ela o direito de ser irresponsável com a própria palavra e com os sentimentos alheios?

É. Eu acho que nesse mundo que vocês estão construindo talvez isso seja o justo, mesmo.

Talvez eu só tenha que abrir a minha caixa de pandora. Talvez a solução mais lógica seja eu executar meus planos mais destrutivos, nos modos mais curéis que eu já imaginei (vocês não conseguem imaginar a dor que eu planejei para uma pessoa, apenas com folhas de papel e um patinho de borracha cor de rosa...), finalizando tudo com uma bela bala no meio dos meus cornos...

E quero deixar claro que eu tenho toda essa imaginação comigo, sendo SADIO. Eu não me escondo atrás de nenhum transtorno bipolar, borderline (que agora tá na moda) ou psicopatia... Simplesmente sou lógico: sinto raiva das pessoas e não minto para mim mesmo que gostaria de vê-las sofrendo... ou mortas. Tenho o direito de pensar isso, não? Mas para sustentar esse direito, eu tenho a responsabilidade de cumprir o meu dever de manter isso tudo só na esfera do meu pensamento. E é o que eu faço. Embora a burrice generalizada por vocês viva me empurrando para longe do meu equilíbrio, nessa questão.

O mundo precisa de mais responsabilidade emocional. O mundo precisa de menos sofrimento. O mundo precisa de menos de vocês ou menos de mim. Bum.