terça-feira, 26 de maio de 2015

Adolescentes e a Internet

Tá complicado, amigo. Muito complicado.

Se você me conhece, sabe que eu sou ativo em redes sociais. Facebook, Twitter e tantas outras.
E quem é ativo em redes sociais SABE como utilizá-las. Especialmente o Twitter.
Palavra lançada é palavra pública. Foi pra galera e não tem como voltar atrás. Logo, é bom escrever de modo responsável e aguentar o c*, porque - afinal de contas - é ele quem paga pelo que a boca fala.

Mas existem pessoas que não sabem usar o Twitter. Pessoas que entram esporadicamente. Pessoas que estão no início do uso da rede social. Pessoas que olham o comportamento e os resultados de quem sabe usar a rede social e passam a tentar imitar. Tentar, claro. Porque conseguir são outros quinhentos.

E o mais interessante é que esse pessoal geralmente aparece em finais de semana e períodos de férias. Como nós, os que sabem usar as redes sociais, falamos: esse é o pessoal do "curralzinho".
Sabe quando começa o intervalo, abrem-se as portas da sala de aula e aquela piazada toma o pátio com bagunça? Então. "O curralzinho se abre" e temos toda sorte de infelizes que se acham os indivíduos mais importantes do mundo, falando qualquer bobagem que apareça nas suas cabeças.

Os famosos "floquinhos de neve especiais".

Interessante que esses "floquinhos" REALMENTE parecem saídos de um "curralzinho". Uma rápida olhada nos perfis desse grupo e vemos adolescentes. Muitos adolescentes. E se olharmos com os poucos que não são adolescentes, rapidamente constatamos adultos que se comportam como adolescentes.

Amigo, se tem uma coisa que eu faço muito na minha vida é auto-análise. Sabe como é, é complicado acreditar no feedBack alheio.
Os outros carregam uma carga de experiências e conhecimentos que geram pontos de vista únicos. E cada ponto de vista pode ver só um lado do todo. Quem está na nossa frente só vê a nossa frente. Quem está na nossa esquerda só vê o nosso lado esquerdo. Quem está à nossa direita só vê o nosso lado direito. E... Ah! Você já entendeu aonde quero chegar.
Eu tenho orgulho da minha visão espacial. "Visão espacial", caso o amigo estranhe o termo, significa que eu consigo visualizar mentalmente as coisas. Eu consigo abstrair a ideia e "montar" o objeto ou situação na minha cabeça. Quase como o Homem de Ferro usando o Jarvis, sabe como é?


Uma das coisas que eu insisto em fazer é pegar cada "Arthur" que eu já fui, colocar no centro do meu "Jarvis" e Over-Analisar. E eu vou te dizer uma coisa, amigo: não houve Arthur mais chato do que o Arthur adolescente.

Que Arthur porre, filho da puta, desgraçado e lazarento.
ALIÁS: não sei COMO eu cheguei na idade que eu tenho hoje. Do modo que eu agi quando era adolescente, foi uma vitória eu simplesmente ter sobrevivido até os 25 anos.
Sim, 25 anos. Porque eu só deixei de ser adolescente mais ou menos por essa idade.

Adolescentes em geral são muito chatos. E os que não são insuportáveis apenas estão quietos, guardando toda a sua inconveniência para o momento que abrirem a boca.
E sabe porque adolescentes são tão impertinentes, assim? Por algo que eu aprendi com a minha mitomania: Quem fala primeiro está certo. Quem fala depois deve provar que está certo.

Exemplo: Diga a alguém que nunca vio o céu, que o céu é vermelho.
Pessoa 1: "Eu fui lá fora e vi! O céu é vermelho!"
A pessoa 2 assume que existe uma coisa chamada "céu" e que essa coisa é vermelha.
Pessoa 3: "Eu também fui lá fora e vi o céu azul!"
A pessoa 2 obviamente refutará: "Mas a pessoa 1 disse que o céu é vermelho!"
E a pessoa 3 será obrigada a PROVAR que o céu é azul para a pessoa 2. Seja pegando pela mão e "levando lá fora", seja apresentando todos os conceitos de onda, composição da atmosfera e desvio para o azul que a interação proporciona...

E o que isso tem a ver com adolescentes? Simples. Essas PRAGAS não têm NADA na cabeça. Qualquer merda que você mostrar pra eles será tido como verdade. QUALQUER MERDA. E esses adolescentes bostas têm muita energia. Energia que, infelizmente, só usam para pensar caso nós os ensinarmos como. Caso contrário, serão pequenos projetos de homens das cavernas, batendo nas cabeças uns dos outros com clavas: "Minha ideia tá certa!" "Não, a minha ideia tá certa!" "Não, é a minha!" "Não! É a minha e você é bobo!" "Não, é a minha e a tua cara é de mamão!"

Agora você imagine uma multidão de pretensos adultos com esse tipo de mente, inundando nossas redes sociais todos os finais de semana... Um grupo imenso de pessoas que sequer terminou a lista de livros obrigatórios... Não pensou a respeito de cada um dos conceitos. Não debateu propriamente. Não chegou às melhores conclusões, que o resto do mundo já têm como certa...

É complicado quando você tem base para argumentar e a outra pessoa não tem. É complicado principalmente porque todo argumento carece de referência. Meus textões, aqui. Eles são grandes justamente porque eu tento colocar todas as referências necessárias para sustentar a minha conclusão. Aliás, isso é o mínimo que um texto deve fazer. Querem uma dica para redações de vestibular? Tenham opinião e saibam sustentá-la. Um parágrafo para tirar o leitor do vácuo e trazer para o seu texto, um parágrafo para dizer porque você entende os motivos contra mas não concorda com eles (abuse da ironia), um parágrafo para dizer que os seus argumentos são ultra-fodônicos e o último parágrafo para dizer que a sua opinião é a única certa nesse mundo inteiro.

Viu porque adolescente tem crise com a redação de vestibular?
Adolescente é tão bosta que não entende sequer como funciona nosso cérebro.

Em uma analogia que qualquer imbecil com menos de 25 anos entenda, nosso corpo é como um vídeo-game. O hardware do computador. O smart-phone.
As ideias, amigo, são os jogos, os softwares, os aplicativos.

É nosso DEVER conhecer todas as ideias. Instalar essas ideias no nosso cérebro. Abrir o programa dessas ideias. Brincar um pouco com elas. Avaliar se vale a pena perder nosso tempo com essas ideias.
Mesmo porque, só depois que você joga o jogo é que você pode emitir uma opinião embasada sobre o mesmo. Ficar lendo resumo e querer pagar de sabichão só repetindo o que os outros falam não é lá uma estratégia muito inteligente para a vida.

Nós somos donos das ideias, não o contrário. Não são as ideias que mandam na gente. Não é questão de "ser livre para escolher ideias". É questão de "temos o dever de saber todas as ideias e escolhermos a melhor".

No domingo uma praga adolescente postou algo, dizendo que as pessoas dos cursos de Humanas são melhores do que as de Exatas. Eu respondi que Exatas são melhores simplesmente porque nós entendemos as Humanas, embora não concordemos com elas... Enquanto as Humanas nem sonham em compreender as Exatas. (Não perguntem porque eu entrei no debate, até agora estou tentando saber o porquê, também.)


A resposta da menina de Humanas? "Vai tomar no cu!"

Assim. Bem desse jeito.

Outra tentou "argumentar": "Mas vocês não compreendem nossos paradigmas, só sabem fazer cálculos!"

1 - Tá aí em cima todo o meu texto sobre o seu paradigma. Entendo perfeitamente o que é um paradigma, tenho os meus paradigmas muito bem estabelecidos - depois de ter tomado conhecimento de muitas vertentes de conhecimento, analisado todas e me vinculado às melhores ideias - e consigo argumentar sem a necessidade do tom emocional.
2 - O contrário não se percebe. Pessoal de Humanas não sabe fazer os cálculos que o pessoal de Exatas faz. Pessoal de Humanas não possuem o "software" que ensina a álgebra de Boole (aquela que determina o pensamento lógico). Pessoal de Humanas nem sabe que, para ser fato científico verdadeiro, toda afirmação deve ser comprovada com... Cálculos matemáticos! (Leia o livro "Rápido e Devagar, duas formas de pensar" e veja como o pessoal de Humanas lá do exterior calça cada afirmação com uma estatística retirada de um experimento absolutamente controlado!)

Estou compartilhando isso com vocês em texto porque instalei esse software no meu hardware.
Depois de ler muito (se você é esperto, notou que eu citei diversos autores no texto inteiro) e analisar o que eu aprendi, concluí que não vale a pena discutir com adolescentes de internet. Não importa a idade que eles tenham. É como jogar xadrez com pombos. O tempo é a única coisa que temos, é um recurso escasso e se esvai a cada segundo, quer seja bem ou mal aproveitado. Tempo é precioso demais para perder com esse tipo de "gente".