sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Paciência e Persistência...


“Que amor era esse, que não saiu do chão?”
                                                     - Pouca Vogal

Nessa semana eu aprendi. Eu aprendi e vou tentar te explicar. Mas, assim como eu não conseguia entender com as palavras alheias, acho que você também não vai entender com as minhas palavras. É... eu não sou um bom explicador. Mas eu escrevo por causa daquela fé que eu tenho, de que você seja um bom entendedor.

Quem sabe, né?

Nessa semana eu aprendi que amor não é coisa racional. Não é questão de vontade. Na verdade é questão de vontade. Mas não é aquela vontade que temos de comer sushi, sabe? Não é aquela que criamos a partir de uma preferência. De um desejo menor. Eu me refiro àquela vontade que nasce sei-lá-eu-aonde. Lá do meio das vísceras. Daquele ponto maldito que fica adormecido. E, sem mais nem menos, acorda. Despeja galões de hormônios na nossa corrente sanguínea. Faz com que nos tornemos bobalhões ruborescidos em segundos.

Durante muitos anos na minha vida, eu imaginei que poderia gostar de alguém que eu me propusesse a amar. Mas vou te contar, amigo: não é assim que a banda toca.
Aliás, a banda até toca dessa forma. Mas fica completamente fora de compasso, sabe? Cada instrumento tocando em um tempo diferente, desafinados entre si. Existem tantas pessoas desesperadas por carinho, atenção e principalmente sexo, que é mais fácil prestar a atenção no desejo animal do que naquele ponto que eu me referi. Consumistamente falando, empilhamos “ficadas”, “lances”, “casos”, “namoros”, “noivados” e até “casamentos”, tentando adquirir o que falta em nós. O irônico é que o que falta em nós é justamente esse “coração cheio”, que só a sensação daquele amor de verdade que eu tentei explicar pode trazer...

Então, multiplicam-se os casais disfuncionais. Ele quer ficar em casa o domingo inteiro, de regata e cueca, tomando cerveja e reclamando que não tem nada na TV, enquanto ela quer ganhar um mundo de aventuras, passeios, conversas, amigos, música e danças. Ou é ela quem quer dormir o final de semana inteiro, enquanto ele tem um mundo dentro de sua cabeça, louco para que ela queira participar dele.
Preciso falar que isso gera descontentamento? Mesmo?
Passamos a ver as características da outra pessoa como defeitos. O maldito ponto de vista, sabe? O que, pra um, é maravilhoso, para o outro pode ser horrível. Então, arrastamos compromissos que nasceram racionais e se desenvolveram a base de exercícios de tolerância, mas que estão sempre sujeitos ao final. “Ali, logo ali. Depois da Curva.”

Não, amigo. Vou insistir que o amor tem que ser algo visceral. Tem que ter esse algo mais que te empurra na direção da outra pessoa. Quase como a gravidade que te prende nesse planeta.

E vou te contar o primeiro segredo: Não existe tempo mais perdido do que o que você gasta com esses relacionamentos falsos. Você perde a sua condição de pessoa livre, pronta para ser arrebatada pelo amor verdadeiro. Pior: acaba se desgastando no relacionamento ruim.  O coração fica machucado, duro, murcho e receoso. Tanto que pode chegar a não reconhecer um amor de verdade, quando cruzar com ele.

E tem outro segredo que isso tudo me fez descobrir: Depois que tu descobre esse amor de verdade e que o coração fica cheio, tudo passa a fazer sentido. E esse sentido é tão maravilhoso e reconfortante que eu diria que teria valido a pena, no meu caso, viver uma vida inteira só por esse momento.
Não chego ao extremo cúmulo de dizer que não desejaria ter vivido os relacionamentos que vivi. Mesmo porque, eles me ajudaram a ter parâmetros. Aquela historinha de só saber qual é o vinho bom, depois de ter tomado o ruim, sabe?

É. Então. Só queria te dizer isso mesmo. Tomara que eu tenha conseguido me fazer entender. Existe, sim, aquele amor de verdade. Que te completa só por existir. Aquela pessoa de quem tu não tem que relevar ou entender nada.

Basta ser paciente e persistente na procura.