sábado, 3 de novembro de 2012

Get Things Done!


Outro dia eu li o texto “Bunda-Sujismo” do @IzziNobre. Sério, é um dos melhores blogs que eu já vi. Fortemente recomendo a leitura dele, inteiro.

Então.
Li o texto e logo me identifiquei. Mesmo porque eu mesmo já andei falando coisas parecidas, aqui no Ponto Final.
Porém, por causa da habilidade única que o Izzy tem em destilar e explicar o conceito, óbvio que quis comentar o texto dele, dizendo que eu próprio era um “bunda-suja”, mas que, com o passar do tempo, aprendi a não ser mais assim.

Quando vi, a minha resposta estava se tornando um texto. E eu não acho legal escrever textos-resposta em blogs alheios. Exatamente por isso, estou trazendo a resposta para o Ponto Final. É essa história que eu vou contar, logo ali abaixo.

Então, para entender bem o que eu vou escrever, gostaria que você entrasse no blog "Hoje é um Bom Dia" e lesse o texto do Izzy Nobre.


Então vamos começar contextualizando.

Vamos deixar claro que a vida é composta de fases. Alguns pulam fases. Outros estacionam nas fases. Outros passam muito rápido pelas fases. Outros demoram ou estendem propositalmente. Ah! É claro que muito mantém o ritmo normal e passam pelas fases direitinho.

Por definição, a fase da adolescência é uma fase de bunda-sujismo.
Porque você sabe como são os adolescentes, não é? Corpos de adultos, com experiência de uma criança. Impulsos fervilhando por conta da overdose de hormônios. Prepotência máxima, por causa da superexposição ao conhecimento.
Para quem acredita, até o anjo da guarda já foi embora, junto com a infância.

Tudo isso misturado só pode dar merda. E muita merda.

E é o que a maioria absoluta dos adolescentes mais faz: merda. E o pior é que, além de fazerem uma bela cagada atrás da outra, os adolescentes não têm, ainda, a capacidade de notar que são responsáveis pelas porcarias que deixam pelo caminho. Unindo isso a pais ausentes, omissos ou simplesmente mais irresponsáveis que os próprios imberbes, os adolescentes acabam desenvolvendo o que o Izzy chamou de “Bunda-Sujismo”.


O maior problema é que o ser humano precisa de um rito de passagem, para largar essa fase adolescente e entrar, definitivamente, na era adulta.
Só que, em algum momento, os adultos falharam e não fizeram os ritos com uma ou duas gerações. Faltou, sabe? Faltou aquela "Chamada na Xinxa", para que a próxima geração notasse que o mundo é mais do que festas, sexo, drogas, libertinagem e bobagens em geral.

NOTA: Esse processo não foi homogêneo. Ainda existem pessoas que se transformam em adultos, naturalmente. Obrigado pela compreensão de que eu não estou generalizando mas, sim, apenas descrevendo um fenômeno que eu suponho que exista.

Assim, essas gerações se tornaram "eternos adolescentes". Adolescentes de 30, 40, 50, etc... anos. Adolescentes que tiveram filhos. E, naturalmente, não souberam transformar seus rebentos em adultos normais.
Hoje, sofremos com uma sociedade inundada de crianças crescidas, sem estrutura emocional, psicológica e até financeira, para enfrentar o dia-a-dia.

Bem, e onde entra a minha resposta ao texto do Izzy, nisso?

Simples, como quase todo mundo, eu era um adolescente "bunda-suja". E não era só na cama ou quarto, desarrumados constantemente. Eu queria fazer tudo do meu modo. Geralmente, tudo "nas coxas". Achava que nada precisava de estudo, preparação, parceria, trabalho e até sorte. Simplesmente inflava meu peito e, no alto da prepotência que o "bunda-sujismo" propõe, eu acreditava que poderia fazer qualquer coisa.
E, nessa onda, eu me dei muito mal. Muito mal MESMO. Errei muito. Perdi muito. Perdi tanto que me obriguei a fechar a minha vida para um balanço. De verdade.

Passei algum tempo pensando em tudo o que tinha feito. Pesando sucessos e fracassos. Minha postura ante cada situação que tive que enfrentar. E vou te contar, amigo: apenas nas situações em que eu agi como um adulto, é que eu tive real sucesso.

Foi aí que eu tomei contato com a filosofia "Get Things Done".

É uma filosofia bem simples de ser vivida, inclusive. Essa filosofia não julga méritos dos planos. Não estipula projetos para a sua vida. Faça o que você quiser, na hora que bem entender, do modo que puder.
Mas, invariavelmente SEMPRE, você é obrigado e resolver as coisas.

Exemplo: Queres comer? Beleza. Trabalhe, ganhe seu dinheiro, monte a sua cozinha, faça suas compras, prepare seu prato, coma, limpe a louça, a cozinha e deixe tudo organizado.
Em cada etapa, problemas aparecerão. Esses problemas não podem ser empurrados com a barriga. Não podem ser negligenciados. Não podem ser resolvidos com gambiarras. Não há espaço para o erro. Cada problema que aparecer entre você e o seu objetivo deve ser PERMANENTEMENTE resolvido.
Sim, quando falo "permanentemente" significa que você deve acabar com o problema. E, preferencialmente, da melhor forma possível, para que ele jamais retorne.

Imagine que você quer colocar um quadro na parede, mas não tem bucha e parafuso.
Bem, nosso amigo "bunda-suja" pega um prego e o martela na parede. Coloca o quadro de qualquer forma e já era. O quadro até pode aguentar por anos. Mas, né? Uma hora ele pode cair. Sem falar que a parede foi estragada.
Já o amigo "Get Things Done" não pensou duas vezes. Levantou o traseiro gordo, foi até uma loja, comprou buchas e parafusos. Voltou para casa. Calculou o lugar do quadro corretamente. Fez o furo na parede corretamente, cuidando para não sujar nada e para não estragar a pintura. Colocou a bucha, o parafuso. Arrematou corretamente. Nosso amigo "Get things Done" não colocou só um quadro na parede. Ele decorou seu ambiente da melhor forma possível.

Sim, amigo. Ser uma pessoa "Get Things Done" é cansativo. Ainda mais para nós, que não nascemos assim. Não é fácil desapegar-se de paradigmas. Principalmente o de não julgar se a vontade inicial do plano é boa ou não. Não somos preparados para que baste uma vontade para criar um plano excelente, que te conduza por ações excelentes, para que você resolva os problemas com excelência, até alcançar o seu objetivo, devidamente alicerçado. Temos medos, milhares de perguntas e receios, com as vontades novas.

E eu creio que é exatamente essa a transição do adolescente "bunda-suja" para o adulto "get things done". Parar de achar que sabe o que deve ser feito e simplesmente fazer da melhor forma possível o que deve ser feito.

Essa transição foi especialmente difícil para mim, visto que eu próprio tive que criar o meu rito de passagem. Sair do "bunda-sujismo" foi complicado. Mas, cada vez que eu comparo o ponto inicial de onde parti, com o meu momento atual, já tenho uma satisfação incrível.

E, olhando as perspectivas que vislumbro no futuro, tenho vontade de escrever um livro e catequizar as pessoas. Para que todos possam ter as ferramentas filosóficas e comportamentais mais sofisticadas. E, talvez, assim, alcançarem seus objetivos sem precisarem passar por cima de nenhuma outra pessoa.