sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Folha de São Paulo fecha o seu "Conteúdo"

É, amigo... Bob Dylan tem uma música chamada "The times they are a-changing".

Não conhece? Ah, conheces sim! Ela é o tema de abertura de Watchman.
Não conhece, ainda? Então eu ajudo: Eddie Vedder tocou ela:


Demais, né? AQUI tem a letra. É uma excelente música, acredite em mim!


Somos seres tridimensionais, presos na dimensão do tempo. Para nós, humanos, a única maneira de utilizar 
o tempo é "andando para frente". Como o choro é livre, aconselho que seja feito na cama, que é lugar quente.

Para nós, o tempo passa e se perde. O nosso único 
modo de driblarmos o tempo é somarmos o nosso ao 
dos outros. Como fazemos isso? Conhecendo as 
ideias de quem veio antes de nós, e pensando 
exatamente do ponto em que os demais pararam. 
Assim, ao invés de termos pilhas de conhecimento 
com "80 anos de idade", podemos somar o nosso 
esforço à alguma pilha de conhecimento que já exista. 
E, mesmo que nós só consigamos adicionar um ou 
dois anos de conhecimento à pilhas já existentes, isso 
já é um avanço maior do que ficar repetindo tudo o 
que os demais já fizeram.

Assim, se formos utilizar a lente dessa minha opinião para ver o mundo, o dispositivo mais próximo de 
uma máquina do tempo que já criamos é... UM LIVRO!

Escolas, ginásios e faculdades são verdadeiros templos à criação de máquinas de tempo!


Então, consequentemente, as pilhas de conhecimento não são mais propriedades de ninguém, visto que muitas pessoas já contribuíram para cada assunto. Sim, as opiniões que você defende incansavelmente não são suas. Todas as ideias já foram proferidas por outras pessoas. Imagine só: quando você briga por causa de uma ideia ou opinião, está fazendo isso só para defender o brio pessoal do autor da ideia, contra os seus opositores.

Magnífico brigar com pessoas por causa de ideias, não?

O que acontece, amigo, é que as ideias evoluem com o tempo, conforme Bob Dylan cantou muito bem. Os tempos mudam e as ideias ruins vão sendo abandonadas no ritmo em que as pessoas que as defendem morrem ou simplesmente desistem.

Quer um ótimo exemplo disso?

Jornais.

Semana passada, a Folha de São Paulo começou uma caça às bruxas. Solicitou que o Diário da União parasse de reproduzir os textos do jornal em seu apanhado geral de assuntos.

A notícia você pode ler AQUI.


Todos sabem que os jornais pagam funcionários para que encontrem e escrevam sobre os fatos do dia. O problema, amigos, é que isso já não é mais tão valioso, assim. O advento da internet - e suas milhares de ferramentas altamente eficientes para a comunicação instantânea - fez com que as notícias nuas e cruas perdessem o seu valor para impressão.


Sejamos práticos: o Twitter noticiou a morte de Bin Laden horas antes da primeira linha sobre o assunto ser impressa.

Para receber informações, melhor que seja nas redes sociais. Ali, as pessoas postam e compartilham, até que cheguem a você. E, convenhamos, o que tem de jornalista em Twitter... Todos correndo atrás de notícias, utilizando a rede para conseguir furos de notícias...

Sim, amigo. Basta você saber a quem seguir nas redes sociais, que você fica sabendo de praticamente tudo, exatamente no instante que está acontecendo. Hoje, qualquer pessoa com um celular é uma central geradora de notícias. Qualquer um pode tirar uma foto e postar a manchete nas redes sociais. Qualquer um.

Com essa agilidade toda, o que sobra para um calhamaço de papel, impresso uma vez por dia? Ficar lendo os acontecimentos de ontem, quando no seu celular você tem tudo o que acontece, agora?


Muitos jornais colocaram seu conteúdo na internet. Mas, então, só acabam montando uma estrutura mais cara, para replicar mais e mais informações. Mas, mesmo assim, a notícia ainda é "de segunda mão".


O que sobra para a mídia tradicional? Simples: A Credibilidade e a Opinião.

A mídia tradicional, agora, tem uma nova função. Muito mais do que colocar o acontecimento no "preto-no-branco", a mídia tem que correlacionar fatos. Buscar o algo a mais. Utilizar-se de sua credibilidade para formar opiniões de verdade. Entreter com textos e pontos de vista. Esse é o novo papel da velha mídia.

Insistir no modelo antigo é o primeiro passo para que, logo, todas estas grandes marcas percam a 
credibilidade. E, tão logo percam a credibilidade, elas se perderão.

Eu acredito que a Folha só perderá. Sei que esse periódico não precisa de mais publicidade, mas a não 
publicação do material da Folha no Diário da União só irá prejudicar à própria Folha. Mesmo porque, o 
que está noticiado na Folha, está em todos os demais jornais.


E, enquanto a mídia tradicional não se liga disso, nós, Blogueiros, vamos nos dando bem, ao correlacionar 
os fatos e ao dar nossas opiniões nos mais diversos assuntos que encontramos.



Essa é uma ideia que já evoluiu com o tempo. Adapte-se ou seja extinto.