quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

One Night Stand


É, amigo. Você bem sabe como funciona a minha cabeça. Ela não para, o pensamento é difuso, uso múltiplos pontos de vista para atacar uma mesma ideia e eu não consigo interrompê-la. Talvez por isso que eu seja um "monotarefa": meus pensamentos paralelos são tão intensos que ocupam muito do meu tempo de processamento e não me deixam pensar em muitas coisas da "vida real" ao mesmo tempo.

Mas, ironicamente, esses mesmos pensamentos paralelos geram tantos sonhos e vontades, que eu acabo empilhando metas na minha vida. Considero como a minha passagem de menino para homem a capacidade de transformar "Seria tão bom se isso acontecesse", "Seria tão bom se eu pudesse fazer aquilo" ou "Seria tão legal se eu tivesse isso" em "É assim que eu farei tal coisa acontecer", "É dessa forma que eu farei aquilo" e "É assim que eu vou conquistar isso".

Sim, aprendi a sair dos sonhos e transformar em realidade. Desde a coisa mais simples, até a mais complicada.

Só existe um problema: São muitos sonhos transformados em planos, para pouco tempo. E Haja Vida para tantas coisas que devem ser feitas!

Essa situação me fez ver que eu não tenho tempo, sabe? Eu não possuo vida o suficiente para ficar deitado, perdendo tempo precioso que se esvai contra a minha vontade. São muitos projetos para trabalhar, poucos braços amigos para me ajudar e, definitivamente, nenhum tempo para errar.

Então, eu vejo as pessoas à minha volta. Parentes, amigos, colegas, conhecidos e desconhecidos... Tanta gente desperdiçando suas vidas, como se tivessem vindo ao mundo em um gigantesco passeio turístico. Gente que fica se maravilhando com tudo ao seu redor, parecendo não perceberem que qualquer coisa que veem é resultado direto de algum esforço de terceiros. Gente que não se presta a dar o seu quinhão para os demais, mas se aproveitam de tudo o que os outros fazem!!

Eu simplesmente não compreendo gente que estuda sem se empenhar. Compreendo que exista confusão e até demora na escolha da carreira. Não é fácil para adolescentes decidirem a profissão que irão desempenhar por sua vida, sem terem - sequer - uma experiência válida na área. Essa história de "escolher às cegas", aliada a necessidade de ganhar a vida de qualquer modo, fazem das nossas faculdades verdadeiras linhas de produção de "monstros profissionais". Gente que não tem certeza do que escolheu, que não conseguem desempenhar o seu papel corretamente, e que acordam todos os dias somente com o pensamento no dinheiro que ganharão.

Exatamente por isso, também não compreendo os profissionais que se sujeitam à rotinas estafantes, estressantes e desinteressantes. Ainda mais se essa submissão não for parte de um plano maior, mais elaborado. Aguentar por anos a fio um emprego que não gosta é, com certeza, a maior perda de tempo que uma pessoa pode ter.

Mas antes fosse só no plano profissional. Tem gente que leva isso para o plano amoroso, sabe? Permitem-se ficar com uma pessoa hoje, outra amanhã, só "aproveitando o momento". É. Eu chamo esse "aproveitar o momento" de "perder o seu tempo", mesmo.
Mas piora mais ainda se uma pessoa se deixa envolver e entrar em uma relação sem a devida paixão para trabalhar pelo sucesso do relacionamento. Uma enganação que, acreditem, existe. Dizem que os maus bocados que passamos servem para aprendermos para o futuro. Mas eu não vejo sentido em fartar-se em banquetes diário destes maus bocados!

Particularmente, quando entro em uma relação é para que ela dê certo. Entro de corpo e alma. Com todos os sentimentos necessários, desde o primeiro momento. Sim, depois que eu notei o quanto aquela pessoa é especial, não vejo motivos para não olhar no fundo dos olhos e dizer que quero todo o bem do mundo ou que amo.

Não entendo a perda de tempo em querer se relacionar com outra pessoa e ficar colocando medos e receios na frente da felicidade. Parece que essa dúvida é artificial, um modo da pessoa se proteger, caso o relacionamento não dê certo. "Viu, fiz bem em não me entregar de corpo e alma! Não iria dar certo mesmo!". O problema aqui, ao que me parece, é que o remédio para a situação mais pessimista acaba sendo o veneno para a situação mais otimista: em lugar de se abrir e fazer todo o possível para que tudo dê certo, as pessoas levantam muros para o novo amor, na tentativa de se proteger de uma possível desilusão.

Não consigo compreender essas pessoas que vivem nesse mundo. A vida é feita de altos e baixos. E os "baixos" só acontecem porque nós não nos empenhamos o bastante para que os "altos" aconteçam. E o nosso tempo é muito escasso, para deixarmos o mundo nos puxar para baixo, arruinando todos os nossos sonhos bonitos...

Eu me recuso. Continuo dizendo mais "sim's" do que "não's" para a vida. Talvez, por isso, eu seja recompensado pela vida, recebendo pessoas especiais no meu mundo com uma rapidez até meio assustadora. Eu quero que esses pessoas fiquem na minha vida e desfrutem de cada segundo bom que eu possa oferecer.