quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Liga a CAM...

Eu não ia escrever sobre isso.
Ou melhor, certamente eu iria escrever, mas não iria publicar.

Sim, amigo. Eu escrevo centenas de textos e cartas para você. Mas, desde que eu decidi parar de publicar um texto por dia, a minha vontade de escrever aumentou. Hoje, tenho muita coisa escrita e dou-me ao luxo de te enviar apenas as coisas que acho boas o suficiente.

Negócio perigoso esse, mesmo porque os meus textos que você mais lê estão entre os que eu jamais publicaria, se não seguisse a regra de te mandar um texto por dia. E, em contrapartida, os que eu mais gosto não foram lidos tantas vezes quanto eu acho que eles mereciam.

Talvez até volte a escrever assim, ano que vem. Vai saber...

Mas o que eu tenho pra te contar hoje é a respeito de um fato até então inédito na minha vida. Com enfoque total em como eu processei esse acontecimento e todas as sensações que ele desencadeou em mim.

Eu vou florear um pouco a história. Porque eu sinto vergonha do que realmente aconteceu, no "preto-no-branco". Vou deixar a minha imaginação preencher as lacunas, formar uma historinha e tornar o absurdo um pouco mais aceitável, para mim. Obrigado por me entender.

Como todos sabem, eu tenho dois expedientes. Durante o dia, controlo a matriz de conhecimento do produto Antara, na SystemHaus. Nome importante para "Documentador", não é?
E, durante a noite, empenho-me para fazer o melhor Blog que eu consigo. Aqui nesse, espaço, eu escrevo tudo o que eu penso, com endereço certo para você.

Novamente, não sei porque cargas d'água vocês preferem me adicionar no facebook ou no gtalk para conversarem comigo sobre os meus textos. Embora eu escreva diretamente para você, "você" são, pelo menos, duas mil pessoas por dia! Seria tão legal se vocês escrevessem o que pensam ali nos comentários, em vez de escrever nos chats, comigo. É, essa insistência em falar comigo nos chats faz com que eu perca tempo de pesquisa e escrita. E, aí, vocês ficam com menos textos e postagens para ler...

Mas enfim. Eu sou gente-boa e me esforço para atendê-los nos chats. Até gosto, fiz bons amigos ali! Só acho que vocês estão perdendo de se tornarem bons amigos uns dos outros por não comentarem no Blog. Mas ok, né?

Na noite de terça isso não foi diferente. Estava eu, aqui, com umas 15 janelinhas de chat piscando. Facebook, Skype, Gtalk. Minha barra de programas parecia um pinheirinho de natal decorado com luzinhas pisca-pisca.

Então, uma menina me adicionou no Facebook.

Normal, estou acostumado. Não conhecia, deveria ser alguém que leu alguma postagem aqui, e iria comentá-la, comigo.

Uma cutucada. Hum... Isso é estranho. As pessoas não costumam me cutucar no Facebook. Cutuquei de volta. Porque, né? Vamos entrar na brincadeira!
A cutucada voltou quase instantânea. Hum... Cutuquei novamente.
A cutucada voltou.


Ok, hora de resolver o mistério.
Chamei no chat:
"Oi..."
"Oi!" - ela me respondeu.

Trivialidades, "como está você", etc...

Só que, muito rapidamente, ela começou a colocar uns "lindo" e "querido", na conversa.

Sinal amarelo-quase-laranja-pronto-para-ser-vermelho acionado. Aqui é o momento que as coisas começaram a ficar estranhas. Eu adoro intimidade, carinho e calor humano. Mas da pessoa que eu escolhi. Não, não serve de qualquer um. Não adianta, eu não sou uma pessoa "moderna", que trata tudo como "descartável". Mas, também, me esforço para não julgar as coisas da forma errada. Tento ser legal, dar uma chance para que todos mostrem o que têm de melhor...

Depois de menos de três minutos de chat, perguntei à moça de onde ela me conhecia. "Tu é amigo do XXXXXX" (Por "XXXXXX", subentenda-se um amigo em comum.)

Prontamente, direcionei o foco da conversa para o nosso amigo. Talvez eu conhecesse mais da menina e, no processo, esfriasse um pouco da conversa, diminuindo a intimidade forçada.

Sem chance. Ali mesmo eu fiquei sabendo que o amigo havia "vendido" o Arthur para a menina. Ele disse que eu era legal, que a minha forma de pensar era igual à da menina, que nós dois tínhamos até o jeito parecido, etc, etc, etc...

Então, para a minha surpresa, veio a pergunta:
"Tem MSN? Tem CAM? Liga a cam?"

Olha, a última vez que eu liguei a CAM para alguém, eu já estava conversando com essa pessoa fazia... hum... deixe-me ver... um ano, pelo menos. Não gosto disso. Não sou assim. Mas ok, né? Até o momento as coisas estavam estranhas, mas nenhum limite havia sido rompido, nada de anormal havia acontecido. Só uma conversa-mole, mesmo. Da minha parte, curiosidade sobre a menina, mesmo. O nosso amigo em comum é um grande amigo meu e, se ele disse que a menina e eu pensávamos igual, eu confio.

Liguei a CAM.

Na imagem do outro lado, a menina. Vestida só com lingerie super-curta. Atônito, fiquei sem reação. Pensava algo como "Puta que o pariu, que merda é essa?".
Em menos de dez segundos, a menina ficou sem jeito e desligou a CAM: "Tu tá brabo =(" - ela disse.

Brabo? BRABO?

Não, amigo, eu não estava brabo. Eu estava era revoltado, mesmo.
Quando contei essa história para um amigo, nesse momento ele me chamou de "viado".

Não, não quero escrever um texto me achando, pagando de santinho, aqui. Namoro desde de os 14 anos - com pequenos intervalos solteiro - não porque é "bonitinho" mas, sim, porque acho mais fácil executar as safadezas que tenho em mente com uma parceira fixa, mesmo. Acho que as fantasias e safadezas ficam mais divertidas quando estamos com uma pessoa com quem temos mais comprometimento, mais envolvimento e mais cumplicidade. Longe de mim querer parecer um santo.

Mas a minha revolta transcendeu, porque vi, nesse fato, diversos pontos que me assustaram:

1 - PUTA QUE PARIU, existem meninas que "conquistam" homens, assim?
Tá eu sei. É instintiva a busca de sexo, por parte dos homens. Confesso, inclusive, que eu luto contra isso, dentro de mim. Está encravado nos nossos genes, no nosso estado mais primal: homens querem o máximo de mulheres que conseguirem. Gerar o máximo de filhos que conseguirem. Homens trabalham com quantidade, quando o assunto é sexo, enquanto mulheres trabalham com qualidade.


Assim sendo, se uma menina está interessada em conquistar um rapaz, teoricamente, basta que ela - sozinha - consiga oferecer essa quantidade que, em teoria, o homem é dela.
Mas sabemos que isso não adianta. Que existe muito mais em jogo. Que os gênios têm que bater, que a amizade deve florescer, a conversa deve fluir, o companheirismo e o comprometimento devem ser cuidados todos os dias...

Sendo completamente sincero, senti-me revivendo a ocasião em que fui assediado por um homossexual, em uma danceteria. É muito estranho ser o alvo do interesse alheio, tão direto e focado.

2 - CARALHO, é assim que o meu amigo me vê?
Mas o que me deixou completamente desconcertado e ainda borbulha em minha mente é a visão do meu amigo, sobre mim. Segundo a conversa, o meu amigo conheceu a menina e disse que eu pensava e agia igual a ela.

Ok, é um amigo de longa data e eu admito que ele me conhece muito bem. E, justamente por isso, eu fiquei assustado.
Confesso que as minhas paixões são repentinas e fulminantes. Confesso, também, que eu cometo loucuras por amor - e que eu só noto que foram loucuras depois de realizadas.

E, todas estas reflexões somadas me mostraram um panorama que está me aterrorizando: será que eu já assustei outras pessoas desta mesma forma? Que tipo de monstro eu sou? Será, mesmo, que eu sou tão igual à esta menina? Será que eu não me apressei em julgá-la?

Talvez o meu comportamento exterior não esteja alinhado diretamente com o que eu penso. E, neste caso, qual é o Arthur de verdade? O que está no plano dos pensamentos, buscando a perfeição nas coisas a todo momento? Ou o que está no dia-a-dia, reflexo das atitudes que toma, sejam elas pensadas ou automáticas? Ou, ainda, a pessoa que se "desligou" ao ser surpreendido e, mesmo assim, tomou atitudes não condizentes com o que pensa, e que os outros podem interpretar como sendo o real "eu".

Ainda estou digerindo o que aconteceu. Todos os aspectos. Tentando me descobrir, através do comportamento alheio, indicado como igual ao meu.

Mas, desde já, uma coisa é certa: passei a dar mais valor às pessoas que estão perto de mim. Se eu ajo tão esquisito quanto a menina e, mesmo assim, vocês estão perto de mim, é porque cada um de vocês é muito especial e gostam muito de mim. Obrigado. Mesmo.