quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Descobri que eu sou "Riquinho"

Como todos sabem, eu tenho um apreço gigantesco por uma prainha estacionada no tempo, perdida no meio do nada. Balneário Gaivota é um refúgio ainda hoje para minha pessoa. Minha avó e meu pai moram lá. Muitos amigos meus moram lá. Dormir naquela cidade faz com que eu revigore minhas energias de modo sobrenatural. Minhas olheiras somem em dias.

Talvez seja todo esse apreço faça com que eu me interesse pelo futuro da cidade. Se colocar em perspectiva os locais onde morei, deveria ser muito mais engajado na política de Criciúma. Mas não. Balneário Gaivota me interessa muito mais.

Se o Nissin Ourfali vai para a Baleia (praia de São Paulo...), o Arthur vai para a Gaivota, mesmo!

Porém estou morando em Novo Hamburgo. Não posso participar presencialmente no processo eleitoral de Gaivota. Mas faço o que posso: converso pelo Facebook.

Nos últimos dias, o Roberto Carvalho criou um perfil no Facebook, para fazer campanha para o PMDB. E me adicionou no Facebook. suspeito que ele não saiba o quanto eu tenho preconceito quanto ao PMDB. Mas, mesmo tendo as minhas razões para odiar este partido, eu mantenho o respeito nas conversas a respeito de política.

Ontem, o Roberto fez uma postagem-padrão de cabo eleitoral. "Gaivota está no rumo certo, Continue avançando, vote 15".
Como era uma postagem vazia, respondi à postagem:


Então, amigos. Eu queria provocar, mesmo. Queria saber um único projeto deles. Queria ver o cabo eleitoral virtual falando qualquer coisa relacionada com política. Queria ver argumentos. Queria um debate. Lógica. Para que todas as pessoas pudessem ver os fatos e decidirem por si.

Mas a resposta que obtive foi esta:


No lugar de argumentação política, embasada com projetos, ações e obras, o cabo eleitoral do PMDB abriu sua "caixa de ferramentas" já na primeira resposta. Ataques diretos mentirosos, manipulando a realidade à seu favor e rebaixando a pessoa do candidato que eu creio ser o melhor para a cidade.

Obriguei-me a responder à provocação, mas não abri mão da minha classe para tanto:


Vamos deixar uma coisa clara quanto às "dividas" do Jorge? Balneário Gaivota é uma cidade que depende exclusivamente do verão. E nos últimos oito anos, sem o devido cuidado com a infra-estrutura e com os eventos, os veraneios têm sido mais curtos que o convencional, para o comércio. Os turistas ficam cada vez menos tempo ou simplesmente escolhem outras praias.
O Jorge possui o Mistura Tropica, uma casa de shows. É evidente que, sem apoio da prefeitura, o negócio dele ficará cada vez mais à míngua, até que desapareça de vez. Sem eventos, sem turistas. Sem turistas, o Mistura não tem público para que o Jorge chame grandes shows. Sem grandes shows no Mistura, a cidade perde, novamente. Um ciclo vicioso que resultará na morte do verão da Gaivota.
Aliado a isso, o prefeito do PMDB (mesmo que está tentando a reeleição) negou o alvará para o Mistura, que já opera na cidade há mais de 20 anos. O Jorge ainda precisou de um mandato judicial para operar.
Diga-me como alguém consegue viver um ano inteiro, com a receita de dois meses de verão, severamente prejudicados pela ineficiência turística de uma cidade de Balneário?

Complicado, não é?

Então, na minha resposta ao Roberto, coloquei as agressões pessoais em seu lugar. Ele atacou o Jorge, lembrei-o que o Bonamigo não é exatamente um modelo de boa conduta. O que o Roberto me respondeu?

Um ataque direto A MINHA PESSOA!


Cara, tu viu que coisa legal? EU SOU UM RIQUINHO!

Nossa, estou me sentindo a nata da sociedade mundial, agora! EU SOU UM RIQUINHO!

Amigos, meus pais têm cultura. Minha avó paterna têm cultura. E só. Os outros três avós eram pessoas simples. Bombeiro, costureira e comerciante. Gente do povão mesmo. Aliás, minha avó paterna é professora/supervisora escolar. Se isso é ser elite, o que vou te dizer?
Eu estudei até metade do segundo ano do segundo grau em colégios públicos. Por um esforço tremendo, fiz um ano e meio de escola particular para tentar ter mais chances de passar em uma Universidade Federal.

Não conseguindo cursar uma federal, contentei-me com uma particular, mesmo. Mas sabia que teria que me esforçar muito para custeá-la. Família ajudou, muito trabalho para dar um jeito. E sequer terminei ainda!

Pior: escolhi errado a faculdade. Optei por Tecnologia da Informação em uma região distante ao menos 300Km do parque tecnológico mais próximo... Ou seja, tinha conhecimento para criar softwares, mas nenhuma empresa de softwares para trabalhar, por perto!

Demorei 4 anos para conseguir uma chance em outra cidade. Aí que vim para Novo Hamburgo. Comecei a droga da minha carreira já com 26 anos... Estou a menos de 6 meses dos 30 anos, com o mesmo salário de alguém de 23, 24 anos...

Mas enfim, EU SOU UM RIQUINHO, sabe?

Respondi ao Roberto:


Eu fiquei pensando nisso, sabe? Meu pai sempre me aconselhou a utilizar-me da minha aparência. Eu nunca dei bola. Mas, hoje, lendo essa agressão, eu me dei conta: eu tenho o estereótipo-padrão. Aliás, tivesse eu o corpo malhado, com músculos definidos, eu entraria no exato conceito de beleza masculina. Vejamos:

Loiro. Olhos azuis. Boa dicção. Organizo bem os pensamentos para falar. Comportamento educado. Estudo muito. Leio bastante. Absorvo culturas compulsivamente. Analiso, Interpreto e tiro as minhas próprias conclusões.

Talvez eu engane muito bem, sabe? Se eu aparecer de roupão, com um Whiskey na mão, é capaz de acharem que eu tenho alguns milhões em alguma conta escondida...

Só que não, amigos. Sou um pé-rapado, mesmo. Alguém que lutou por anos para sair do rotativo. Muita disciplina, nenhum gasto extra, nada de luxos, festas ou despesas, como carro. É, eu não tenho um carro. Mas sou "riquinho", sabe como é?

Se hoje eu estou começando a conseguir sair da lama total, é pura e simplesmente graças aos meus estudos, capacidade de aprender e dedicação pessoal.

Se há alguma riqueza em mim, é a pessoa em que eu estou me transformando, a cada vez que eu tomo contato com algum argumento ou conteúdo novo.