quinta-feira, 20 de setembro de 2012

De Modelo à Toda Terra!

Hoje é o dia da minha terra. Hoje, é o dia em que cada gaúcho no mundo celebra a conquista do nosso chão. Hoje é o dia da Proclamação da Revolução Farroupilha.

Vou aproveitar os mais de dois mil amigos - do mundo inteiro - que acessam o Ponto Final todos os dias, para tentar explicar porquê o Gaúcho tem tanto orgulho do seu chão e das suas tradições.

Primeiramente, quero falar aos demais brasileiros que não somos nós, Gaúchos, os diferentes. Nosso costume não é excêntrico e diferenciado. Aliás, se você olhar com cuidado os povos do mundo inteiro, verás muito mais culturas que valorizam seu chão e seus costumes, do que povos "desapegados" e "descomprometidos" com sua nação. Sim, os compatriotas brasileiros é que são a exceção. Os esquisitos.

Podemos ver essa chama de orgulho nos Estados Unidos, na Europa, em várias tribos da África (que ainda lutam para desvencilharem-se das fronteiras traçadas pelos colonizadores europeus), no patriotismo de vários países da Ásia e, até mesmo, nos nossos vizinhos da América Latina, como Venezuelanos, Uruguaios, Argentinos, Chilenos, etc...

Sim, amigos, o normal, mudo a fora, é que as pessoas se orgulhem do chão onde pisam. Que as pessoas morram com alegria, pela liberdade dos seus conterrâneos. Que cada indivíduo se sinta responsável pelo futuro de cada milímetro do lugar onde vive.

Mas porque o Gaúcho diferenciou-se dos demais brasileiros, nesse quesito?

Agora, falo novamente para todos os leitores.

O Brasil, todos sabem, foi um país criado artificialmente. Nossas "guerras" se deram muito mais porque não aguentávamos mais certas explorações, do que por causa de uma insurgência do povo contra os dominadores.
Tanto que a própria Inconfidência Mineira se deu porque a elite brasileira não queria mais pagar O Quinto à Portugal... Sim! Tiradentes morreu porque alguns poderosos não concordavam em pagar 20% de imposto para a Coroa Portuguesa! Mal sabiam eles que, depois da independência, seus descendentes pagariam mais de 50% de impostos para a "Coroa Brasileira", para os "Generais Brasileiros" e, enfim, para os "Presidentes Brasileiros"...
Sabe, por um segundo eu acho que prefiro "o quinto dos infernos", mesmo. (Ah! Você não sabia que essa expressão era por causa de um imposto, né?)

Em todo Brasil, as "revoltas" se davam porque uma parcela da população estava desconfortável. Seja nordestinos enfrentando extrema falta de infra-estrutura, seja paulistas revoltados contra vacinas (Oo), seja militares querendo dar um golpe... O Brasil desde sempre só teve pequenos grupos querendo vantagens para si próprios.

O Rio Grande do Sul, no entanto, foi a área do Brasil que - literalmente - nunca teve sossego. Começo lembrando que o Rio Grande do Sul, inicialmente, sequer era Português! os primórdios, os Pampas Gaúchos pertenciam à Espanha! Sim! Esse povo do Churrasco e do Chimarrão deveria ter sido Argentino, Uruguaio ou uma república à parte!

Por séculos, inúmeras guerras fizeram a fronteira entre Brasil x Argentina x Uruguai dançar para lá e para cá...
Gaúchos morriam e a Argentina e o Uruguai cresciam em território.
Gaúchos matavam e as estâncias brasileiras aumentavam de tamanho.

E essa dança só teve fim quando tratados foram assinados e as fronteiras foram delimitadas.

Então o Gaúcho notou uma coisa: por séculos o sangue dos nossos ancestrais defenderam missões, defenderam portos, defenderam fronteiras... E, quando tudo acabou, estávamos sendo sobretaxados! Pior: nosso dinheiro era gasto no centro do país!

Nessa época, já existiam muitos imigrantes italianos, alemães e afins, que já haviam fugido da exploração e de suas próprias guerras, em seus países. Chegaram aqui e notaram que, talvez, o melhor a ser feito fosse separar o Rio Grande do Sul do resto do Brasil. Assim, o que era produzido aqui, poderia ser reinvestido aqui. E nossa terra teria mais e mais prosperidade.

Sim, o Rio Grande do Sul foi o único que teve chances de separar uma parte do Brasil.

A luta foi intensa. E, no final, por falta de contingente, o Rio Grande do Sul continuou fazendo parte do Brasil.

Como sempre, os vitoriosos contaram a história e por muito tempo a saga dos separatistas foi passada apenas em rodas de mate.

No meio do século passado, entretanto, historiadores (profissionais e amadores) redescobriram todas as tradições gaúchas. Descobriram que o gaúcho típico era quase um cigano. Um errante, que andava de estância em estância, procurando trabalho para sobreviver. Aprenderam que o hábito de assar carne em valas vinha de roubo de gado. Sim, o Churrasco é a coisa mais fácil de se fazer com carne roubada. Uma vala no chão, madeira em brasa e carne fincada em espetos de pau. A Erva Mate era um chá. Planta abundante no sul, que servia para acalmar o estômago, depois de tanta carne roubada...

Mas o povo daqui aprendeu. Parece que ficou no sangue, nos genes. Nossos ancestrais lutaram por cada centímetro deste chão. E cada um de nós está pronto para morrer defendendo a liberdade conquistada para o nosso povo.

Esse "sangue nos olhos" criou algumas gerações realmente diferenciadas. Gente que valorizou estudos, se esforçou para fazer sempre mais e melhor. Gente que, apesar da concorrência desleal, que leva todos os recursos nacionais para o sudeste e nordeste, ergueu o Rio Grande do Sul como um dos principais Estados do Brasil.

É realmente uma pena que os CTG's estejam criando "Gaúchos fajutos".
Que a globalização esteja substituindo muitas das nossas tradições.
Que o Rio Grande do Sul esteja regredindo na condição de povo diferenciado, principalmente no que diz respeito à educação.
E que o Brasil mantenha essa política ininterrupta de impostos abusivos e pouco ou nenhum investimento no extremo sul do país.

Se eu acho que o Rio Grande do Sul deve se separar do Brasil?
Sim. Poderemos não ser uma potência mundial. Mas teremos certeza que o resultado do nosso trabalho será sempre reinvestido aqui.

"...Sirvam, nossas façanhas, de modelo à toda Terra!..."



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