quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Terceiro Turno em Creches

Eu nasci em Porto Alegre. Todas as vezes que pude, voltei correndo para a minha cidade.
Apesar de ter me criado em Criciúma e Balneário Gaivota e de estar morando em Novo Hamburgo, acho que é mais correto que eu vote em Porto Alegre. Sempre achei. Embora goste de outros lugares, também, a capital gaúcha é o meu chão. Sinto-me em casa quando estou em Porto Alegre. Como se o céu daquela capital me bastasse como teto.

Nas outras cidades pelas quais nutro carinho, eu não me privo de participar do processo eletivo. Dou minha opinião sem medo.

E o mesmo tratamento dou à cidade onde voto.

Na terça, fui à Porto Alegre de trem e aproveitei para escutar o horário eleitoral gratuito, atentamente.

A primeira coisa que eu notei do cenário eleitoral municipal de Porto Alegre é que NINGUÉM. Sim, NINGUÉM falou uma frase a respeito da Copa do Mundo. Sequer mencionaram. Candidatos a vereadores e a prefeito passaram ao largo das questões da copa do mundo que acontecerá daqui dois anos.
Preocupante.

Mas, mesmo assim, fui escutando atentamente aos dizeres dos candidatos a vereadores e a prefeito.

Lá pelas tantas, uma candidata a vereadora falou uma de suas propostas que me chamou muito a atenção.
A candidata chama-se Maristela Maffei, do PCdoB, número 65680.
Entre outras propostas, a candidata Maristela pretende apresentar o projeto:


Vou contar que as outras propostas da candidata Maristela são interessantes e eu adoraria ver os projetos mais detalhadamente.
Mas essa proposta... Incomodou-me demais.

Entendo a necessidade. Muitas mulheres são mães solteiras, não têm com quem deixar os filhos o dia inteiro e querem estudar à noite, para melhorarem suas carreiras. Compreendo perfeitamente.

Mas me correu um arrepio por toda a espinha em pensar que essa medida possa se tornar um incentivo, no futuro. Imaginar as consequências disso, na sociedade, me perturba demais.
Imaginem a criança criada longe da mãe. Sem os valores da mãe ou da família. Com sete anos, a criança terá como referencial materno à "tia da creche", pois irá para casa somente para dormir... E, convenhamos, uma mãe que trabalhe a semana inteira e ainda estude à noite, terá muitos assuntos para tratar na noite de sábado e no dia de domingo, que não sejam somente seu filho. Tarefas do curso, problemas de casa, namoros, festas, etc...

Se esse projeto atende a uma parcela grande das mulheres, tem algo errado, aí. Talvez esteja faltando mais educação sexual, para que as meninas não tenham filhos cedo. Talvez esteja faltando mais orientação sentimental, para que crianças não "brinquem de fazer neném" e passem a planejar melhor suas vidas e a construção de suas famílias.

Enfim, esse é um projeto perigoso, que toca em um assunto complicado. Deveria ser melhor estudado, para que a solução escolhida realmente termine com os problemas, em vez de gerarmos mais um paliativo.

Terceiro turno nas creches? Sou a favor. Mais empregos e mulheres que trabalham à noite poderiam deixar seus filhos nesse serviço fundamental para o desenvolvimento do cidadão. Só acho perigoso que uma mesma criança ocupe os três turnos dessa creche.

Minha lógica fará-me votar no PT, para a prefeitura e para vereador, em Porto Alegre, nessas eleições. Não adianta nadar contra a corrente. Eleger candidatos de outros partidos é implorar de joelhos para que os recursos federais não venham para a capital gaúcha.

Mas quem sabe nas próximas eleições o Brasil não escolha outro partido para governar e, então, possamos votar em outro partido para a prefeitura de Porto Alegre?