quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Ser Alguém Melhor


Meu pai me disse, insistiu, mostrou e até exigiu de mim. E eu demorei quase 25 anos da minha vida para aprender. E, mesmo achando que demorei muito, ainda me considero uma pessoa afortunada por ter conquistado esse conhecimento. Tem gente que passa a vida inteira sem nem chegar perto de entender.

O "pulo do gato" na vida é a realização. E a realização é uma junção de dois fatores: sonhar e fazer. 
Sonhamos com algo diferente, inusitado, único e nosso. Só com isso já dá para notar como sonhar é difícil. Não é todo mundo que consegue a inspiração para coisas novas, diferentes. Que desenvolve mentalmente soluções ideais para problemas insolúveis. De nada adianta ser um "fazedor" de coisas, se você só consegue efetuar o que os outros te dizem para fazer. Repetir receitas prontas não é tão especial, assim.
Assim como não adianta nada sermos somente sonhadores. Precisamos saber pegar esse sonho tão bonito e colocá-lo em prática. Descobrir o modo de operacionalizá-lo. Fazer com que as pessoas - que têm o problema que a nossa solução resolve - utilizem nosso sonho. Aí entram os "fazedores". As pessoas que conseguem convencer as demais de que suas ideias realmente são boas. Que o mundo pode ser melhor se passarmos a pensar de um modo diferente.

O problema é que nada nasce pronto. Sempre é necessário que a ideia se transforme em projeto detalhado, em protótipo, em primeiro produto, em produto de testes... Até que chegue a ser o produto final.

Nesse processo, há algo ambíguo: 
Sempre temos que buscar o melhor para todos. Sim, não basta ser excelente. Não basta que todos tenham acesso. Tudo o que fazemos deve ser o melhor para todo mundo. Nosso planeta tem recursos limitados, assim como nosso tempo aqui na Terra, lembra? Muita gente age como se tivesse todo o tempo do mundo para desperdiçar, errando.
Mas, em outro lado, o processo de inovação é sempre experimental. Vide a lâmpada de Edson. Sonhadores, entendam o que o meu pai passou mais de dez anos me explicando: O importante é ter algo palpável, para apresentar o seu sonho. Nem que seja uma pilha de caixas atrás de você e um único computador funcionando, como Jobs fez.

Assim, temos que procurar o melhor, mas, na falta dele, criar qualquer coisa.

Porque, a partir dessa "Qualquer Coisa", quem não é sonhador pode sonhar a ideia. E quem é sonhador pode trazer os sonhos para a realidade.

Bem, até agora eu estou falando de "produtos" e "coisas". Mas o motivo deste texto é ir um pouco além. Porque eu descobri que essa filosofia não serve só para a área profissional da vida. Ela serve para você, também.

Sim, talvez o melhor objetivo de vida que uma pessoa possa ter é "Ser uma pessoa melhor".

Afinal de contas, o intuito - em todas as coisas - é ser sempre melhor, não é? Porque seria diferente conosco?

"Mas Arthur, esse objetivo é altamente subjetivo! Como alguém vai saber quando chegou a ser essa tal pessoa melhor?"

Ah! Apliquem a fórmula! - Respondo eu!

Vamos começar com Platão, citado em Matrix: Conheça-te a ti mesmo. Tarefa árdua, trabalho Hercúleo.
Podemos começar simplesmente olhando para dentro de nós. Lembra da dica preciosa? Pegue-se em qualquer coisa. Tenha algo palpável para começar a trabalhar. Seja sincero com você e comece com algo que você aceite de si próprio. "Jogo bem futebol", "cozinho bem", "sou um bom aluno", "sou um péssimo amigo"... Opa!

Aí está a primeira dica de meta a ser superada para que o objetivo de "ser alguém melhor" seja alcançado. Quando a conversa com você mesmo for sincera, você passará a se ver "de fora". E, assim, passará a se auto-criticar. E cada uma destas auto-críticas mostrarão o que você deve fazer para ser um alguém melhor. Sim, você mesmo é réu, promotor, juiz e executor. Sim, isso requer força de vontade.

Então, com um primeiro esboço na mão, você poderá começar a trabalhar o que você próprio acha ruim em si. Um dia de cada vez, uma ideia de cada vez. Projeto detalhado, protótipo, primeiro produto, produto de testes... Até que chegue a ser o produto final.

Ninguém é perfeito. Mas não sejamos hipócritas: todos gostaríamos de ser. Sermos pessoas melhores para as pessoas que estão à nossa volta. Fazer as coisas certas, para não magoarmos e não perdemos ninguém que nos é caro. Só que o que mais acontece é que não conseguimos essa felicidade. Então, acabamos nos acomodando e nos tornando pessoas amargas, por causa dos sucessivos fracassos em sermos pessoas melhores. Tão amargos que nem notamos que nós próprios atraímos para nossa vida esse sucessão de fatos que não se desenrolaram como queríamos... E, geralmente, por pura falta de força de vontade.