segunda-feira, 1 de outubro de 2012

TED

Então fui assistir ao filme TED.

Normalmente eu coloco um botão Spoiler para esconder o texto de opinião, cheio de citações do filme.

Mas, quando faço isso, eu escrevo aqui, abertamente, "se você não assistiu ao filme não clique no botão e vá ao cinema mais próximo". Porém, desta vez eu não consegui escrever isso.

Sinceramente? Só vá assistir no cinema caso você esteja muito curioso ou não tenha nada melhor para gastar o seu tempo e dinheiro.

O filme é assinado pelo criador de Family Guy (Uma família da pesada) e Amercan Dad. Por isso, eu imaginei que o filme fosse ser MUITO ENGRAÇADO. Sim, uma comédia idiota, cheia de palavrões, peidos, arrotos, infantilidades, tiradas fantásticas sobre a vida e ritmo alucinante.

O problema, ao meu ver, é que filmes não são seriados. E, por causa disso, essa fórmula não funciona tão bem assim. Claro que o filme tem piadas boas e momentos ótimos. Mas... Contar uma história em cerca de uma hora, tendo que apresentar os personagens no caminho e, invariavelmente, precisando concluí-la com coerência, é complicado demais, para essa fórmula.

A história é bem simples: John é uma criança sem amigos que deseja no Natal que seu ursinho TED "fale de verdade". Magicamente seu pedido é atendido e o ursinho ganha vida. John não esconde o TED de ninguém, o que faz do ursinho uma celebridade. Então, o filme corta para um John com 35 anos de idade, ainda amigo do seu ursinho TED, que já não é mais uma celebridade. Ambos cresceram, virando jovens típicos: álcool, vadiagem, drogas, mulheres, etc, etc, etc... Aí entra a namorada do John, que não gosta nem um pouco do estilo de vida infantil dele. Lori tem convicção que John não cresce por causa da influência de TED em sua vida. Então vem o ultimato: John deve escolher entre seu ursinho, amigo de infância, ou sua namorada e uma vida adulta.
Depois de um incidente com prostitutas, TED vai morar sozinho. Arranja trabalho e namorada. Mesmo assim, insiste com John, para que ele continue fazendo farras. O ponto máximo é uma festa na casa de TED, em que o ator que fazia Flash Gordon (série favorita de John e TED) estava presente. John deixa Lori sozinha em uma festa na casa do chefe da Lori (que dá em cima dela o filme inteiro) e vai farrear com TED.
Lori descobre e acaba tudo com John. John e Ted ainda tentam - separadamente e juntos - fazer com que Lori volte. Depois de muita conversa e uma loucura, Lori acaba aceitando conversar com John. Quando eles estão para se acertar, John recebe uma ligação. Ted havia sido sequestrado por um maluco que o queria para dar-lhe ao seu filho.
Há perseguição, luta e, no fim, Ted é partido ao meio. Momento de comoção. John e Lori levam Ted correndo para casa e costuram ele, novamente. Mas Ted não desperta.
Tristes, John e Lori vão dormir. No meio da noite, Lori faz um pedido. Na manhã seguinte, John acorda, para na frente do corpo do Ted. então Ted levanta e todos "vivem felizes para sempre".

O personagem TED é bom. Talvez a sequência salve a franquia. Mas o personagem só será mais explorado com o tempo, certamente. Porque, nesse primeiro filme, ficamos apenas com a impressão que Ted é Peter Griffin. As cenas em que Ted fala com seu chefe no mercado foram as que mais ri.

Sobre o enredo, pareceu-me muito com o formato do Harry Potter. Em ambos filmes, parece que o autor nunca sabe "o que vem a seguir". Personagens "aparecem do nada". Outros personagens parecem ser muito importantes quando são apresentados, mas não se desenvolvem e, durante a trama, simplesmente desaparecem!

Exemplos?
Os colegas e o chefe do John (amigo do TED) tomam cerca de cinco minutos do filme. Mas só para uma aparição do colega gay na festa na casa do Ted e a aparição do chefe do John em seu casamento.
Já o maluco que sequestra e mata o Ted só aparece no meio do filme. Sem mais nem menos. Coincidência pura, em um parque, no meio do nada. Depois, nem sabemos como, o maluco descobre o mercadinho em que Ted trabalha e o aborda nos fundos da loja. E tão repentinamente quanto ele aparece, o maluco some. Não vemos ele sendo preso, morrendo ou só fugindo!

As piadas são um capítulo à parte. Tem alguns momentos em que as piadas são ótimas. Você não precisa pensar nada para rir do que está acontecendo. Mas a grande maioria das piadas faz referência direta à cultura norte-americana. Quem não tem essas referências sequer nota que estão contando uma piada. Aí, acontece a situação chata, em que meia dúzia dão gargalhadas e o resto do cinema inteiro está quieto.

Mas vamos analisar e interpretar o argumento do filme.
Então, John é um cara meio infantilizado? Ah, meu amigo... Todo homem é meio infantilizado. Todos nós tratamos a vida como um jogo. Alguns conseguem apostar cifras maiores e, por causa disso, compram brinquedos mais caros. É assim a vida. Homens são simples, lembra? Nós queremos fazer tudo direitinho durante o dia, para ter direito de "derrubar uma ceva", no final do dia. E, com sorte, poder se deitar do lado de uma mulher que a gente goste. John não é diferente disso. E Lori demorou um filme inteiro para notar que cada um é o que é. E John é o melhor amigo de Ted.
Sinceramente, eu poderia amar loucamente qualquer mulher do mundo. Mas ela jamais poderia me dizer para não ser mais amigo dos meus parceiros. Assim como cada um dos meus parceiros sabem que eu prefiro estar com a minha namorada do que com eles. Então, esse cabo de guerra babaca que o filme propõe acaba sendo até certa forma irritante. A situação seria mais simples se John fosse homem o suficiente para dizer a Ted e a Lori exatamente o seu lugar na vida dele. Sim, essa ladainha demora um filme inteiro.

Sinceramente?
Eu acho que perdi meu tempo assistindo Ted no cinema. Valeu a companhia e a pipoca. Mas eu não perderia nada se esperasse pelo ano que vem, quando esse filme deverá inundar a TV a Cabo.

E quanto ao senhor Protógenes Queirós, que teve um xilique depois de assistir ao filme... Ah! Por favor! Não há nada de diferente no filme, do que vemos no dia-a-dia da população do mundo. Em lugar de gastar o dinheiro público combatendo o "mau exemplo" do filme, que o digníssimo deputado deixe de ser hipócrita e passe a usar seu tempo na solução do problema das drogas ou do emprego, então. Assim, sem drogas e com empregos para todos, filmes como Ted não teriam nem fundamento em existir...