sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Nobel da Paz


Dia de falar sobre mais um premiado pelo Nobel.

Hoje, eu quero falar com vocês sobre o Prêmio Nobel da Paz.

Neste ano, o Nobel da Paz foi dado à União Européia. Você sabe o por quê? Não? Eu explico.

Depois da Segunda Guerra Mundial, os países sérios estudaram à exaustão (e ainda estudam) as causas do conflito. Evidentemente, para que possam intervir antecipadamente e, é claro, evitar o confronto direto.

Analisando o que gerou guerras como as incursões de Napoleão e da Alemanha na primeira e na segunda guerra mundiais, a primeira coisa que notamos é que, se a economia entra em colapso, a sociedade perde a referência.
Trazendo para o nosso dia-a-dia, se o dinheiro não tem mais valor, as regras do jogo deixam de fazer sentido. E, sem regras definidas de como a vida deve seguir, a confusão se instala. O jogo é definido por suas regras. Sem regras não há um jogo. Sem jogo, a anarquia impera. Aí, meu amigo, é “cada um por si e Deus contra todos”. “Quem pode, pode, que não pode se sacode”. A regra do mais forte se instala e a violência se torna rapidamente a solução para todos os problemas.

Resumindo o parágrafo acima, sem dinheiro viramos selvagens e começamos guerras.

Se você não notou ainda, já somos mais seres humanos do que a Terra aguenta  Nossa economia, por sua vez, também não está comportando tantas pessoas. Faz muito tempo que as atividades básicas, necessárias para a vida, já receberam todos os empregados que precisavam. Simplesmente estamos inventando mercados e ofícios desnecessários à vida, para podermos empregar tanta gente. Por exemplo: você acha mesmo que precisamos de moda, design e toda a indústria de obsolescência programada?

Amigos, eu não quero dar uma de Malthus, aqui, e dizer que temos que dizimar uma parte da população para garantirmos o futuro da espécie. Mas é importante notar que existem inúmeras estruturas artificiais de obtenção de recursos, hoje em dia. E, apesar de serem lucrativas, essas estruturas são extremamente frágeis. Basta que um pedacinho da corda arrebente para que tudo desmorone.

E isso aconteceu recentemente. A Europa criou um sistema de união de economias. Um sistema artificial, que inundou economias insignificantes (como a Grega e a Portuguesa) com muito dinheiro. Dinheiro, esse, lastreado por petróleo. Petróleo que lastreava, antes, o Dólar norte-americano.

Sim, a criação da Zona do Euro foi uma espécie de roubo de contratos de exploração de petróleo, que a Europa fez contra os Estados Unidos. Estivéssemos em outras épocas, talvez uma guerra gigantesca já teria estourado.
Mas não. Os Estados Unidos souberam operar cirurgicamente. Atacaram o Oriente Médio, readquiriram os seus poços de petróleo e, nessa guerra, quem perdeu foi o Euro.

Então, para se capitalizar novamente, o Euro (perdedor da guerra) passou a comprar investimentos públicos dos Estados Unidos. Ou seja, a Europa deu dinheiro para os EUA. Só que os Estados Unidos não souberam gerir direito esse dinheiro. Então, quando a Europa precisou de dinheiro novamente, os títulos norte-americanos de Hipotecas e Previdência estavam “podres”: não havia dinheiro.
Toda uma guerra travada no plano econômico. E no Oriente Médio, claro.

Assim, a zona do Euro está devastada. Sem dinheiro. Euro quase sem lastro. Dinheiro escasso, sem valor definido corretamente. As regras do jogo estão ficando confusas.

Nesse momento delicado, as economias frágeis da zona do Euro já fazem manifestações gigantescas. Eles simplesmente não compreendem a guerra que acabaram de perder. E, como todo perdedor de guerras, devem se sujeitar a austeridade e reconstrução econômicas.

O trabalho da União Européia tem sido controlar essa situação toda, com muita inteligência, para que a guerra não saia do plano econômico e tome as ruas. Você pode não notar, mas a União Européia salvou milhões (talvez bilhões) de vidas. E por isso merece o Nobel da Paz que recebeu.