quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Viver da Aparência

Não, não é "viver de aparências". É viver DA aparência, mesmo.

Na última segunda a noite eu estava fazendo meu giro de notícias, para o twitter (não brinca que tu perde os giros de notícia? Segue lá o meu perfil: @alssst!), quando vi algumas notícias na mesma capa de site.

A primeira:



Basicamente, a moça aí do lado colocou silicone. Como não poderia deixar de ser, correu para mostrar para todo mundo. Aliás, analisando bem a foto, me parece que a digníssima comprou o tal vestido decotado  com a clara intenção de mostrar o novo investimento líquido. Ou melhor, em gel.

Fazendo uma pesquisa rápida, já sei de onde eu lembro dessa menina: de todos os programas que supervalorizam a imagem. Porcarias televisivas que passam nos finais de semana à tarde. Talk shows apelativos, da TV aberta, durante a noite e, é claro, reality shows.

Mas eu nem perdi muito tempo. Logo fui para outra notícia:


É, amigo. Isso deve ser o sonho de qualquer pai, em relação à sua filha. Nasce a menininha linda e o pai já pensa "um dia ela entrará em uma academia para virar atração para marmanjos!". A mãe, então? Deve passar toda a infância e adolescência da guria ensinando como agir para atiçar aos marmanjos!
Só que não, né gente?
Essa menina da foto é uma ex-panicat. Seu trabalho era ficar fingindo que dançava, mostrando o corpo e servindo de cenário para um programa de humor completamente duvidoso. Agora que nem isso mais ela é, a apelação chega a esse tipo de limite.

Mas a baixaria não parou por aí. Teve mais:


Viu? Não é só no Brasil. Essa digníssima atriz poderia ter saído de casa bem vestida. Tá, nem precisava usar roupas muito sofisticadas. Bastava não atentar contra o pudor que já estava bom demais. Mas não. Ela decidiu sair assim. Pior: vocês acham mesmo que os fotógrafos estavam ali "de bobeira" e "acharam" esse ângulo, essa foto?
Não, amigos. Isso é uma indústria. Esses "famosos" pagam (e caro) para serem fotografados. Para que um passeio qualquer deles "vire notícia". Ou você acha mesmo que o Faustão ama o Leonardo e convida o cantor sertanejo para incontáveis homenagens, em seu programa? Mesmo? Acha que os "calouros" do Raul Gil são artistas garimpados? De verdade que tu pensa isso?

Vou te contar um segredo: é tudo jabá. Cada vez que tu vê algum convidado em algum programa, é porque o "convidado" pagou para estar ali. Serginho Groisman, Angélica, Hulk, Jô Soares, finada Hebe, etc, etc, etc...

Fiquei pensando, por um minuto, como deve ser horrível essa vida de pessoas que dependem do corpo para trabalhar. Que devem passar o dia inteiro malhando, a vida inteira em dietas e, quando o tempo cobra o seu preço, nem cirurgias plásticas resolvem mais. Então, sobra a casca da pessoa vazia. Sobra uma "obra" completamente esquecível. O máximo que falam é "como era linda a Bruna Lombardi!"

Falei tudo isso porque na capa deste mesmo site estava outra notícia:


Balpreet Kaur é a moça da foto ao lado. Ela tem um problema: pelos crescem em seu corpo, como se ela fosse um homem. Uma foto sua foi publicada em um fórum, onde pessoas zombaram dela. Piadas de mau gosto e toda a gama de trollagens dignas dos valentões de internet, foram efetuadas. O pior do ser humano foi exposto, novamente, pela internet.

Nisso tudo, a moça descobriu o fórum, entrou na discussão e, com muita classe, efetuou vários comentários sobre sua religião e de como encontrou paz consigo própria. Eu, particularmente, achei muito pertinente uma frase dela:

"Quando eu morrer, ninguém vai se lembrar do meu físico, só do meu legado."

Falou tudo. Talvez ela tenha falado isso somente por sua condição. Talvez, se ela não tivesse essa doença, fosse só mais uma escrava da aparência. Talvez. Mas esse entendimento que ela alcançou é o que a maioria das pessoas parece não compreender. A única forma de alcançarmos a imortalidade é na memória das pessoas. No legado que nós deixamos. Nas palavras e ações que cedemos ao mundo, e que melhoram a vida dos outros pelas gerações.

Daqui alguns anos eu tenho certeza que não saberei quem são "Renata Banhara", a "ex-panicat", a "Selma Blair" ou até mesmo a "Balpreet Kaur". Mas lembrarei de uma menina que tinha falado que o legado é o que sobrevive. E essa citação, eu sei, jamais irá morrer.